O Congresso Nacional fica iluminado na cor verde, neste sábado (29), para celebrar o Dia Internacional de Conscientização sobre a Escoliose. A campanha Junho Verde é uma forma de chamar a atenção para a importância do diagnóstico, do tratamento e da pesquisa da cura da doença – uma alteração na coluna vertebral causada por uma curvatura lateral.  Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a escoliose atinge de 2% a 4% da população.

Dados da OMS indicam que 80% dos casos de escoliose, na maioria em mulheres, são idiopáticos.  No Brasil, aproximadamente 6 milhões de pessoas convivem com essa condição, com uma prevalência maior entre adolescentes do sexo feminino. A escoliose, uma condição que se caracteriza pela curvatura anormal da coluna vertebral, afeta pessoas em diferentes estágios da vida, sendo mais prevalente entre adolescentes.

A escoliose idiopática, uma condição que leva à curvatura lateral da coluna, afeta muito mais as meninas entre 10 e 15 anos, e de forma mais severa, do que outros perfis de paciente. Em média, se observa dez casos em meninas para um menino na mesma faixa etária. Com o objetivo de aumentar a conscientização sobre essa condição e promover a prevenção precoce, o mês de junho é celebrado como Junho Verde da Escoliose.

Embora as razões precisas para essa disparidade de gênero ainda não sejam totalmente compreendidas, é evidente que as meninas enfrentam uma tendência maior de desenvolver formas mais agressivas e progressivas da Escoliose Idiopática, muitas vezes exigindo intervenções cirúrgicas”, observa o médico ortopedista Alexander Rossato, do Centro de Excelência em Escoliose do Hospital Ortopédico AACD.

De acordo com o ortopedista, é muito importante identificar esse tipo de escoliose em estágios iniciais, a fim de permitir abordagens terapêuticas menos invasivas, o que pode reduzir a necessidade de intervenções cirúrgicas no futuro. Um desses métodos é o tratamento conservador promovido por meio de fisioterapia específica e uso de colete tridimensional.

Para o diagnóstico precoce, Rossato ressalta a importância da observação da família. Um teste simples de ser realizado é o de Adams, em que a pessoa curva o tronco para frente com os pés e mãos unidos, sem dobrar os joelhos. Caso se perceba alguma assimetria na coluna, é fundamental procurar um especialista para avaliação.

Dor, problemas respiratórios e até neurológicos

A campanha Junho Verde tem como objetivo chamar a atenção para a Escoliose Idiopática do Adolescente (EIA). Segundo a Organização Mundial da Saúde, a doença atinge cerca de 6 milhões de brasileiros e aproximadamente 4% da população mundial (mais de 250 milhões de pessoas.

Esta é uma patologia caracterizada pelo desvio progressivo da coluna (conhecida popularmente como coluna em “S”)”, diz André Evaristo Marcondes, ortopedista e especialista em coluna do Núcleo de Medicina Avançada do Hospital Sírio-Libanês.

A evolução dessa deformidade pode causar dor, problemas respiratórios e até neurológicos. Existem quatro tipos principais da doença: idiopática, congênita, sindrômica e neuromuscular. O tipo idiopático, ou seja, de causa desconhecida, é o mais comum. A patologia provoca um desvio de coluna progressivo, que pode levar até a uma intervenção cirúrgica.

A doença costuma aparecer na adolescência e pode ser detectada, muitas vezes, por meio de um simples exame visual da coluna feito pelo ortopedista.  As opções de tratamento variam de acordo com o tipo e a gravidade da escoliose. Podem envolver exercícios de fisioterapia e RPG, uso de coletes ortopédicos e cirurgia, nos casos mais graves.

Into alerta para importância do diagnóstico precoce da escoliose

No mês dedicado à conscientização sobre a escoliose, o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) alerta para a importância do diagnóstico precoce da doença, caracterizada pela curvatura anormal da coluna vertebral, geralmente em formato de “C” ou “S”. Quanto mais cedo ela for identificada, maiores são as chances de impedir a progressão da curvatura por meio do tratamento adequado.

O chefe do Centro de Doenças da Coluna do Into, Ricardo Meirelles, explica que o tipo mais comum de escoliose é a chamada idiopática, ou seja, que não apresenta uma causa específica. Ela surge principalmente no fim da infância e início da adolescência, após os 10 anos de idade, quando a criança está na fase do estirão do crescimento.

Nessa etapa do desenvolvimento, a escoliose tende a progredir mais rapidamente. É neste momento que devemos avaliar as crianças com atenção a fim de adotar um tratamento precoce, intervindo antes que a curva se torne cirúrgica”, destaca o ortopedista.

Ele explica ainda que os sinais manifestados pela doença variam de acordo com o grau da escoliose, podendo incluir o desnivelamento dos ombros, da cintura e dos quadris, além da descentralização da cabeça em relação à bacia, o que provoca desconforto muscular e, na maioria das vezes, transtorno estético.

O tratamento vai depender do grau de curvatura da escoliose e, por isso, o diagnóstico precoce é fundamental. O teste de Adams é uma ferramenta simples e eficaz que pode ser realizada por qualquer pessoa para identificar possíveis sinais da condição.

Você pede para a criança inclinar o corpo para frente e observa se há algum tipo de desalinhamento da coluna vertebral: um ombro mais alto do que outro, a cintura desnivelada ou a cabeça deslocada para a lateral do corpo. Caso isso aconteça, a recomendação é procurar um especialista para realizar o diagnóstico preciso”, ressalta.

Quando a escoliose é detectada em seu estágio inicial, as chances de se adotar um tratamento conservador, como a utilização de coletes, é maior. Em casos mais graves, quando a curvatura ultrapassa os 45 graus, a indicação é cirúrgica.

“Não existe prevenção, mas é possível controlar ou até mesmo evitar a progressão da curva da escoliose quando a doença é tratada no início. Por isso, pais, responsáveis e profissionais que atuam diretamente com as crianças precisam estar atentos aos sinais”, conclui o médico.

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Fisioterapeuta explica a importância do diagnóstico precoce

Existem diversos tipos de escoliose, incluindo a idiopática, congênita, neuromuscular e degenerativa.escoliose idiopática, que é mais comum em adolescentes, e a congênita geralmente não apresentam dor inicialmente, mas podem progredir para causar desconfortos significativos se não forem tratadas precocemente, especialmente em curvaturas superiores a 50 graus”, destaca

Como a fisioterapia pode ajudar na escoliose idiopática

O fisioterapeuta responsável pela unidade de Alphaville, Marcelo Biaggini.  ressalta que a escoliose neuromuscular pode causar dor devido ao impacto das costelas no ilíaco da pessoa afetada, enquanto a degenerativa está frequentemente associada a dor devido ao pinçamento de nervos e instabilidade vertebral”.

A fisioterapia desempenha um papel importante na prevenção e tratamento da escoliose, onde oferece uma triagem precoce, orientações para atividades físicas e tratamento para dores associadas.

O cuidado atento durante a infância e adolescência pode fazer uma grande diferença no manejo da condição, com a detecção precoce aumentando as chances de sucesso no tratamento. Isso inclui o uso de órteses 3D e exercícios fisioterapêuticos específicos, apoiados por estudos que comprovam sua eficácia”, salienta Biaggini.

Embora em estágios avançados a cirurgia possa ser necessária, apenas uma pequena porcentagem de casos requer intervenção cirúrgica, com a maioria dos pacientes respondendo bem ao tratamento conservador.

Durante o Junho Verde da Escoliose, é fundamental destacar a importância da conscientização, prevenção e acesso a tratamentos eficazes para melhorar a qualidade de vida de todos os indivíduos afetados por essa condição. A informação e o cuidado adequado desde cedo são essenciais para enfrentar os desafios da escoliose com sucesso. Abaixo, o fisioterapeuta destaca alguns passos do tratamento da condição:

Fisioterapia preventiva

A triagem realizada por profissionais qualificados, identifica sinais precoces, permitindo a implementação imediata de medidas preventivas.

A fisioterapia preventiva para jovens inclui a prescrição de exercícios específicos para fortalecer os músculos do tronco, melhorar a postura e prevenir o agravamento da curvatura. Além disso, fornecem-se orientações sobre atividades físicas adequadas para promover a saúde da coluna e prevenir dores associadas à escoliose.

Tratamento de dores associadas à escoliose

Na presença de dores, a fisioterapia desempenha papel fundamental no alívio dos sintomas. Terapia manual, exercícios terapêuticos e técnicas de relaxamento muscular são empregados para reduzir a dor, melhorar a mobilidade e promover a funcionalidade.

Em casos mais graves, a intervenção médica pode ser necessária, incluindo o uso de órteses, medicamentos anti-inflamatórios ou, em situações extremas, intervenção cirúrgica. No entanto, a prevenção e o tratamento precoces desempenham papel crucial na minimização das complicações associadas à escoliose.

“Coluna em S”, doença causa desvio de postura e dores excruciantes

A escoliose é uma doença que afeta a coluna vertebral alterando o seu alinhamento natural. A patologia provoca um desvio para o lado direito ou esquerdo do corpo e pode vir acompanhada de maior ou menor grau de rotação tridimensional da coluna vertebral.

A pessoa afetada pela doença convive com o desnivelamento do tronco, mais perceptível nos ombros e cintura. Em casos de rotação da coluna, essa deformidade também é notada na irregularidade da caixa torácica. Segundo dados da OMS, a escoliose afeta entre 2% a 4% da população mundial.

André Evaristo Marcondes, ortopedista e especialista em coluna do Núcleo de Medicina Avançada do Hospital Sírio-Libanês e que realizou um mestrado europeu em saúde pública, diz que a escoliose é avaliada em graus, sendo que nos estágios iniciais ela é quase imperceptível.

A partir de 40, 45 graus de inclinação, indicamos o tratamento cirúrgico, para corrigir o alinhamento postural e evitar danos a outros órgãos do corpo, como coração e pulmões que, nesta etapa, são comprimidos”, afirma.

Saiba mais sobre a doença

escoliose pode ser dividida em diferentes tipos. A partir do diagnóstico precoce, a ser realizado de forma simples por um especialista, medidas podem ser adotadas para evitar o agravamento do problema. Conheça os diferentes tipos e características a seguir:

  • Idiopática: Escoliose Idiopática do Adolescente (EIA) é caracterizada pelo desvio progressivo da coluna (conhecida popularmente como coluna em “S”).

  • Congênita: malformação vertebral de múltiplos tipos, presentes ao nascimento, com progressão da deformidade e associadas a doenças neuromusculares;

  • Degenerativa: afeta adultos e é caracterizada por uma degeneração que progressivamente acomete os segmentos da coluna de forma desigual. Pode deixar a pessoa com um grave desvio da coluna no plano coronal (visto de frente) com o tronco totalmente descompensado e caído para um lado. Neste cenário, a patologia pode causar dores torturantes na coluna lombar e torácica;

  • Neuromuscular: apresenta progressão da curva deformante e tendem a ter indicação cirúrgica, pois no caso dessas patologias, é o desequilíbrio muscular que desenvolve a deformidade; ou seja, o desequilíbrio traciona um lado diferente do outro, causando, na grande maioria das vezes, uma deformidade progressiva que não vai parar ou diminuir com o término do crescimento, tendendo a progredir a deformidade de maneira contínua e irrestrita;

  • Escoliose pós-traumática: pode surgir após um trauma grave ou fratura na região da coluna vertebral. Seu aparecimento é mais comum após acidentes envolvendo carros ou motos.

Esta é uma doença progressiva que afeta mais de seis milhões de brasileiros. É muito importante seu diagnóstico precoce que é feito de modo simples e pode minimizar a sua evolução.

Por fim, o Dr. André Evaristo, afirma que ela pode ser diagnosticada precocemente permitindo o tratamento adequado. “Diante de qualquer discrepância, o paciente deve ser encaminhado ao especialista em coluna para acompanhamento e uso de coletes ortopédicos, se necessário. Este simples gesto pode evitar a sua evolução, que afeta jovens e pessoas de mais idade. Seu diagnóstico causa dores, prejudica a autoestima, além de alterar o desempenho do indivíduo em vários aspectos biomecânicos e de qualidade de vida”, finaliza o cirurgião de coluna.

Palavra de Especialista

Escoliose: um caminho de resiliência e superação

Por Julia Barroso*

Junho é o mês dedicado à conscientização da escoliose, uma condição que afeta cerca de 2 a 3% da população mundial, sendo 80% dos casos em meninas. A escoliose é uma curvatura anormal da coluna vertebral que pode levar a complicações graves se não tratada adequadamente. A campanha do Junho Verde visa aumentar a conscientização sobre essa deformidade, seus tratamentos e o impacto na vida das pessoas afetadas.

escoliose pode se manifestar de diversas formas, desde leves curvaturas até deformidades severas que comprometem a qualidade de vida do paciente, além de abalar emocionalmente não só a pessoa com escoliose, como sua família inteira.

Os tratamentos variam conforme a gravidade da condição. Em casos leves, a fisioterapia com exercícios específicos e o acompanhamento médico são suficientes. Para curvaturas moderadas, além da fisioterapia, faz-se necessário o uso de coletes ortopédicos. Em situações mais severas, a cirurgia é indicada, envolvendo procedimentos bem complexos e caros.

Eu descobri a escoliose aos 11 anos, durante uma consulta de rotina. A notícia chegou como um choque, especialmente para uma pré-adolescente vaidosa e cheia de vida. A gravidade da condição e a necessidade de usar um colete ortopédico por 23 horas diárias foram devastadoras.

Os anos usando o colete foram marcados por vergonha e isolamento. A vaidade adolescente deu lugar a uma tristeza profunda e à sensação de alienação. Apesar disso, enfrentei o desafio com coragem e determinação. Depois de retirar o colete, aos 15 anos, descobri que minha escoliose era progressiva (não pararia de crescer) e que precisaria de cirurgia para evitar complicações futuras.

A operação foi um marco na minha vida. Enfrentar um procedimento tão complexo e arriscado exigiu uma força extraordinária. Durante minha recuperação, encontrei conforto na escrita. Da cama do hospital, comecei a documentar minha jornada, resultando no livro “A Menina da Coluna Torta” que se tornou um sucesso, ajudando inúmeras pessoas a entender e lidar com a escoliose.

Continuei minha carreira como jornalista, mas nunca perdi o desejo de ajudar outras pessoas com escoliose. Doze anos depois, decidi voltar a me dedicar integralmente à conscientização da escoliose. Escrevi um segundo livro autobiográfico, “A Mulher da Coluna Torta”, e recriei meu blog para compartilhar informações e apoiar outros pacientes.

Além da escrita, me voluntariei no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, mesmo hospital onde fui operada. Durante um ano, visitei pacientes recém-operados, oferecendo palavras de conforto e apoio, retribuindo o cuidado que recebi.

Minha história ilustra a importância da conscientização. O Junho Verde é mais do que uma campanha: é um movimento de esperança e apoio. Ao compartilhar minhas experiências, não apenas encontrei propósito e felicidade, mas também impactei positivamente a vida de muitos outros. Que este mês seja um lembrete de que, juntos, podemos fazer a diferença na vida daqueles que enfrentam a escoliose.

*Jornalista e membro da Sociedade Brasileira de Escoliose

 

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