A escritora e poetisa mineira Adélia Prado, de 90 anos de idade, apresentou evolução em seu quadro de saúde, com “melhora clínica progressiva”, segundo boletim do Hospital São Judas Tadeu, no município de Divinópolis, região metropolitana de Belo Horizonte, onde está internada.

Adélia foi para o hospital após sofrer uma queda em casa no dia 19 de janeiro, quando fraturou o fêmur, cotovelo e punho. Ela precisou passar por duas cirurgias e teve evolução satisfatória no pós-operatório.

Ainda segundo o boletim médico, ela está “acordada, orientada, hemodinamicamente estável” e sem necessidade do uso de medicamentos vasoativos. A escritora também apresentou melhora renal, função que havia apresentado complicações.

Chances de mortalidade aumentam após 48 horas da fratura do fêmur em idosos

Fraturar o maior osso do corpo humano é um risco grande à saúde de qualquer pessoa, mas quando essa situação ocorre na população idosa, a gravidade é ainda maior. Isso porque as chances de consequências à mobilidade e aos órgãos vitais aumentam conforme a demora do início do tratamento, que na maioria das vezes, é cirúrgico. De acordo com o ortopedista do Hospital Edmundo Vasconcelos, José Fernando Carneiro, esse tipo de caso é sempre de urgência.
A fratura do fêmur em idosos é uma patologia grave. Após 48 horas, o aumento de mortalidade já passa a ser considerável e por isso é necessário realizar a cirurgia o quanto antes, preferencialmente, no mesmo dia para garantir a sobrevida do paciente. Caso demore mais de quatro dias para ser feita, as chances de morte aumentam em mais de sete vezes”, explica Carneiro.
A probabilidade de morte, no entanto, não está diretamente ligada à fratura e sim às complicações que ela pode causar no organismo, como pneumonia, infecções e problemas cardíacos. Segundo o ortopedista, essas são as três causas mais comuns de óbito neste cenário. “Atualmente, um a cada quatro idosos, em média, morre dentro de um ano após o incidente por uma dessas consequências e por isso é tão importante o atendimento rápido e multidisciplinar”, completa.

Como evitar as fraturas de fêmur?

Para a fratura ocorrer, não é preciso uma queda brusca, basta um movimento rotacional do quadril com o pé fixo no chão. Nos idosos, geralmente o osso se quebra antes mesmo do tombo e por isso é preciso sempre ficar atento a alguns detalhes que ajudam a prevenir o incidente:
•Pratique exercícios regularmente de fortalecimento e equilíbrio;
•Retire os tapetes da casa;
•Coloque barras laterais no box do banheiro e perto do vaso sanitário;
•Coloque tapetes antiderrapantes no banheiro;
•Mantenha uma iluminação adequada de todos os ambientes da casa;
•Faça acompanhamento médico com geriatra;
•Evite medicamentos que causem tontura e sonolência;
•Use óculos quando indicado;
•Não esqueça de hidratar-se e ter uma alimentação equilibrada;
•Em casos de diagnóstico de osteoporose, não deixe o tratamento de lado;
•Use o apoio de muletas ou bengalas quando necessário;
•Mantenha motivação para atividades diárias mesmo após uma queda.

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Tombos de idosos: um sério risco pouco lembrado

Estudos da Associação Médica Brasileira indicam que cerca de 50% da população com mais de 65 anos cai pelo menos uma vez por ano, e mais de 60% dos idosos que sofreram queda cairão novamente no ano seguinte. E um detalhe importante: 70% das quedas ocorrem dentro de casa.   

Os idosos são mais propensos a sofrerem quedas e se lesionarem do que os adultos por uma série de fatores, desde prejuízos no equilíbrio e da noção de espaço até a falta de força muscular e de controle postural, enfraquecimento ósseo, dentre outros. “As quedas com lesão não são incomuns e, em alguns casos, podem ser fatais”, explica Advá Griner, gerontóloga e gestora técnica do lar de idosos gerido pelo Froien Farain, localizado na Tijuca, no Rio de Janeiro.

Essas quedas, usualmente, afetam a autonomia do idoso, seja por causarem limitações decorrentes das lesões ou pelo medo de cair novamente. E, além dos prejuízos físicos e psicológicos, normalmente, esses tombos podem incluir necessidades extras como fisioterapia, medicamentos para dor, obras na casa, uso permanente de cadeira de rodas ou andador e até mesmo acompanhantes”.

Mas como proteger os idosos?

A prevenção é sempre o melhor tratamento. O envelhecimento e as mudanças decorrentes dele no organismo são um processo natural. “O que precisamos é ficar atentos e agir na eliminação de obstáculos que aumentam os riscos. Por isso, é importante utilizar mecanismos de segurança e lançar mão de estratégias que facilitem o cumprimento das tarefas da vida diária e a preservação da autonomia do idoso pelo maior tempo possível, especialmente em casa, que é um ambiente mais fácil de controlar. Alguns cuidados podem parecer exagerados, mas fazem a diferença e asseguram uma rotina sem perigos evitáveis”, pontua Griner. 

A gerontóloga destaca ainda que existem dispositivos extras, como sensores de movimento nos quartos, ronda eletrônica e até mesmo sistemas de chamada de emergência que conectam todos os setores para o pronto-atendimento.

É claro que numa casa geriátrica conseguimos disponibilizar mais suporte, mas o fato é que todo cuidado é fundamental para prevenir acidentes com consequências incalculáveis, que afetam diretamente a autonomia e prejudicam negativamente a qualidade de vida do idoso. Como a queda é um acidente bastante comum e pode ser previsível, e, em muitos casos, evitado, sempre digo aos familiares que segurança é um investimento essencial”, destaca.

Dicas para prevenção de acidentes domésticos

Abaixo, Advá sugere algumas dicas para ajudar na prevenção de acidentes em casa.

– Produtos que deixam o piso escorregadio, como ceras e produtos sem enxágue, devem ser evitados;

– Móveis com altura que facilite o sentar e o levantar sem apoio são os mais indicados;

– Os estofados devem possuir espuma firme para não afundar durante a movimentação e para que a pessoa consiga levantar sem esforço;

– Os objetos de uso do idoso devem ficar em locais de fácil acesso para que ele não precise se abaixar ou subir em escadas, por exemplo;

– Corredores e cômodos devem ser bem iluminados e com interruptores próximos às portas. Locais muito escuros podem gerar tropeços e tombos;

– Os quartos devem ficar livres de mobílias que bloqueiam a circulação. Reposicione esses móveis nos cantos do ambiente. Tapetes e desníveis também devem ser evitados para que o idoso não tropece em nada;

– Se houver escadas e rampas, coloque corrimão e faixas antiderrapantes no piso para evitar tombos, desequilíbrio e escorregões. Em alguns casos, é bom considerar a colocação de faixas de sinalização visual nas escadas para indicar os degraus;

– Barras de apoio devem ser instaladas nas paredes do chuveiro e ao lado do vaso sanitário para a pessoa apoiar ao sentar e levantar;

– Se o idoso não conseguir se manter em pé com firmeza, coloque dentro do chuveiro uma cadeira higiênica para maior segurança durante o banho;

– Os medicamentos devem ficar em caixinhas com datas e horários. Isso vai facilitar a rotina do idoso. Alguns medicamentos podem causar tonturas e, consequentemente, tombos; e erros de medicação também podem causar esse risco;

– Os fios elétricos e de telefone devem ser fixados ao longo das paredes, liberando as passagens. Procure não deixar fios de TV, aparelhos de som ou de qualquer outro eletrodoméstico soltos, pois tropeços habitualmente acontecem nesses cenários; 

– Se o idoso morar sozinho, procure deixar registrado no telefone que ele usa os contatos de pessoas a quem ele deve recorrer se precisar. Quando acontece uma emergência, é natural que o idoso fique nervoso, sem saber a quem recorrer em um primeiro momento. Por isso, colocar os contatos organizados vai facilitar caso aconteça algum problema.

Em tempo: É importante lembrar que acidentes domésticos não geram apenas fraturas e machucados. É preciso, portanto, atenção também ao que possa causar queimaduras, intoxicações e choques elétricos.

Com Assessorias

 

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