No dia em que o Brasil celebra meia década do início da vacinação, os dados laboratoriais trazem um alerta necessário: o vírus não se tornou inofensivo. Em 2025, o país registrou 1,7 mil mortes e mais de 10 mil casos graves de covid-19. Embora os números estejam longe do horror de 2021, a média de óbitos ainda é considerada “absurda” por especialistas, que apontam a normalização da tragédia como o principal obstáculo para a saúde pública atual.
O paradoxo das doses: sobra vacina, falta braço
O cenário de 2026 revela um contraste preocupante. Se em 2021 a população clamava por imunizantes, hoje o Ministério da Saúde enfrenta a ociosidade dos estoques. Em 2025, de cada 10 doses enviadas a estados e municípios, apenas 4 foram aplicadas. Das 21,9 milhões de vacinas disponíveis, 13,9 milhões ficaram paradas nas prateleiras ou em câmaras frias.
A covid não foi embora. O que vemos hoje ainda é algo muito sério, mas como passamos por um período surreal na pandemia, o que seria considerado alto acaba sendo normalizado”, alerta Leonardo Bastos, coordenador do Infogripe/Fiocruz.
Diferente da gripe (influenza), a covid-19 ainda não demonstrou uma sazonalidade definida, podendo causar surtos e novas ondas a qualquer momento, impulsionadas pelo surgimento de variantes mais transmissíveis.
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Infância sob risco: o alvo da desinformação
O grupo que mais preocupa as autoridades sanitárias em 2026 é o infantil. Como reforçamos na seção “Vacinas Salvam”, o negacionismo encontrou terreno fértil na baixa percepção de risco das famílias.
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Vulnerabilidade: Crianças menores de 2 anos são o segundo grupo de maior risco de morte, atrás apenas dos idosos.
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Tragédia evitável: Entre 2020 e 2025, 801 crianças nessa faixa etária perderam a vida para a covid-19 no Brasil.
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Complicações: Além da fase aguda, a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) e sequelas cardiovasculares (como miocardite) continuam sendo diagnosticadas em crianças infectadas.
A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabela Ballalai, explica que as fake news ganham força quando as pessoas param de “enxergar” a morte ao redor. “O antivacinismo só dá certo quando as pessoas não estão vendo o risco”, afirma.
Vigilância permanente: a missão do Portal Vida e Ação
Desde a criação da seção “Alerta Corona” (hoje “Covid-SRAG”), o Portal Vida e Ação tem servido como bússola para o leitor. O monitoramento mostra que o vírus continua sendo um dos principais agentes causadores de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país. Através das quase 50 lives do #PapodePandemia, o compromisso de desmistificar a doença à luz da ciência segue mais vivo do que nunca em 2026, combatendo a ideia perigosa de que a vacinação é uma página virada.
Calendário 2026: Quem precisa se vacinar?
A vacina agora faz parte da rotina, mas muitos brasileiros ainda não sabem se estão com o braço em dia. Confira as recomendações atuais do Ministério da Saúde:
| Grupo | Recomendação |
| Bebês (6 a 9 meses) | Esquema básico de 3 doses. |
| Idosos (60+ anos) | Reforço a cada 6 meses. |
| Imunocomprometidos | Reforço a cada 6 meses. |
| Gestantes e Puérperas | Uma dose a cada gravidez. |
| Trabalhadores da Saúde | Uma dose anual. |
| Povos Indígenas/Quilombolas | Uma dose anual. |
| Pessoas com Comorbidades | Uma dose anual. |




