O Dia Mundial da Audição, lembrado em 3 de março, traz à tona uma realidade preocupante que cresce de forma silenciosa. De acordo com o relatório “Surdez e perda de audição” da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1,5 bilhão de pessoas vivem com alguma forma de perda auditiva no mundo. Nas Américas, esse número chega a 217 milhões de pessoas, com projeção de saltar para 322 milhões até 2050 caso medidas preventivas não sejam adotadas.
No Brasil, o cenário não é diferente. Dados do IBGE e do Instituto Locomotiva apontam que cerca de 10,7 milhões de brasileiros possuem algum grau de deficiência auditiva. Um dado alarmante é que 87% dessas pessoas não utilizam aparelhos de correção, seja por questões financeiras, estigma social ou falta de diagnóstico adequado.
O impacto invisível na saúde e na economia
Relatório da OMS acende alerta para o crescimento de casos de surdez e zumbido; prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais
A perda auditiva vai muito além da dificuldade de comunicação. “A audição é um sentido essencial para o desenvolvimento humano. Quando comprometida, afeta a linguagem, a aprendizagem, a socialização e até a saúde mental”, alerta o otorrinolaringologista Fernando Balsalobre, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervicofacial (ABORL-CCF).
Além do sofrimento individual, o impacto econômico global da perda auditiva não tratada chega a quase US$ 1 trilhão por ano, considerando a perda de produtividade e o isolamento social. “A perda auditiva é invisível. Quando percebida, muitas vezes o quadro já avançou demais. O silêncio pode custar muito caro para o indivíduo e para a sociedade”, reforça a otorrinolaringologista Bruna Assis, do Hospital Paulista.
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Zumbido e riscos cognitivos
Um estudo de 2022 publicado na revista JAMA Neurology revelou que 14,4% dos adultos no mundo sofrem com zumbido (tinnitus). A incidência dispara com a idade, saltando de 9,7% na faixa dos 18 aos 44 anos para 23,6% após os 65 anos.
A fonoaudióloga Christiane Nicodemo, especialista do Hospital Paulista, alerta que a falta de tratamento pode acelerar o declínio cognitivo. “Na terceira idade, a falta de estímulos auditivos pode predispor à demência precoce, agravando ainda mais o quadro do paciente”, explica.
Tipos de surdez e prevenção
O otorrinolaringologista Salomão Honorio, do Hospital São Luiz Morumbi, explica que a perda auditiva é classificada em três tipos:
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Condutiva: Causada por bloqueios como excesso de cera, infecções ou tímpano perfurado.
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Neurossensorial: A mais comum e irreversível, ligada ao envelhecimento, genética ou exposição a ruídos.
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Mista: Combinação das duas anteriores.
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10 dicas essenciais para proteger sua audição
Especialistas da ABORL-CCF e do Hospital São Luiz Morumbi elencam os principais cuidados:
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Regra do 60/60: Use fones de ouvido em, no máximo, 60% do volume e por apenas 60 minutos seguidos.
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Abandone os cotonetes: Objetos pontiagudos podem perfurar o tímpano ou empurrar a cera para o fundo do canal.
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Atenção a doenças crônicas: Controle o diabetes e o colesterol, pois problemas circulatórios afetam o ouvido interno.
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Proteção em ambientes ruidosos: Use protetores auriculares em shows, obras ou indústrias.
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Exame de Audiometria: É um exame simples e indolor. Recomenda-se realizar anualmente a partir dos 50 anos.
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Não ignore o zumbido: Ele costuma ser o primeiro sinal de lesão nas células auditivas.
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Vacinação em dia: Muitas perdas auditivas infantis são evitadas com vacinas contra rubéola e meningite.
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Trate otites rapidamente: Infecções mal curadas podem causar danos permanentes.
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Evite o fumo: O tabagismo também é um fator de risco para a saúde auditiva.
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Check-up regular: Visite o otorrinolaringologista a cada um ou dois anos, mesmo sem sintomas aparentes.
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O Brasil em números
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10,7 milhões de brasileiros com deficiência auditiva.
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57% dos afetados têm mais de 60 anos.
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8,4% apenas frequentam serviços de reabilitação.
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2,7 milhões possuem surdez profunda.
Com informações de Assessorias.




