Mortes prematuras e, muitas vezes, súbitas de fisiculturistas – como Arlindo da Silva, o Popeye brasileiro’, aos 55 anos, esta semana – têm levantado preocupações e discussões sobre os riscos associados ao esporte e ao uso de certas substâncias.

Diversos fisiculturistas morreram precocemente nos últimos anos, muitos deles em idades jovens (20, 30 e poucos anos). As causas de morte variam, mas frequentemente estão relacionadas a problemas cardíacos, desidratação severa, infecções bacterianas graves e, em alguns casos, o uso de substâncias como esteroides e diuréticos é apontado como um fator de risco ou suspeita. 
As mortes precoces levantam debates e alertas sobre os riscos associados ao fisiculturismo de alta performance, incluindo o uso de certas substâncias e dietas extremas. A prevenção destes problemas passa por um acompanhamento médico adequado, o uso responsável de suplementos e a adoção de hábitos saudáveis. 

Ex-campeão estadual brasileiro de fisiculturismo no Mato Grosso do Sul, Kevin Notário Nunes de Oliveira morreu em dezembro de 2025, aos 28 anos, devido a uma infecção bacteriana grave. Segundo informações da família, a morte foi causada por uso indevido de anabolizantes.

Os médicos diagnosticaram fasceíte necrosante, uma infecção grave e rapidamente progressiva dos tecidos musculares, conhecida como uma “bactéria devoradora de carne”, que destroi os tecidos da pele. Kevin passou por cirurgia emergencial no dia 25 de dezembro, foi intubado e morreu no dia seguinte.

Vereador em Ponta Porã (MS), Marcelino Nunes, pai do fisiculturista indicou que o problema ocorreu depois de o filho utilizar produtos ilegais para ganho muscular. “A busca pelo corpo ideal levou a vida precoce do meu filho Kevin. Que este caso sirva de alerta para outros jovens e atletas que pensam em recorrer a métodos arriscados para potencializar os resultados”, escreveu Marcelino Nunes em seu Instagram.

Uso de anabolizantes aumenta 4 vezes o risco de morte prematura

Quando utilizados apenas para fins estéticos e sem o devido acompanhamento médico, os esteroides podem causar sérios danos à saúde

Muito se fala sobre a utilização dos esteroides androgênicos e anabolizantes (EAA) para ajudar no desempenho físico ou no aumento de massa muscular. Estes compostos são formulações derivadas da testosterona e utilizadas em larga escala por fisiculturistas e outros praticantes de esportes. Entretanto, estudos vêm demonstrando que o uso indiscriminado dessas substâncias é a causa principal do surgimento de doenças cardiovasculares.

Estima-se que um terço dos usuários de EAA seja dependente desses esteroides, já que o uso não farmacológico visa um crescimento rápido de massa muscular e a modificação corporal. Segundo pesquisas do Research, Society and Development Journal, o risco de morte prematura em usuários atuais ou antigos de esteroides anabolizantes é quatro vezes maior em relação a quem nunca usou.

Isto acontece porque sem a devida indicação e o adequado acompanhamento médico, essas substâncias podem causar diversos danos à saúde, mesmo após a suspensão do uso. Entre as principais, estão miocardite, arritmia, hipertensão, morte súbita, aumento do colesterol ruim, diabetes, infarto agudo do miocárdio e até mesmo acidente vascular cerebral (AVC). A possibilidade de efeitos colaterais aumenta com o uso prolongado de altas doses”, afirma Carlos Hossri, cardiologista do Hcor.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o uso desses esteroides causa efeitos adversos no corpo, como o aumento de massa muscular no coração sem a proporcionalidade da irrigação sanguínea. Essa desarmonia pode ser provocada pelo desenvolvimento de placas obstrutivas nas artérias coronárias, além do “engrossamento” do sangue, formando coágulos dentro desses vasos, impedindo o fluxo sanguíneo adequado e, consequentemente, um déficit no suprimento de oxigênio.

Os mesmos estudos afirmam que 25% dos jovens que utilizam anabolizantes apresentam as placas em até três coronárias. Além disso, o sistema nervoso autônomo, aquele que ajuda a controlar as variações dos batimentos cardíacos e a pressão arterial, também pode ser afetado negativamente pelo uso dos esteroides.

Apesar de muitas sequelas serem permanentes e até fatais, com um tratamento apropriado e rígido, é possível reverter algumas consequências do uso indiscriminado de EAA. “Entretanto, mesmo ex-usuários de anabolizantes há anos relatam que a qualidade da saúde física e mental piorou, afetando o comportamento e o bem-estar emocional. Isso porque os EAA promovem uma sensação de bem-estar, podendo fazer com que os usuários tornem-se verdadeiros dependentes químicos”, explica o especialista.

Em todos os casos, é fundamental que o uso de anabolizantes seja realizado sob indicação e supervisão médica. “Geralmente, os EAA são prescritos por endocrinologistas a fim de regular a função hormonal. Mesmo esses pacientes, que tomam doses muito baixas, precisam ter um acompanhamento médico periódico”, ressalta.

Causas e prevenção

  • Uso de anabolizantes:

    O uso de anabolizantes sem supervisão médica pode levar a problemas cardíacos e outros riscos à saúde.

  • Desidratação:

    A desidratação grave pode ter consequências fatais, como a que ocorreu com Jodi Vance.

  • Parada cardíaca:

    A parada cardíaca pode ser causada por diversos fatores, incluindo problemas cardíacos subjacentes ou o uso de substâncias que afetam o coração.

  • Acompanhamento profissional:

    É fundamental que fisiculturistas tenham acompanhamento médico, nutricional e de treinadores qualificados para garantir a segurança e a saúde.

  • Uso responsável de suplementos:

    O uso de suplementos deve ser feito com orientação profissional e dentro dos limites recomendados.

  • Higiene de vida:

    A prática de exercícios físicos, uma alimentação balanceada e a hidratação adequada são essenciais para a saúde e a prevenção de problemas de saúde.

É importante ressaltar que a prevenção é fundamental para evitar mortes de fisiculturistas e garantir que a prática do esporte seja segura e saudável.

Conheça 14 casos recentes de mortes de fisiculturistas

Nos últimos anos, o mundo do fisiculturismo registrou o falecimento de diversos atletas no Brasil e no mundo. Alguns dos fisiculturistas notáveis que morreram de forma precoce incluem:
  1. Kevin Notário Nunes (28 anos): Ex-campeão estadual brasileiro de fisiculturismo no Mato Grosso do Sul, morreu em dezembro de 2025 devido a uma infecção bacteriana grave
  2. Wang Kun (30 anos): Renomado fisiculturista chinês, multicampeão e atleta da IFBB, faleceu em dezembro de 2025, com suspeita de problema cardíaco.
  3. Kadu Santos (31 anos): Fisiculturista multicampeão do Rio Grande do Sul, morreu em outubro de 2025 após um Acidente Vascular Cerebral (AVC) provocado por um cavernoma cerebral congênito
  4. Jodi Vance (20 anos): Treinadora e fisiculturista norte-americana, morreu em março de 2025 no Arnold Classic, vítima de um ataque cardíaco decorrente de desidratação severa.
  5. Gui Bulll (Guilherme Henrique, 30 anos): Fisiculturista brasileiro, faleceu em junho de 2025 por asfixia por broncoaspiração.
  6. Illia “Golem” Yefimchyk (36 anos): O bodybuilder bielorrusso morreu após sofrer uma parada cardíaca em setembro de 2024 em sua casa, na República Checa, devido ao consumo excessivo de calorias. 
  7. Matheus Pavlak: Jovem fisiculturista de 19 anos que faleceu em setembro de 2024 em Santa Catarina, após uma parada cardiorrespiratória.
  8. Christian Figueiredo: Fisiculturista brasileiro, morreu aos 29 anos em outubro de 2023 durante uma cirurgia.
  9. Jo Lindner (Joesthetics): Influenciador fitness alemão, morreu aos 30 anos em julho de 2023 devido a um aneurisma.
  10. Cedric McMillan: Campeão do fisiculturismo, morreu aos 44 anos em abril de 2022. 
  11. Antônio Souza (26 anos): Morreu após sofrer uma parada cardíaca em um campeonato de fisiculturismo em Navegantes (SC).
  12. José Mateus Correia Silva (28 anos): Morreu após sofrer uma parada cardíaca em uma academia em Águas Claras, DF, enquanto treinava.
  13. Marcos Antônio Moraes Paz (32 anos): Morreu após o uso de anabolizantes, segundo a família.
  14. Matheus Pavlak (19 anos): Morreu em casa, em Blumenau (SC), após sofrer uma parada cardiorrespiratória. 

Com informações de Assessorias

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