Conheça 5 problemas de saúde causados pela obesidade e sobrepeso

Além de hipertensão, diabetes, doenças gástricas, problemas psicológicos e transtornos alimentares, excesso de peso causa outros problemas

Obesidade contribui para o desenvolvimento de doença óssea (Foto: Banco de imagens Pexels)
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem alertado que a prevalência de obesidade triplicou em todo o mundo desde 1975. Cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo estão enfrentando esta condição, sendo que 650 milhões são adultos, 340 milhões são adolescentes e 39 milhões são crianças. No Brasil, a doença crônica afeta quase 1/4 da população, mas o sobrepeso acomete quase seis em cada 10 brasileiros. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que entre os 41 milhões de adultos, um em cada quatro, seja obeso e cerca de 57% dos brasileiros estavam com sobrepeso em 2021.

A obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal. Define-se um indivíduo como obeso quando o índice de massa corporal (IMC) é maior que 30, sendo que as principais causas incluem uma alimentação desbalanceada, principalmente rica em açúcar e gorduras, e o sedentarismo, ou seja, a falta de prática regular de atividades físicas.

Os números alertam para uma necessidade urgente de ação e conscientização. O Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, lembrado em 11 de outubro, desperta mobilizações com o objetivo de elevar a conscientização sobre os desafios desta doença crônica, além de promover a prevenção dessa condição de saúde globalmente crescente e incentivar a criação de estratégias para combatê-la.

“A obesidade continua sendo uma epidemia global em crescimento constante. Suas causas incluem fatores genéticos, disfunções endócrinas e, principalmente, o estilo de vida caracterizado pelo consumo excessivo de calorias e hábitos alimentares prejudiciais, juntamente com o sedentarismo”, disse a enfermeira Ingrid Geovanna, que também é professora do curso de Enfermagem da UniFTC de Juazeiro (BA).

Ingrid ressalta que a obesidade é um fator de risco para uma série de doenças cardiovasculares, entre elas, hipertensão, AVC, infarto, diabetes do tipo 2, doenças gástricas e problemas psicológicos, devido à baixa autoestima.

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Maus hábitos podem levar a transtornos alimentares

A nutricionista Karen Dantas, que também é docente do curso de Nutrição da UniFTC de Juazeiro, esclarece que a obesidade é causada quase sempre por um desequilíbrio entre a ingestão e gasto de energia. Também pode estar relacionada a problemas emocionais, como estresse e ansiedade, que aumentam a probabilidade de optar por alimentos não saudáveis.

“Quando consumimos mais energia do que gastamos, essa energia se acumula como gordura corporal. Alimentos ultraprocessados, ricos em calorias, sódio, gorduras e açúcar, são os principais vilões. Eles frequentemente carecem de nutrientes essenciais, como vitaminas, minerais e fibras”, explica.

Além disso, os hábitos alimentares são influenciados por uma série de fatores pessoais, como educação, cultura, crenças e emoções. Segundo ela, hábitos alimentares irregulares podem estar associados ao desenvolvimento de transtornos alimentares, como anorexia nervosa, bulimia nervosa e compulsão alimentar, que têm graves consequências para a saúde.

“As pessoas deveriam aprender desde cedo sobre os alimentos, suas propriedades nutricionais e como eles afetam a saúde. As tradições culinárias são transmitidas de geração em geração e têm um impacto significativo nas escolhas alimentares das pessoas. Outro ponto é a falta de conhecimento sobre nutrição que pode levar a escolhas alimentares confortáveis e baseadas em métodos de preparo com ingredientes preferidos, muitas vezes não saudáveis”, destaca.

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Conheça 5 graves consequências da obesidade

Além dos problemas listados anteriormente, a obesidade pode trazer sérias consequências para a saúde como queda na fertilidade, danos nas articulações, mau funcionamento dos rins, maior risco de doenças metabólicas e de cardiovasculares. Veja o que um time de especialistas explica abaixo:

  1. 1. Redução da fertilidade

  2. Diversos estudos mostram o impacto negativo da obesidade na fertilidade do casal. “Mulheres com sobrepeso têm cerca de 25% menos chances de engravidar e aquelas com obesidade apresentam queda na taxa mensal de gravidez de até 50% em relação às mulheres com a mesma idade e com peso normal”, diz Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana e diretor clínico da Clínica Mater Prime, em São Paulo.
  3. Nas mulheres, o peso inadequado também interfere na produção dos hormônios sexuais femininos, principalmente o estrogênio, o que, consequentemente, atrapalha o processo de ovulação”, explica o Dr. Rodrigo, que acrescenta que, no caso das mulheres, ainda há risco de desenvolver diabetes gestacional durante a gravidez, o que pode causar problemas de saúde na criança.
  4. Em relação à obesidade masculina, o impacto pode ser ainda maior. Homens obesos apresentam diminuição de até 60% na fertilidade, pois a obesidade pode ocasionar baixa quantidade e qualidade do sêmen. “Nos homens, o excesso de gordura corporal prejudica a produção de testosterona, o que, além de reduzir o apetite sexual e causar dificuldades de ereção, também interfere na qualidade e quantidade de esperma. No geral, quanto maior o sobrepeso, menor é a qualidade, concentração e mobilidade do esperma”, ressalta o especialista.

2. Danos às articulações

As articulações também são afetadas pelo peso excessivo. “O sobrepeso causa uma sobrecarga das articulações, provocando um ‘trauma’ repetitivo excessivo da cartilagem, o que, consequentemente, leva a sua degeneração”, explica Marcos Cortelazo, ortopedista especialista em joelho e traumatologia esportiva, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

O dano é ainda pior quando o sobrepeso está associado ao sedentarismo. “Os pacientes sedentários apresentam uma diminuição da massa muscular, levando a perda de proteção das articulações. É importante lembrar que as articulações foram feitas para serem movimentadas, logo, se ficam paradas por muito tempo, sofrem um processo de atrofia e rigidez que causa dor”, completa o especialista.

3. Aumento do risco de doenças metabólicas

A Diabetes tipo 2 é uma doença metabólica frequentemente associada à obesidade, visto que o abuso de açúcar e carboidratos, além de favorecer o ganho de peso, faz com que o organismo se torne resistente à insulina, o que causa a condição.

“A doença hepática gordurosa não alcóolica é outra doença comumente observada em pessoas obesas, sendo caracterizada pelo acúmulo de gordura nas células do fígado, o que, se não tratado, pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares e esteatoepatite, além de levar à fibrose e ao desenvolvimento de cirrose hepática”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

“Além disso, pessoas obesas também possuem maiores chances de desenvolver câncer, já que o acúmulo de gordura estimula a produção de hormônios envolvidos no desenvolvimento de células cancerígenas.”

4. Mau funcionamento dos rins

A função renal também é prejudicada pelo excesso de peso. “Quando o corpo fica maior devido ao acúmulo de gordura, os rins filtram em ritmo acelerado – o que chamamos de hiperfiltração – que, a longo prazo, leva à doença renal crônica, com um risco estimado de duas até sete vezes maior do que em indivíduos sem obesidade”, explica Caroline Reigada, médica nefrologista, especialista em Medicina Interna pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e em Nefrologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

5. Predisposição a doenças cardiovasculares e circulatórias

obesidade é um fator de risco para o aumento do colesterol, hipertensão e doenças cardiovasculares e circulatórias. “A gordura está relacionada com o depósito de placas de colesterol nas artérias coronárias que irrigam o coração, favorecendo a má circulação do sangue. Além disso, as veias são afetadas pela grande quantidade de sódio acumulado no organismo de quem está com sobrepeso, o que causa retenção de líquidos e dificulta ainda mais a circulação”, diz a cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Essa gordura também dificulta o retorno venoso, o que a torna uma vilã para a saúde das pernas, já que facilita o surgimento de varizes. “Com o retorno venoso prejudicado, o sangue que deveria voltar ao coração fica acumulado nas pernas, aumentando a pressão sanguínea dentro das veias e favorecendo a sua dilatação”, alerta a especialista.

Ela ainda ressalta que, se não forem tratadas corretamente, as varizes podem gerar outras complicações relacionadas ao bombeamento inadequado de sangue, como a trombose, caracterizada pelo desenvolvimento de um coágulo sanguíneo nas veias que causa uma inflamação na parede do vaso.

Como prevenir e combater a obesidade e manter a saúde

Mas é possível investir em cuidados que ajudam a prevenir e combater o obesidade para a manutenção de uma boa saúde. E a adoção de uma alimentação saudável e balanceada é o melhor método para manter o peso sobre controle.

“Evite consumir ‘junk foods’ e alimentos industrializados e ricos em sal, açúcar e gorduras. No lugar, aposte na ingestão de frutas, verduras, legumes, grãos, alimentos integrais e carnes magras”, aconselha a Dra. Marcella Garcez.

“Incluir atividades físicas na rotina é outra boa maneira de afastar os diversos problemas de saúde relacionados ao sobrepeso. O ideal é que você pratique exercícios físicos pelo menos três vezes por semana, de preferência caminhada, corrida, natação e ciclismo, que estão entre as práticas mais simples e eficientes para o controle do peso”, completa a médica.

Mas, caso você já sofra com obesidade, o ideal é consultar um médico nutrólogo. “Evite a todo custo receitas milagrosas para emagrecer e dietas extremamente restritivas encontradas na internet, já que, além de não serem realmente eficazes no emagrecimento, essas mudanças drásticas nos hábitos alimentares, como restrição de grupos alimentares e diminuição de calorias e refeições, podem oferecer riscos à saúde quando realizadas sem acompanhamento médico”, alerta a especialista.

“O médico especializado é capacitado para prescrever um plano de emagrecimento e combate à obesidade realmente eficaz e saudável, levando em conta as necessidades e características de cada indivíduo”, finaliza a Dra. Marcella Garcez.

Enfermeiro pode avaliar perfil lipídico e IMC

A enfermeira Ingrid Geovanna, professora da UniFTC de Juazeiro (BA) afirma que é preciso “priorizar as mudanças do que é controlável, como o estilo de vida, através de bons hábitos alimentares, atividade física e a redução do consumo de álcool e tabaco”.

Ela evidencia a importância de consultas regulares com um enfermeiro, que pode solicitar exames bioquímicos para avaliar o perfil lipídico e o Índice de Massa Corporal (IMC) das pessoas.

“Esses profissionais encaminham os pacientes para nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, cardiologistas, endocrinologistas e outros especialistas, conforme necessário. Ingrid acredita que a educação em saúde é fundamental: “Através de atividade física e um estilo de vida equilibrado, podemos combater a obesidade.”

Nutricionistas criam planos alimentares personalizados

Já a professora Karen Dantas destaca que os nutricionistas são profissionais capacitados para criar planos alimentares personalizados de acordo com as necessidades individuais, fornecer orientações e estratégias para mudanças de comportamento, acompanhar o progresso e fazer ajustes quando necessário.

“Portanto, neste Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, é vital que reconheçamos a importância de estar informados, adotar um estilo de vida melhor e buscar apoio profissional para combater essa epidemia em progresso”, concluiu Karen Dantas.

  1. Com Assessorias

 

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