O objetivo desse modelo era reduzir doenças cardiovasculares, diminuir o consumo de gordura, controlar o colesterol e incentivar uma alimentação considerada “leve” e energética. Assim, na base da pirâmide estavam os cereais, pães, arroz, massas e grãos, que constituíam o consumo principal. A alimentação se baseava fortemente em carboidratos, com a ideia de garantir energia ao organismo.
No segundo nível, recomendava-se o consumo de 3 a 5 porções de verduras e de 2 a 4 porções de frutas por dia. Já no terceiro nível, as proteínas — como carnes, peixes e ovos — eram consideradas importantes, mas não ocupavam o centro da dieta. No topo, as gorduras, especialmente as saturadas, eram vistas como vilãs e deveriam ser consumidas com moderação.

Com o passar do tempo, porém, houve questionamentos sobre essa pirâmide. Estudos passaram a indicar que o excesso de carboidratos refinados favorece a obesidade e o diabetes. Ainda, que nem toda gordura é prejudicial e que os alimentos ultraprocessados causam mais danos à saúde do que as gorduras naturais. Além disso, que a qualidade dos alimentos é mais determinante do que a quantidade isolada consumida.
Nova diretriz americana inverte a lógica da pirâmide
Na última semana, os Estados Unidos lançaram uma versão atualizada das diretrizes alimentares federais (Dietary Guidelines for Americans 2025–2030), que simbolicamente reintroduz um modelo gráfico de pirâmide alimentar — desta vez, “de ponta-cabeça” em relação ao formato tradicional conhecido nas últimas décadas.
Na prática, as diretrizes invertem a lógica da antiga pirâmide alimentar, ao estimular o consumo de alimentos integrais, como frutas e vegetais, a incorporação de gorduras consideradas saudáveis, a priorização de refeições ricas em proteínas — incluindo carne vermelha — e o consumo de laticínios integrais e grãos integrais sem adição de açúcares.
O documento também dá nova ênfase ao que o governo define como “gorduras saudáveis”, citando laticínios integrais, como iogurte e queijo, e o uso de azeite de oliva, manteiga, sebo bovino ou banha como opções para preparo dos alimentos — uma recomendação defendida por Robert F. Kennedy, secretário da saúde dos EUA. “Comam comida de verdade”, diz ele.
Essa orientação, no entanto, contrasta com a posição da American Heart Association, que recomenda limitar o consumo de produtos animais com alto teor de gordura — como carne vermelha, manteiga, banha e sebo — por estarem associados a maior risco cardiovascular.
No Brasil, a orientação oficial para alimentação saudável continua sendo o Guia Alimentar para a População Brasileira, que privilegia alimentos in natura ou minimamente processados e não adota uma pirâmide como principal representação gráfica de suas recomendações. Afinal, as diretrizes brasileiras baseiam-se em evidências científicas e com adaptação à realidade sociocultural do país.





