Novos remédios para emagrecer: qual deles é o melhor?

Saxenda, Ozempic, Wegovy ou Mounjaro? Saiba tudo sobre a tirzepatida, medicamento aprovado no país

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Quem nunca ouviu (ou mesmo disse) a frase: “Tomei remédio e emagreci. Mas quando parei, engordei tudo de novo”. Sim, isso é um fato que só corrobora o quanto uma medicação bem indicada pode ser efetiva no tratamento da obesidade. Muitas medicações têm sido desenvolvidas nos últimos anos e com resultados realmente significativos.

No entanto, como toda medicação para doença crônica, é importante salientar que seus efeitos só ocorrem enquanto você estiver em uso. O conceito de “remédio para emagrecer” precisa ser abandonado e substituído pelo conceito de “remédio para tratamento da obesidade”. Dessa forma, o uso de forma contínua pode ser uma realidade para muitas pessoas ( e ainda bem que hoje temos medicações seguras com as quais podemos contar).

Pessoas que vivem com sobrepeso ou obesidade vivem a expectativa com a chegada de dois novos medicamentos, previstos para 2024: o Wegovy e o Mounjaro, ambos aprovados este ano pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A médica Deborah Beranger, endocrinologista, com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ), ressalta que pela primeira vez existem tratamentos eficazes contra a obesidade, mas é preciso ficar em alerta para o consumo inadequado.

“Precisamos enfatizar muito o acompanhando médico e sem automedicação, pois esse é o maior perigo. Novos análogos, Monjauro e Wegovy, que são ainda mais potentes, serão lançados em 2024 no Brasil e já são comercializados em 2023 na Europa e Estados Unidos. Essas medicações novas têm o benefício de reduzir gordura visceral e com isso diminuir o risco de infarto e AVC que são as principais causas de morte em quem tem sobrepeso e obesidade”, afirma a médica.

Mounjaro promete ser mais eficiente que Ozempic

No último dia 25, a Anvisa deu luz verde para o Mounjaro, desenvolvido pela Eli Lilly, como uma inovação no tratamento do diabetes tipo 2. Esse medicamento, cujo princípio ativo é a tirzepatida, já obteve aprovação nos Estados Unidos e na Europa, e sua eficácia é notavelmente semelhante à do Ozempic, fabricado pela Novo Nordisk.

A princípio, a tirzepatida está indicada apenas para tratar diabetes, mas ela também passa por estudos que a avaliam como uma possível terapia contra obesidade, apneia do sono, doença renal crônica e insuficiência cardíaca. Também está sob investigação para tratar esteatose hepática, uma condição que afeta o fígado e que, quando negligenciada, pode levar a complicações graves.

A tirzepatida é uma substância que opera imitando as funções de dois hormônios intestinais, o GLP-1 e o GIP. Esses hormônios, conhecidos como “incretinas”, desempenham um papel crucial na conexão entre a ingestão de nutrientes pelo trato gastrointestinal e a liberação de hormônios pancreáticos. Normalmente, eles são liberados durante a digestão, após a absorção de glicose, proteínas e gorduras, estabelecendo um vínculo fundamental entre a alimentação e a regulação da insulina no corpo.

De forma simplificada, o GLP-1 é um hormônio que o intestino produz quando comemos. Ele entra em ação no pâncreas sempre que os níveis de glicose estão elevados, desencadeando uma desaceleração na digestão e gerando uma sensação de saciedade.

Por outro lado, o GIP, com seus 42 aminoácidos, é um hormônio peptídeo que age como um inibidor gástrico e um peptídeo insulinotrópico dependente da glicose. Este hormônio direciona sua ação às células beta no pâncreas, estimulando-as a aprimorar a produção de insulina. Várias pesquisas de genética associam o GIP ao controle da insulina, regulação de glicose, metabolismo de lipídios e peso corporal.

Este medicamento pertence à categoria de coagonistas, que interagem com vários receptores hormonais. Isso é significativo, pois ajuda a reduzir o apetite por meio de neurotransmissores, sem prejudicar o sistema cardiovascular, pelo contrário, protegendo-o. Isso é especialmente relevante, pois tanto a obesidade quanto o diabetes aumentam o risco de doenças cardiovasculares.

“Os resultados deste tratamento são notáveis, ultrapassando até mesmo a eficácia da cirurgia bariátrica. Na área de perda de peso, profissionais que se dedicam ao emagrecimento consideram que estamos vivenciando uma era em que a cirurgia bariátrica pode estar se tornando obsoleta, uma vez que conseguimos alcançar resultados ainda mais impressionantes com o uso deste medicamento”, enfatiza o Dr. Ronan Araujo.

Os efeitos colaterais são controláveis, são brandos na maioria dos casos, mas como qualquer outra medicação, é extremamente necessário acompanhamento e indicação médica.

“Este medicamento pode resultar em uma transformação notável no controle da obesidade, com potencial para eliminar até 23% do peso corporal, muito semelhante ao resultado de uma cirurgia bariátrica. No entanto, é essencial entender que qualquer medicamento desse porte deve ser parte de um tratamento abrangente para a obesidade, uma doença crônica que requer acompanhamento de longo prazo e mudanças no estilo de vida”. Conclui Dr. Ronan Araujo.

Por que o Mounjaro gera mais perda de peso do que o Ozempic?

Médicas endocrinologistas fazem raio-x do novo medicamento e dão suas recomendações aos pacientes diabéticos e obesos sobre a novidade

Pesquisas que embasaram essa autorização revelaram que o Mounjaro supera o Ozempic em termos de controle da glicose no sangue e redução de peso. A nova medicação, agora disponível no país, é administrada por injeções semanais, evidenciando um desempenho superior na promoção da perda de peso quando comparada a outras alternativas medicamentosas.

Ainda sem previsão de chegada ao Brasil, o aclamado Mounjaro™ (tirzepatida) – medicamento para diabetes tipo 2 -, sintetizado pela Eli Lilly do Brasil, acaba de ser aprovado pela Anvisa e tem movimentado o País em torno, principalmente, das suas vantagens em relação ao principal concorrente, o Ozempic (semaglutida).

“A tirzepatida (molécula do Mounjaro) é um agonista duplo de GLP-1 e GIP, que já assombra a comunidade científica desde a apresentação dos seus estudos fase 2, em que foi vista uma redução espetacular da glicemia e do peso em pacientes com DM2”, explica Tassiane Alvarenga, Endocrinologista e Metabologista pela USP.

Traduzindo de forma simplificada, o medicamento tem a capacidade de estimular a ação das incretinas GLP-1 e GIP (hormônios gerados no intestino e liberados depois de refeições). O efeito incretina em um organismo normal é aumentar a produção de insulina pelo pâncreas para manter o controle do açúcar que vem dos alimentos no sangue, ou seja, manter a glicemia equilibrada. A incapacidade dessa regulação deflagra a doença Diabetes.

Voltando às incretinas, ambas estão ligadas a uma maior secreção de insulina, mas estudos levam a crer que o GIP responda por cerca de dois terços dessa contribuição. E é aí que a tirzepatida (Mounjaro™) supera a semaglutida (Ozempic), já que, segundo Isis Toledo, Endocrinologista e Metabologista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, “ele é muito mais GIP do que GLP-1”.

“O Mounjaro induz à sensação de saciedade, ou seja, o tempo entre comer e ficar satisfeito. É um efeito mais duradouro do que a perda do apetite, que é a principal característica do Ozempic”, afirma.

Ela explica que o efeito da perda de apetite da semaglutida se deve à estagnação da comida no estômago, ao passo que a tirzepatida mantém a taxa metabólica e a perda de gordura independente da ingestão calórica, assemelhando-se a um efeito termogênico. “Ainda estamos entendendo o motivo, mas isso explica a maior perda de peso gerada pelo Mounjaro”, diz a Dra. Isis.

Dra. Tassiane lembra que a redução de peso em pessoas com diabetes ao usarem o medicamento chega próximo a 15% em sua dose máxima. “Essa taxa é o dobro do que foi visto com semaglutida na dose de 1,0mg/semana em um estudo comparativo”, ilustra a endocrinologista.

Ela explica que a medicação tem doses que variam de 5 a 15mg, em aplicação semanal. “Nas suas doses máximas, ela leva a reduções absolutas acima de 2% na hemoglobina glicada, conseguindo levar mais de 70% dos pacientes a uma taxa abaixo de 6,5%, e quase metade das pessoas para menos de 5,7%, o que seria considerada ‘normoglicemia’”, contextualiza.

“Esses resultados potentes levaram a pesquisas em obesidade que vêm sendo publicadas, porém a medicação ainda não foi aprovada para esse fim em nenhum lugar (embora provavelmente seja questão de tempo)”, pondera Dra. Tassiane.

Pontos de atenção aos diabéticos

Dra. Isis de Toledo pede atenção a pacientes em tratamento com Mounjaro™ combinado a um secretagogo – substância que provoca a secreção – de insulina ou à insulina. “Eles podem apresentar um risco aumentado de hipoglicemia, logo devem ser orientados a tomar precauções para evitar a hipoglicemia ao dirigir veículos e operar máquinas”, alerta.

Além desses, os pacientes com retinopatia diabética não proliferativa necessitando de tratamento agudo, retinopatia diabética proliferativa ou edema macular diabético devem utilizar o medicamento com cautela, pois o Mounjaro™ não foi estudado nesta população, avisa a especialista.

Recomendações a pacientes interessados em mudar de medicament

1) Titular dose: são 4 semanas na dose de 2,5mg e depois deve-se fazer aumento gradual a cada 4 semanas, de acordo com a resposta individual.

Estima-se que leva 20 semanas para chegar à dose máxima, de 15mg.

As doses de 5mg devem ser suficientes para pacientes que perderem pelo menos 10% a 15% do peso.

2) Escalonar é importante. Há 6 apresentações de dose.

3) Não criar todas as expectativas em cima do medicamento.

4) Os melhores resultados virão por meio do conjunto de ações associadas ao medicamento, como cuidados com a alimentação, prática de atividades físicas e acompanhamento médico.

Com Assessorias

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