Niterói ganhou neste sábado (22), data em que é comemorado o aniversário de 452 anos da cidade, o Centro de Avaliação e Inclusão Social (CAIS). Localizada no Centro, a nova unidade representa um marco na política municipal voltada ao atendimento à pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA), com expectativa de atender, inicialmente, cerca de 1.300 crianças e adolescentes.
Durante a abertura do espaço, o prefeito Rodrigo Neves, disse que o Centro de Avaliação e Inclusão Social será “um porto seguro para as famílias atípicas” e para as crianças, com ações articuladas nas áreas de saúde, educação e assistência social, incluindo a ampliação do serviço de transporte.
O CAIS será o porto seguro das famílias atípicas de Niterói. É mais do que uma unidade: é a porta de entrada para toda uma rede de serviços. Por isso decidimos ampliar as equipes das policlínicas e contratar novos profissionais para atender as famílias em toda a rede municipal de saúde. Estamos construindo um serviço público de excelência a partir deste novo equipamento”, afirmou.

A dona de casa Maria Pereira, mãe do Thalles Pereira, de 3 anos e moradora da comunidade Boa Esperança, disse que o CAIS vai garantir os direitos das crianças terem tratamento digno para poderem se tornar adultos independentes.

É isso que quero para os meus filhos e para os filhos de outras pessoas. Estou muito feliz pelo espaço, eu vi o toque de amor em cada sala, eu acredito que nossas crianças vão ser muito felizes aqui”, afirmou.

Modelo de atendimento integral

Coordenado pela Secretaria de Saúde de Niterói, com a participação das secretarias de Assistência Social e de Educação, entre outras, o CAIS representa a concretização de uma política de assistência integral a pessoas com autismo no município, com a oferta de uma rede de serviços de saúde e assistência disponibilizada pela Prefeitura.
A unidade chega para ampliar o cuidado, organizar os fluxos de atendimento e garantir acolhimento especializado às famílias. O CAIS foi estruturado como um espaço de referência no acolhimento, na avaliação clínica e na construção de caminhos de cuidado para casos suspeitos de TEA.
O modelo reúne, em uma mesma rede de apoio, profissionais das áreas de saúde, educação, assistência social, cultura, trabalho e acessibilidade, promovendo uma atuação integrada entre as secretarias municipais.
A equipe multidisciplinar do CAIS será formada por profissionais de Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Psicologia, Fonoaudiologia e Medicina, garantindo um acompanhamento integral e qualificado. A proposta de centralizar diagnóstico, orientação e encaminhamentos é considerada essencial por profissionais e familiares.
Que este espaço seja um ponto de partida, porque a trajetória das famílias, especialmente das mães, costuma ser marcada por desafios, lutas, conquistas e muito amor. Que aqui seja um ambiente de acolhimento na nossa cidade”, analisou a vice-prefeita, Isabel Swan.

Vagas pela Central de Regulação

CAIS, que funciona no Centro, poderá atender até 1,3 mil crianças e adolescentes com autismo (Fotos: Evelen Gouvêa e Lucas Benevides)
A secretária municipal de Saúde, Ilza Fellows, explicou que o centro é uma entrega que vem sendo construída desde 2023, quando começou a se discutir a necessidade de ter um centro especializado para que fizesse o acolhimento, o diagnóstico e o encaminhamento.
Essas crianças e suas famílias precisam ser acolhidas, diagnosticadas e encaminhadas para aquilo que é melhor para elas. Então, são várias necessidades e o centro tem exatamente essa proposta de cuidar das particularidades de cada um”, reforçou.
O atendimento no novo centro será organizado pela Central de Regulação, sem demanda espontânea. A unidade contará com representantes da Educação e da Assistência Social, que estarão presentes para acolher os responsáveis, orientar e esclarecer dúvidas.
A partir do acolhimento inicial, uma avaliação multidisciplinar será feita para que seja elaborado um plano terapêutico, definindo todas as necessidades de tratamento e atividades a serem realizadas, de acordo com o grau e perfil de cada pessoa.
As famílias também participarão de grupos de conversa conduzidos pela equipe de psicologia, com orientações sobre o espectro autista e práticas de cuidado. A participação familiar, reconhecida como fundamental para a evolução e autonomia de crianças autistas, é parte central do modelo adotado.

Atividades lúdicas, culturais e esportivas

O CAIS conta com consultórios, salas de terapia e de atividades lúdicas em grupos, que serão realizadas por uma equipe multidisciplinar, para o atendimento, treinamento e desenvolvimento de habilidades produtivas e do cotidiano da pessoa com autismo.

Dezenas de novos profissionais foram contratados, entre médicos neuropediatras e psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas, para atuar no local. Também integram a rede de atenção especializada em autismo profissionais das secretarias municipais de Educação, Assistência Social e Direitos Humanos, entre outras.

O atendimento contará ainda com apoio de instituições do terceiro setor que atuam na área e que já prestam serviços especializados à Secretaria Municipal de Saúde. Estão previstas a distribuição do cordão de girassol, símbolo internacional que identifica pessoas com deficiências ocultas, e de carteira de identificação.

Haverá também atividades especiais de cultura e de esporte, que serão promovidas pela Secretaria de Educação, no contraturno escolar de alunos da rede de ensino. Hoje, cerca de 700 crianças autistas estudam na rede pública municipal da cidade.

Saúde mental e integração com o Capsi

Isso inclui a regulação com encaminhamento às Unidades Básicas de Saúde, Módulos do Médico de Família, Policlínicas Regionais e ao Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Capsi) Monteiro Lobato. O Capsi Monteiro Lobato, no bairro Santa Rosa, é especializado no tratamento e acompanhamento de crianças e adolescentes com sofrimentos psíquicos. O espaço realiza mais de 2.000 atendimentos por mês.

Parte da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), o Capsi é uma unidade voltada para o público infantojuvenil. Com um recorte que abrange jovens com até 18 anos, o centro tem 781 indivíduos ativos, 2.000 inscritos e realiza cerca de 80 atendimentos diariamente. Um terço desses usuários se encontra dentro do espectro autista.

Espaço multifacetado, com uma equipe que abrange desde psicólogos até musicoterapeutas, o foco do Capsi é fornecer um tratamento abrangente para cada criança ou adolescente. Os profissionais da unidade trabalham com grupos coletivos para socialização, assim como realizam atendimentos individuais focados em necessidades específicas. Além disso, com foco no suporte familiar, os profissionais realizam quinzenalmente encontros com os pais e responsáveis para fortalecer o apoio a cada jovem.

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Referência em inclusão, atendimento e acolhimento de famílias atípicas

O CAIS é a ponta mais visível de um amplo programa estruturado ao longo do primeiro semestre deste ano, com foco no desenvolvimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista e acolhimento de familiares, sendo apresentado em julho deste ano a várias lideranças do movimento das famílias atípicas de Niterói, além de representantes de instituições de assistência.

Nosso objetivo é transformar Niterói em referência em inclusão, atendimento e acolhimento dessas famílias. Com esse programa, vamos garantir segurança jurídica e efetividade para implantar o melhor programa de acolhimento e desenvolvimento de crianças com transtornos do espectro do Estado do Rio de Janeiro”, disse o prefeito, na ocasião.

O projeto de lei foi encaminhado e aprovado em agosto pela Câmara de Vereadores. Ele lembrou que Niterói já possui a Lei Municipal 3.636, de autoria da então vereadora Verônica Lima, hoje deputada estadual, que garante os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista, além da legislação federal que trata do tema.

Nosso objetivo é criar um programa e uma rede integrados em um centro de referência, para que possamos não apenas fazer o acolhimento inicial, mas desenvolver um trabalho terapêutico e assistencial em consonância com as secretarias de Educação e de Assistência, para que as pessoas com autismo sejam incluídas plenamente na sociedade, em qualquer nível – tanto na escolaridade quanto em formação e convivência”, explicou a secretária municipal de Saúde, Ilza Fellows.

Família atípicas aprovam criação do espaço

À frente da Casa Atípica, Emanuele Rocha elogiou o programa e disse que o nome Cais combina com acolhimento e porto seguro. “A Prefeitura pode contar muito com a gente, porque o Cais vai ser um sucesso”, ressaltou. Responsáveis pela página nas redes sociais “Pais Além do Espectro”, o casal Lilian Carvalho e Paulo Roberto Carvalhosa participou do encontro ao lado da filha Alice.

É um sonho, na verdade, de todas as famílias atípicas. A gente torce demais para ver acontecer esse projeto intersetorial, que vai além da educação, da saúde, visando as famílias atípicas, as nossas crianças autistas e dando suporte com muitos desafios. Mas é um pontapé para uma nova história e para a nossa cidade realmente virar referência de uma cidade inclusiva. A gente torce muito e estamos juntos para que isso dê certo”, frisou Lilian.

Fundadora do Espaço Céu, Virgínia Vasquez trabalha há 33 anos com autismo e mantém há 18 anos uma clínica privada para pessoas neurodivergentes.

Nós não podemos mais deixar as nossas crianças sem um tratamento adequado. E nós temos a realidade de hoje, que é realmente uma questão de saúde pública. Então, precisamos olhar com muito cuidado, amor, carinho e com muito comprometimento, baseado na ciência, para um trabalho com essas pessoas divergentes, para que elas possam ser efetivamente implementadas na sociedade”, disse.

A inauguração contou ainda com a presença do secretário de Assistência Social e Economia Solidária, Elton Teixeira; do secretário Executivo, Felipe Peixoto; do secretário de Educação, Bira Marques; da primeira-dama e gestora do Escritório de Políticas Transversais de Direitos e Cuidados, Fernanda Sixel Neves;  e outras autoridades municipais.

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Niterói vai restaurar igreja que é marco histórico da cidade

Missa de Ação de Graças pelo aniversário do município ocorreu na Igreja de São Lourenço dos Índios

Niterói amanheceu em festa, neste sábado (22), para celebrar 452 anos de fundação, de quando ainda era chamada de Aldeia de São Lourenço dos Índios, com uma Missa de Ação de Graças. A primeira agenda comemorativa do dia foi pela manhã, na Igreja de São Lourenço dos Índios, marco histórico da cidade, construído em 1627. O prefeito Rodrigo Neves, destacou a importância histórica da edificação e anunciou que, no ano que vem, ela vai passar por uma nova restauração.

Que essa celebração nos inspire a continuar trabalhando para fazer de Niterói uma cidade cada vez mais transformada, que seja capaz de promover a justiça, a paz e a prosperidade. É um dia muito especial para todos nós que celebramos esta eucaristia nessa igreja histórica. Que Deus continue abençoando Niterói”, reforçou.

Ele lembrou que daqui a dois anos ela vai fazer 400 anos e a última restauração aconteceu há 25 anos. “Quero dizer que, ano que vem, vamos iniciar uma nova restauração desta igreja. Vamos ter, no final do ano que vem, os 400 anos de celebração da igreja com ela completamente restaurada”, disse.

Um pouco de história

A Igreja de São Lourenço dos Índios é considerada o marco da fundação da primeira presença jesuíta do Rio de Janeiro. Antes da construção da igreja, a localidade já era ocupada por diversas produções agrícolas e espaços onde posteriormente se tornaram as regiões de São Domingos e Praia Grande.

Tombada em 1922, a igreja tem linhas associadas ao estilo das construções da ordem jesuíta. A igreja consolidou sua importância como um patrimônio histórico e arquitetônico capaz de demonstrar as relações sociais da época do Brasil Colônia.

O arcebispo metropolitano de Niterói, Dom José Francisco, que celebrou a missa, destacou que a igreja é um local que revela a importância da história da cidade. É um sinal de que a fé começou aqui há muitos anos. Nesses 452 anos de história de Niterói, esse é um momento importante para estarmos louvando e bem dizendo a Deus por todos aqueles que fizeram essa história.

Ao mesmo tempo, estarmos nos comprometendo em continuar essa história para que Niterói seja sempre uma cidade onde reine a paz, a justiça, o bem comum e a fraternidade. Aqui é um local que tem muita história e nós fazemos parte desta história”, afirmou

A missa contou com a participação da vice-prefeita Isabel Swan, do ex-prefeito Axel Grael, de autoridades dos poderes Executivo e Legislativo, além de moradores da cidade e visitantes. A celebração também teve a presença de religiosos e religiosas como a irmã Irenita de Medeiros, responsável pela instituição Sagrada Família.

Zeca Pagodinho embala Niterói no aniversário de 452 anos da cidade
Mais de 80 mil pessoas compareceram ao show gratuito na Praia de Icaraí

Para fechar com chave de ouro a comemoração pelos 452 anos de Niterói, a Prefeitura de Niterói promoveu, neste sábado (22), uma grande roda de samba na Praia de Icaraí. O bamba Zeca Pagodinho foi a grande atração da noite, que reuniu mais de 80 mil pessoas diante do palco montado em frente à Rua Otávio Carneiro.

Abrindo a noite com “Camarão que dorme a onda leva”, Zeca fez um passeio pelos 40 anos de carreira. No repertório, “Verdade”, “Patota de Cosme”, “Seu balancê”, “Faixa amarela”, “Maneiras”, “Descobri que te amo demais”, e “Deixa a vida me levar”, entre outros sucessos. Em homenagem à cidade, ele pediu aos músicos para tocarem “Parabéns a você” e foi prontamente atendido, com uma versão instrumental.

Niterói é uma das cidades mais antigas do Brasil, com uma presença destacada na formação do nosso país e do Estado do Rio. A cidade vibra cultura e sinto muito orgulho de comemorar seus 452 anos com uma roda de samba com artistas daqui, valorizando a nossa prata da casa. E é muita alegria receber Zeca Pagodinho em uma noite tão especial, com todo mundo cantando e sambando junto”, disse o prefeito Rodrigo Neves.

Quem abriu a noite foi o cantor Inácio Rios, filho do cantor e compositor Zé Katimba, um dos fundadores da Imperatriz Leopoldinense, tradicional agremiação do carnaval carioca. Ele recebeu artistas locais e promoveu uma animada roda de samba, com a participação de Mingo Silva, Alexandre Marmita, Andrea Beat, Chico Alves, Adriana Dutra, Pedro Ivo, Daniel Scisinio e Bruno Barreto. Antes e depois dos shows quem comandou o som foi a DJ Cris Panttoja.

Os shows em comemoração ao aniversário da cidade começaram em Icaraí um dia antes. Na sexta-feira (21), foi a vez da música gospel embalar o público. Subiram ao palco DJ Naudão, Anderson Freire, Julliany Souza, Renata Henriques e Natinho Battera.

Com informações da Prefeitura de Niterói
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