Dados do Vigitel 2025 ((Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas) revela que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite e 31,7% relatam pelo menos um sintoma de insônia, como dificuldade para pegar no sono, despertares durante a noite ou acordar antes do horário desejado sem conseguir voltar a dormir. Entre as mulheres, a prevalência de sintomas é ainda maior, chegando a 36,2%, contra 26,2% entre os homens.
O levantamento do Ministério da Saúde, realizado em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal, também mostra que 20% dos adultos dormem menos de seis horas por dia, quantidade considerada insuficiente para a recuperação adequada do organismo. O Dia Mundial do Sono, celebrado nesta sexta-feira (13 de março) reforça a importância do sono como um dos pilares fundamentais da saúde física e mental, ao lado da alimentação e da atividade física.
Dormir mal vai muito além do cansaço no dia seguinte. A falta de sono de qualidade pode afetar o sistema imunológico, prejudicar a concentração e até aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Além disso, a privação de sono também pode comprometer a imunidade, deixando o organismo mais vulnerável a infecções.
A importância do sono para a saúde
Especialistas chamam a atenção para a importância de manter hábitos saudáveis de descanso. Para a pneumologista e médica do sono Raíssa Dantas, do Hospital e Maternidade São Luiz Osasco, esses problemas costumam se refletir rapidamente no dia a dia.
Uma noite mal dormida pode provocar sonolência excessiva, irritabilidade, fadiga e dificuldade de concentração. São sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida”, explica.
De acordo com a médica Clarice Fuzi, especialista em Medicina do Sono do Hospital Nipo-Brasileiro (HNIPO), dormir bem é essencial para o funcionamento adequado do organismo. “Durante o sono, o corpo realiza processos fundamentais para a recuperação física e mental. É nesse período que ocorre a regulação de diversos sistemas do organismo para a manutenção da saúde”, explica a especialista.
Os distúrbios do sono mais comuns
Os distúrbios do sono são condições que prejudicam a duração ou a qualidade do descanso, impedindo que o corpo alcance o chamado sono reparador. Entre os mais comuns estão: insônia, privação crônica do sono e apneia do sono (sendo esta dividia três tipos: obstrutiva, central ou mista).
O problema é mais comum do que se imagina. Os distúrbios do sono, que afetam entre 40% e 45% da população mundial, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a Associação Brasileira do Sono (ABS), cerca de 70% dos brasileiros sofrem com algum tipo de distúrbio do sono.
Entre os problemas mais comuns está a apneia do sono, caracterizada por pausas na respiração durante a noite e associada a riscos cardiovasculares e metabólico. Estudos do Instituto do Sono apontam que, na cidade de São Paulo, o problema atinge cerca de 30% da população.
Essas interrupções intermitentes e frequentes na respiração durante o sono estão associadas ao maior risco de problemas cardiovasculares, como hipertensão e AVC”, destaca a médica.
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Benefícios do sono para o organismo
Entre os principais benefícios de uma boa qualidade de sono estão:
- Fortalecimento do sistema imunológico, oferecendo maior proteção contra infecções;
- Melhora da memória, do foco, da capacidade de aprendizado e da tomada de decisões;
- Aumento da criatividade, clareza mental e estabilidade emocional;
- Regulação hormonal e metabólica;
- Redução do risco de doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes.
Por outro lado, a privação de sono pode provocar irritabilidade, dificuldade de concentração, queda de produtividade e aumento do risco de acidentes no dia a dia.
Higiene do sono é fundamental
Para melhorar a qualidade do sono, especialistas recomendam a adoção de práticas conhecidas como higiene do sono. Entre as principais orientações estão manter horários regulares para dormir e acordar, evitar o uso de telas e dispositivos eletrônicos pelo menos 30 minutos antes de dormir e garantir um ambiente confortável, escuro e silencioso.
Também é importante evitar o consumo de álcool, cafeína e refeições pesadas no período noturno. Estratégias de relaxamento, como a meditação ou leitura, podem ajudar a reduzir o estresse e favorecer o início do sono.
Criar uma rotina que favoreça o relaxamento antes de dormir é essencial para que as preocupações do dia a dia não interfiram no momento do sono”, reforça a médica.
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Sinais de alerta
Alguns sintomas podem indicar que a qualidade do sono não está adequada. Os principais são:
• Sonolência excessiva durante o dia
• Sensação de cansaço ao acordar
• Ronco frequente
• Dificuldade para iniciar ou manter o sono
Nesses casos, a recomendação é procurar avaliação médica. O diagnóstico pode envolver exames como a polissonografia, que monitora diferentes parâmetros do organismo durante o sono.
No caso da apneia do sono, a polissonografia tipo 3 é um dos exames mais utilizados e pode ser realizada em casa, durante o sono. O paciente recebe orientações para utilizar um dispositivo simples, que inclui uma cinta torácica para registrar os movimentos respiratórios, um oxímetro no dedo para monitorar a oxigenação do sangue, um sensor de posição corporal e uma cânula nasal que mede o fluxo de ar durante a respiração”, explica Raíssa.
Segundo a especialista, os equipamentos registram essas informações ao longo da noite, permitindo identificar pausas respiratórias e assim diagnosticar a apneia do sono. A especialista também alerta que algumas condições de saúde ou o uso de determinados medicamentos podem interferir na qualidade do sono. Nesses casos, é fundamental buscar orientação médica para avaliação e tratamento adequados.
6 dicas para melhorar a qualidade do sono
Pequenas mudanças na rotina podem fazer diferença na qualidade do descanso. A especialista recomenda:
• Manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana;
• Dormir entre 7 e 9 horas por noite, tempo recomendado para a maioria dos adultos;
• Evitar telas, especialmente o celular, próximo ao horário de dormir;
• Deitar apenas quando estiver com sono;
• Evitar refeições pesadas antes de dormir;
• Manter o quarto silencioso, escuro e com temperatura confortável.
Outro ponto de atenção é o uso de melatonina sem orientação médica. “A melatonina é um hormônio produzido pelo organismo. Ela é produzida no cérebro e ajuda a sincronizar nosso relógio biológico, sinalizando para o corpo que está chegando a hora de dormir. Ela não é uma substância indutora do sono, como muitos pensam”, orienta.
Agenda Positiva
Caminhada do Sono leva especialistas à Praia de Copacabana
Ação gratuita integra a programação da Semana do Sono 2026 e inclui caminhada, distribuição de cartilhas e atividades educativas
No Brasil, a mobilização integra a Semana do Sono, realizada entre 13 e 19 de março, com o tema “Durma bem, viva melhor”, campanha de conscientização promovida pela Academia Brasileira do Sono (ABS). O movimento nacional busca conscientizar a população sobre a importância do sono sobre a saúde física, emocional e a qualidade de vida.
Como parte da programação da Semana do Sono 2026, a Academia Brasileira do Sono promove no domingo, 15 de março, uma caminhada educativa na Praia de Copacabana. A atividade começa às 8h, com saída do Forte de Copacabana, e segue pela orla até a área próxima ao Copacabana Palace.
Ao final do percurso, profissionais da área da saúde receberão o público em tendas montadas na praia para oferecer orientações gratuitas sobre hábitos saudáveis de sono. No local, também serão distribuídas cartilhas educativas e instalados totens informativos e interativos com conteúdos voltados à conscientização sobre a importância de bons hábitos de sono.
A iniciativa integra a campanha nacional da Academia Brasileira do Sono, realizada de 13 a 19 de março em diversas cidades do país, com o objetivo de ampliar o acesso da população a informações confiáveis sobre distúrbios do sono e rotinas saudáveis de descanso.
Segundo a otorrinolaringologista e cirurgiã do sono Luciane Mello, presidente da regional da Academia Brasileira do Sono no Rio de Janeiro, a ação já se tornou uma tradição da campanha na cidade.
Todos os anos a Academia Brasileira do Sono leva para a população informações de qualidade e baseadas em evidências. Os eventos realizados em várias cidades do estado do Rio têm como objetivo esclarecer sobre a importância de um sono de qualidade e seus benefícios para a saúde”, afirma.
A médica destaca que o evento na capital fluminense é o principal da programação regional. “O principal evento do Rio de Janeiro acontece neste domingo, dia 15 de março, na Praia de Copacabana, reunindo profissionais de saúde para conversar diretamente com a população e orientar sobre hábitos que contribuem para uma melhor qualidade do sono”, explica.
Para os especialistas, ações públicas como a caminhada educativa no Rio de Janeiro ajudam a ampliar o acesso à informação qualificada e estimulam a população a reconhecer sinais de problemas relacionados ao sono e buscar avaliação médica quando necessário.
Com Assessorias.

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