Profissionais da ‘linha de frente’ da saúde em postos e clínicas da família já começam a receber a nova vacina contra a dengue. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) inicia, nesta segunda-feira (23), a distribuição do imunizante para os 92 municípios fluminenses. Nesta fase inicial, conforme determinação do Ministério da Saúde, a prioridade são os trabalhadores da Atenção Primária à Saúde (APS) do SUS que atuam diretamente nas unidades.
Produzida nacionalmente pelo Instituto Butantan, a vacina chega como um reforço estratégico no combate às arboviroses. Ao todo, o estado recebeu 33.364 doses. A cidade do Rio de Janeiro deu um passo decisivo no combate às arboviroses nesta terça-feira (24). Com a chegada das primeiras 12.500 doses, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) iniciou a vacinação com o imunizante do Instituto Butantan.
Primeiros profissionais começam a ser imunizados na capital
O pontapé inicial ocorreu no Centro Municipal de Saúde José Manoel Ferreira, no Catete — unidade que registrou o maior número de atendimentos de dengue na rede em 2025. De forma escalonada, a prefeitura priorizou os funcionários das 100 unidades (clínicas da família e centros municipais de saúde) que tiveram os maiores registros de casos no ano passado.
Esta vacina é segura e 100% nacional. Estamos vacinando profissionais que trabalham diariamente percorrendo o território e levando educação em saúde”, destacou o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.
A vacinação contempla médicos, enfermeiros, técnicos, odontólogos, agentes comunitários de saúde (ACS) e de combate às endemias (ACE), além de equipes multiprofissionais (psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, entre outros), além dos trabalhadores administrativos das unidades de saúde.
A enfermeira sanitarista Maria Peres, uma das primeiras vacinadas, reforçou o simbolismo da ação: “É um presente vacinar nossos profissionais que se dedicam tanto à vigilância do nosso território”.
Quem pode se vacinar e as contraindicações
A estratégia de idade também foi definida: como a vacina da Takeda (Qdenga) já é direcionada ao público de 10 a 14 anos, a nova vacina do Butantan será administrada na faixa etária de 15 a 59 anos que ainda não receberam nenhum imunizante contra a dengue. O avanço para outros grupos dependerá da disponibilidade de novas remessas pelo fabricante.
Diferente da vacina Qdenga (utilizada desde 2023), o imunizante é aplicado em dose única e protege contra os quatro sorotipos da doença. Confira as principais orientações:
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Público atual: Profissionais de saúde da rede municipal (conforme cronograma da SMS).
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Contraindicações: Gestantes, pessoas imunocomprometidas ou com alergia grave a componentes da fórmula.
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Intervalo vacinal: Caso o profissional tenha tomado outras vacinas recentemente (como febre amarela ou tríplice viral), deve consultar a equipe de saúde, pois pode haver necessidade de aguardar um intervalo de até 30 dias.
Vacinação de crianças e adolescentes continua
Para o público de 10 a 14 anos, a imunização segue normalmente com a vacina Qdenga (esquema de duas doses). O imunizante está disponível nos 240 pontos de vacinação da capital, incluindo clínicas da família e o Super Centro Carioca de Vacinação (unidades Botafogo, Campo Grande e Nova América).
Dados da prefeitura apontam que, desde 2024, cerca de 206 mil crianças receberam a primeira dose, mas apenas 104 mil completaram o esquema. A adesão à segunda dose é fundamental para a proteção total, especialmente considerando que, em 2025, o Rio registrou mais de 9 mil casos e quatro óbitos pela doença.
A chegada da vacina produzida no Brasil ao SUS reforça os pilares da Saúde Única (One Health). O conceito destaca que a saúde humana não pode ser isolada do equilíbrio ambiental e animal. O cenário atual do Rio exemplifica essa conexão: as chuvas intensas pré-carnaval, somadas ao calor excessivo do verão, criaram o ambiente ideal para a eclosão dos ovos do Aedes aegypti.
Segundo dados do Centro de Inteligência em Saúde da SES-RJ, até 20 de fevereiro de 2026, o estado registrou:
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Dengue: 1.198 casos prováveis e 56 internações (sem óbitos confirmados).
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Chikungunya: 41 casos prováveis e 5 internações.
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Zika: Nenhum caso confirmado até o momento.
RJ monitora reintrodução do sorotipo 3 da dengue
A vigilância estadual monitora com atenção a possível reintrodução do sorotipo 3 da dengue. Sem circular no Rio desde 2007, essa variante encontra uma população com baixa imunidade, o que aumenta o risco de surtos caso o vírus — já presente em estados vizinhos — se propague em território fluminense.
O estado investe não apenas em vacinas, mas em tecnologia de ponta. O Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ) foi equipado para realizar até 40 mil exames mensais, identificando rapidamente a dengue, zika, chikungunya e a Febre do Oropouche (transmitida pelo mosquito maruim).
Além disso, o Rio foi pioneiro na criação de uma ferramenta digital que uniformiza o manejo clínico da doença, tecnologia que já foi compartilhada com outros estados brasileiros. A população pode acompanhar a situação epidemiológica de cada cidade em tempo real através da plataforma MonitoraRJ. Atualmente, todos os municípios estão em situação de rotina.
Saúde Única: a conexão entre clima, ambiente e prevenção
Mesmo com o início da vacinação, a recomendação de dedicar ‘10 minutos contra a dengue’ por semana para eliminar focos de água parada em casa permanece vital. No verão, o ciclo do mosquito se acelera, e a prevenção ambiental é a primeira barreira de defesa da Saúde Única.
O conceito destaca que a saúde humana não pode ser isolada do equilíbrio ambiental e animal. O cenário atual do Rio exemplifica essa conexão: as chuvas intensas pré-carnaval, somadas ao calor excessivo do verão, criaram o ambiente ideal para a eclosão dos ovos do Aedes aegypti.
A imunização dos profissionais de saúde também é um exemplo prático do conceito de Saúde Única. Ao proteger os agentes que realizam visitas domiciliares de “porta em porta”, o sistema de saúde garante a manutenção da vigilância ambiental e o atendimento direto à população, equilibrando a resposta humana frente aos desafios impostos pelo vetor Aedes aegypti.
10 minutos por semana contra o mosquito
Na cidade do Rio, a SMS também realiza ações educativas e de mobilização social para orientar a população sobre as medidas para a prevenção de arboviroses urbanas, visando despertar a responsabilidade sanitária individual e coletiva.
Quando necessário, a população pode fazer pedidos de vistoria ou denunciar possíveis focos do mosquito pela Central 1746. Ações de prevenção às arboviroses (dengue, zika e chikungunya) prosseguem em 15 bairros das zonas Norte, Sul, Sudoeste e Oeste da cidade do Rio. Com vistorias em imóveis e orientação à população, as atividades fazem parte da estratégia SVS na Rua, que intensifica o combate ao mosquito Aedes aegypti.
A programação começou na segunda (23) em Realengo. Na quarta-feira (25), é a vez dos bairros Taquara, Itanhangá e Anil. Por fim, na quinta-feira (26), as equipes percorrem Santa Teresa, Gávea, Manguinhos, Engenho Novo, Inhaúma, Coelho Neto, Irajá, Santíssimo, Campo Grande, Paciência e Santa Cruz.
Em 2026, até o dia 14 de fevereiro, 1.228.516 vistorias foram realizadas em imóveis para prevenção e controle do Aedes aegypti e 169.187 depósitos que poderiam servir de criadouros de mosquitos foram tratados ou eliminados. Em 2025 foram realizadas 12.297.072 visitas a imóveis e 1.684.674 recipientes foram tratados ou eliminados.
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O Instituto Butantan anunciou nesta terça-feira (24) que antecipará para o primeiro semestre de 2026 a entrega de 1,3 milhão de doses da vacina contra dengue Butantan-DV ao Sistema Único de Saúde (SUS). 
A vacina Butantan-DV é produzida no parque fabril do próprio instituto, na capital paulista. O Governo de São Paulo anunciou a transferência de um terreno no bairro do Jaguaré, zona oeste da capital, para a criação de um novo polo de inovação e desenvolvimento de imunobiológicos do Butantan, além do investimento de R$ 1,38 bilhão em novas fábricas para produção de vacinas e imunobiológicos.
O imunizante, aplicado em dose única, tetraviral e 100% nacional, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser utilizado na população brasileira de 12 a 59 anos. Nesse público, o imunizante mostrou 74,7% de eficácia geral, 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme e 100% de eficácia contra hospitalizações por dengue.
Na segunda semana de fevereiro, o Ministério da Saúde iniciou a vacinação contra a dengue dos profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde das Unidades Básicas de Saúde) da Atenção Primária, com a previsão de proteger 1,2 milhão de trabalhadores da linha de frente do SUS.
Com Assessorias (atualizado em 24/02/26)









