O Carnaval de 2026 marca a primeira vez em que a principal festa popular do país acontece após a popularização das chamadas canetas emagrecedoras no Brasil. O impacto desse fenômeno já começa a ser percebido de forma clara nos blocos de rua, nos ensaios das escolas de samba e nos camarotes. O corpo que ocupa a folia agora apresenta um novo perfil, mais magro, com menos volume e com características diferentes daquelas vistas em outros anos.
Mas os resultados nem sempre valem o sacrifício. Anunciada como destaque da Estácio de Sá para o Carnaval 2026 no Rio de Janeiro, a influenciadora Ravena Hanniely, de 24 anos, conhecida como “musa da microcintura”, gravou um vídeo em que diz que interrompeu o uso de tirzepatida (Mounjaro) após efeitos físicos intensos e faz alerta sobre a “romantização do medicamento’.
Agora vou falar a verdade que nenhuma influenciadora fala. Os efeitos colaterais são horríveis”, disse em um vídeo compartilhado nas redes sociais. “Você sente como se tivesse levado uma surra. Não é normal uma pessoa saudável passar o dia inteiro vomitando ou com dor de cabeça”, afirmou, após relatar fortes dores de cabeça, náuseas, vômitos constantes, constipação, diarreia e dores generalizadas no corpo.
“É um corpo mais magro, com menos volume e que exige atenção maior à firmeza e à qualidade da pele”, explica o médico Gabriel Almeida
Veja o vídeo completo do depoimento AQUI
Musa da microcintura usou caneta após combo de procedimentos
Ravena ganhou projeção por ostentar uma cintura extremamente fina, com cerca de 62 centímetros, característica que se tornou sua principal marca estética. O visual, segundo ela, é resultado da combinação entre procedimentos estéticos, rotina intensa de treinos e uso frequente de corsets e cintas modeladoras.
No ano passado, ela passou por um combo de procedimentos cirúrgicos, incluindo uma lipoaspiração de alta definição e fratura de costelas. Insatisfeita com o resultado da lipo HD e ainda lidando com retenção no pós-operatório, procurou um médico para avaliar alternativas. “Perguntei se poderia usar o Mounjaro para desinchar e tirar a retenção a tempo do Carnaval”, afirmou no depoimento.
Após um período de preparação estética para o Carnaval, a musa da microcintura decidiu acelerar os resultados e recorreu ao uso de Mounjaro. De acordo com a influenciadora, o uso da medicação injetável foi prescrito com início em uma dose de 1,5 mg, seguida por quatro aplicações de 2,5 mg.
A primeira aplicação foi realizada em ambiente clínico, com acompanhamento de uma enfermeira. Posteriormente, durante uma viagem à Inglaterra, Ravena adquiriu a caneta para dar continuidade às aplicações por conta própria, sempre seguindo a prescrição médica.
No entanto, ela afirma que os efeitos colaterais enfrentados durante o tratamento com uso de uma caneta emagrecedora à base de tirzepatida, conhecida comercialmente como Mounjaro, foram muito intensos. Ravena destacou que não faz uso do medicamento por condição clínica prévia.
Sou uma pessoa completamente saudável, com exames normais. Esse remédio é feito para pessoas com diabetes tipo 2 e está sendo usado em massa para emagrecer”, declarou. Segundo ela, o problema está na forma como o medicamento vem sendo apresentado publicamente. “Todo mundo mostra só o resultado do emagrecimento. Quase ninguém fala dos colaterais, que são muito sérios”, criticou.
“A gente se cobra demais por um corpo perfeito em pouco tempo”
Após vivenciar os sintomas, a influenciadora decidiu interromper o tratamento. “Cheguei à conclusão de que, se eu continuasse, isso ia me adoecer. Não vale a pena”, afirmou. A experiência, segundo Ravena, provocou uma reflexão sobre a pressão estética, especialmente no período que antecede o Carnaval. “A gente se cobra demais por um corpo perfeito em pouco tempo. Isso está adoecendo as pessoas”, disse.
Ravena afirma que decidiu tornar o relato público como forma de alerta. “A mensagem que quero deixar é sobre ter paciência com o próprio processo e se cobrar menos. As mídias não mostram a verdade”, declarou. Para ela, a exposição seletiva dos resultados do uso da tirzepatida contribui para um cenário irreal. “Vejo muita gente usando e não falando sobre os efeitos colaterais que fragilizam e podem adoecer”, concluiu.
Ravena estreia no Carnaval carioca no sábado, 14 de fevereiro de 2026, na Avenida Marquês de Sapucaí. A escola Estácio de Sá levará para a Avenida o enredo “Tata Tancredo – O Papa Negro no Terreiro do Estácio”.
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Emagrecimento acelerado: alerta para corpo mais fraco
Segundo o médico Gabriel Almeida, especialista em emagrecimento e saúde metabólica, a mudança não se resume à perda de peso. De acordo com ele, trata-se de um emagrecimento acelerado, que altera a forma como o corpo responde ao esforço físico intenso típico do Carnaval.
É um corpo que perdeu gordura de maneira rápida e ainda está em processo de reorganização. Em outros Carnavais, o foco visual era a definição muscular. Agora, vemos uma silhueta mais enxuta, que exige atenção maior à firmeza e à qualidade da pele”, afirma.
A presença crescente desse novo padrão corporal tem sido notada principalmente em ambientes de longa duração, como blocos que percorrem grandes trajetos e ensaios prolongados. Para o especialista, o organismo que passou por uma redução rápida de peso pode reagir de forma diferente ao desgaste físico.
O corpo emagrecido rapidamente tende a ter menos reserva energética. Em situações de esforço contínuo, como horas em pé, calor intenso e poucas pausas para alimentação, a sensação de exaustão pode surgir mais cedo”, explica.
Além do impacto físico, o médico destaca que o Carnaval impõe desafios adicionais para quem passou por esse tipo de emagrecimento. Consumo de álcool, noites mal dormidas, desidratação e alimentação irregular são fatores comuns durante a festa e podem potencializar desconfortos. “É importante entender que esse corpo funciona de outro jeito. Ele precisa de mais atenção para não transformar a experiência do Carnaval em um desgaste excessivo”, diz.
Dicas para encarar a “Mounjaro folia” com mais equilíbrio
Neste primeiro Carnaval após a explosão do uso das canetas emagrecedoras, o corpo também vira parte da fantasia. No entanto, segundo especialistas, é um corpo que exige mais consciência, adaptação e cuidado para que a experiência da folia continue sendo associada ao prazer e não ao esgotamento físico.
Para atravessar a chamada “Mounjaro Folia” com mais equilíbrio, Gabriel Almeida orienta cuidados básicos, como manter hidratação constante ao longo do dia, priorizar refeições leves e fracionadas, moderar o consumo de bebidas alcoólicas e respeitar os sinais do próprio corpo.
Não se trata de deixar de aproveitar a festa, mas de reconhecer limites e fazer escolhas que preservem a saúde”, afirma.
Com Assessorias










