A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) inicia, nesta segunda-feira (23), a distribuição da nova vacina contra a dengue para os 92 municípios fluminenses. Produzido nacionalmente pelo Instituto Butantan, o imunizante chega como um reforço estratégico no combate às arboviroses. Ao todo, o estado recebeu 33.364 doses, sendo 12.500 destinadas à capital.
Diferente da vacina Qdenga (utilizada desde 2023), o imunizante do Butantan é aplicado em dose única e protege contra os quatro sorotipos da doença. Nesta fase inicial, conforme determinação do Ministério da Saúde, a prioridade são os trabalhadores da Atenção Primária à Saúde (APS) do SUS que atuam diretamente nas unidades.
Quem pode se vacinar nesta etapa?
A vacinação contempla médicos, enfermeiros, técnicos, odontólogos, agentes comunitários de saúde (ACS) e de combate às endemias (ACE), além de equipes multiprofissionais (psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, entre outros) e trabalhadores administrativos das unidades de saúde.
A estratégia de idade também foi definida: como a vacina da Takeda (Qdenga) já é direcionada ao público de 10 a 14 anos, a nova vacina do Butantan será administrada na faixa etária de 15 a 59 anos. O avanço para outros grupos dependerá da disponibilidade de novas remessas pelo fabricante.
A vigilância estadual monitora com atenção a possível reintrodução do sorotipo 3 da dengue. Sem circular no Rio desde 2007, essa variante encontra uma população com baixa imunidade, o que aumenta o risco de surtos caso o vírus — já presente em estados vizinhos — se propague em território fluminense.
Monitoramento em tempo real e indicadores
A chegada da vacina produzida no Brasil ao SUS reforça os pilares da Saúde Única (One Health). O conceito destaca que a saúde humana não pode ser isolada do equilíbrio ambiental e animal. O cenário atual do Rio exemplifica essa conexão: as chuvas intensas pré-carnaval, somadas ao calor excessivo do verão, criaram o ambiente ideal para a eclosão dos ovos do Aedes aegypti.
Segundo dados do Centro de Inteligência em Saúde da SES-RJ, até 20 de fevereiro de 2026, o estado registrou:
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Dengue: 1.198 casos prováveis e 56 internações (sem óbitos confirmados).
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Chikungunya: 41 casos prováveis e 5 internações.
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Zika: Nenhum caso confirmado até o momento.
Tecnologia e diagnóstico ampliado
A população pode acompanhar a situação epidemiológica de cada cidade em tempo real através da plataforma MonitoraRJ. Atualmente, todos os municípios estão em situação de rotina, mas a recomendação de “10 minutos contra a dengue” por semana para eliminar criadouros domésticos permanece essencial.
O estado investe não apenas em vacinas, mas em tecnologia de ponta. O Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ) foi equipado para realizar até 40 mil exames mensais, identificando rapidamente a dengue, zika, chikungunya e a Febre do Oropouche (transmitida pelo mosquito maruim). Além disso, o Rio foi pioneiro na criação de uma ferramenta digital que uniformiza o manejo clínico da doença, tecnologia que já foi compartilhada com outros estados brasileiros.
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Redução de casos graves e o papel da Medicina de Família
Para especialistas, a chegada da nova vacina 100% nacional ao SUS não é apenas uma vitória logística, mas uma estratégia clínica crucial para desafogar o sistema de saúde. Segundo a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), o Brasil faz história ao ser o primeiro país do mundo a oferecer essa imunização de forma pública e estruturada.
Jéssica Arantes, médica de família e membra da SBMFC, destaca que a vacina do Butantan é uma ferramenta segura com alto potencial de impacto. “O uso da dose única tem potencial para reduzir de forma significativa as formas graves da doença e o número de hospitalizações”, afirma a especialista.
Por que priorizar os profissionais de saúde?
A escolha dos profissionais da Atenção Primária para abrir o calendário de vacinação em fevereiro de 2026 possui uma lógica técnica e de proteção coletiva:
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Exposição direta: Estes profissionais atuam na linha de frente, realizando visitas domiciliares e circulando em territórios com alta carga viral.
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Garantia de atendimento: A imunização evita afastamentos médicos, garantindo que as Unidades Básicas de Saúde (UBS) sigam funcionando plenamente nos períodos de pico da doença.
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Exemplo e confiança: A adesão do profissional de saúde fortalece a confiança da população nas vacinas como ferramenta central de saúde pública.
Quando buscar ajuda médica?
A SBMFC reforça que, embora a vacina seja um avanço, a prevenção ambiental e a atenção aos sintomas continuam sendo pilares do One Health. Como o mosquito e o vírus coexistem com as mudanças climáticas e a urbanização, a identificação precoce de sintomas salva vidas.
Os principais sinais de alerta incluem:
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Febre alta súbita;
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Dores no corpo, articulações e atrás dos olhos;
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Náuseas e manchas vermelhas na pele.
O médico de família acompanha o paciente ao longo da vida e é capaz de resolver cerca de 90% dos problemas de saúde, realizando o diagnóstico precoce da dengue e evitando intervenções desnecessárias”, destaca a SBMFC.
Ao apresentar sintomas, a recomendação é procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima para o manejo clínico adequado e hidratação imediata.
Saúde Única: a conexão entre clima, ambiente e prevenção
A chegada da vacina produzida no Brasil ao SUS reforça os pilares da Saúde Única (One Health). O conceito destaca que a saúde humana não pode ser isolada do equilíbrio ambiental e animal. O cenário atual do Rio exemplifica essa conexão: as chuvas intensas pré-carnaval, somadas ao calor excessivo do verão, criaram o ambiente ideal para a eclosão dos ovos do Aedes aegypti.
Com Assessorias




