Não sabe o que fazer em casa com aquela geladeira velha que já deu o que tinha que dar? Saiba que O mundo gerou 62 milhões de toneladas de resíduos eletroeletrônicos em 2022. Só no Brasil são mais de 2,4 milhões de toneladas por ano. Mas apenas 22,3% desse volume foi coletado e reciclado de forma ambientalmente correta.
O levantamento Global E-waste Monitor 2024 alerta que os produtos podem conter metais nobres como cobre, prata e ouro, cujo reaproveitamento pode reduzir o desperdício de recursos e as emissões de gases de efeito estufa.
Além dos possíveis danos ambientais, o descarte irregular de eletrônicos também gera prejuízos econômicos. As variadas peças, componentes, placas de circuitos que compõem os eletrônicos possuem materiais perigosos, mas também podem ser recuperados minerais valiosos, como ouro, prata, platina e paládio.

De acordo com o estudo, os metais correspondem a cerca de 60% do peso total dos resíduos eletroeletrônicos e podem ser quase totalmente reaproveitados por meio de técnicas industriais que recuperam ferro, cobre, alumínio, estanho e pequenas quantidades de metais preciosos.

Já os plásticos representam aproximadamente 20% da composição média desses produtos e, embora possam apresentar desafios técnicos, novas tecnologias vêm aumentando as taxas de reciclagem e de reaplicação em outras cadeias produtivas.

Diversas iniciativas vêm investindo na educação ambiental e no reaproveitamento do lixo eletrônico. Na ABREE – Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos, por exemplo, o ciclo da reciclagem começa quando o consumidor entrega o equipamento em um ponto de recebimento: são mais de 4,2 mil pontos de coleta espalhados em aproximadamente 1,3 mil municípios.

No site da associação é possível localizar pontos de recebimento mais próximos ao realizar uma busca utilizando o CEP, além de conferir uma lista completa de quais produtos podem ser descartados, tais como geladeiras, batedeiras, ferros elétricos, televisores, liquidificadores, lavadoras, celulares, micro-ondas, purificadores de água, televisores, fones de ouvido e diversos eletroeletrônicos pós-consumo.

O ciclo da reciclagem de eletroeletrônicos e o destino dos materiais pós-consumo

Associação detalha o caminho dos produtos desde o descarte até a reinserção dos materiais na cadeia produtiva e reforça a importância da destinação correta dos resíduos

 

A Abree explica como funciona o processo de reciclagem dos equipamentos pós-consumo no Brasil. A associação detalha o caminho que esses produtos percorrem desde o descarte pelos consumidores até a reinserção de seus materiais na cadeia produtiva.

Após a coleta, os produtos passam por um processo de triagem, seguindo para a desmontagem  técnica e manufatura reversa. Em seguida, ocorre o processo de trituração e separação magnética e eletrostática, isolando materiais como metais, plásticos e vidro.

A expansão dessa infraestrutura permite que itens  retornem à cadeia produtiva de forma segura, garantindo o reaproveitamento de materiais e a emissão do Certificado de Destinação Final, que assegura rastreabilidade e conformidade ambiental. Além disso, a entidade promove campanhas de arrecadação que expandem o alcance da logística reversa em territórios de diferentes portes.

A ABREE atua de forma contínua em colaboração com fabricantes, importadores, poder público e empresas parceiras para expandir a infraestrutura de logística reversa no país, reforçando o compromisso com a sustentabilidade, o desenvolvimento econômico e a construção de uma economia circular cada vez mais eficiente”, afirma.

Busca por economia de recursos naturais

No Brasil, a logística reversa de eletroeletrônicos vem se consolidando com base na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que estabelece a responsabilidade compartilhada entre fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e municípios.

Para Fernando Rodrigues, engenheiro ambiental e gerente de Relações Institucionais da Abree, o sucesso da economia circular depende da colaboração entre todos os setores da sociedade. “A correta destinação de eletroeletrônicos não é apenas uma exigência ambiental, é uma oportunidade para recuperar materiais estratégicos, reduzir impactos e gerar empregos qualificados”.

Neste contexto, a ABREE busca conscientizar a população sobre a importância da destinação ambientalmente adequada dos eletroeletrônicos e reforçar o papel da reciclagem na redução de impactos ambientais e na economia de recursos naturais. A iniciativa atua para estruturar essa cadeia, garantindo que os produtos descartados sejam coletados, transportados e encaminhados para reciclagem em conformidade com as normas ambientais.

Segundo ele, a ABREE trabalha para fortalecer a cadeia formal de reciclagem e ampliar a confiança do consumidor nos pontos de recebimento. O compromisso é assegurar que cada equipamento descartado corretamente tenha o destino adequado, seguindo todos os processos técnicos e ambientais exigidos.

O papel da ABREE é conectar consumidores, empresas e recicladores, fortalecendo uma cadeia que transforma resíduos em novos recursos e contribui para uma economia mais sustentável. Precisamos que sociedade, empresas e poder público atuem juntos para transformar esse desafio em recursos”, reforça.

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ABREE destaca potencial da logística reversa para gerar milhares de oportunidades e movimentar economias locais

A reciclagem de eletroeletrônicos e eletrodomésticos tem ganhado protagonismo no avanço da economia circular no Brasil, movimentando a economia local, criando oportunidades de trabalho e ampliando o acesso da população ao descarte ambientalmente adequado.

O avanço da economia circular representa também um importante vetor econômico. De acordo com dados do Observatório Sebrae/MTE, em 2024, quase 200 mil trabalhadores atuaram na coleta de resíduos. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) projeta que o setor possa gerar até 7 milhões de empregos até 2030.

O Governo Federal estima ainda que a cadeia de reciclagem de eletroeletrônicos pode criar cerca de 10 mil novas oportunidades de trabalho e movimentar aproximadamente R$ 700 milhões na economia brasileira nos próximos anos.

O avanço da economia circular é estratégico para o país. A reciclagem de eletroeletrônicos gera valor, fomentando novas oportunidades de negócios”, destaca o gerente de relações institucionais da Abree. “Nosso compromisso é ampliar cada vez mais a capacidade de atendimento da logística reversa, conectando fabricantes, importadores, gestores e recicladores para transformar resíduos em recursos.”

A presença territorial da ABREE, aliada às campanhas de arrecadação realizadas ao longo do ano, amplia o acesso da população ao descarte correto e fortalece as cadeias locais envolvidas no processamento dos materiais. Com maior volume de produtos destinados adequadamente, cresce a eficiência da logística reversa e o impacto econômico gerado por ela.

Cada produto descartado de forma correta movimenta toda uma cadeia produtiva. É um ciclo que impulsiona inovação, desenvolvimento industrial e sustentabilidade”, completa Rodrigues. “Seguiremos trabalhando para ampliar pontos de recebimento, fortalecer parcerias e garantir que a logística reversa avance de forma estruturada em todo o Brasil”, ressalta  Fernando Rodrigues.

Como reverter o prejuízo com o desperdício?

A economia circular encontra espaço na gestão dos resíduos eletrônicos no país, com várias empresas consolidadas, segundo resultados de recente pesquisa do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem). O órgão mapeou as rotas de circularidade na gestão dos resíduos eletrônicos e seus gargalos no Brasil.

O Projeto Recupere foi contratado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, reunindo grandes pesquisadores brasileiros, contando ao todo com 35 bolsistas, durante dois anos, que levantaram e analisaram os dados mais recentes do setor em todos os estados do país.

Temos tecnologia, processos e indústrias que podem trabalhar nessa recuperação de valor. No Recupere,  identificamos o motivo do Brasil desperdiçar esse material e o que pode ser feito para reverter essa situação”, explica a pesquisadora do Cetem, Lúcia Helena Xavier, responsável pelo grupo de pesquisa Reminare.

Principais resultados do projeto

– Foram identificados 16 tipos de organizações atuando na gestão dos resíduos eletrônicos, totalizando mais de 900 instituições e empresas, entre elas, plataformas digitais, cooperativas, empresas de remanufatura e manufatura reversa, bem como organizações que atuam na consolidação dos produtos pós-consumo.

– As organizações fazem parte de 8 modelos de negócio que desenvolvem atividades como indústria, comércio ou serviço. Este levantamento resultou em um capítulo de livro já publicado.

– Foram evidenciadas lacunas na atuação dos órgãos ambientais, com a discussão por meio de workshops, buscando possibilitar a efetiva aplicação das regulamentações de forma harmonizada no país.

– Verificou-se a fragilidade da implantação dos Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) e a fraca atuação do Comércio na gestão dos REEE.

– Elaboração do sistema informatizado Sis-RECUPERE, possibilitando a geolocalização das organizações identificadas, propiciando informações para a sociedade e tomadores de decisão.

As lacunas encontradas foram:

  • Atuação dos órgãos ambientais: por serem resíduos potencialmente perigosos, e fazerem parte da categoria obrigatória de implantação do Sistema de Logística Reversa, os REEE não podem seguir para aterro. Por falta de conhecimento, alguns órgãos ambientais consideravam e indicavam o descarte de resíduos eletrônicos em aterros sanitários.
  • Pontos de Entrega Voluntária (PEV): verificaram-se poucos pontos comerciais com disponibilização de PEVs, sendo que  a maioria deles era subdimensionada ou mal alocada (em lugares escondidos) nos pontos de comercialização, impactando a atuação dos consumidores no descarte correto.
  • Desconhecimento do grau de circularidade: várias empresas que fazem recuperação de valor a partir dos resíduos eletrônicos já têm significativo grau de maturidade quanto à circularidade, mas não sabiam das suas dimensões.

Os resultados foram apresentados no VII Seminário Internacional sobre Resíduos Eletrônicos (SIREE), , realizado em outubro de 2025, no Cetem, na Cidade Universitária no Rio de Janeiro, e teve como temática principal“Estratégias de economia circular para a recuperação de minerais críticos e estratégicos”.

O evento reuniu pesquisadores do setor do Brasil e de outros países, representantes dos ministérios envolvidos –  Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), MInas e Energia (MME) e  Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço (MDIC) -, além de representantes das organizações da cadeia de suprimentos envolvidas, propiciando networking, troca de informações e rodadas de negócios.

Com Assessorias

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