Infelizmente, ainda existem pais que, de pais, só têm o nome no registro – no Brasil; é grande o número de mães solo e filhos que sofrem de abandono afetivo parental. Na contramão dessa triste realidade brasileira, existem homens que sonharam a vida toda com a paternidade e e exercem, realmente, sua função de dar amor e educação aos filhos.

Outros, lutam incansavelmente para serem pais. Um número pequeno, mas que vem crescendo, daqueles que, além de batalhar, estão ampliando o conceito de família e estão dispostos a seguir com a paternidade solo ou produção independente masculina, hoje possível por meio de técnicas de reprodução assistida.

É o caso do produtor de eventos e servidor público Bruno Teixeira, de 39 anos, que está muito próximo de realizar seu sonho. Em outubro, ele será pai solo de Ava Thereza – nome que pensou em homenagem a sua avó.  “Sempre considerei a paternidade como meu projeto de vida”, diz Bruno.

No ano passado, Bruno sentiu que a produção independente era o caminho a ser seguido. “Eu pesquisei sobre adoção, mas optei por utilizar técnicas de reprodução assistida com um útero cedente”, explica ele.

Para Fernando Prado, membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e diretor clínico da Neo Vita, “os tratamentos de reprodução assistida são um raio de esperança para casais homoafetivos e pessoas solteiras que ainda não têm parceiro e querem realizar o sonho pela produção independente”.

“As técnicas de reprodução que contribuem para essa nova configuração familiar ajudam a mudar a forma como a sociedade encara a paternidade. É necessário acolher e ter empatia a esses pacientes que, na verdade, só estão buscando a realização de um sonho”, completa o médico.

Como encontrar a ‘barriga de aluguel’ perfeita?

Na primeira clínica de fertilização que conheceu, Bruno conta que enfrentou questionamentos, por se tratar de um homem e solteiro. Mesmo explicando a situação, não conseguiu evitar o constrangimento e sentiu que ali não era o seu lugar.

“A segunda clínica informou que não poderia dar andamento ao tratamento, pois minha irmã, que concordou em ceder o útero, ainda não tinha filhos. E o Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda que a cedente temporária de útero tenha ao menos um filho”, diz Bruno.

Alguns meses se passaram e em maio de 2022, após um café com uma amiga, que sabendo do seu sonho, se disponibilizou a ser sua barriga solidária, Bruno decidiu tentar. E procurou a clínica Neo Vita.  “Eu me senti acolhido e na consulta inicial, já fui parabenizado pelo desejo de construir uma família”, diz Bruno.

Após avaliações psicológicas de Bruno e da barriga solidária, foi solicitada autorização para realização do processo, através da clínica, junto ao CRM. “Todos esses trâmites são necessários para que o processo flua de forma natural”, destaca o Dr. Fernando Prado.

Foram quatro meses de espera para que Bruno garantisse três direitos: iniciar a fertilização in vitro; garantir que o bebê seja registrado somente em seu nome; e entrar com o pedido de licença maternidade por equiparação de 180 dias, semelhante às mulheres. Na segunda tentativa por fertilização in vitro, veio o resultado: positivo.

Leia mais em nosso Especial Pais 2023

 

Futuro ‘pai solo’ quer escrever livro para eternizar a realização de seu sonho

Enquanto espera a chegada de Ava Thereza, Bruno participa ativamente do pré-natal. Apesar de morarem em cidades diferentes, ele encontra a cada 15 dias com a amiga que topou realizar seu desejo, emprestando a barriga de aluguel. Ele participa de todas as consultas, além das chamadas de vídeo para acompanhar a evolução da gestação.

“Acompanhar a incrível mãe que minha amiga é para os filhos dela, ao tratamento inicial, consultas com a nutricionista, ultrassom e todos os exames, tem sido uma caminhada de muita alegria. Sou eternamente grato, pois ela realizou o maior sonho da minha vida”, diz Bruno.

Segundo ele, antes e durante o processo, foi fundamental terapia, rede de apoio e saber trabalhar as expectativas, para ambos. O servidor público já tem ideia de como será a paternidade.

“Sendo pai solo, todas as decisões referentes à criação e aos valores serão minhas. Vou me esforçar para ser o melhor pai que eu puder e conto com uma rede de apoio maravilhosa. Eu pretendo educar a Ava para que seja livre, independente, forte, justa e humana”, diz ele.

Nos planos de Bruno está escrevendo um livro contando toda essa jornada.  “Eu pensava em deixar essa história somente para Ava e minha família, mas essa história não é só minha, é de muitos que chegaram, antes de mim e mostraram que é possível ter uma família”.

Segundo ele, o objetivo é que o livro possa “inspirar outros pais e mostrar que apesar de todas as dificuldades e batalhas, o amor venceu”. E já faz planos, quem sabe, de ser pai mais uma vez. “Quero curtir cada minuto ao lado dela, mas quem sabe no futuro, um irmãozinho venha?”, finaliza Bruno.

Pai solo, amor em dobro: primeiro pai solteiro a registrar gêmeos

O advogado Eduardo Veríssimo, de 45 anos, foi o primeiro pai solteiro do Brasil a registrar dois filhos nascidos por fertilização in vitro: os gêmeos Julia e Vitor, hoje com 5 anos. O caminho até a concretização do sonho foi árduo: desde 2015, Eduardo tentou, fora do país, a produção independente. O primeiro destino foi Nepal e o segundo, o México.

“Em 2017, o Conselho Federal de Medicina (CFM) do Brasil passou a permitir que a fertilização in vitro fosse realizada em parentes de até quarto grau e entre não-familiares”, explica o Dr. Fernando. Com a possibilidade de barriga solidária, uma amiga da mãe de Eduardo cedeu o útero na gestação gemelar.

“Na época tinha 37 anos, queria ser pai e as coisas aconteceram desta forma. Hoje estou em um relacionamento, a família aumentou”, conclui Eduardo, que mora em São Caetano, na região metropolitana de São Paulo. Segundo ele, o nascimento dos gêmeos mudou a sua vida.

“Foi a realização de um sonho que batalhei muito para conseguir realizar, quando recebi a notícia demorei para acreditar porque tinha passado por vários desafios desanimadores. Na criação deles, tenho uma rede de apoio, mas todas as decisões partem de mim e sou muito apegado a eles e eles a mim. Já me acostumei, sou muito organizado, isto ajuda. O maior desafio é dividir a atenção entre os dois”, diz.

Com informações da Clínica Neo Vita

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