Documentário aborda desigualdades em saúde na pandemia

Filme registra engajamento público da ciência durante a construção do Índice de Desigualdades Sociais para Covid-19 (IDS-Covid-19)

O índice tem como função dar uma forma de mensuração das desigualdades (Foto: Vilar Rodrigo/Wikimedia Commons)
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Por Agência Fiocruz

Uma experiência inovadora de produção de ciência durante a pandemia de Covid-19 que inclui a participação social. Esse é o enredo do documentário Além do Distanciamento: diálogos para entender as desigualdades da pandemia de Covid-19 – o primeiro longa-metragem científico produzido pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia).

Disponível no canal do YouTube do Cidacs, o filme de 55 minutos registra o processo de engajamento público da ciência realizado durante a construção do Índice de Desigualdades Sociais para Covid-19 (IDS-Covid-19), que envolveu representantes da área de gestão em saúde, de grupos de comunidades e equipe de pesquisadores.

O engajamento público da ciência caracteriza uma das formas de participação de diferentes segmentos sociais no processo de construção do conhecimento científico. Durante a construção do IDS-Covid-19, este movimento permitiu uma maior aproximação entre cientistas, gestores e grupos de comunidades para troca de experiências.

  1. “Não tem como a gente abordar este tema das desigualdades sociais em saúde na pandemia de Covid-19 sem envolver uma ampla discussão na sociedade”, defendeu a idealizadora do processo de Engajamento vice-coordenadora do Cidacs, Maria Yury Ichihara, que liderou o projeto de pesquisa que construiu o IDS-Covid-19.

O índice foi produzido com o objetivo de medir os efeitos das desigualdades sociais em saúde durante a pandemia e ajudar gestores públicos e outros segmentos sociais a identificar municípios e regiões de saúde que necessitam de mais atenção.

Ao longo de um ano, a equipe de pesquisa participou de uma série de atividades que permitiu o estabelecimento do diálogo com 29 representantes da gestão pública e dez representantes de comunidades de diferentes regiões brasileiras. Reuniões técnicas, grupos de discussão, webinários e até uma visita presencial a uma das comunidades que participou do estudo foram registradas e ajudaram a compor o documentário. Além disso, mais de 30 entrevistas foram realizadas com participantes e pesquisadores.

Para Lucia Gato, ativista, professora e integrante do Grupo de Mulheres Negras Mãe Andresa (MA), o contato com pesquisadores do Centro foi avaliado positivamente. “Foi interessante o contato com essa linha de trabalho que o Cidacs desenvolveu porque ele primou primeiro por ouvir”, declarou. Ainda segundo ela, a sistemática empreendida a deixou à vontade para compartilhar suas experiências com todo o grupo.

Temáticas no documentário

Mais do que registrar o trabalho de engajamento público da ciência durante a construção do IDS-Covid-19 e de explicar os desafios enfrentados pelos pesquisadores, o documentário resgata, através dos relatos das pessoas entrevistadas, as dificuldades enfrentadas durante a pandemia. Fome, dificuldades de acesso aos serviços de saúde, desemprego e desinformação foram alguns temas abordados no documentário.

A visão de representantes da gestão pública também foi incluída, bem como as dificuldades de acesso aos dados sobre a Covid-19 enfrentadas pela equipe de pesquisadores do IDS-Covid-19 durante o apagão de dados do Ministério da Saúde entre dezembro 2021 e janeiro de 2022. Os resultados alcançados a partir da análise das desigualdades sociais em saúde medidas pelo índice também foram apresentados no longa.

Organizações participantes do documentário

Grupo de Mulheres Negras Mãe Andresa, Observatório de Direitos Humanos Crise e Covid-19, Rede de Mulheres Negras para Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, Instituto de Mulheres Negras do Amapá, Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e Painel Unificador de Favelas.

Serviço:
DocumentárioAlém do Distanciamento: diálogos para entender as desigualdades da pandemia de Covid-19
Acessocanal do YouTube do Cidacs / Fiocruz Bahia
Idealização: Maria Yury Ichihara e Mariana Sebastião
Direção e roteiro: Adalton dos Anjos Fonseca e Gabriela Carvalho
Edição: Gabriela Carvalho
Duração: 55 minutos

Plataforma VideoSaúde estreia curta premiado ‘A Arte nos Tempos da Gripe’

Um século atrás, o mundo foi nocauteado pela pandemia do vírus influenza, apelidada como “gripe espanhola”. Como os artistas do período registraram e refletiram sobre aquele momento único – e tão estranhamente familiar? Por meio de pinturas, charges, poemas, crônicas e filmagens, é possível descobrir o legado da Arte durante a pandemia de influenza. Eis o dispositivo da produção baiana A Arte nos tempos da Gripe, que estreia na Plataforma de Filmes em Acesso Aberto da VideoSaúde / Fiocruz.

Um vídeo-ensaio, de caráter educativo e documental, com a finalidade de discutir as transformações que as Artes sofreram no início do século 20 como consequência da pandemia da gripe espanhola, e também para reflexão sobre o papel da Arte em períodos de crise. Selecionado por edital da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) e exibido pelo Festival Internacional de Cinema de Arquivo (Arquivo em Cartaz), edição 2022, entre outras premiações e seleções, a produção do diretor Raul Ribeiro chega à Plataforma de Filmes VideoSaúde Fiocruz para ampliar as reflexões e dimensões que pandemias despertam na cultura.

Ribeiro conta como surgiu o projeto. “Em maio de 2020, quando ainda não se sabia muita coisa sobre o Covid e todo mundo estava em quarentena, a Funceb [Fundação de Cultura do Estado da Bahia] lançou a 8ª edição do edital Calendário das Artes, em que os proponentes deveriam inscrever projetos que pudessem ser realizados em isolamento social para veiculação online. Como eu não tinha a possibilidade de fazer gravações, me ocorreu a ideia de fazer uma pesquisa sobre o período da pandemia de Influenza de 1918-1920 e recolher materiais de arquivo daquele período para montar um documentário, inspirado pelo longa-metragem Nós que Aqui Estamos Por Vós Esperamos (1999), de Marcelo Masagão, que é um documentário de arquivo.

Premiações de Arte nos tempos da Gripe

1º Festival Cine em Transe – Festival de Cinema do Sudoeste da Bahia, premiado como Melhor Edição e Montagem na categoria Cinema Independente;

1ª Mostra Internacional de Cinema do Nordeste (MICINE), premiado como Melhor Pesquisa/Tema em Curta-Metragem;

Mostra Competitiva do Festival Arquivo em Cartaz 2022, organizada pelo Arquivo Nacional.

Artistas como inspiração

De acordo com o diretor Raul Ribeiro, o título da produção faz alusão ao livro O Amor nos Tempos do Cólera, de Gabriel García Márquez. A pandemia do vírus influenza, com a qual a pandemia do Covid-19 é muito comparada, varreu o mundo entre os anos de 1918 e 1920, causando a morte de dezenas de milhões de pessoas. No entanto, existe a concepção de que ela não causou um grande impacto cultural na humanidade e logo foi esquecida, ao contrário da Primeira e Segunda Guerras Mundiais.

“Considerando que a Arte é uma maneira por meio da qual a sociedade pode refletir e expressar suas inquietações, e tendo em vista que a atual pandemia do Covid-19 certamente repercutirá na produção artística dos próximos anos, o vídeo  busca compreender quais foram os possíveis impactos culturais originados pela grande pandemia do século 20, a fim de vislumbrar paralelos e convidar os espectadores, sobretudo os que produzem arte, a refletirem sobre sua condição de registradores de um momento histórico e formadores de uma memória cultural”, conta Raul sobre as motivações para desenvolvimento da obra.

Para a equipe da VideoSaúde, incorporar mais uma produção que trata de pandemias agrega mais um diferencial ao acervo e traz diversidade aos dispositivos narrativos nos títulos disponíveis por meio da Plataforma de Filmes da Fiocruz.

Como os artistas olharam a gripe

O vídeo é ilustrado com trechos de filmagens amadoras e obras cinematográficas da época, bem como fotografias e reprodução de pinturas – imagens que, de acordo com a legislação brasileira, já se encontram em domínio público por conta do período de tempo transcorrido desde sua produção. O vídeo reunirá, portanto, em um só lugar e com linguagem acessível, informações relativas à produção artística do período – cinema, literatura, música e pintura –, tanto no contexto brasileiro quanto no mundial.

Dos fechamentos de teatros e cancelamento de eventos à paralisação das produções em Hollywood; das pinturas de Edvard Munch às crônicas de Nelson Rodrigues relatando o terror vivenciado durante a pandemia; de um filme francês de 1919 retratando zumbis saindo de covas coletivas às marchinhas brasileiras do grande Carnaval também de 1919, quando os sambistas comemoraram o retorno às ruas: a pandemia deixou sim suas marcas na Arte e na Cultura, e este vídeo é uma oportunidade de apresentá-las e discuti-las.

A Arte nos tempos da Gripe
Bahia (BA), 2020, Documentário, 16 min., Cor, Digital.

Ficha Técnica:
Direção e produção: Raul Ribeiro;
Pesquisa e roteiro: Raul Ribeiro e Ana Clara Callegaro;
Montagem e finalização: Raul Ribeiro;
Narração: Mário Ribeiro;
Arte gráfica: Eduardo Rodrigues;
Tema: animações, saúde pública;
Classificação: Curtas;
Gênero: Animação.

Fiocruz lança conta no LinkedIn

Cursos, eventos, estudos, artigos, esses são alguns assuntos que estarão na página da Fiocruz no LinkedIn. A nova conta é mais uma estratégia da área de mídias sociais da Fundação e será uma forma de chegar ao público específico desta rede social, composto por 850 milhões de usuários que buscam informações profissionais e sobre carreiras.

Desta forma, o conteúdo no LinkedIn vai focar na programação das atividades acadêmicas da instituição. Porém, a ideia é que a nova conta também seja uma maneira prestar serviço sobre saúde pública e informar sobre as pesquisas que estão sendo desenvolvidas na instituição. Siga a Fiocruz no LinkedInlinkedin.com/company/oficialfiocruz/

A conta do LinkedIn vem se somar às demais redes sociais já utilizadas pela Fiocruz: Twitter, onde a Fundação tem contas em português e em inglês, além do Twitter da Agência Fiocruz de NotíciasInstagramFacebook e, a mais recente, TikTok. As mídias sociais da Fundação são gerenciadas pela Coordenação de Comunicação Social (CCS/Fiocruz) e são parte fundamental do planejamento de divulgação institucional da Fundação.

A opção por iniciar o trabalho em mais uma rede social se dá em um momento em que os demais perfis da instituição se encontram consolidados como fontes importantes de informação sobre saúde pública, depois do crescimento acelerado que as contas tiveram durante a pandemia. Dentro do trabalho de Comunicação desenvolvido na Fiocruz, as redes sociais se mostram especialmente relevantes no combate às fake news, ao levar conhecimento para os diferentes públicos de cada mídia.

Atualizado em 25/1/23

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