O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, submeteu-se, nesta sexta-feira (30), a uma cirurgia de catarata no olho esquerdo e já teve alta hospitalar.  A cirurgia de catarata, para correção da opacificação do cristalino, é considerado um procedimento simples e rápido, reflete uma realidade comum a milhões de brasileiros: a busca pela recuperação da nitidez visual comprometida pelo envelhecimento natural dos olhos.

Indicado principalmente com o avanço da idade, o procedimento é feito com anestesia local, rapidamente, sem dor e não há necessidade de internação. Para o pós cirúrgico, geralmente os oftalmologistas recomendam repouso relativo, ficar mais tranquilo nos primeiros dias, não apertar nem coçar os olhos e não carregar peso. Também são prescritos colírios antibióticos e anti-inflamatórios.

De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), a cirurgia de catarata é o procedimento oftalmológico eletivo mais feito no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo dados do Observatório da Saúde Ocular, do CBO, o SUS fez 7,8 milhões de cirurgias de catarata entre janeiro de 2015 e novembro de 2025, com um aumento registrado 120% em 10 anos. Em 2015, foram realizadas 470.246 cirurgias.

Já em 2025, até o mês de novembro, o volume foi de 1.034.714. Do total de cirurgias feitas pelo SUS em 2024,  52% dos procedimentos foram em pessoas com idade entre 40 e 69 anos, enquanto 46% ocorreram em pacientes com 70 anos ou mais.

‘Todas as pessoas terão que operar a catarata um dia’

A  presidente do CBO, Maria Auxiliadora Frazão, explica que a catarata é a opacidade do cristalino, uma lente natural do olho. Conforme o tempo passa, a catarata começa a atrapalhar a visão. Com a cirurgia, o cristalino é substituído por uma lente artificial.

Todas as pessoas terão que operar a catarata um dia, com o tempo — duas vezes, pois temos dois olhos”, diz ela. Embora 90% dos casos sejam decorrentes do envelhecimento (catarata senil), a doença também pode ser causada por diabetes, traumas oculares ou uso de medicamentos.

O ideal é que a cirurgia seja feita em um olho de cada vez, com diferença de algumas semanas entre os dois procedimentos, como fez o presidente Lula, que já passou pela operação no olho direito. “Assim, avaliamos os resultados, como o organismo responde, se o grau ficou bom e se evoluiu bem. Se sim, seguimos da mesma forma para o outro olho“, detalha a médica.

Riscos e contraindicações

De acordo com o CBO, como toda cirurgia, a de catarata também traz riscos. Complicações como infecções, descolamento de retina, entre outros, podem acontecer. “Por isso, a cirurgia deve ser realizada com planejamento e responsabilidade, sem subestimar um procedimento realizado dentro do olho”, diz Maria Auxiliadora Frazão.

Antes do procedimento, são exigidos exames para avaliar as condições de saúde do paciente. Casos de diabetes descontrolado, alterações de retina e algumas condições pré-existentes podem adiar ou mesmo contraindicar a cirurgia.

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Cuidados no pós-operatório

O tratamento é exclusivamente cirúrgico: o cristalino opaco é removido e substituído por uma lente intraocular (LIO). A recuperação permite o retorno ao trabalho em cerca de uma semana, com restrições a esforços físicos e contato com impurezas nos primeiros 30 dias.

A recuperação costuma ser rápida, mas o olho operado fica sensível e vulnerável a infecções nos primeiros dias.

  • Uso de colírios: É a parte mais crítica. O médico prescreve antibióticos e anti-inflamatórios que devem ser aplicados rigorosamente nos horários determinados para evitar infecções (endoftalmite).

  • Higiene rigorosa: Lavar bem as mãos antes de aplicar colírios e evitar tocar ou coçar os olhos.

  • Proteção física: Utilizar o protetor ocular (tampão vazado) ao dormir para evitar pressão acidental sobre o olho durante o sono.

  • Repouso de atividades:

    • Primeiros 3 a 7 dias: Evitar abaixar a cabeça, carregar peso ou fazer exercícios intensos.

    • Água e vapores: Evitar banhos de piscina, mar ou sauna por pelo menos 30 dias para prevenir contaminações.

  • Ambientes: Evitar locais com muita poeira, fumaça ou vento direto nos olhos.

Guia de Lentes Intraoculares (LIOs)

A cirurgia de catarata evoluiu de um procedimento de “recuperação de visão” para um procedimento “refrativo”, que pode corrigir outros problemas de visão simultaneamente.

Tipo de Lente Indicação Principal Dependência de Óculos
Monofocal Corrige a visão para uma distância (geralmente longe). Alta: O paciente precisará de óculos para perto (leitura).
Tórica Indicada especificamente para quem tem astigmatismo. Baixa para a distância corrigida; pode ser monofocal ou multifocal.
Multifocal Possui múltiplos focos, permitindo enxergar longe e perto. Muito baixa: Oferece grande independência dos óculos.
Trifocal Tecnologia avançada que foca em longe, perto e distância intermediária (computador). Mínima: É a que oferece a maior liberdade visual hoje.
Foco Estendido (EDOF) Proporciona uma transição suave entre as distâncias, com foco excelente no intermediário. Baixa: Ótima para quem usa muitas telas, mas pode precisar de óculos para letras muito pequenas.

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