Você provavelmente já ouviu falar em “comida de verdade”. Mas por que esse assunto é tão importante? E, mais do que isso: você realmente sabe o que significa comer comida de verdade no dia a dia?

Em 2014, o Ministério da Saúde publicou o Guia Alimentar para a População Brasileire revolucionou a forma como falamos sobre alimentação. Assim, ao trazer uma mensagem simples e poderosa: coma comida de verdade, e não imitação de comida.

Desde então, essa expressão ganhou espaço nas campanhas de saúde, nas redes sociais e, principalmente, na conversa de quem se preocupa com o que coloca no prato.

Mas, afinal, o que é comida de verdade?

Segundo a nutricionista Elisabetta Recine, professora e coordenadora do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília (UnB), a expressão “comida de verdade” é, na prática, uma maneira simples de falar em alimentação adequada e saudável.

A relação entre o que colocamos no prato e a nossa saúde é direta: tudo o que comemos transforma o nosso corpo e também a nossa mente. De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira, comer de forma saudável significa dar preferência a alimentos in natura ou minimamente processados.

Alimentos in natura

De acordo com o Ministério da Saúde, essa é a escolha mais saudável na hora de montar o cardápio. São alimentos obtidos diretamente de plantas ou de animais para consumo, sem sofrer qualquer tipo de alteração industrial. Entram nessa categoria folhas, frutas, verduras, legumes, ovos, carnes e peixes, entre outros.

Alimentos minimamente processados

O Ministério da Saúde também aponta outra opção saudável na hora de montar o prato: os alimentos minimamente processados. Eles passam por algum tipo de processamento, mas sem adição de novas substâncias ao alimento original — como limpeza, moagem, secagem, fermentação, refrigeração, congelamento ou pasteurização.

Dois clássicos da mesa do brasileiro entram nessa categoria: arroz e feijão. Também são minimamente processados as lentilhas, cogumelos, frutas secas, sucos de frutas sem adição de açúcar, castanhas e nozes sem sal, farinhas (de mandioca, milho, tapioca ou trigo) e massas frescas.

Alimentos ultraprocessados

Embora a comida de verdade já tenha mostrado seus benefícios para a saúde, o consumo de ultraprocessados vem aumentando significativamente. De acordo com pesquisadores da USP, o consumo destes “alimentos” subiu de 10% para 23% desde os anos 80.

Mas afinal, o que são alimentos ultraprocessados — e por que fazem tão mal? Eles são produtos prontos para consumo, como carnes frias, refeições congeladas e batatas fritas industrializadas, geralmente com longas listas de ingredientes. Costumam conter altos teores de sal, açúcar e gordura, além de aditivos químicos, como conservantes, corantes e aromatizantes, que ajudam a realçar o sabor e prolongar a durabilidade, mas prejudicam a saúde quando consumidos com frequência.

E por que esse consumo segue tão alto? Pesquisas de instituições  apontam que sabor, preço e praticidade estão entre os principais motivos que levam as famílias a encher o carrinho com ultraprocessados.

Embora o consumo de alimentos ultraprocessados e hiperpalatáveis, aqueles que  trazem gordura, sódio, açúcar e carboidratos para torná-los mais saborosos, possam promover um prazer imediato, eles, na verdade, estão relacionados também à depressão e sofrimento psicológico, segundo estudo publicado no Journal of Affective Disorders.

Leia mais na coluna Comida na Mesa

 

Danos à saúde

Para se ter uma ideia, estudos apontam que uma dieta composta de apenas 15% de alimentos processados está ligada a um maior risco de morte precoce por todas as causas, principalmente por doenças cardiovasculares. Por serem ricos em gorduras trans e saturadas, os alimentos ultraprocessados favorecem o aumento do perfil inflamatório e dos níveis de colesterol e, consequentemente, o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e metabólicas.

No geral, os alimentos ultraprocessados possuem sabor mais agradável e um grande prazo de validade, mas são pobres nutricionalmente e ricos em calorias, gorduras e aditivos químicos, favorecendo então a ocorrência de deficiências nutricionais, doenças do coração, diabetes, colesterol e obesidade, alerta  Dra. Marcella Garcez, médica nutróloga e professora da Associação Brasileira de Nutrologia. Por isso, o ideal é evitar alimentos como bolachas, guloseimas, sorvetes, bolos e produtos congelados e prontos para o consumo.

Mas como aumentar o consumo destes alimentos?

Segundo o Idec, algumas medidas de política pública podem ajudar a tornar a alimentação saudável mais acessível. Entre elas:

  • o avanço em políticas econômicas estruturantes, como a isenção fiscal para alimentos saudáveis;
  • a implementação de tributos sobre produtos ultraprocessados, com destinação socialmente justa desses recursos.

Na prática, essas medidas seriam estratégicas para reequilibrar os preços relativos dos alimentos, tornando as escolhas saudáveis mais competitivas no bolso das famílias e facilitando o acesso à comida de verdade.

Dicas para incluir a comida de verdade no carrinho de compras

A professora Camila Rocha Olivieri, docente nos cursos de nutrição, dá algumas dicas para incluir a comida de verdade no carrinho de compras:

Tenha organização na compra semanal de alimentos in natura, como frutas e hortaliças, já que são alimentos que estragam com rapidez. Separe um dia da semana para sua ida ao supermercado ou hortifruti”, recomenda.

O hábito de cozinhar em casa e preparar seus alimentos é, sem dúvida, a garantia de uma alimentação mais saudável. Você pode levar sua própria comida ou lanche ao trabalho e foge dos alimentos industrializados e fast foods, ricos em gorduras, açúcares e sal.

Tendo alimentos higienizados e prontos em sua geladeira, fica fácil colocá-los em sua marmita ou lancheira pela manhã antes de sair de casa!

Aposte na substituição dos famosos snacks, como salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, barras de cereais e refrigerantes, por frutas frescas ou secas, nozes e castanhas, tomatinho cereja, cenoura baby, mini batatinhas cozidas, sucos de frutas naturais, além de granola e iogurte caseiros.

*Artigo publicado originalmente no site Comida na Mesa em 27/11/25

 

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