Pais com obesidade têm 80% de chance de terem filhos obesos

Brasil pode ter 11,3 milhões de crianças obesas até 2025. Especialistas apontam medidas que devem ser tomadas. Pais devem dar o exemplo

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obesidade é a nova realidade entre crianças brasileiras, dizem pediatras, nutricionistas e órgãos de saúde de todo o Brasil. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS),obesidade é diagnosticada em 30% das crianças em todo o mundo. A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), reconheceu, em 2022, que a obesidade é, atualmente, um problema de saúde pública.

Segundo o último levantamento do órgão, realizado em parceria com o SUS (Sistema Único de Saúde), mais de 340 mil crianças brasileiras entre 5 e 10 anos possuem obesidade. Outra pesquisa feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS), estima que o Brasil tenha 11,3 milhões de crianças obesas até 2025, caso o Ministério da Saúde não encontre soluções eficientes para o problema nos próximos anos.

O Dia da Conscientização contra a Obesidade Mórbida Infantil, celebrado no dia 3 de junho, tem como objetivo conscientizar a população sobre os desafios enfrentados pelas crianças que sofrem de obesidade mórbida e promover ações para prevenir essa condição preocupante.

Para determinar se uma criança é obesa, é necessário calcular o índice de massa corporal (IMC). O IMC é uma medida que leva em consideração a altura e o peso das pessoas, sendo calculado o peso em quilogramas pela altura em metros ao quadro.

Uma criança é considerada obesa quando seu IMC está acima do percentual 95 para seu sexo e idade. Por isso, é importante que os pais mantenham os filhos em consultas regulares com o médico-pediatra para, assim que o problema for diagnosticado, ele indique o melhor caminho, com o auxílio de um nutricionista.

De acordo com a gerente geral clínica do Centro de Recuperação e Educação Nutricional (CREN), Maria Paula de Albuquerque, é necessário cuidar do estado nutricional de mulheres e homens em idade fértil já que há uma forte relação genética entre pais e crianças. “Pais com obesidade apresentam 80% de chance de terem filhos com o mesmo quadro. Esse número cai para 40% se apenas um dos pais for obeso e para 10% se os pais tiverem uma alimentação de qualidade”, alerta.

Maus hábitos alimentares se refletem nos índices

Para a professora de Nutrição da Universidade Anhanguera, Carla Jadão, os altos índices são reflexo de maus hábitos alimentares entre crianças, alinhadas ao sedentarismo atualmente. “A alimentação dos pequenos está altamente industrializada, com um crescente consumo de doces, fast foods, congelados, bolachas, salgadinhos, embutidos, entalados e etc”, comenta.

A OMS apontou também que 47% dos brasileiros estão sedentários, e que esse problema pode levar cerca de 500 milhões de pessoas a desenvolverem doenças cardíacas, obesidade, diabetes e outras doenças não transmissíveis até 2023.

“O núcleo familiar tem papel essencial para os altos índices desses dados caírem. A família é um exemplo, em uma casa onde todos são sedentários e se alimentam errado, as crianças vão seguir os mesmos hábitos. Por isso, os pais devem começar a se alimentar de maneira saudável e fazer algum tipo de atividade física, dando exemplo para as crianças desde cedo. Quando o problema for identificado, o essencial é a família buscar apoio profissional do médico-pediatra, juntamente com o nutricionista”, completa.

Atividade física diária e alimentação balanceada

A recomendação dos especialistas é realizar, no mínimo, uma média de 60 minutos de atividade aeróbica moderada por dia para crianças e adolescentes e cerca de 150 e 300 minutos de atividade física de intensidade moderada por semana para adultos.

Para Carla Jadão, com o desenvolvimento da tecnologia, muitas crianças e jovens ficam mais tempo no computador, celular, tablet e televisão o que, consequentemente, as afastam de atividades que desenvolvam sua parte física. A especialista afirma que o núcleo familiar pode contribuir para reverter o quadro, por meio de boas práticas e apoio do médico-pediatra.

A nutricionista do CREN, Paola Ibelli, afirma que mudanças de hábitos podem reverter o quadro. “É preciso reduzir o sedentarismo, evitando longos períodos de tempo de exposição e uso de telas de tv, computadores, smartphones e tablets . O tempo de tela superior a duas horas pode aumentar o risco de desenvolver obesidade em 42%. A atividade física pode reduzir o risco de obesidade em 30%”, diz.

Uma alimentação balanceada, deve fazer parte do crescimento e desenvolvimento das crianças. “Incentivar a realização do café da manhã é primordial. Realizar essa refeição todos os dias pode reduzir o risco de obesidade infantil em 34%.

Outro ponto importante é evitar a ingestão de bebidas açucaradas. O consumo dessas bebidas,  quatro ou mais vezes durante a semana, está associado a um aumento de 24% do risco de se desenvolver a obesidade”, alerta Paola Ibelli.

Incentivo ao aleitamento materno e dieta saudável

Incentivar o aleitamento materno até os seis meses, complementando até os dois anos também é uma das formas para combater a obesidade. A nutricionista do Cren salienta que a interrupção precoce do aleitamento materno, antes dos quatro meses, pode aumentar em 24% o risco de obesidade infantil. Segundo a diretora-presidente do Instituto Opy, Heloisa Oliveira, o aleitamento materno exclusivo é a melhor opção de alimentação para o bebê até o sexto mês de vida.

“É fundamental que as crianças tenham acesso a uma alimentação saudável para um desenvolvimento pleno e assim manter o peso ideal e que as políticas públicas sejam efetivas para a melhoria das condições de alimentação e nutrição, garantindo a segurança alimentar e nutricional de todas as crianças de todas regiões e classes sociais”, reforça.

A prática da Educação Alimentar e Nutricional (EAN) deve utilizar abordagens e recursos educacionais problematizadores e ativos que favorecem o diálogo com pessoas e grupos populacionais, considerando todas as fases do ciclo da vida, etapas do sistema alimentar, interações e significados que compõem o comportamento alimentar. “É necessário o engajamento de todos os setores da sociedade para aproximar as pessoas da alimentação saudável de forma autônoma e voluntária”, finaliza a gerente geral clínica do CREN.

Programa de Jundiaí diminui de 27% para 23% a obesidade infantil

O Programa de Enfrentamento à Obesidade Infantil da Prefeitura de Jundiaí conseguiu reduzir de 27% para 23% o número de crianças acima do peso, em 2022. Retomado no ano passado, com a volta às aulas presenciais, o programa atendeu 1 mil crianças das turmas dos terceiros, quartos e quintos anos do ensino fundamental de três escolas públicas do município.

Em 2023, mais 1 mil estudantes foram integrados ao programa em Jundiaí. Os estudantes passam, ao longo do ano, por acompanhamento e atividades promovidas pelas áreas de educação, saúde e de esporte e lazer do município.

O programa começa com medições de peso dos alunos no início do ano. Nas salas de aula, os estudantes têm explicação interativa sobre a importância da alimentação saudável, da prática esportiva, do sono e de hábitos para o crescimento saudável. No final do ano, uma nova medição é realizada para avaliar os impactos das atividades.

Alimentação saudável

Os cerca de 38 mil alunos da rede municipal de ensino de Jundiaí recebem diariamente uma alimentação saudável produzida pela própria cidade, com produtos orgânicos cultivados na horta do programa “Vale Verde”, instalada em uma área de 35 mil m2, uma iniciativa da prefeitura. Rúcula, alface, cheiro-verde, couve, ora-pro-nóbis, moringa e Pancs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), como azedinha e vinagreira, chegam sem qualquer agrotóxico ao prato das crianças das escolas.

Horta na escola

Jundiaí mantém ainda o projeto “Inova na Horta” em 105 Escolas Municipais de Ensino Básico (EMEBs), que faz parte do programa Escola Inovadora e ensina meninos e meninas a plantar hortaliças. A proposta é incentivar a alimentação saudável, além de promover conhecimentos sobre sustentabilidade e meio ambiente.

Na horta da EMEB Marina de Almeida Rinaldi Carvalho, no Jardim Tulipas, os alunos realizam o plantio de hortaliças tradicionais como alface, rúcula e repolho, e de Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs), que já fazem parte da alimentação dos estudantes e têm como característica o sabor e a grande quantidade de nutrientes.

Exercícios

As atividades físicas regulares também fazem parte do dia a dia dos estudantes. Em 2023, a prefeitura promove ainda três edições do “Mexam-se”, no parque Mundo das Crianças de Jundiaí. O propósito é estimular a prática esportiva por meio de atividades temáticas.

Com Assessorias

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