O Brasil registrou um salto alarmante no número de trabalhadores afastados por motivos de saúde em 2025. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, mais de 4,12 milhões de pessoas precisaram de licença laboral por incapacidade temporária, um aumento de 15% em relação aos 3,58 milhões de casos em 2024.

No topo dessa lista, consolidando-se como o principal vilão da produtividade nacional, está a dor nas costas. Pelo terceiro ano seguido, as queixas relacionadas à dorsalgia (CID M54) foram a causa número um de concessão de benefícios pelo INSS, forçando o afastamento de 237.113 profissionais formais por períodos superiores a 15 dias.

Logo atrás, em segundo lugar, aparecem as lesões ou desgastes de discos intervertebrais, como as hérnias de disco, com 208.727 casos. O cenário geral das doenças que mais afastaram os brasileiros revela uma predominância de problemas musculoesqueléticos e o avanço preocupante de transtornos mentais.

O raio-x da incapacidade em 2025

Posição Doença / Transtorno Casos (2025)
Dores nas costas (dorsalgia) 237.113
Lesões/desgastes de discos intervertebrais 208.727
Fraturas de perna ou tornozelo 179.743
Transtornos ansiosos 166.489
Lesões de ombro 135.093
Episódios depressivos 126.608

Diferenças de gênero e o perfil dos pacientes

O levantamento aponta que as mulheres são as mais afetadas por problemas na coluna: 121.586 trabalhadoras se afastaram por dores nas costas em 2025. Já entre os homens, a principal causa de afastamento foram as fraturas de perna e tornozelo (116.235), com a dorsalgia ocupando a segunda posição.

Além do recorte de gênero, especialistas alertam para a mudança na faixa etária. A fisioterapeuta Fernanda Maria Cercal Eduardo observa que a dor nas costas deixou de ser um problema exclusivo de pessoas acima de 45 anos. Segundo ela, pacientes de apenas 18 ou 19 anos já apresentam sinais de degeneração discal e os chamados “bicos de papagaio” (osteófitos) — uma “epidemia silenciosa” impulsionada pelo sedentarismo e pelo uso incorreto de telas.

Leia mais

Sinal de alerta para dor nas costas que persiste há mais de três meses
O que fazer para evitar e tratar a indesejável dor nas costas?
Dor nas costas pode ser sinal de alerta para doenças reumáticas
Dor nas costas: saiba como tratar

Por que a coluna está sofrendo tanto?

De acordo com a especialista, o erro comum é acreditar que o repouso é a solução. Pelo contrário: a falta de movimento é o que acelera o desgaste das articulações.

A atividade física regular é a recomendação mais certeira para prevenir dor nas costas. O sedentarismo e as posturas erradas no home office são os principais vilões”, afirma Fernanda Eduardo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 80% da população mundial terá ao menos um episódio de dor lombar durante a vida. No Brasil, o agravamento desses quadros está diretamente ligado ao tempo excessivo sentado e à musculatura enfraquecida, que não consegue sustentar o eixo central do corpo.

Nos últimos cinco anos, os atendimentos hospitalares no SUS para esse problema cresceram 37,5%. Os ambulatoriais também aumentaram: 27%. A maioria dos pacientes tinha entre 20 e 59 anos de idade. Houve alta no número de atendimentos em todas as faixas etárias, mas principalmente em pacientes muito jovens, de até 19 anos. Os dados refletem o estilo de vida sedentário comum na atualidade.

Como prevenir e solicitar auxílio

Para evitar entrar nas estatísticas do INSS, as recomendações incluem:

  • Ergonomia: Ajustar altura de mesas, cadeiras e telas.

  • Movimento: Praticar atividades que trabalhem força e flexibilidade (pilates, yoga ou funcional).

  • Consciência corporal: Atentar-se à postura durante as tarefas diárias e fazer pausas.

Caso a dor se torne incapacitante por mais de 15 dias, o trabalhador segurado deve solicitar o Auxílio por Incapacidade Temporária (antigo auxílio-doença) através da plataforma meu.inss.gov.br ou pelo telefone 135. A concessão depende de perícia médica para avaliar se a incapacidade é temporária ou permanente.

Shares:

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *