Além da próstata: a preocupação com o câncer de testículo

Câncer de testículo responde dos 5% dos tumores em homens. Saiba tudo sobre esta e outras doenças que afetam população masculina

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Você sabia que o câncer de testículo afeta 1% dos homens e corresponde a 5% dos cânceres urológicos no sexo masculino? Contudo, se descoberto no início, as chances de cura ultrapassam 95%, segundo dados do Ministério da Saúde.

Apesar de ser relativamente raro, quando falamos dos tumores que afetam a população do gênero masculino, esse tipo de câncer merece atenção, especialmente durante a campanha Novembro Azul, que alerta não apenas para o câncer de próstata, mas para os cuidados com a saúde masculina de forma geral.

O Instituto Lado a Lado pela Vida, criador da campanha Novembro Azul, em 2023 adotou o tema “Por trás do bigode tem prevenção, cuidado, saúde e informação” para conscientizar os homens sobre a importância de cuidar de sua saúde de forma integral. Um dos alertas diz respeito ao câncer de testículo.

Vinícius Paníco, urologista e membro do Comitê do ILAL, destaca que em 80% dos casos, esse tipo de tumor é indolor, tornando o autoexame do testículo e as consultas periódicas, seja no Sistema Único de Saúde ou na Saúde Suplementar, as melhores formas de identificá-lo.

“Como apenas 10% dos casos apresentam sintomas, como dor na parte inferior do abdome, dor no testículo ou outros sinais da doença avançada como falta de ar, dor torácica e dor nos ossos, é ainda mais importante que os homens realizem o autoexame durante o banho e conversem com o médico que o atender nas consultas periódicas para também realizar o exame”, complementa.

Quanto aos fatores de risco, o Instituto Lado a Lado pela Vida alerta que a maioria dos casos está ligada à genética e é imutável. Além disso, os homens com alto risco de desenvolver esse câncer incluem aqueles diagnosticados com criptorquidia, quando os testículos não migram para o escroto durante os primeiros anos de vida.

“Outros fatores de risco incluem idade de 10 a 39 anos com pico de incidência de 10 a 14 anos e 30 a 34 anos, etnia branca, histórico de síndromes genéticas na família, histórico pessoal de já ter tido câncer em um dos testículos, infertilidade e exposição a substâncias como agrotóxicos. Portanto, é fundamental que os homens façam o acompanhamento anual de sua saúde”, explica Dr. Paníco.

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Como identificar o câncer de testículo?

O médico oncologista Denis Jardim, líder nacional da especialidade de tumores urológicos da Oncoclínicas, explica que o paciente pode perceber um nódulo, que na grande maioria das vezes é indolor, ou ainda um aumento e endurecimento do testículo.

“Apesar de não haver nenhum incômodo ao urinar, é possível notar um volume maior no local da bolsa escrotal. Já durante a higiene, o autoexame periódico pode permitir a detecção precoce de qualquer alteração na região, pois ao palpar, é possível identificar que algo está fora do normal”, sintetiza o especialista.

De acordo com os especialistas, este tipo de carcinoma é altamente curável. “O tratamento envolve a realização de uma orquiectomia, quando ocorre a remoção do testículo (ou testículos) que contêm o câncer. Mesmo em casos avançados, as chances de controlar e até mesmo curar são elevadas, e o tratamento inclui quimioterapia e cirurgia abdominais, quando necessário”, finaliza Dr Paníco.

‘Tenho câncer de testículo: ainda posso ter filhos?’

Uma preocupação comum entre os homens diagnosticados com câncer testicular é expressa por essa dúvida: “serei capaz de ter filhos no futuro?”. Esta é uma das primeiras perguntas que  Bradley Leibovich, oncologista urológico na Mayo Clinic, recebe em seu consultório. Ele diz que a fertilidade é um tema sempre abordado na primeira avaliação de homens com uma nova suspeita de câncer testicular.

“Homens com câncer testicular têm preocupações em relação à fertilidade, pois a doença propriamente dita, além de nossos tratamentos, podem afetar a fertilidade. Por isso, a primeira coisa que fazemos com os homens interessados em preservar a fertilidade e falar sobre os bancos de sêmen”, explica o Dr. Leibovich.

Segundo ele, a infertilidade pode ser um efeito colateral da cirurgia, quimioterapia, radiação e de outros tratamentos de câncer. Por isso é importante para os homens que ainda desejam ter filhos após a cura do câncer, que armazenem o sêmen antes de iniciar o tratamento.

“Problemas de fertilidade são normalmente abordados de antemão, garantindo que os homens tenham um banco de sêmen, por isso é raro que seja uma preocupação de longo prazo para os homens”, explica o Dr. Leibovich.

Outra preocupação são os baixos níveis de testosterona, um hormônio produzido principalmente nos testículos. “A maioria dos homens tem níveis normais de testosterona com apenas um testículo. Para os homens que acabam apresentando um nível mais baixo de testosterona, é muito fácil repor,” explica o Dr. Leibovich.

Sob a orientação de um profissional de saúde, a terapia de reposição de testosterona, na forma de injeções, pílulas, adesivos ou gel, pode restaurar os níveis normais de testosterona nos homens.

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Câncer de pênis tem relação com falta de boa higiene

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Já o câncer de pênis, que representa 2% de todos os tumores malignos masculinos, tem uma relação íntima com fatores relativos a hábitos de vida: a falta de uma boa higiene – leia-se não limpar o órgão com a devida atenção – sendo um fator causal relacionado à grande maioria dos casos, podendo levar a mais de mil amputações todos os anos.

Outro fator de risco é a infecção – geralmente via relação sexual – por HPV (papilomavírus humano). Segundo o Ministério da Saúde, são estimados que haja entre 9 e 10 milhões de pessoas infectadas pelo HPV no Brasil e que surjam 700 mil novos casos de infecção por ano.

Já dentre os principais sinais do câncer de pênis, ele cita úlceras e feridas persistentes. “Por isso, caso algum sinal seja percebido, é de extrema importância buscar aconselhamento médico para o início precoce do tratamento”, finaliza Denis Jardim.

Autoexame e vacinação são fundamentais

No que se refere aos tumores de testículo e pênis, o urologista Vinicius Panico alerta para a importância do autoexame dos testículos e a higiene íntima do pênis, além da vacina contra o HPV nos meninos.

“Sempre recomendamos que os homens em idade abaixo dos 40 anos incorporem o hábito de examinar os testículos durante o banho, pois podem identificar algum nódulo. Não podemos esquecer também de que a higiene pessoal é importantíssima para evitar o câncer de pênis”, reforça o especialista.

Também é importante para alertar os pais para vacinarem seus filhos contra o vírus HPV. “A vacina é gratuita para meninos e meninas com idade entre 9 e 14 anos“, complementa.

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Atenção especial à próstata

Vinícius Paníco, urologista e membro do Comitê do Instituto Lado a Lado pela Vida, também reforça o diagnóstico precoce do câncer de próstata, principalmente para aqueles que têm histórico desse tipo de tumor na família, assim para os negros, já que esses são grupos com maior chance de desenvolvimento da doença.

“Como a maioria das neoplasias, o câncer de próstata não tem sua razão completamente conhecida, mas má alimentação, obesidade e tabagismo podem afetar o início ou a progressão da doença”, afirma o especialista.

Nas fases iniciais, o câncer de próstata não apresenta sintomas. Em um estágio mais avançado da doença podem surgir dificuldade e dor ao urinar, perda do controle da bexiga ou intestino, dor lombar, na bacia ou nos joelhos, sangramento pela uretra e fraqueza ou dormência nas pernas ou nos pés. Em caso de dúvidas, o recomendado é conversar com um especialista.

“Para o rastreio do câncer de próstata, a orientação é que homens entre 50 e 75 anos façam o PSA (exame de sangue) e o exame de toque retal anualmente. Para aqueles com antecedentes familiares de câncer de próstata ou etnia negra é recomendado que a avaliação seja iniciada já aos 45 anos”, informa o médico.

Preocupação com cânceres do trato urológico e disfunção erétil

O diagnóstico precoce continua sendo essencial, assim como olhar para a saúde do homem de forma sistêmica. “Problemas cardiovasculares, respiratórios e gastrointestinais também devem estar no radar, bem como outros tipos de cânceres do trato urológico, como de rim, de bexiga e até pênis”, reforça José Carlos Truzzi, coordenador da Urologia do Grupo Fleury, detentor das marcas Felippe Mattoso e Labs a+ no Rio de Janeiro.

Outro temor dos homens é a disfunção erétil. Dentre as origens orgânicas, pode surgir como um fenômeno vascular, consequência de alterações hormonais ou de dependência do uso de alguns medicamentos, ou, ainda, decorrente de problemas anatômicos, entre outras causas, como esclarece o médico.

Mas o que poucos sabem é que, dentre as causas orgânicas, um contingente preocupante delas está ligado a problemas cardiovasculares. Um estudo publicado pela Universidade da Austrália mostrou que homens com mais de 45 anos, sem histórico de problemas cardíacos, mas com disfunção erétil moderada ou grave, são até oito vezes mais predispostos a ter insuficiência cardíaca em comparação com aqueles que não apresentam o problema.

Alerta também para infarto, câncer de pulmão e diabetes

O Dia Internacional do Homem, comemorado em 19 de novembro, também alerta a população masculina sobre os cuidados com a saúde. O foco do alerta é, principalmente, para a prevenção de algumas doenças que são mais propensas aos homens, entre elas o infarto, câncer de pulmão, cânceres de próstata e de testículos e, também, o diabetes.

Além do câncer de próstata, os tumores de pele e testículo estão entre os mais comuns entre a população masculina. Mas o câncer de pulmão também chama a atenção. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que este é o tipo que mais mata no mundo e nos homens a chance de mortalidade é maior – o índice é de 19,6%, contra 17,4% em mulheres.

Ainda segundo a OMS, as doenças cardiovasculares também afetam, em sua maioria, os homens. A cardiologista Ariane Macedo, membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, afirma que “o descuido com saúde, o uso de álcool, o consumo de gordura e a falta de exercício físico são os principais fatores que levam ao infarto e a doenças cardiovasculares”.

A especialista orienta que os homens incorporem o hábito de manter as consultas médicas em dia, seja no Sistema Público ou na Saúde Suplementar, realizem os exames de rotina com frequência e mudem o estilo de vida para que tenham maior sobrevida e bem-estar.

“As idas às consultas médicas devem ser realizadas juntamente com a introdução de hábitos saudáveis, como alimentação rica em legumes, frutas, diminuir o consumo de gordura animal, açúcar e alimentos processados, praticar atividade física, não fumar e não ingerir bebida alcóolica”, complementa a cardiologista.

Novembro Azul destaca cuidado integral com a saúde do homem

O Instituto Lado a Lado pela Vida, organização da sociedade civil que mais desenvolve ações em prol da saúde do homem no País, aproveita a data para reforçar a importância da conscientização sobre o cuidado integral com saúde do homem. De acordo com Marlene Oliveira, presidente da organização, os homens precisam ser protagonistas do seu próprio cuidado.

“Um comportamento comum no universo masculino é delegar a alguém a responsabilidade com sua saúde, geralmente as mulheres cumprem este papel. Entretanto, é necessário mudar o cenário e chamar o homem para exercer o autocuidado. Só assim reduziremos as taxas de mortalidade e morbidade desta população”, explica.

Ela também enfatiza o papel da campanha Novembro Azul em conscientizar os homens sobre a importância de cuidar de sua saúde de forma integral. “Desde o início da campanha em 2011, houve uma mudança positiva nessa conscientização. Hoje, os homens estão mais cientes da importância de buscar ajuda médica antes que as doenças se manifestem, o que é motivo de orgulho e demonstra que a mensagem está chegando à população”, ressalta.

Com Assessorias

 

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