A incontinência urinária é um dos problemas ginecológicos que mais impactam a qualidade de vida das mulheres. Estima-se que quatro em cada dez brasileiras convivam com algum grau de incontinência urinária, segundo a Data8, empresa especializada em dados sobre o público 50+. Dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) indicam que o problema atinge 10 milhões de pessoas em todo o país, afetando cerca de 45% do público feminino.

Março é o mês que marca a conscientização do tema: o dia 14 é reconhecido como o Dia Nacional e Mundial da Incontinência Urinária. Entre os principais fatores que ocasionam a perda de urina nas mulheres estão a gestação e o parto, em decorrência de alterações no assoalho pélvico, além do envelhecimento, da menopausa, do excesso de peso e da constipação crônica.

A sensação de desconforto na região pélvica, bem como a incapacidade de controlar a bexiga, tornam desafiadoras atividades básicas do dia a dia, como a prática de exercícios físicos, noites de sono sem interrupções e até mesmo simples caminhadas”, diz a ginecologista Fernanda Nassar.

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Atletas têm 8 vezes mais chances de ter perda urinária

O problema também pode ser decorrente da própria prática esportiva: mulheres que praticam esportes de alto impacto e alta intensidade têm até oito vezes mais chances de apresentar perda urinária quando comparadas às sedentárias da mesma idade, como explica Luiza Russo, médica assistente e doutoranda no Setor de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal da Escola Paulista de Medicina.

Quando falamos da perda urinária associada à atividade física, geralmente nos referimos a mulheres jovens, sem gestações anteriores e com índice de massa corporal (IMC) adequado, ou seja, sem os fatores de risco clássicos”, diz a uroginecologista.

Segundo a especialista, corrida, vôlei, basquete, crossfit e esqui estão entre as modalidades de maior risco de incontinência urinária entre mulheres jovens. Estudos apontam que 25% das atletas amadoras de esportes de alto impacto apresentam perda urinária, como analisa a especialista no artigo enviado ao VIDA E AÇÃO (veja ao final do texto).

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Conheça as causas mais comuns da incontinência urinária

Desde pequenas perdas durante o dia até as mais significativas, essa prevalência ocorre porque o problema está associado a uma combinação complexa de fatores fisiológicos e comportamentais. Lilian Fiorelli, uroginecologista parceira da marca Plenitud, explica a necessidade de investigar a fundo caso a caso:

Antes de entendermos a causa, é necessário compreender que a perda involuntária de urina, mesmo que mínima, indica algum problema no funcionamento do trato urinário inferior. Nossa sociedade tem o costume cultural de pensar que, com a idade, é normal perder urina. Mas não, é essencial investigar a origem e buscar o tratamento adequado”, explica a especialista.

A condição pode acontecer pelos mais variados fatores, e exige a identificação precisa da causa para o sucesso do tratamento. Segundo a Dra. Lilian, as razões mais comuns para o surgimento da incontinência incluem:

1. Fatores fisiológicos e ginecológicos:
  • Gravidez e parto: a gestação e o parto normal podem desencadear a incontinência, pois o trauma e a pressão podem enfraquecer a musculatura do assoalho pélvico e os ligamentos de sustentação.
  • Menopausa e envelhecimento: o declínio nos níveis de estrogênio após a menopausa compromete o colágeno e a saúde da uretra, resultando no enfraquecimento muscular e na perda de suporte dos tecidos pélvicos.
  • Histórico familiar: a predisposição genética é um fator relevante para a incontinência urinária de esforço.
2. Fatores comportamentais e clínicos:
  • Aumento da pressão intra-abdominal: condições que exercem pressão constante sobre a bexiga, como a obesidade, a prisão de ventre recorrente e tosse crônica (comum em fumantes), contribuem para a perda involuntária de urina.
  • Estilo de vida: a prática de exercícios físicos intensos ou sem a devida orientação profissional também pode aumentar a pressão abdominal e favorecer escapes.
  • Doenças crônicas: condições como a diabetes mellitus podem levar ao mau funcionamento da bexiga e causar a condição.

Como tratar: laser íntimo pode aliviar escapes de urina

De acordo com a uroginecologista Lilian Fiorelli, a intervenção precoce é fundamental. O tratamento depende do tipo e da origem do distúrbio e pode envolver desde fisioterapia pélvica e medicamentos até mudanças no estilo de vida e, em casos mais específicos, cirurgia.

A ginecologista Fernanda Nassar, especialista em tratamentos estéticos íntimos, destaca que os incômodos podem ser aliviados com o laser íntimo, uma tecnologia indolor que estimula o colágeno e a elastina nos tecidos vaginais, promovendo a regeneração celular e o fortalecimento do assoalho pélvico.

Infelizmente, muitas mulheres acreditam que precisam conviver com a incontinência urinária, algumas até se acostumam com os desconfortos. Porém, atualmente, além das medicações, temos o laser íntimo, um protocolo minimamente invasivo e sem contraindicações que fortalece o assoalho pélvico Em poucas sessões, ele já oferece conforto e bem-estar”, conclui a especialista.

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Palavra de Especialista

Exercício faz bem, mas pode trazer um problema silencioso

Por Luiza Russo*

A atividade física é considerada um dos grandes pilares da saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a prática regular de, pelo menos, 150 minutos semanais. A boa notícia é que, segundo estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2009 e 2021 houve um aumento de 22,2% para 31,3% no número de mulheres que atingem essa recomendação, mas o índice ainda segue abaixo do observado entre os homens.
 

Temos observado nos últimos anos que cada vez mais as brasileiras têm praticado atividade física de forma amadora, muitas vezes motivadas pelos benefícios físicos e psicológicos. Modalidades como crossfit, corrida de rua e triathlon tiveram uma ascensão importante nesse período. O cenário é muito positivo, mas o contraponto é que muitas delas ainda evitam a prática por diferentes razões sociais.
 

Vivemos em uma sociedade que supervaloriza padrões de beleza e imagem corporal, o que faz com que algumas mulheres se sintam desconfortáveis em determinados ambientes ou modalidades. Há quem evite academias por estar acima do peso ou pelo fato de não corresponder ao estereótipo estético de algumas práticas.
 

Indo além desse cenário, vemos também que existem barreiras físicas que afastam mulheres do exercício – como a incontinência urinária, condição que é definida como qualquer perda involuntária de urina. Mais comum em mulheres do que em homens, esse sintoma chega a atingir até 40% da população feminina, segundo dados da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp).
 

Fatores como parto, excesso de peso e envelhecimento aumentam o risco, principalmente em mulheres com mais de 40 anos. Mas, quando falamos da perda urinária associada à atividade física, geralmente nos referimos a mulheres jovens, sem gestações anteriores e com índice de massa corporal (IMC) adequado, ou seja, sem os fatores de risco clássicos.

Nessas situações, o impacto vem da própria prática esportiva: mulheres que praticam esportes de alto impacto e alta intensidade têm até oito vezes mais chances de apresentar perda urinária quando comparadas às sedentárias da mesma idade. Corrida, vôlei, basquete, crossfit e esqui estão entre as modalidades de maior risco. Estudos apontam que 25% das atletas amadoras de esportes de alto impacto apresentam perda urinária.

Isso pode ocorrer por alguma condição preexistente da paciente. No entanto, mesmo em pacientes sem antecedentes prévios, o impacto da atividade física pode desencadear os sintomas de perda urinária. Por isso, é interessante que toda mulher que deseje praticar uma atividade física de alto impacto passe por uma avaliação pélvica com um especialista.

Além disso, é muito importante que os profissionais que lidam com praticantes de atividade física, como médicos, educadores físicos, fisioterapeutas e nutricionistas, estejam atentos para abordar esse tema de forma ativa, já que a maioria das pacientes se sentem constrangida em falar sobre o assunto ou mesmo não têm orientação sobre os perigos do esforço contínuo em atividades.
 

É fundamental reforçar que perder urina pode ser comum, mas não é normal, e existem tratamentos eficazes. Todas as mulheres com sintomas devem ser avaliadas por um uroginecologista, que conduzirá o tratamento de acordo com cada caso. As opções vão desde ajustes no treino, fisioterapia pélvica, uso de dispositivos durante os exercícios e até, em alguns casos, cirurgia.

O que nunca deve ser recomendado é a suspensão da atividade física, já que os benefícios do esporte são inúmeros e insubstituíveis.

*Luiza Russo é ginecologista e uroginecologista pela Escola Paulista de Medicina, pós-graduada em Endoscopia Ginecológica e médica assistente e doutoranda no Setor de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal da Escola Paulista de Medicina.

Com Assessorias

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