34% dos homens não passam pela porta de entrada do SUS

Apesar de reconhecer importância do diagnóstico precoce, Ministério da Saúde alerta que exames de rotina são mais recomendados para pessoas com histórico familiar

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Quase 34% dos homens brasileiros entre 20 e 59 anos não estão cadastrados nos serviços da atenção primária, a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2022, apenas 28% dos atendimentos individuais na atenção primária foram de usuários do sexo masculino nessa faixa etária. Isso representa menos uso de serviços e menos ações preventivas e de promoção à saúde, em comparação às mulheres.

Para sensibilizar a população masculina sobre o cuidado integral da saúde, nada melhor do que falar de futebol. Então, o Ministério da Saúde aprovou o jogo entre Flamengo e Santos, pelo Campeonato Brasileiro, para lançar a campanha Novembro Azul. A ação realizada nesta quarta-feira (1º), no Estádio Mané Garrincha, em Brasília (DF), tem parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Mas o que significa cuidado integral de saúde? Segundo o MS, isso envolve desde a promoção de hábitos saudáveis, exames para acompanhamento de rotina e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, até gerenciamento de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, cuidados com a saúde mental e prevenção de agravos como câncer.

Para o coordenador da Saúde do Homem do Ministério,  Celmário Brandão, a estratégia mais adequada com relação ao tema é uma abordagem mais integral da saúde do homem.

“É importante incentivar essa população a procurar a unidade de saúde para acompanhamento, independentemente da idade. O esforço do Ministério da Saúde é para o fortalecimento das ações educativas e de comunicação em saúde direcionadas à população masculina sobre autocuidado e prevenção dos cânceres mais prevalentes, além de outras doenças crônicas”, explicou.

Câncer de próstata: alerta sobre exames em homens assintomáticos

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais incidente na população masculina em todas as regiões do país, atrás apenas dos tumores de pele não melanoma. Atualmente, é a segunda causa de óbito por câncer nesse público. Para o triênio 2023-2025, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 71,7 mil novos casos por ano.

No último dia 27 de outubro, o Ministério da Saúde reforçou que o diagnóstico precoce possibilita melhores resultados no tratamento do câncer de próstata. Em Nota Técnica, a pasta ressalta, no entanto, que o rastreamento (exames de rotina) não é indicado para pessoas assintomáticas, a não ser que tenham histórico de câncer na família ou fatores de risco. Neste caso, o rastreamento pode ser indicado, caso o médico avalie a necessidade.

De acordo com a pasta, é fundamental que os homens tenham acompanhamento médico de rotina ao longo da vida para prevenção. Homens que apresentam alguma alteração suspeita, como dificuldade de urinar, diminuição do jato de urina, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite e sangue na urina, devem procurar uma unidade de saúde.

Toque retal e PSA: as principais formas de diagnóstico

O Ministério da Saúde recomenda que os homens estejam alertas a qualquer anormalidade no corpo e procurem o serviço de saúde o mais breve possível para garantir o diagnóstico precoce.

A investigação do câncer de próstata se dá pelo exame de toque retal e pelo exame Antígeno Prostático Específico, o PSA. Para confirmar a doença, também é preciso realizar biópsia, indicada caso seja encontrada alguma alteração nos exames anteriores.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece informação e atendimento com equipes multiprofissionais aptas a realizarem diagnóstico e acompanhamento desta população em todos os ciclos da vida. Além de exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos e radiológicos, procedimentos cirúrgicos e tratamento em hospitais habilitados em Oncologia.

O Ministério da Saúde acrescenta que as informações não substituem uma consulta médica. É fundamental que a população procure a ajuda profissional no serviço de saúde.

Fatores de risco para o câncer de próstata

Entre os principais fatores de risco para o câncer de próstata estão idade (incidência e mortalidade aumentam significativamente após os 60 anos), histórico familiar (pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos) e alimentação (sobrepeso e obesidade).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) destaca ações e mudanças de hábitos que ajudam a reduzir os fatores de risco, como controle do tabaco, prevenção ao uso do álcool, prática de atividade física, alimentação saudável, combate ao sedentarismo e à obesidade, dentre outros.

As orientações também são centrais na Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, que lista acesso e acolhimento, saúde sexual e reprodutiva, paternidade e cuidado, doenças prevalentes na população masculina e prevenção de violências e acidentes como eixos de ação para o desenvolvimento do cuidado com a saúde.

Agenda Positiva

Congresso Nacional azul por câncer de próstata, pneumonia e diabetes

O Congresso Nacional recebe iluminação na cor azul, no período de 1º a 14 de novembro, em apoio ao Novembro Azul, mês de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata. Segundo o Ministério da Saúde, tumor é o mais comum entre os homens e responde por 28,6% das mortes por neoplasias malignas no sexo masculino. No Brasil, um homem morre a cada 38 minutos devido à doença, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer.

Exames anuais podem evitar que a doença seja detectada em estágios avançados. Quando identificada e tratada precocemente, as chances de cura chegam a 90%. A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que o exame de toque retal seja feito a partir dos 50 anos para homens que não tenham casos na família. Para homens negros e aqueles com histórico familiar da doença, os exames devem começar aos 45 anos.

Mas o mês também serve de alerta para outras enfermidades. A cor azul também faz referência ao Dia Mundial da Pneumonia (12/11) e ao Dia Mundial do Diabetes (14/11). Para salientar a gravidade do diabetes, a iluminação azul será suspensa no dia 7, entre 19h e 22h, para a projeção, nas fachadas do Congresso Nacional, da frase “Quem tem diabetes tem de 2X a 3X mais chance de um evento cardíaco”.

Diabetes é uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue e garante energia para o organismo. Em casos mais graves, pode levar à morte. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, mais de 13 milhões de pessoas vivem com a doença no Brasil, o que representa 6,9% da população. No mundo, a doença acomete 537 milhões de adultos entre 20 e 79 anos, ou 10,5% da população do planeta, segundo a Federação Internacional de Diabetes. A melhor forma de prevenir é praticar atividades físicas, manter uma alimentação saudável e evitar o consumo de álcool, tabaco e outras drogas.

Já o Dia Mundial da Pneumonia foi criado pela Organização Mundial da Saúde para divulgar a necessidade de prevenir a doença, que, somente em 2019, tirou a vida de 2,5 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, o Sistema Único de Saúde registra anualmente mais de 600 mil internações por Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) e Influenza. Dados do Ministério da Saúde indicam 44.523 mortes por pneumonia de janeiro a agosto de 2022. A pneumonia é uma infecção nos pulmões provocada por bactérias, vírus ou fungos. O streptococcus pneumoniae é o agente causador em 60% dos casos.

Fonte: Ministério da Saúde e Congresso Nacional

 

 

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