HIV: o que explica o aumento de casos entre jovens e idosos?

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Números recentes do Ministério da Saúde mostram que, apesar da diminuição nos registros de HIV/Aids no Brasil, observa-se um aumento de 53% no número de casos entre homens de 15 a 29 anos. A concentração predominante de casos de Aids no país está entre pessoas de 25 a 39 anos, com distribuição equitativa entre os sexos, sendo 52,4% do sexo masculino e 48,4% do feminino. Além disso, a pasta identificou um crescimento nos casos de sífilis adquirida em homens, mulheres e gestantes. 

Mas por que, depois de mais de 40 anos de epidemia de HIV no Brasil e no mundo, pessoas mais jovens são as mais se contaminam pelo vírus? O médico infectologista Jeronimo Coelho de Menezes, da Unimed Araxá, explica o motivo deste crescimento e comenta sobre métodos de prevenção.

“Os jovens tendem a subestimar os riscos relacionados às ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), pois têm a convicção de que com eles não irá acontecer o contágio. Caso ocorra a contaminação, eles argumentam que “tudo bem”, existe tratamento e veem como uma doença crônica, com uma outra qualquer”, ressalta.

Já entre os idosos, segundo ele, é importante considerar fatores como “maior expectativa de vida, uso de medicamentos para impotência sexual, baixo uso de preservativo nessa faixa etária, baixa lubrificação da região genitália”. Outro fator de risco, segundo ele, é a fragilidade das barreiras do organismo, que fazem com que exista uma maior facilidade para a entrada do vírus. O especialista ainda ressalta que a falta de campanhas de conscientização específicas para esse público é um ponto relevante.

A camisinha ainda é essencial na prevenção?

Sim. O preservativo “camisinha” é o método mais conhecido e acessível para prevenção. Além de prevenir o HIV, também protege o indivíduo das demais IST´s.

Quais os outros métodos de prevenção?

Além do uso de preservativo, o não compartilhamento de perfurocortantes contaminados, como agulhas, seringas e alicates. Também a prevenção com uso de antirretrovirais mais conhecidos como a PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV).

Como é o tratamento?

O tratamento para o HIV evolui muito. Hoje temos medicações modernas, mais eficazes, com menos efeitos colaterais, porém, o paciente necessita de acompanhamento regular com especialista, para avaliar a resposta terapêutica e identificar efeitos adversos relacionados à administração a longo prazo.

“Utilizamos a TARV (terapia antirretroviral) que consiste em combinação de medicações que ajuda restabelecer a imunidade do organismo evitando a manifestação da doença oportunista. O uso regular é fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida das pessoas que vivem com o vírus e prevenir, pois, a medicação reduz a quantidade da carga viral circulante no sangue diminuindo a transmissão”, esclarece o médico.

Quando há uma relação sexual desprotegida, como a pessoa deve agir?

Nesses casos, inicialmente o indivíduo deve procurar o serviço de saúde ou centro de testagem e aconselhamento (CTA) para realização de exames sorológicos que são mandatórios. Após esse procedimento é iniciada a PEP que, nada mais é que uso de antirretroviral oral por 28 dias. O indivíduo deve realizar novos exames sorológicos após o término desse período.

Infectologista alerta para riscos de evoluir para situação grave

Mesmo com o tratamento disponível, 630 mil pessoas morreram de doenças relacionadas à AIDS em 2022

O infectologista e consultor técnico do Sabin Diagnóstico e Saúde, Claudilson Bastos, destaca que a pandemia de Aids ainda existe e a síndrome pode evoluir para uma situação grave, se não diagnosticada nem tratada precocemente. Segundo ele, quando o vírus entra em contato com o organismo pode causar danos no sistema imunológico, causando sintomas.

“Dentre eles estão a perda de peso, diarreia crônica e monilíase oral e esofágica, que já podem indicar o quadro de AIDS. Neste momento, a pessoa apresenta baixas defesas do organismo, abrindo as portas para infecções virais, bacterianas, fúngicas e/ou parasitárias”, esclarece.

No entanto, é possível ter uma vida longa e de qualidade, mesmo convivendo com o HIV, graças aos avanços no tratamento. O infectologista salienta que, ao ser diagnosticada com o HIV/AIDS, a pessoa deve procurar um centro de referência ou especialista para avaliar o tratamento antirretroviral adequado, com os medicamentos oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Uma vez sendo diagnosticada e tratada, a PVHA (Pessoa Vivendo com HIV/Aids) que se fizer o tratamento de forma regular terá uma vida longa como qualquer outro indivíduo. Isso porque, cada vez mais, temos novas medicações com mais eficácia, menos eventos adversos e posologia e com melhor qualidade de vida”, informa.

Bastos informa que o HIV e a AIDS não são iguais: o primeiro é o vírus responsável por contagiar o organismo, podendo o indivíduo viver com ele de forma assintomática, sem apresentar sintomas. Já a Aids é a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, que ocorre quando o corpo desenvolve sequelas/ doenças após a contaminação sem tratamento.

“É importante destacar que, em ambas as situações, existe o risco de contaminação para outras pessoas, como durante as relações sexuais sem proteção”, pontua.

Uso do preservativo é uma das formas mais eficazes de prevenção

Para evitar a contaminação pelo vírus HIV, o uso do preservativo nas relações sexuais (orais, anais e vaginais) e o não compartilhamento de seringas e agulhas continuam sendo as formas eficazes de prevenção.

“Manter a segurança e a prevenção nas relações sexuais é fundamental, uma vez que esta é uma das principais formas de transmissão do vírus. Por isso, em uma situação de sexo sem proteção, o recomendado é que o indivíduo busque um posto de saúde ou um laboratório para fazer o teste”, informa o médico.

O especialista pontua ainda a importância de fazer testes em casos de sexo desprotegido ou de qualquer outro comportamento de risco. Os exames podem ser realizados nas redes públicas e privadas e devem ser feitos 28 dias após o ato sexual desprotegido.

“Após contrair o vírus, a pessoa tem o que se chama ‘janela imunológica’, em que não há como detectar o vírus pelos métodos diagnósticos convencionais. Isto se chama período de incubação, que pode durar, em média, quatro semanas”, esclarece.

630 mil pessoas morreram de HIV em 2022

Celebrado em 1° de dezembro, o Dia Mundial de Combate à Aids acende um importante alerta para a prevenção, diagnóstico e tratamento da síndrome, que já infectou, desde 1981, quando os primeiros casos foram conhecidos, 85,6 milhões pessoas no mundo, sendo que 40,4 milhões morreram, de acordo com a Unaids.

A entidade apresentou os dados de 2022, que mostraram que 39 milhões de pessoas vivem com o vírus globalmente, sendo que 1,3 milhão foram recém-infectadas. Outra informação importante apresentada é que 630 mil pessoas morreram de doenças relacionadas à Aids no ano passado.

Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil o número de pessoas vivendo com o HIV ultrapassa um milhão. Conforme indicado pelo Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, somente em 2022 foram registrados mais de 16,7 mil casos novos da infecção.

Com Assessorias

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