O ‘enigma’ da véspera: Onde estava a família?
O ponto mais intrigante da cronologia não está nos pulmões, mas na agenda de visitas a Bolsonaro na prisão antes de mais uma internação. O ex-presidente tem direito a receber familiares às quartas e quintas-feiras, com opções de horário entre 8h e 16h, conforme regras estabelecidas pelo STF. No entanto, na quinta-feira (12), véspera da internação por motivo “grave”, parece que nenhum parente esteve com ele.
Ou se esteve, ninguém suspeitou que ele não estava tão bem de saúde a ponto de precisar ser internado numa UTI. Afinal, se o quadro era de uma pneumonia bilateral iminente, como ninguém da família — sempre tão atenta à “vulnerabilidade” do ex-mandatário — não notaria sinais de mal-estar? Ou o quadro só se tornou “conveniente” quando o isolamento político na Papudinha apertou?
‘Perfil de atleta’: 5 km de caminhada e futebol antes da crise
Relatórios médicos enviados ao STF, pintam um cenário de normalidade absoluta horas antes da UTI. Um relatório feito pela médica Ana Cristina Neves, da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, durante o plantão noturno na véspera da internação, revelou que Bolsonaro estava em condições clínicas estáveis e chegou a caminhar por 5 quilômetros durante o dia. À noite assistiu a uma partida de futebol, recusando-se a receber a medicação para uma nova crise de soluços (veja mais detalhes abaixo).
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Atividade física: Na quinta-feira, dia 12, Bolsonaro caminhou 5 quilômetros na área externa.
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Lazer: À noite, estava lúcido e assistiu à vitória do Vasco sobre o Palmeiras.
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Recusa de medicamento: Chegou a recusar medicação para soluços, afirmando que tomaria “depois do jogo”.
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Saturação: Às 20h40, sua oxigenação era de 93% (levemente abaixo do normal, mas estável para um paciente de sua idade).
A evolução de um “atleta caminhante” para um paciente de UTI em menos de 6 horas levanta suspeitas sobre a “fatalidade” do episódio.
Bolsonaro recebia visitas médicas duas vezes por dia
Desde janeiro, quando foi transferido da sede da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, para a Papudinha, o ex-presidente recebia acompanhamento médico frequente. É o que revela outro relatório, feito pela Polícia Militar do DF e também encaminhado ao STF, na véspera da internação, detalhando a rotina do ex-presidente entre os dias 5 e 11 de março.
A “coincidência” internacional: o fator Beattie
Não se pode ignorar o tabuleiro eleitoral. O mal-estar súbito ocorreu menos de 24 horas após Alexandre de Moraes proibir a visita de Beattie, assessor de Donald Trump, ao ex-presidente. A visita, que poderia configurar interferência externa em ano eleitoral, foi barrada na quinta-feira.
Na madrugada de sexta, Bolsonaro “broncoaspirou”. Para aliados, um infortúnio clínico; para observadores críticos, uma estratégia clássica de deslocamento: se não pode receber o aliado na prisão, o hospital torna-se o palco mais acessível e palatável para a opinião pública.
Regalias médicas: A farsa da falta de assistência
A tese da defesa de que a Papudinha é incompatível com o tratamento de Bolsonaro cai por terra diante dos fatos:
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Duas visitas médicas por dia: Entre 5 e 11 de março, ele recebeu assistência constante, inclusive de seus próprios médicos particulares.
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Equipe 24 horas: O ex-presidente tem à disposição uma equipe da Secretaria de Saúde do DF, incluindo serviços do Samu.
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Fisioterapia e estímulos: Todas as terapias exigidas para soluços e mobilidade estavam sendo rigorosamente cumpridas.
| Realidade na Papudinha | Narrativa da defesa |
| Caminhadas de 5 km e futebol na TV | “Risco de vida e fragilidade extrema” |
| 2 atendimentos médicos diários | “Incompatibilidade do ambiente carcerário” |
| Médicos particulares autorizados | “Isolamento e falta de assistência” |
Ataques à imprensa: Cortina de fumaça
Enquanto Michelle Bolsonaro usa as redes sociais para inflamar militantes contra jornalistas que aguardam informações na porta do hospital, a estratégia parece clara: desviar o foco das contradições do laudo. O assédio virtual a profissionais de imprensa, incluindo o uso de IA para simular agressões, serve para blindar a “verdade” da família sobre a internação.
O veredito clínico: Bolsonaro responde bem aos antibióticos e a função renal foi recuperada. Mas ainda não há previsão de quando o ‘atleta da Papudinha’ poderá seguir para um quarto, de onde deverá voltar para o 19º Batalhão de Polícia Militar (BPM) do Distrito Federal, onde cumpre a pena.
Em 5 de março, a Primeira Turma do STF negou, por unanimidade, o pedido da defesa para transferir o ex-presidente para prisão domiciliar. A defesa alegou “existência de risco de vida e incompatibilidade entre o ambiente carcerário e o rigor das terapias contínuas exigidas” por Bolsonaro. O colegiado, contudo, afastou as afirmações.
A pergunta permanece: até quando a saúde será usada como instrumento de manobra eleitoral e jurídica?

Visita de assessor de Trump é cancelada
As 24 horas de Bolsonaro antes da internação
Às 20h40 da quinta passada, Bolsonaro estava “lúcido, orientado e respirando normalmente em ar ambiente“. O laudo também registra que ele havia feito atividade física no mesmo dia, uma caminhada de 5 km.
No momento da avaliação, ele estava com crise de soluço. “Iniciou há pouco crise de soluço, não quis medicação agora, informou que irá tomar após o jogo”, diz o laudo. A partida foi entre Vasco e Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro, que terminou com vitória para o time carioca por 2 a 1.
Nesta avaliação noturna, a saturação de oxigênio registrada era de 93%. Horas depois, já na madrugada da sexta, dia 13, o quadro mudou, e a saturação chegou a marcar 82%, índice considerado baixo. O normal em pessoas saudáveis costuma ficar acima de 95%.
A crise começou durante a madrugada. Segundo o registro de intercorrência feito pela médica Ana Cristina Neves, Bolsonaro começou a apresentar sintomas como náuseas e tremores por volta das 2h.
Às 6h45, a equipe foi acionada para avaliá-lo após os episódios de calafrios da madrugada. No exame clínico, o ex-presidente apresentava febre de 38,7% e queda acentuada na oxigenação (82%). Mesmo após medicação inicial, a febre chegou a 39,1°C e a saturação subiu apenas até 86%.
Diante do quadro, foi iniciado suporte de oxigênio, e a equipe decidiu pela remoção imediata para o hospital. Médico particular de Bolsonaro, o cardiologista Brasil Caiado – primo do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, aliado político de Bolsonaro – foi informado da situação, chegou ao local e concordou com a remoção.
Transporte rápido pelo Samu fez diferença, diz médico
O transporte de Bolsonaro da Papuda para o DF Star foi realizado por equipe do Samu do Distrito Federal, tendo iniciado às 8h22, com chegada às 8h55 no hospital, onde imediatamente Bolsonaro foi internado na UTI.
Segundo os médicos responsáveis pelo atendimento, o diagnóstico confirmado foi de broncopneumonia bilateral aspirativa, causada pela entrada de conteúdo gástrico nos pulmões após episódios de refluxo e vômito. Durante entrevista, a equipe médica do DF Star afirmou que a rapidez no atendimento foi fundamental.
O fato de ele ter sido trazido rapidamente ao hospital fez diferença. Quando há uma infecção importante, às vezes uma hora muda tudo”, afirmou o cardiologista Leandro Echenique.
Mesmo com os cuidados, a equipe médica explicou que o quadro que levou à internação evoluiu muito rápido. Bolsonaro recebeu antibióticos intravenosos e acompanhamento clínico. Ele não necessitou de intubação e manteve a consciência durante todo o período na UTI, o que indica uma boa evolução do quadro.
Segundo o boletim médico divulgado no domingo, seu quadro clínico era estável e ele teve uma melhora da função renal de sábado (14) para domingo (15), mas devido a uma elevação dos marcadores inflamatórios em seu sangue, os médicos decidiram ampliar a dosagem de antibióticos.
Jornalistas acusados de ‘desejar a morte de Bolsonaro’ sofrem ameaças e agressões
Entidades que representam jornalistas brasileiros repudiaram as agressões e ameaças sofridas por profissionais de imprensa que trabalham diante do hospital particular onde o ex-presidente Jair Bolsonaro está internado, em Brasília.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) divulgaram notas cobrando proteção aos profissionais.
Segundo a Abraji, alguns jornalistas passaram a receber ameaças e ofensas após uma influenciadora digital bolsonarista divulgar um vídeo em que acusa profissionais de imprensa que aparecem em imagens gravadas na porta do Hospital DF Star, à espera de informações atualizadas sobre o estado de saúde de Bolsonaro, de desejarem a morte do ex-presidente.
O vídeo foi compartilhado por parlamentares e pela própria ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que tem mais de 8 milhões de seguidores em suas redes sociais.
Ainda segundo a Abraji, montagens e vídeos produzidos com o uso de inteligência artificial foram divulgados, inclusive simulando que uma das profissionais é esfaqueada. Fotos de filhos e parentes de jornalistas estão sendo usadas como instrumento de intimidação e assédio.
Também em nota, a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal cobraram proteção aos trabalhadores. “Lembramos que é dever do Estado garantir a segurança dos profissionais em locais públicos e de interesse jornalístico”, destacaram as entidades, antecipando que irão pedir reforço da Polícia Militar na frente do hospital para impedir “cerceamento e agressões” ao trabalho da imprensa “por parte de militantes”.
Ressaltamos ainda que é fundamental a apuração rigorosa das ameaças para que episódios como esse não se repitam. Pedimos às autoridades policiais e ao Ministério Público que identifiquem e punam os autores das ameaças virtuais e os responsáveis pela exposição indevida de dados dos profissionais”, cobraram a Fenaj e o sindicato.
As entidades exigem que as empresas de jornalismo proporcionem condições para que seus empregados possam trabalhar, afastando-os do hospital caso não se sintam seguros e oferecendo a eles apoio jurídico.
“Reafirmamos que a liberdade de imprensa é um pilar fundamental da democracia. O jornalismo é essencial para levar fatos ao conhecimento público, e não pode ser cerceado por métodos de coação física ou psicológica. Não aceitaremos a intimidação como método político”, concluem as entidades.
Veja o último boletim médico
Brasilia, 16 de março de 2026 – O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva do hospital DF Star, em tratamento de pneumonia bacteriana bilateral decorrente de episódio de broncoaspiração. Apresentou melhora clínica e laboratorial nas últimas 24 hrs. com recuperação da função renal e melhora parcial dos marcadores inflamatórios, denotando resposta favorável à antibioticoterapia instituida. Segue com suporte clínico intensivo e fisioterapia respiratória e motora. Não há previsão de alta da UTI neste momento.
Em 5 de março, a Primeira Turma do STF negou, por unanimidade, o pedido da defesa para transferir o ex-presidente para prisão domiciliar. A defesa alegou “existência de risco de vida e incompatibilidade entre o ambiente carcerário e o rigor das terapias contínuas exigidas” por Bolsonaro. O colegiado, contudo, afastou as afirmações.

Bolsonaro recebia visitas médicas duas vezes por dia
Visita de assessor de Trump é cancelada
As 24 horas de Bolsonaro antes da internação
Às 20h40 da quinta passada, Bolsonaro estava “lúcido, orientado e respirando normalmente em ar ambiente“. O laudo também registra que ele havia feito atividade física no mesmo dia, uma caminhada de 5 km.
No momento da avaliação, ele estava com crise de soluço. “Iniciou há pouco crise de soluço, não quis medicação agora, informou que irá tomar após o jogo”, diz o laudo. A partida foi entre Vasco e Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro, que terminou com vitória para o time carioca por 2 a 1.
Nesta avaliação noturna, a saturação de oxigênio registrada era de 93%. Horas depois, já na madrugada da sexta, dia 13, o quadro mudou, e a saturação chegou a marcar 82%, índice considerado baixo. O normal em pessoas saudáveis costuma ficar acima de 95%.
A crise começou durante a madrugada. Segundo o registro de intercorrência feito pela médica Ana Cristina Neves, Bolsonaro começou a apresentar sintomas como náuseas e tremores por volta das 2h.
Às 6h45, a equipe foi acionada para avaliá-lo após os episódios de calafrios da madrugada. No exame clínico, o ex-presidente apresentava febre de 38,7% e queda acentuada na oxigenação (82%). Mesmo após medicação inicial, a febre chegou a 39,1°C e a saturação subiu apenas até 86%.
Diante do quadro, foi iniciado suporte de oxigênio, e a equipe decidiu pela remoção imediata para o hospital. Médico particular de Bolsonaro, o cardiologista Brasil Caiado – primo do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, aliado político de Bolsonaro – foi informado da situação, chegou ao local e concordou com a remoção.
Transporte rápido pelo Samu fez diferença, diz médico
O transporte de Bolsonaro da Papuda para o DF Star foi realizado por equipe do Samu do Distrito Federal, tendo iniciado às 8h22, com chegada às 8h55 no hospital, onde imediatamente Bolsonaro foi internado na UTI.
Segundo os médicos responsáveis pelo atendimento, o diagnóstico confirmado foi de broncopneumonia bilateral aspirativa, causada pela entrada de conteúdo gástrico nos pulmões após episódios de refluxo e vômito. Durante entrevista, a equipe médica do DF Star afirmou que a rapidez no atendimento foi fundamental.
O fato de ele ter sido trazido rapidamente ao hospital fez diferença. Quando há uma infecção importante, às vezes uma hora muda tudo”, afirmou o cardiologista Leandro Echenique.
Mesmo com os cuidados, a equipe médica explicou que o quadro que levou à internação evoluiu muito rápido. Bolsonaro recebeu antibióticos intravenosos e acompanhamento clínico. Ele não necessitou de intubação e manteve a consciência durante todo o período na UTI, o que indica uma boa evolução do quadro.
Segundo o boletim médico divulgado no domingo, seu quadro clínico era estável e ele teve uma melhora da função renal de sábado (14) para domingo (15), mas devido a uma elevação dos marcadores inflamatórios em seu sangue, os médicos decidiram ampliar a dosagem de antibióticos.
Jornalistas acusados de ‘desejar a morte de Bolsonaro’ sofrem ameaças e agressões
Entidades que representam jornalistas brasileiros repudiaram as agressões e ameaças sofridas por profissionais de imprensa que trabalham diante do hospital particular onde o ex-presidente Jair Bolsonaro está internado, em Brasília.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) divulgaram notas cobrando proteção aos profissionais.
Segundo a Abraji, alguns jornalistas passaram a receber ameaças e ofensas após uma influenciadora digital bolsonarista divulgar um vídeo em que acusa profissionais de imprensa que aparecem em imagens gravadas na porta do Hospital DF Star, à espera de informações atualizadas sobre o estado de saúde de Bolsonaro, de desejarem a morte do ex-presidente.
O vídeo foi compartilhado por parlamentares e pela própria ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que tem mais de 8 milhões de seguidores em suas redes sociais.
Ainda segundo a Abraji, montagens e vídeos produzidos com o uso de inteligência artificial foram divulgados, inclusive simulando que uma das profissionais é esfaqueada. Fotos de filhos e parentes de jornalistas estão sendo usadas como instrumento de intimidação e assédio.
Também em nota, a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal cobraram proteção aos trabalhadores. “Lembramos que é dever do Estado garantir a segurança dos profissionais em locais públicos e de interesse jornalístico”, destacaram as entidades, antecipando que irão pedir reforço da Polícia Militar na frente do hospital para impedir “cerceamento e agressões” ao trabalho da imprensa “por parte de militantes”.
Ressaltamos ainda que é fundamental a apuração rigorosa das ameaças para que episódios como esse não se repitam. Pedimos às autoridades policiais e ao Ministério Público que identifiquem e punam os autores das ameaças virtuais e os responsáveis pela exposição indevida de dados dos profissionais”, cobraram a Fenaj e o sindicato.
As entidades exigem que as empresas de jornalismo proporcionem condições para que seus empregados possam trabalhar, afastando-os do hospital caso não se sintam seguros e oferecendo a eles apoio jurídico.
“Reafirmamos que a liberdade de imprensa é um pilar fundamental da democracia. O jornalismo é essencial para levar fatos ao conhecimento público, e não pode ser cerceado por métodos de coação física ou psicológica. Não aceitaremos a intimidação como método político”, concluem as entidades.
Veja o último boletim médico
Brasilia, 16 de março de 2026 – O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva do hospital DF Star, em tratamento de pneumonia bacteriana bilateral decorrente de episódio de broncoaspiração. Apresentou melhora clínica e laboratorial nas últimas 24 hrs. com recuperação da função renal e melhora parcial dos marcadores inflamatórios, denotando resposta favorável à antibioticoterapia instituida. Segue com suporte clínico intensivo e fisioterapia respiratória e motora. Não há previsão de alta da UTI neste momento.






