Originalmente desenvolvidos para auxiliar na recuperação de massa muscular em pacientes com queimaduras graves, câncer ou desnutrição, os anabolizantes passaram a ser usados por frequentadores de academias, homens e mulheres, para ganho estético e muscular.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Vigitel, do Ministério da Saúde, a musculação é a segunda atividade física mais realizada no Brasil. Entre os motivos encontram-se a procura por uma qualidade de vida melhor e um corpo esteticamente mais bonito.

Em especial, muitos homens buscam ficar dentro dos padrões de beleza da atualidade. No entanto, por meio dessa atividade o resultado pode demorar mais do que o esperado, fazendo com que procurem esteroides anabolizantes. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, um em cada 16 estudantes já utilizaram tal substância.

O consumo de anabolizantes disparou no Brasil — crescimento de 670% entre 2019 e 2024, segundo levantamento do Valor Econômico e da Anvisa —, mesmo após a proibição para fins estéticos em 2023. Mas o maior perigo nem sempre está durante o uso: quando o efeito passa, o corpo pode enfrentar uma série de colapsos físicos e hormonais, alguns irreversíveis.

Quais os riscos do uso de anabolizantes?

Porém, o uso prolongado dessas substâncias eleva os riscos de doenças cardiovasculares, problemas no fígado, hipertensãotromboses e até embolia pulmonar. Hormônios para fins estéticos não são aprovados pelas agências reguladoras de saúde e podem também contribuir para o aumento de risco cardiovascular – causando insuficiência cardíaca, infarto e  AVC – e até câncer.

Nos homens, podem ocorrer redução dos testículos, infertilidade, perda de cabelo e acne. Nas mulheres, além da queda de cabelo e acne severa, há também o engrossamento da voz, aumento do clitóris e alterações hormonais”, explica o endocrinologista e diretor executivo da startup de saúde e educação médica, G7med, Marcio Krakauer.

Quanto à reversibilidade dos efeitos, o especialista esclarece que isso depende da dose e do tempo de uso. Enquanto alguns sintomas, como oleosidade e acne, podem regredir, doenças cardiovasculares, diabetes e alterações hormonais muitas vezes são permanentes.

Krakauer é enfático ao desmentir o mito de que a testosterona possa ser usada para emagrecimento, afirmando que “não há qualquer indicação médica para o uso da testosterona com essa finalidade”.

O aumento de massa magra promovido pelos anabolizantes depende também de alimentação adequada, exercícios de resistência e fatores genéticos. Ao interromper o uso, seja por decisão pessoal, surgimento de efeitos colaterais ou falta de recursos, os ganhos desaparecem rapidamente.

O corpo pode entrar em colapso, apresentando sintomas como falta de ar, dor no peito, alterações hepáticas, pressão alta, inchaço nas pernas, queda brusca de desempenho e problemas hormonais severos. Além disso, o uso dessas substâncias pode prejudicar ainda mais quem possui diabetes, interferindo no controle glicêmico e aumentando os riscos de complicações”.

Apesar de trazerem uma solução rápida e aparentemente eficaz, as consequências podem ser graves a longo prazo. Inclusive, independente de serem compostos por testosterona, podem trazer efeitos contrários ao esperado de um hormônio masculino, como o crescimento de mamas, diminuição dos testículos e até causar dificuldades para ter relações sexuais, que mesmo não sendo permanentes, podem demorar mais de um ano para desaparecerem”, explica Marcos Dall’Oglio, Urologista e Professor Livre-Docente da Faculdade de Medicina da USP. 

Inicialmente, os anabolizantes foram desenvolvidos para tratar doenças que atingem os homens, mas quando pessoas saudáveis começaram a usá-lo se tornou uma droga perigosa, capaz de mexer com toda a estrutura corpo, seja ela hormonal ou física.

Além disso, o uso dessa substância pode causar disfunção erétil e infertilidade, isso porque os testículos precisam receber um comando da hipófise, conhecida como glândula-mestra, para produzir testosterona. Contudo, quando o corpo recebe uma quantidade superior ao que estava acostumado, a glândula pára de mandar esse comando e assim interrompe a produção natural do hormônio masculino pelos testículos, podendo levar a infertilidade e disfunção erétil.

Os riscos não param no sistema reprodutivo masculino, eles podem afetar todo o organismo do indivíduo, como aumento de acnes, surgimento de calvície, problemas no fígado, retenção de líquido e até mesmo mudanças comportamentais, como, por exemplo, agressividade.

Marcos Dall’Oglio ressalta e finaliza explicando que esse tipo de substância só pode ser usado seguindo a prescrição médica e com acompanhamento de um especialista, que está capacitado para definir a dose correta, analisar as contraindicações e intervalos, pensando no bem-estar do homem, de maneira personalizada.

Hormônios para fins estéticos: uma ameaça à saúde

Câncer, derrame cerebral, infertilidade e trombose são alguns dos riscos

Ainda não existe forma segura na utilização de hormônios para fins estéticos. Para quem quer aumentar massa magra e muscular o melhor caminho é alimentação equilibrada e a atividade física, principalmente as aeróbicas”, alerta a endocrinologista Lorena Amato.

São muitos os hormônios usados para fins estéticos e entre os mais procurados estão o GH, que é o hormônio do crescimento, e a testosterona, de onde derivam os esteroides androgênicos anabólicos, popularmente conhecidos como anabolizantes. O uso de anabolizantes para fins estéticos geralmente é feito com doses muito elevadas e possíveis misturas de substâncias desconhecidas em sua manipulação.

“Os efeitos colaterais são muito perigosos ainda mais em jovens, podendo interromper o crescimento e o desenvolvimento sexual adequado”, pontua a médica.

De maneira geral, os efeitos adversos do uso abusivo hormônios sintéticos por mulheres são: engrossamento da voz, infertilidade, irregularidade menstrual, diminuição das mamas, aumento do clitóris e hirsutismo (aumento de pelos no corpo e face). Nos homens, alguns dos principais eventos adversos são: ginecomastia, atrofia testicular, disfunção erétil, queda da libido.

Acne, queda de cabelo, hepatite medicamentosa, risco de trombose, tumores hepáticos, irritabilidade ou comportamento agressivo podem acometer tanto homens como mulheres.

Vendidos mediante receita médica controlada, esses hormônios devem ser indicados apenas no tratamento de doenças endócrinas, tais como distúrbios do crescimento, hipogonadismo etc. Mas na prática sabemos que em busca de melhorar o desempenho atlético ou a aparência física muitas pessoas conseguem a medicação sem receita, inclusive com venda em academias, usando seringas muitas vezes compartilhadas… e é aí onde estão todos os perigos”, comenta Dra. Lorena.

Terapia de reposição hormonal (TRH) X uso de anabolizantes para ganho muscular

O médico destaca ainda que é importante diferenciar a terapia de reposição hormonal (TRH) do uso de anabolizantes para ganho muscular. A TRH é indicada para homens com hipogonadismo e utiliza doses fisiológicas de testosterona, aplicadas por meio de gel ou decanoato. Já os esteróides são usados exclusivamente para ganho de massa muscular e não têm relação com reposição hormonal.

Diante do crescimento expressivo do consumo e dos riscos à saúde, o alerta é para que o uso de anabolizantes seja sempre acompanhado por profissionais especializados, evitando que a ‘bomba depois da bomba’ comprometa a qualidade de vida dos usuários”, completa.

Anabolizantes e esteroides: o que muda, na prática, depois da nova regulamentação?

Resolução do CFM proíbe formalmente prescrição médica de anabolizantes e esteroides androgênicos para ganhos estéticos e de performance muscular

Em abril de 2023, o Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu a prescrição de terapias hormonais com esteroides androgênicos e anabolizantes para fins estéticos, como por exemplo, o ganho de massa muscular ou melhora do desempenho esportivo. A decisão foi tomada após ação conjunta de seis sociedades médicas que cobraram um posicionamento do CFM sobre o assunto.

Com a mudança, muitas pessoas têm se perguntado sobre o que muda na prática a partir das novas diretrizes, e os riscos atrelados ao uso contínuo destes tipos de produto. O endocrinologista credenciado da Paraná Clínicas, Dr. Caoê Índio do Brasil von Linsingen, explica que a regulamentação apenas oficializa uma conduta ética que já deveria ser praticada por todos os profissionais de saúde que atuam na área:

Nunca foi correto prescrever esteroides anabolizantes para fins estéticos ou para ganho de performance esportiva. O que muda é que, agora, com a proibição pelo CFM, fica mais fácil punir disciplinarmente os maus colegas que receitavam este tipo de aditivo sem nenhuma justificativa médica adequada”, explica.

Ainda de acordo com o especialista, nada muda para pacientes que fazem uso ético destes medicamentos a partir da indicação de profissionais de saúde, o que acontece geralmente em casos onde o indivíduo possui deficiências hormonais comprovadas e não reversíveis de forma natural.

Os diferentes tipos de anabolizantes

Há diferentes tipos de anabolizantes e cada um deles tem um propósito médico bem definido. Basicamente, são dois os principais: os esteroides, que incrementam a performance física e muscular, e os não esteroides, tais como o GH – também conhecido como hormônio do crescimento – e a insulina. Os EAA, chamados esteroides anabolizantes androgênicos, são derivados sintéticos da testosterona.

A testosterona é naturalmente produzida nas células de Leydig dos testículos, e também em menor quantidade nos ovários e glândulas adrenais nas mulheres. Ainda assim, homens têm fisiologicamente de 10 a 30 vezes mais testosterona em seus corpos. Ele é o hormônio responsável por definir as características masculinas, estimular crescimento muscular, ósseo, e interfere também no comportamento e agressividade. No músculo, estimula a síntese (efeito anabólico) e inibe a degradação de proteínas (efeito anticatabólico), ação que favorece o ganho de força.

Tais características tornam o uso de anabolizantes muito atraente para pessoas em busca de ganho muscular, tanto para finalidade esportiva quanto por fins estéticos. O problema é que o uso não prescrito deste tipo de hormônio pode trazer sérias consequências à saúde do paciente, com uma série de efeitos colaterais significativos.

A lista de possíveis complicações é bem extensa: no coração, há aumento do risco de arritmia, infarto e embolias; há piora do colesterol; disfunções hepáticas, com casos registrados de hepatite fulminante; acne grave, queda de cabelo, ginecomastia (aumento das mamas) em homens e clitoromegalia (aumento do clitóris) em mulheres, além da alteração do timbre da voz feminino – muitas vezes irreversível, alterações bruscas de humor e agressividade” explica von Linsingen.

Mesmo com tantos riscos, a busca pela prescrição médica destes medicamentos é tão comum e ostensiva que associações que representam profissionais de saúde da área passaram a pressionar o CFM a proibir oficialmente uma prática que, apesar de eticamente questionável, ainda era praticada livremente por alguns médicos. O Dr. Caoê Indio do Brasil von Linsingen relata suas experiências em consultórios para dimensionar o quão frequente são os pedidos por receitas do tipo:

Vejo casos desse tipo toda semana, hoje mesmo atendi um jovem paciente usuário de esteroides anabolizantes. Como profissionais responsáveis, orientamos estas pessoas de que não existe a falácia do uso seguro mesmo com acompanhamento médico e as aconselhamos a suspendê-lo imediatamente. Ainda assim, muitas vezes, os efeitos colaterais já são tão graves que precisamos receitar o uso de medicamentos para controlar os sintomas e restabelecer o pleno estado fisiológico do paciente. Temos percebido um aumento importante nos últimos anos de usuários destes tipos de aditivos, sendo prescritos por maus colegas ou mesmo sendo usados de forma clandestina, administrados por conta própria”, conta.

Substituto natural?

Um dos maiores desafios enfrentados por especialistas e entidades médicas na luta contra o uso indiscriminado de anabolizantes é que, basicamente, não há como substituir naturalmente os efeitos de ganho de performance na mesma velocidade proporcionados por estes aditivos, algo que faz com que muitas pessoas simplesmente assumam os graves riscos de saúde que podem acontecer.

Na prática, o uso destes aditivos trará ganho de massa magra maior para um indivíduo em relação a uma pessoa que não os usa e também se exercita da mesma intensidade. Em função disso, comissões atléticas do mundo todo classificam o uso de anabolizantes como doping.

Neste sentido, embora possa soar como uma alternativa aceitável para a busca de ganhos musculares rápidos e expressivos, o uso de anabolizantes não deve ser encarado como saudável ou sustentável, mesmo que naturalmente não exista nenhum meio de proporcionar resultados de performance tão rápido.

Não há atalhos para termos corpos saudáveis. Todos nós queremos que os pacientes se exercitem regularmente, comam de maneira saudável e ganhem bastante massa magra com exercícios resistidos. Manter um bom porte muscular aumenta a longevidade e qualidade de vida e é recomendável para todos, mas isso precisa ser feito de forma natural. Quem usa destes artifícios ou outros atalhos faz o oposto, e está encurtando sua vida. Não há dose segura do uso de anabolizantes e os riscos de seu consumo são muito maiores que os benefícios”, concluiu von Linsingen.

 

Terapia hormonal para a saúde da mulher

A terapia hormonal realizada através de implantes subcutâneos é um dos métodos indicados para tratamento de distúrbios ginecológicos com a endometriose, adenomiose, TPM intensa entre outras patologias, e deve ser indicada levando em consideração o histórico e a condição clínica de cada paciente e não com finalidade estética. 

A ciência já comprovou que a reposição hormonal pode ajudar a prevenir as doenças que mais matam, tais como o infarto, AVC, demência e vários tipos de câncer”, revela Vinícius Carruego, médico ginecologista.

Os segredos sombrios dos anabolizantes: saiba tudo sobre seus efeitos nocivos à saúde

Um jovem norte-americano de 20 anos desenvolveu um caso grave de acne após usar esteroides. John Joshua James queria ganhar massa muscular e recorreu a injeções de anabolizantes nos membros superiores, peito e costas. As espinhas que surgiram em consequência disso foram tão severas, em especial nas costas, que o jovem não conseguia nem se deitar.
Atualmente, John está em processo de recuperação há cerca de 4 meses e tem utilizado suas redes sociais para conscientizar as pessoas sobre os danos causados pelos anabolizantes. Em uma de suas postagens, ele enfatiza: “Não façam o que eu fiz”.
O rapaz relata que começou a utilizar anabolizantes no mesmo dia em que iniciou seus treinos na academia, mas, logo em seguida, as erupções cutâneas o impediram de realizar suas atividades físicas.
Esse caso é um exemplo do perigo do uso indiscriminado dessas substâncias. Os esteroides anabolizantes (EA) são drogas que têm como função principal a reposição de testosterona, hormônio responsável por características que diferem homem e mulher.
O médico nutrólogo e endocrinologista, Dr. Ronan Araujo, comenta que embora sejam utilizados em casos de déficit de testosterona, por exemplo, no envelhecimento, eles também são amplamente utilizados para fins estéticos ou para aumentar o rendimento esportivo. No entanto, o consumo indevido dessas substâncias pode trazer sérios prejuízos à saúde.

Efeitos adversos dos esteroides anabolizantes

Entre os efeitos adversos dos esteroides anabolizantes estão tremores, acne severa, retenção de líquidos, dores nas juntas, aumento da pressão sanguínea, tumores no fígado e pâncreas, alterações nos níveis de coagulação sanguínea e de colesterol, aumento da agressividade, que pode resultar em comportamentos violentos, às vezes, de consequências trágicas. Além disso, o consumo dessas substâncias pode causar efeitos crônicos a longo prazo, que podem ser irreversíveis.
Em homens, o consumo de esteroides anabolizantes pode levar à redução na quantidade de esperma, calvície, crescimento irreversível das mamas (ginecomastia) e impotência sexual. Já nas mulheres, pode ocorrer engrossamento da voz, crescimento de pelos no rosto e no corpo, redução dos seios e irregularidade ou interrupção das menstruações.
O aumento da acne é comum nos dois sexos. A libido pode aumentar ou, menos comum, diminuir. A agressividade e o apetite podem aumentar. Nos adolescentes mais jovens, os esteroides podem interferir no desenvolvimento dos ossos dos braços e das pernas.
O uso prolongado pode provocar a produção excessiva de glóbulos vermelhos pelo organismo e alterações nos níveis de gorduras (lipídios) no sangue. Os níveis de lipoproteína de baixa densidade (LDL), o colesterol ruim, aumentam e os níveis de lipoproteína de alta densidade (HDL), o colesterol bom, diminuem. Complicações cardiovasculares graves, incluindo hipertensão arterial, acidente vascular cerebral, ataque cardíaco e coágulos sanguíneos são efeitos relatados relacionados ao uso de esteroides anabolizantes.

Reposição hormonal com testosterona X anabolizantes

A reposição hormonal de testosterona é um tratamento médico prescrito para condições de saúde, visando restaurar os níveis normais de testosterona no corpo, melhorando a saúde e prevenindo complicações.
Já o uso de anabolizantes para fins estéticos não é uma prática médica e pode ser prejudicial à saúde, causando danos aos órgãos internos, problemas psiquiátricos e riscos a longo prazo, como disfunção sexual, infertilidade e aumento do risco de doenças cardíacas.
É importante buscar um tratamento adequado com um profissional especializado para a reposição hormonal de testosterona e evitar o uso indevido de anabolizantes para fins estéticos.

Prevenção ao uso de esteroides anabolizantes

É importante conscientizar as pessoas sobre os perigos do consumo indevido de esteroides anabolizantes e incentivar a prevenção ao uso dessas substâncias. Os anabolizantes para fins estéticos ou para aumentar o rendimento esportivo são proibidos e representam grandes riscos para a saúde.
O Dr. Ronan Araujo cita algumas dicas para prevenção ao uso de esteroides anabolizantes, confira:
    1. Informe-se sobre os efeitos adversos dessas substâncias e os riscos à saúde.
    2. Procure orientação médica antes de usar qualquer suplemento ou substância para ganho de massa muscular, ou melhora do desempenho físico.
    3. Adote uma alimentação saudável e equilibrada, que forneça os nutrientes necessários para o corpo.
    4. Tenha um plano de treinamento físico adequado, que leve em conta suas condições físicas e objetivos.
    5. Mantenha um estilo de vida saudável, com hábitos de sono regulares, prática de atividades físicas, controle do estresse e abstinência de tabagismo e consumo excessivo de álcool.
A prevenção ao uso dessas substâncias é fundamental e passa pela conscientização sobre os riscos à saúde e a adoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, plano de treinamento físico adequado, estilo de vida saudável e orientação médica antes de qualquer uso de suplemento ou substância para ganho de massa muscular, ou melhora do desempenho físico.
É importante lembrar que os esteroides anabolizantes são medicamentos sob controle especial e só podem ser vendidos em farmácias e drogarias, com retenção da receita médica, conforme a legislação. O uso indevido dessas substâncias pode trazer sérios prejuízos à saúde e deve ser evitado a todo custo. Consulte com um médico especialista para avaliar a necessidade de uma reposição de testosterona e realizar um tratamento seguro e efetivo”, finaliza o Dr. Ronan Araujo.

Vicia? É proibido? Faz mal para a saúde? Mitos e verdades sobre o uso de anabolizantes

Professor de educação física esclarece as principais dúvidas a respeito da substância

Com 21% da população frequentando academias, o Brasil é o segundo no ranking de países que mais comparecem em espaços destinados à atividade física, especificamente a musculação. O país fica atrás somente da Índia, com 24%, segundo um estudo divulgado pelo CupomValido.com.br, com dados da Numbeo, IBGE e Statista sobre o mercado fitness.

Por outro lado, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o uso de anabolizantes cresceu 45% entre 2019 e 2021, dados alarmantes devido aos malefícios à saúde que podem ser ocasionados pelo uso indiscriminado das substâncias, segundo o professor Raphael Afonso, do curso de Educação Física da Universidade Cruzeiro do Sul, instituição do grupo Cruzeiro do Sul Educacional.

“Podemos observar alterações no sistema cardiovascular, por exemplo. O coração sabidamente responde à sinalização entregue pelos anabolizantes, o que pode promover alterações no órgão em questão. Alterações sanguíneas também são corriqueiramente observadas, como o aumento do hematócrito (viscosidade do sangue). O seu uso indiscriminado pode comprometer a saúde, acarretando problemas em alguns sistemas orgânicos do usuário”, sinaliza o docente.

Apesar de serem vendidos em farmácias, os anabolizantes só podem ser comercializados para fins clínicos. Desde 2023, justificada pelos inúmeros riscos à integridade física da população, a prescrição de anabolizantes é proibida no Brasil para fins estéticos ou para aumentar o rendimento esportivo.

Em usuários, problemas como acne, principalmente nas costas; queda de cabelo e pele oleosa são as principais ocorrências que podem ser observadas dermatologicamente. No entanto, mergulhando mais no assunto, pode-se notar que os efeitos podem ser diferentes entre homens e mulheres:

“A utilização de anabolizantes acaba alterando o eixo hipotálamo – hipófise – gonadal, ou seja, a produção de hormônios sexuais do indivíduo fica comprometida pela administração do hormônio sintético. Homens podem apresentar alterações na fertilidade, alterações de libido. Já as mulheres podem apresentar problemas ainda maiores, tendo em vista que os anabolizantes, basicamente, são baseados em testosterona, que é o hormônio sexual masculino. Nós encontramos testosterona em mulheres, mas, em doses muito baixas”.

Segundo o especialista, apesar de comprovadamente não ser substâncias que provocam dependência, os anabolizantes podem causar dependência psicológica. “Isso acontece porque quando o indivíduo deixa de utilizar a droga, ele observa redução de desempenho físico e redução de volume muscular. Isso acaba por impactar a autoestima e o leva a realizar administração crônica. Algumas drogas específicas podem alterar humor, causando transtornos de ansiedade e irritabilidade”, explica Afonso.

Os hormônios atuam como mensageiros químicos, neste caso, é essencial compreender que, ao ingerir esse tipo de substância, outros tecidos além dos músculos também podem ser afetados pelos estímulos causados por ela. Por isso, é importante buscar profissionais habilitados que possam auxiliar no desenvolvimento físico e não utilizar medicamentos sem o acompanhamento médico adequado.

Hormônios: excesso é prejudicial e pode colocar a sua saúde em risco

O uso exagerado de hormônios, seja em forma de suplementos ou outras apresentações, pode trazer diversos riscos à saúde. A suplementação hormonal só deve ser feita com acompanhamento médico, pois os níveis e necessidades variam naturalmente conforme a idade, sexo e outras características individuais.

De acordo com o médico endocrinologista Daniel Lerario, mestre e doutor pela Escola Paulista de Medicina, o excesso de hormônios pode suprimir a produção de outros, levando a um desequilíbrio no organismo, afetando diversas funções, como metabolismo, crescimento e reprodução.

Cada hormônio tem seus próprios efeitos colaterais e podem levar a surgimento de acne, queda de cabelo ou oleosidade excessiva da pele, irregularidades menstruais, disfunção erétil, alterações no humor, ansiedade e depressão. Com o uso contínuo, podem levar a problemas cardiovasculares, sobrecarga nos fígados e rins, infertilidade e aumento do risco de alguns tipos de câncer, como de mama, próstata e fígado”.

Confira alguns dos principais hormônios utilizados indiscriminadamente hoje em dia e os riscos do seu uso excessivo.

Testosterona

O uso abusivo de testosterona em homens pode levar a:

  • Ginecomastia (crescimento das mamas)
  • Atrofia testicular (diminuição dos testículos)
  • Agressividade
  • Problemas de próstata

Em mulheres, o excesso de testosterona pode causar:

  • Hirsutismo (crescimento excessivo de pelos)
  • Acne
  • Queda de cabelo
  • Engrossamento da voz

DHEA (Dehidroepiandrosterona)

A DHEA é um hormônio precursor de outros hormônios sexuais. O uso excessivo pode causar:

  • Pressão alta
  • Risco de coágulos sanguíneos
  • Acne
  • Agressividade
  • Insônia

Hormônios de Crescimento (GH)

O GH é um hormônio de crescimento produzido naturalmente pelo corpo, estimulando diversos processos do organismo.

Estudado desde a década de 1950, é apontado como o fator mais importante ligado ao crescimento corporal. Fundamental para o desenvolvimento de crianças e adolescentes, a falta desse hormônio pode fazer com que sua altura permaneça abaixo da média da população da mesma idade e sexo. Por este motivo, quando detectada a sua falta ou níveis abaixo do esperado, é indicada a suplementação.

Atualmente, porém, o GH vem sendo usado por adultos na tentativa de evitar o envelhecimento ou potenciar o ganho de massa muscular, explica o Dr. Daniel.

“É importante destacar que não existem estudos que indiquem benefício para estes fins. Ao contrário, diversos efeitos colaterais podem ocorrer”.

Como por exemplo:

·        Formigamentos

·        Dor nos músculos e articulações

·        Retenção de líquidos

·        Aumento dos níveis de colesterol

·        Aumento da resistência à insulina, em caso de diabetes tipo 2

É importante que o uso do hormônio do crescimento seja acompanhado por um especialista, pois há diversas contraindicações importantes. Em adultos, não deve ser usado na gravidez ou em indivíduos com histórico de câncer ou tumor intracraniano benigno. Também deve ser avaliado caso a caso a indicação para portador de diabetes, retinopatia diabética, hipotireoidismo não tratado e psoríase.

 

Anabolizantes Esteroides

Segundo o especialista, anabolizantes são hormônios esteroides naturais e sintéticos, que promovem o crescimento celular e a sua divisão. O resultado é o desenvolvimento de diversos tipos de tecidos, especialmente muscular e ósseo.

“Sem a correta indicação e acompanhamento médico, esses hormônios podem trazer diversos danos à saúde, como por exemplo comportamento agressivo, alucinação e elevação do número das hemácias no sangue, aumentando o risco de formação de coágulos e hipertensão arterial”.

Entre os homens, podem levar à atrofia dos testículos, diminuição da produção de espermatozoides, infertilidade, aumento das mamas (ginecomastia), acne e calvície.

No sexo feminino, as principais queixas são aumento de pelos faciais e corporais, acne e estrias, engrossamento da voz, diminuição dos seios, aumento do tamanho do clitóris, irregularidade menstrual e aumento de apetite.

Em crianças e adolescentes, pode ocasionar interrupção no crescimento e alterações no aparelho locomotor, aumentando o risco de lesões, pois a estrutura osteoarticular não consegue acompanhar o crescimento muscular, inibindo a síntese de colágeno em ligamentos e tendões.

 

Recomendações

Consulte um médico endocrinologista antes de iniciar qualquer tipo de suplementação hormonal. O profissional solicitará exames, analisará a sua rotina e determinará se a suplementação é necessária, adequada e segura. Em caso de necessidade, o médico prescreverá as quantidades e formas de administração ideais. Siga corretamente estas instruções e realize o acompanhamento.

Monitore seu corpo e esteja atento a qualquer efeito colateral. Se notar algo diferente, informe ao médico imediatamente.

Sua saúde é o mais importante. Não coloque sua vida em risco com o uso irresponsável de hormônios.

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