As provas de resistência do Big Brother Brasil 26 viraram um “laboratório” de extremos: horas em pé, pouca mobilidade, longos intervalos sem alimentação — e, às vezes, com ingestão limitada de água. Só que fora do jogo, o corpo não negocia com a audiência: ele cobra. Mais do que debates nas redes sociais, as provas de resistência do BBB têm gerado debates e alertas de especialistas em saúde.
O Quarto Branco desta edição já é oficialmente o mais longo da história do programa. Até a manhã deste sábado (17), a dinâmica já havia ultrapassado 100 horas de duração, superando com folga o recorde anterior estabelecido no BBB 10, que durou cerca de 50 horas. A marca histórica foi batida na quinta-feira (15), quando o confinamento completou 60 horas.
Vestindo macacões brancos e dormindo no chão, nove candidatos são submetidos a um festival de humilhações ao vivo, que inclui o racionamento de alimentos – limitado apenas a água e bolacha de água e sal (cream cracker) – e o impacto permanente de ruídos intensos, que interrompem o sono e o descanso dos participantes, testando seus limites físicos e mentais. A produção cede, de tempo em tempo, o direito a ir ao banheiro.
Cinco dos nove candidatos continuam na disputa: Chaiany, Gabriela Saporito, Rafaella Jaqueira, Matheus Moreira e Leandro Rocha. Todos eles são remanescentes das ‘casas de vidro’ instaladas nas cinco regiões do país e participam de uma repescagem para decidir quem entrará na ‘casa mais vigiada do Brasil’.

5 candidatos estão há mais de 100 horas no Quarto Branco

O primeiro a desistir, na terça-feira (13). foi Ricardinho, um atleta de 27 anos, natural do Pará, que ficou pouco mais de 24 horas no local. Ele abandonou a prova depois de irritar os colegas de confinamento com atitudes como abrir todas as latas de água e atrapalhar o sono dos confinados.
Na quinta-feira (15), a gaúcha Elisa Klein apertar o botão de desistência, saindo após 67 horas de confinamento. Por uma recompensa de R$ 50 mil. 10 anos de produtos em casa e a  promessa de estrelar um anúncio de uma das marcas patrocinadoras do programa, Livia Christina desistiu do quarto branco após mais de 90 horas, nesta sexta-feira (16).
Horas depois, já na madrugada deste sábado (17), foi a vez de Ricardo Negro apertar o botão vermelho. Após mais de 100 horas no confinamento, o participante afirmou estar exausto e disse ter chegado ao próprio limite antes de abandonar a dinâmica. Ao se despedir, ele desejou boa sorte aos concorrentes que permaneceram.

Três vagas para entrar na casa estão em disputa

Diferente de edições anteriores, o Quarto Branco nesta temporada funciona como uma fase eliminatória crucial, definindo quem ocupará as últimas vagas na casa principal.  Inicialmente, seriam escolhidos os dois últimos que resistissem à prova no espaço, mas diante da eliminação de Henri Castelli do jogo, após sofrer duas crises convulsivas, a produção decidiu aumentar para três o número de vagas para os sobreviventes do Quarto Branco. 
A medida atende apelos de internautas que vêm comentando nas redes sobre  diante do sacrifício assistido ao vivo por milhões de espectadores, muitos influenciadores – inclusive a paraibana Juliette, campeã do BBB 21 – pediram que a produção que todos fossem contemplados com a entrada na casa.

Ficar muito tempo em pé ou na mesma posição: o corpo “trava” a circulação

Especialistas explicam o que realmente acontece no organismo quando a pessoa passa tempo demais na mesma posição, e quais são os limites mais perigosos quando o assunto é jejum e desidratação. Para o cirurgião vascular Caio Focássio, ficar parado por longos períodos — em pé ou sentado — é um dos gatilhos mais comuns para inchaço, dor, sensação de peso nas pernas e piora do retorno venoso.

O corpo humano não foi feito para ficar imóvel por horas. A bomba da panturrilha, que ajuda o sangue a subir das pernas para o coração, depende de movimento. Sem isso, aumenta o risco de estase venosa, edema e, em pessoas predispostas, pode elevar o risco de trombose”, dz.

De forma prática, ele reforça que o ideal é não passar de 60 a 90 minutos totalmente parado. “Se houver dor intensa em uma perna só, assimetria de inchaço, vermelhidão, calor local, falta de ar ou dor no peito — já é sinal de perigo”, diz.

Eletrólitos: quando há suor excessivo, não é só “água”: pode haver perda de sais

“Neste tipo de prova, o corpo perde muito mais do que água. O suor excessivo leva embora eletrólitos importantes, como sódio, potássio e magnésio, que são fundamentais para a contração muscular, o funcionamento dos nervos e o equilíbrio do organismo. Quando essa reposição não acontece, o corpo começa a dar sinais claros: câimbras, fraqueza, tontura, dor de cabeça, náuseas, sensação de ‘apagamento’ e até confusão mental.

O alerta é simples: se surgirem câimbras repetidas, mal-estar persistente, batimentos acelerados ou queda de rendimento, é sinal de que o equilíbrio de sais do corpo já está comprometido e a situação precisa ser interrompida para reidratação adequada e avaliação de saúde. Vale destacar que nem toda bebida garante hidratação adequada.

O consumo frequente de chás com efeito diurético, bebidas cafeinadas ou grandes volumes de água sem reposição de eletrólitos pode intensificar ainda mais a perda de sais pelo suor, agravando os sintomas e aumentando o risco de mal-estar”, afirma  Jamar Tejada, farmacêutico homeopata.

Desidratação aparece primeiro na mucosa

“Em provas longas de resistência — e também na vida real — a desidratação costuma se manifestar primeiro nas mucosas, especialmente na boca, garganta e vias aéreas superiores. A redução da hidratação resseca essas estruturas, levando a boca seca, sensação de garganta arranhando, pigarro frequente e favorecendo o surgimento de rouquidão, principalmente em quem fala ou força a voz por longos períodos.

Ainda sob estresse e esforço prolongado, é comum que a respiração passe do nariz para a boca, o que acelera ainda mais o ressecamento da garganta e aumenta o desconforto, podendo causar tosse seca, ardor e dificuldade para sustentar a voz. Em ambientes frios ou com ar-condicionado — muito comuns em estúdios e locais fechados — esse efeito é potencializado, já que o ar seco agride diretamente a mucosa.

De modo geral, não existe um tempo exato igual para todos, mas em situações de esforço contínuo, calor ou ar-condicionado, os primeiros sinais podem surgir após poucas horas sem hidratação adequada”, alerta Bruno Borges de Carvalho Barros, médico otorrinolaringologista.

Boca muito seca, dificuldade para engolir, voz falhando, tosse seca persistente, ardor intenso na garganta e sensação de falta de ar são sinais de alerta de que a mucosa já está sofrendo. “Isso indica a necessidade de interromper a atividade, hidratar-se imediatamente e, se os sintomas persistirem, buscar avaliação médica”, diz o especialista.

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Fome silenciosa: quando a privação vira risco de convulsão

O corpo pede energia, o cérebro exige glicose. Negar alimento por muito tempo pode transformar a fome em uma ameaça neurológica, diz nutricionista

A convulsão sofrida por Henri Castelli na quarta-feira (14), após mais de 10 horas em pé na prova do líder, também levantou inúmeros questionamentos. O ator sofreu outra crise no mesmo dia ao retornar do hospital após uma bateria de exames e acabou sendo eliminado do programa. Para especialistas em Nutrição, a crise convulsiva pode ter origem na deficiência de nutrientes no organismo devido à privação alimentar imposta durante o confinamento.

Para a nutricionista clínica e esportiva Thainara Gottardi, a falta de alimento não se resume a um incômodo momentâneo. Quando o corpo passa longos períodos sem receber nutrientes, os efeitos vão muito além da simples sensação de cansaço. O cérebro, que tem na glicose sua principal fonte de energia, sofre diretamente com essa escassez e pode entrar em pane diante da ausência de combustível.

Sem energia suficiente, os neurônios perdem estabilidade elétrica e podem desencadear crises convulsivas. Esse quadro, conhecido como hipoglicemia grave, é uma emergência médica que pode levar à perda de consciência e até ao coma.

A nutricionista clínica e esportiva alerta: “Privar o corpo de alimento por muito tempo não é apenas uma questão estética ou de disciplina. É uma agressão direta ao sistema nervoso, que pode resultar em convulsões e danos irreversíveis”.

Além da glicose, minerais como cálcio, magnésio e sódio também são fundamentais para a condução nervosa. A falta deles, comum em períodos de jejum extremo ou desnutrição, aumenta ainda mais o risco de crises. O corpo humano não foi feito para suportar longos períodos sem alimento. A fome prolongada desregula hormônios, enfraquece o sistema imunológico e compromete funções vitais.

Convulsões decorrentes da privação alimentar não são raridade em casos de transtornos alimentares ou dietas extremas. Elas representam o limite do organismo diante da escassez. “O alimento é mais do que calorias. É a base da vida, da energia e da saúde mental. Negar isso ao corpo é abrir espaço para o colapso”, reforça Thainara Gottardi.

Em resumo, a privação de comida não deve ser romantizada e muito menos usada em provas de resistência. O risco de convulsão é real e pode transformar a busca por controle em uma luta pela sobrevivência.

Com Assessorias (atualizsdo em 17/01/26)

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