O ano de 2026 começa com um cenário encorajador para a saúde pública brasileira. De acordo com o primeiro Boletim InfoGripe da Fiocruz do ano, publicado nesta quinta-feira (8/1), o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apresenta sinais de queda em quase todo o país. O monitoramento, referente à virada de ano (28 de dezembro a 3 de janeiro), indica que a maioria dos estados e capitais está fora dos níveis de alerta ou risco.
Embora os dados tragam alívio, a análise técnica reforça um ponto vital: o controle dessas viroses — especialmente da Covid-19 e da Gripe (Influenza) — é reflexo direto da adesão vacinal. O papel das vacinas é o que impede que o sinal de queda se reverta em novas ondas de internações hospitalares.
O cenário atual: onde o vírus ainda resiste
Apesar da tendência nacional de queda, o vírus não deu trégua em pontos específicos. A pesquisadora Tatiana Portella, da Fiocruz, destaca que as hospitalizações por Influenza A continuam subindo em estados como:
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Norte: Amazonas e Acre.
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Centro-Oeste: Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
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Nordeste: Ceará, Pernambuco e Sergipe.
Em Sergipe, também foi notada uma retomada do Vírus Sincicial Respiratório (VSR). O estado de Rondônia é o único que permanece em nível de alerta no cenário de longo prazo, embora sem sinais de aumento imediato.
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Vacinas salvam: a barreira contra a mortalidade
Os números de 2025 mostram por que a vacinação é uma ferramenta de serviço essencial. Dos óbitos registrados por SRAG no último ano que tiveram resultado laboratorial positivo, quase metade (47,8%) foi causada pela Influenza A e cerca de um quarto (24,7%) pela Covid-19.
Por que vacinar?
A vacina não impede apenas a infecção, mas é o principal recurso para evitar que quadros de gripe ou Covid evoluam para a SRAG, que é a forma mais grave da doença, exigindo hospitalização e, muitas vezes, suporte de oxigênio.
Quem corre mais risco?
O boletim da Fiocruz é claro ao identificar o impacto por faixa etária, o que ajuda a direcionar as campanhas de imunização:
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Crianças pequenas: São as principais vítimas da incidência (novos casos), sofrendo mais com Influenza A, Covid-19, Rinovírus e Metapneumovírus.
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Idosos: Embora os casos possam ser numericamente menores que em crianças, a mortalidade é significativamente maior nesta faixa etária, especialmente em decorrência da Influenza A e da Covid-19.
Tabela: prevalência de vírus em casos positivos (últimas 4 semanas)
| Vírus | Casos de SRAG (%) | Óbitos (%) |
| Rinovírus | 38,6% | 25,8% |
| Influenza A (Gripe) | 21,9% | 28% |
| Covid-19 (Sars-CoV-2) | 13,9% | 34,8% |
| VSR | 5,6% | 3% |
Serviço: proteja-se e proteja os outros
Para manter os gráficos em queda, a recomendação das autoridades de saúde permanece a mesma: atualize sua caderneta de vacinação.
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Vacina da Gripe: Essencial para reduzir complicações respiratórias, especialmente antes dos períodos de aumento de circulação viral.
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Vacina da Covid-19: Fundamental para manter a imunidade coletiva e reduzir a letalidade, que ainda é alta entre os casos graves (34,8% dos óbitos positivos recentes).
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Sintomas: Em caso de febre, tosse e dificuldade para respirar, procure atendimento médico e evite locais fechados para conter a transmissão.
Com informações da Agência Fiocruz




