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Como a pandemia da Covid-19 mudou as relações entre pais e filhos?

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Com mais tempo dentro de casa, por conta do confinamento e das aulas suspensas durante o ano praticamente inteiro, crianças e adolescentes têm sofrido muitos impactos emocionais, gerando quadros de estresse e ansiedade. Com isso, as relações entre pais e filhos têm se tornado muitas vezes tensas e conflituosas, culminando até mesmo em casos de violência doméstica. A questão pode piorar quando os pais são separados, envolvendo ainda questões de guarda compartilhada, direitos como a pensão alimentícia ou violações como alienação parental.

Como lidar com tudo isso? E como os pais devem motivar os filhos a vencerem as dificuldades causadas pela fase de isolamento ou distanciamento social que alterou as rotinas das famílias e ficará marcada para sempre em suas memórias? Para conversar sobre as nada fáceis relações familiares em tempos de Covid, o #PapodePandemia traz em sua 28ª edição três especialistas para uma live nesta quarta-feira, dia 2 de dezembro, na fanpage do Portal ViDA & Ação.

Os convidados especiais dessa vez são Adriana Drulla, especialista em Autocompaixão e Parentalidade Consciente e mestre em Psicologia Positiva; Paulo Albuquerque, psicólogo, terapeuta de casal e família, especialista em Neurociências Aplicadas, e Igor de Freitas, jornalista e advogado, especialista em Direito de Família, Sucessões e Imobiliário. A conversa virtual acontece conta com a facilitação e mediação da jornalista Rosayne Macedo, editora-chefe do Portal ViDA & Ação.

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Adolescentes precisam de mais conexão social

Pesquisa do Datafolha, em parceria com a Fundação Lemann, o Itaú Social e a Imaginable Futures, com responsáveis por 1.556 alunos entre 6 e 18 anos do ensino público durante o isolamento, mostrou que a falta de motivação, que atingia 46% das crianças e adolescentes em maio, subiu para 54% em setembro.

Também para 28% dos entrevistados, o relacionamento em casa piorou após o início das atividades remotas, contra 21% em maio; nos anos iniciais esse índice é de 30%. O percentual dos que estão tristes passou de 36% em junho para 41% em julho. No mesmo período, o de irritados foi de 45% para 48%. E são 74% os que se sentem tristes, ansiosos ou irritados.

A percepção das dificuldades de estabelecer uma rotina de aprendizagem em casa passou de 58% para 65%, de maio a setembro. Nos anos iniciais chega a 69%.  E o medo de abandonar a escola se manteve em 30% como em maio, depois de ter chegado a 38% na edição anterior da pesquisa, em julho.

Adriana Drulla destaca que os jovens têm uma maior necessidade de conexão social. “A adolescência é uma fase de descoberta de si mesmo e de formação da identidade, e para isso o grupo é muito importante. Ao mesmo tempo é uma fase de desenvolvimento muito sensível”, explica. Ainda de acordo com ela, a transição da infância para a adolescência representa um período crítico para a vulnerabilidade a transtornos emocionais.

Pesquisas feitas com diversas faixas etárias mostram que, naturalmente, pessoas na faixa etária entre 14 e 17, por exemplo, tem mais chances de desenvolver depressão e ansiedade do que em qualquer outra faixa etária, e a pandemia acentua isso. Enfrentamos globalmente um momento difícil, com o confinamento impactando diretamente a saúde mental de jovens e adultos”, revela Adriana.

Ainda segundo a especialista, a insatisfação não vem apenas como resultado da diminuição de interações sociais. Os adolescentes estão vivenciando um período de insegurança muito novo: preocupação com a saúde; com a situação do emprego e da condição econômica da família; a questão da morte; a separação repentina de amigos; a interrupção escolar; rotina bagunçada; dieta menos balanceada e atividades físicas prejudicadas.

Adriana lembra que a cada ano, cerca de 800 mil mortes por suicídio ocorrem no mundo, o que representa uma morte a cada 40 segundos. Entre os jovens (15 a 29 anos), é a segunda causa de morte globalmente, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

O que os pais podem fazer para apoiar os filhos

A recomendação da especialista para os pais é que acompanhem e orientem seus filhos. “Primeiro, aceitando o sofrimento como natural. Perdas causam tristeza, e a incerteza com relação ao futuro causa ansiedade. Estas reações emocionais são esperadas e é importante validar o sofrimento do jovem que sofre”, explica Adriana.

Segundo ela, é importante que ele se sinta ouvido e compreendido e que saiba que suas reações emocionais fazem sentido. “E a partir desse  lugar  de  vínculo e apoio entenderem juntos, pais e filhos, se existe alguma atitude possível para amenizar essa dor. Ver uma amiga apenas, tomando todo o cuidado, ou então, marcar conversas de vídeo, pode ser uma saída”, completa a especialista. 

É importante que esse jovem tenha alguém que ele confie para desabafar e para falar abertamente. O primeiro passo para ganhar a confiança da criança é validando seus sentimentos, acolhendo o que ele está sentindo com empatia. Além dos pais, amigos também são importantes para a elaboração de sentido. 

Os momentos de dificuldade são importantes porque quando paramos o piloto automático podemos refletir sobre a nossa vida e adotar valores e objetivos mais coerentes com a nossa felicidade. Quando as pessoas conseguem encontrar sentido e propósito para além de si, elas superam as dificuldades com mais facilidade. Esse é inclusive um dos grandes benefícios de se fazer trabalhos sociais, por exemplo”, finaliza Adriana Drulla.

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