De acordo com o estudo, os metais correspondem a cerca de 60% do peso total dos resíduos eletroeletrônicos e podem ser quase totalmente reaproveitados por meio de técnicas industriais que recuperam ferro, cobre, alumínio, estanho e pequenas quantidades de metais preciosos.
Já os plásticos representam aproximadamente 20% da composição média desses produtos e, embora possam apresentar desafios técnicos, novas tecnologias vêm aumentando as taxas de reciclagem e de reaplicação em outras cadeias produtivas.
Diversas iniciativas vêm investindo na educação ambiental e no reaproveitamento do lixo eletrônico. Na ABREE – Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos, por exemplo, o ciclo da reciclagem começa quando o consumidor entrega o equipamento em um ponto de recebimento: são mais de 4,2 mil pontos de coleta espalhados em aproximadamente 1,3 mil municípios.
No site da associação é possível localizar pontos de recebimento mais próximos ao realizar uma busca utilizando o CEP, além de conferir uma lista completa de quais produtos podem ser descartados, tais como geladeiras, batedeiras, ferros elétricos, televisores, liquidificadores, lavadoras, celulares, micro-ondas, purificadores de água, televisores, fones de ouvido e diversos eletroeletrônicos pós-consumo.
O ciclo da reciclagem de eletroeletrônicos e o destino dos materiais pós-consumo
Associação detalha o caminho dos produtos desde o descarte até a reinserção dos materiais na cadeia produtiva e reforça a importância da destinação correta dos resíduos
A Abree explica como funciona o processo de reciclagem dos equipamentos pós-consumo no Brasil. A associação detalha o caminho que esses produtos percorrem desde o descarte pelos consumidores até a reinserção de seus materiais na cadeia produtiva.
Após a coleta, os produtos passam por um processo de triagem, seguindo para a desmontagem técnica e manufatura reversa. Em seguida, ocorre o processo de trituração e separação magnética e eletrostática, isolando materiais como metais, plásticos e vidro.
A expansão dessa infraestrutura permite que itens retornem à cadeia produtiva de forma segura, garantindo o reaproveitamento de materiais e a emissão do Certificado de Destinação Final, que assegura rastreabilidade e conformidade ambiental. Além disso, a entidade promove campanhas de arrecadação que expandem o alcance da logística reversa em territórios de diferentes portes.
A ABREE atua de forma contínua em colaboração com fabricantes, importadores, poder público e empresas parceiras para expandir a infraestrutura de logística reversa no país, reforçando o compromisso com a sustentabilidade, o desenvolvimento econômico e a construção de uma economia circular cada vez mais eficiente”, afirma.
Busca por economia de recursos naturais
No Brasil, a logística reversa de eletroeletrônicos vem se consolidando com base na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que estabelece a responsabilidade compartilhada entre fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e municípios.
Para Fernando Rodrigues, engenheiro ambiental e gerente de Relações Institucionais da Abree, o sucesso da economia circular depende da colaboração entre todos os setores da sociedade. “A correta destinação de eletroeletrônicos não é apenas uma exigência ambiental, é uma oportunidade para recuperar materiais estratégicos, reduzir impactos e gerar empregos qualificados”.
Neste contexto, a ABREE busca conscientizar a população sobre a importância da destinação ambientalmente adequada dos eletroeletrônicos e reforçar o papel da reciclagem na redução de impactos ambientais e na economia de recursos naturais. A iniciativa atua para estruturar essa cadeia, garantindo que os produtos descartados sejam coletados, transportados e encaminhados para reciclagem em conformidade com as normas ambientais.
Segundo ele, a ABREE trabalha para fortalecer a cadeia formal de reciclagem e ampliar a confiança do consumidor nos pontos de recebimento. O compromisso é assegurar que cada equipamento descartado corretamente tenha o destino adequado, seguindo todos os processos técnicos e ambientais exigidos.
O papel da ABREE é conectar consumidores, empresas e recicladores, fortalecendo uma cadeia que transforma resíduos em novos recursos e contribui para uma economia mais sustentável. Precisamos que sociedade, empresas e poder público atuem juntos para transformar esse desafio em recursos”, reforça.
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ABREE destaca potencial da logística reversa para gerar milhares de oportunidades e movimentar economias locais
A reciclagem de eletroeletrônicos e eletrodomésticos tem ganhado protagonismo no avanço da economia circular no Brasil, movimentando a economia local, criando oportunidades de trabalho e ampliando o acesso da população ao descarte ambientalmente adequado.
O avanço da economia circular representa também um importante vetor econômico. De acordo com dados do Observatório Sebrae/MTE, em 2024, quase 200 mil trabalhadores atuaram na coleta de resíduos. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) projeta que o setor possa gerar até 7 milhões de empregos até 2030.
O Governo Federal estima ainda que a cadeia de reciclagem de eletroeletrônicos pode criar cerca de 10 mil novas oportunidades de trabalho e movimentar aproximadamente R$ 700 milhões na economia brasileira nos próximos anos.
O avanço da economia circular é estratégico para o país. A reciclagem de eletroeletrônicos gera valor, fomentando novas oportunidades de negócios”, destaca o gerente de relações institucionais da Abree. “Nosso compromisso é ampliar cada vez mais a capacidade de atendimento da logística reversa, conectando fabricantes, importadores, gestores e recicladores para transformar resíduos em recursos.”
A presença territorial da ABREE, aliada às campanhas de arrecadação realizadas ao longo do ano, amplia o acesso da população ao descarte correto e fortalece as cadeias locais envolvidas no processamento dos materiais. Com maior volume de produtos destinados adequadamente, cresce a eficiência da logística reversa e o impacto econômico gerado por ela.
Cada produto descartado de forma correta movimenta toda uma cadeia produtiva. É um ciclo que impulsiona inovação, desenvolvimento industrial e sustentabilidade”, completa Rodrigues. “Seguiremos trabalhando para ampliar pontos de recebimento, fortalecer parcerias e garantir que a logística reversa avance de forma estruturada em todo o Brasil”, ressalta Fernando Rodrigues.
Como reverter o prejuízo com o desperdício?
A economia circular encontra espaço na gestão dos resíduos eletrônicos no país, com várias empresas consolidadas, segundo resultados de recente pesquisa do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem). O órgão mapeou as rotas de circularidade na gestão dos resíduos eletrônicos e seus gargalos no Brasil.
O Projeto Recupere foi contratado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, reunindo grandes pesquisadores brasileiros, contando ao todo com 35 bolsistas, durante dois anos, que levantaram e analisaram os dados mais recentes do setor em todos os estados do país.
Temos tecnologia, processos e indústrias que podem trabalhar nessa recuperação de valor. No Recupere, identificamos o motivo do Brasil desperdiçar esse material e o que pode ser feito para reverter essa situação”, explica a pesquisadora do Cetem, Lúcia Helena Xavier, responsável pelo grupo de pesquisa Reminare.
Principais resultados do projeto
– Foram identificados 16 tipos de organizações atuando na gestão dos resíduos eletrônicos, totalizando mais de 900 instituições e empresas, entre elas, plataformas digitais, cooperativas, empresas de remanufatura e manufatura reversa, bem como organizações que atuam na consolidação dos produtos pós-consumo.
– As organizações fazem parte de 8 modelos de negócio que desenvolvem atividades como indústria, comércio ou serviço. Este levantamento resultou em um capítulo de livro já publicado.
– Foram evidenciadas lacunas na atuação dos órgãos ambientais, com a discussão por meio de workshops, buscando possibilitar a efetiva aplicação das regulamentações de forma harmonizada no país.
– Verificou-se a fragilidade da implantação dos Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) e a fraca atuação do Comércio na gestão dos REEE.
– Elaboração do sistema informatizado Sis-RECUPERE, possibilitando a geolocalização das organizações identificadas, propiciando informações para a sociedade e tomadores de decisão.
As lacunas encontradas foram:
- Atuação dos órgãos ambientais: por serem resíduos potencialmente perigosos, e fazerem parte da categoria obrigatória de implantação do Sistema de Logística Reversa, os REEE não podem seguir para aterro. Por falta de conhecimento, alguns órgãos ambientais consideravam e indicavam o descarte de resíduos eletrônicos em aterros sanitários.
- Pontos de Entrega Voluntária (PEV): verificaram-se poucos pontos comerciais com disponibilização de PEVs, sendo que a maioria deles era subdimensionada ou mal alocada (em lugares escondidos) nos pontos de comercialização, impactando a atuação dos consumidores no descarte correto.
- Desconhecimento do grau de circularidade: várias empresas que fazem recuperação de valor a partir dos resíduos eletrônicos já têm significativo grau de maturidade quanto à circularidade, mas não sabiam das suas dimensões.
Os resultados foram apresentados no VII Seminário Internacional sobre Resíduos Eletrônicos (SIREE), , realizado em outubro de 2025, no Cetem, na Cidade Universitária no Rio de Janeiro, e teve como temática principal“Estratégias de economia circular para a recuperação de minerais críticos e estratégicos”.
O evento reuniu pesquisadores do setor do Brasil e de outros países, representantes dos ministérios envolvidos – Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), MInas e Energia (MME) e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço (MDIC) -, além de representantes das organizações da cadeia de suprimentos envolvidas, propiciando networking, troca de informações e rodadas de negócios.
Com Assessorias






