SUS pode incluir robótica para tratar câncer de próstata

Cirurgia robótica tem resultados positivos em comparação às alternativas adotadas hoje pelo SUS. Consulta Pública da Conitec vai até dia 28

Medico urologista O médico urologista Sérgio Augusto Skrobot, especialista em cirurgia robótica, tira dúvidas sobre procedimento (Foto: Divulgação)
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Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostram que o câncer de próstata é o mais frequente entre os homens brasileiros. Para proporcionar mais chances de cura aos pacientes, uma opção terapêutica tem sido cada vez mais empregada: a cirurgia robótica. Mas essa alternativa ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde. Para se ter uma ideia dessa demanda, atualmente, 71,5% da população (mais de 150 milhões de pessoas) não contam com qualquer tipo de serviço de plano de saúde, segundo o IBGE (2020).

Uma consulta pública aberta pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, a Conitec, ligada ao Ministério da Saúde, pretende mudar a realidade do tratamento de câncer de próstata na rede pública. A campanha  Ponto Próstata – apoiada pela indústria de equipamentos e suprimentos robótica – ajuda a divulgar a luta capitaneada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) pela inclusão do tratamento minimamente invasivo para pacientes do SUS. A Consulta Pública  Conitec/SCTIE nº 50/2021 recebe opiniões, críticas, sugestões, experiências e análises técnicas até o dia 28 de junho. Para participar, clique aqui.

Menos invasiva e menor tempo de internação

A cirurgia robótica é um tipo de cirurgia minimamente invasiva – isto é, com menor dano possível ao organismo – na qual o médico comanda um robô capaz de executar os movimentos com máxima precisão. O uso da técnica vem crescendo no Brasil, onde chegou há pouco mais de uma década, mas nos Estados Unidos e em alguns países da Europa mais de 90% das cirurgias de retirada de próstata por tumor maligno, por exemplo, já são realizadas por robô.

De acordo com especialistas, o procedimento cirúrgico assistido por robôs mostra pontos positivos em comparação às outras opções disponíveis por oferecer uma intervenção cirúrgica menos invasiva. Entre as vantagens estão a incisão (o corte cirúrgico) menor, com redução da perda de sangue e, consequentemente, baixa necessidade de transfusões sanguíneas e menor tempo de cicatrização. Com tudo isso, o tempo médio de hospitalização no pós-cirúrgico também cai em relação a outras técnicas, o representa também redução de custos com internação.

Eliney Faria, médico uro-oncologista, especialista em cirurgia robótica e responsável pelo Departamento de Robótica da SBU, reforça os benefícios do tratamento assistido por robôs: “A cirurgia robótica é uma modalidade excelente para pacientes com câncer de próstata por conta dos resultados funcionais, de potência, de continência e mesmo na cura da doença. Nós gostaríamos que essa tecnologia fosse incorporada para todos os brasileiros”, explica. 

Cirurgia robótica: 3 coisas que você precisa saber

O urologista Sérgio Augusto Skrobot, especializado em cirurgia robótica na Orsi Academy e no OLV Hospital, na Bélgica, que integram um dos mais importantes centros de estudos de cirurgia robótica do mundo. O médico de Blumenau aponta três características da cirurgia robótica que considera importantes para o paciente saber:

1.    O robô amplia a visão do cirurgião

Esta é uma das principais vantagens da cirurgia robótica em relação à técnica minimamente invasiva convencional. Por meio de câmeras, a imagem do campo cirúrgico é ampliada em até 10 vezes, com alta resolução e permitindo a visualização em 3D. “Com isso o cirurgião tem um excelente campo de visão”, explica Skrobot.

2.    O robô dá precisão e amplitude aos movimentos

Consequência da visão tridimensional em alta qualidade, a cirurgia robótica proporciona precisão ao procedimento. Além disso, a ergonomia também é melhor, uma vez que as pinças do robô permitem fazer movimentos que nem sempre a mão humana consegue. Para alguns procedimentos urológicos como a cirurgia de próstata, por exemplo, esta é uma funcionalidade importante.

3.    O robô não opera sozinho

Todos os movimentos do robô são acionados pelo cirurgião, que fica posicionado em um console controlando os braços cirúrgicos por meio de joysticks. “O robô não substitui o conhecimento e a experiência do cirurgião”, destaca o médico. “A tecnologia é uma aliada da medicina, mas a dimensão humana está sempre presente”, acrescenta. 

Sobre o câncer de próstata

O câncer de próstata costuma ser mais comum em pacientes com mais de 50 anos que possuem herança genética, consumam bebidas alcoólicas, fumem, tenham uma alimentação rica em gorduras ou cálcio, ou que estejam acima do peso. Ainda de acordo com o Instituto, o Brasil registrou cerca de 68 mil casos da doença em 2018. No mesmo ano, mais de 266 mil mortes foram causadas por esse tipo de tumor ao redor do mundo.

Para tratar a doença, o SUS atualmente realiza a prostatectomia radical, pois a considera como o tratamento mais eficaz para a doença em estágio inicial ou, mesmo, em casos ainda localmente avançados. No método, há a retirada completa da próstata e das glândulas responsáveis pela produção do sêmen. Ele pode ser feito através de cirurgia abdominal aberta, a forma mais indicada pelos médicos. Mas o procedimento também pode ser realizado por meio do períneo ou com uso de videolaparoscopia pelo abdômen.

Com Assessorias

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