Veganismo cresce no Brasil e no mundo: entenda por que

Milhões de pessoas adotam uma alimentação à base de plantas, em respeito à causa animal. Mas é possível manter uma dieta balanceada sendo vegano?

Nas prateleiras, cresce o número de alimentos veganos e vegetarianos (Foto: Bio Mundo / Divulgação)
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O movimento vegano cresce cada vez mais no Brasil e no mundo, tanto que recebe uma data no calendário, dia 1 de novembro, para celebrar sua evolução, que, desde 1994, vem somando adeptos que buscam fazer escolhas baseadas em um estilo de vida mais sustentável e consciente. Com a nova filosofia de vida, surgem também mudanças capazes de impactar o planeta de forma positiva.

O veganismo surgiu com o objetivo de conscientizar sobre o consumo de proteínas de origem animal ao redor do mundo. Atualmente, estima-se que 79 milhões de pessoas no mundo são veganas. A estimativa é que 25 milhões de brasileiros se considerem veganos ou vegetarianos, segundo o último estudo divulgado pela consultoria PwC.

De acordo com o Google Trends, as buscas por “veganismo” aumentaram 660% somente em 2022. Entre as razões para o crescimento desse público, está o aumento da demanda por produtos mais sustentáveis, a preocupação com o bem-estar animal e a busca por uma dieta mais saudável, tendência que tem crescido no mundo todo, principalmente após o início da pandemia.

O Dia Mundial do Veganismo promove um estilo de vida baseado no respeito aos animais e em escolhas diárias para evitar a exploração animal, incluindo uma dieta à base de plantas. A alimentação vegana não utiliza nenhum tipo de produto/insumo de origem animal ou que tenha sido testado em animais.

A data foi criada na Inglaterra, em 1994, pela ativista pelos direitos dos animais e presidente da associação Sociedade VeganaLouise Wallis – mas a prática em si é mais antiga.

“O veganismo é um chamado para a consciência e para a responsabilidade, é uma oportunidade para as pessoas adotarem em seu cotidiano uma abordagem mais ética e respeitosa com os animais”, afirma Taís Toledo, diretora de políticas alimentares da organização internacional Sinergia Animal.

Veganos são contra a criação e abate de animais

A carne, os ovos, os laticínios e outros produtos de origem animal envolvem a criação e o abate de grandes quantidades de animais, frequentemente submetidos a sofrimento prolongado em fazendas industriais e a condições não-naturais, como o confinamento em gaiolas superlotadas.

No Brasil, segundo o IBGE, só na primeira metade de 2023 foram abatidos mais de 3,2 bilhões de frangos, suínos e bovinos. “São quase 205 animais mortos por segundo no país. E, infelizmente, o número real de abates é ainda maior — se incluirmos carneiros, coelhos, patos, outras aves e uma quantidade imensurável de peixes e demais animais aquáticos, como polvos, lulas e caranguejos”.

Ao redor do mundo, os dados mais recentes apontam que o número de animais terrestres criados e abatidos para consumo está mais alto do que nunca: de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), aproximadamente 92,2 bilhões de animais terrestres são mortos anualmente pela indústria global de alimentos.

“A boa notícia é que não precisamos comer animais para sermos saudáveis ou para desfrutar de refeições deliciosas. Estudos mostram que uma dieta à base de vegetais tem o potencial de trazer benefícios para a saúde humana. Queremos ajudar as pessoas a tomar decisões mais conscientes, saudáveis e respeitosas com os animais”, explica Toledo.

É possível manter uma alimentação balanceada mesmo sendo vegano(a)? A resposta é sim.

“A alimentação vegana é composta por absolutamente todos os alimentos de origem vegetal, nesse sentido, a natureza nos proporciona excelentes quantidades de todos os nutrientes essenciais para o bom funcionamento do corpo humano, como bons carboidratos, proteínas de alto valor biológico, gorduras boas, fibras, além de vitaminas e minerais”, destaca a consultora e nutricionista de Jasmine, Adriana Zanardo.

Oferta de produtos veganos cresce nas prateleiras

Com a popularização dessa dieta ou somos ou conhecemos alguém adepto dessa alimentação. Não podemos discutir o quanto essa escolha é saudável e vem movimentado o mercado do varejo e consumo. Nos últimos anos, o veganismo vem crescendo exponencialmente. Uma pesquisa realizada pela SkyQuest prevê que o mercado global de alimentos veganos irá aumentar 9,3% ao ano e ultrapassar 34 bilhões de dólares até 2028.

Acompanhando a tendência de crescimento do veganismo em nível mundial, o Brasil está em busca de opções alternativas de proteínas para levar à mesa dos consumidores. Segundo o último estudo divulgado pela consultoria PwC, atualmente, a produção nacional é responsável por fabricar mais de 54 mil toneladas de proteínas alternativas – de origem vegetal – e até o final de 2023 deve alcançar o registro de 23 toneladas de produtos.

Pesquisas apontam que o mercado de alimentação vegana chegará a 74,2 bilhões de dólares até 2027, resultado da nova tendência de consumo que vem ganhando cada vez mais força. A procura e a venda desses produtos  vem crescendo em lojas especializadas. A Bio Mundo, franquia de alimentos naturais e saudáveis, possui um catálogo completo com ampla variedade de produtos veganos e vegetarianos, enxergou, no primeiro semestre do ano, um aumento expressivo nas vendas.

“No primeiro semestre de 2023 vendemos mais de R$ 106 milhões, o que representou um crescimento de 19,85% em relação ao primeiro semestre do ano passado. Um resultado bem razoável diante de uma economia que ainda está em um estado de recuperação”, comenta Edmar Mothé, CEO da Bio Mundo.

O acesso a esses produtos também foi facilitado, os preços ficaram ainda mais acessíveis com o aumento do consumo e os consumidores já dispõem de uma infinidade de itens voltados para esse cardápio.  A busca desses produtos em loja cresceu exponencialmente e os mais diversos públicos estão aderindo. Esse setor difundiu-se e ganhou ainda mais espaço através de lojas voltadas para esses públicos, afinal a gôndola desses itens nos mercados tradicionais ainda é muito restrita.

Por isso, quando se fala nesse assunto, sempre se volta à disponibilidade e acessibilidade para montar um cardápio nutritivo e saboroso. Não são todos os mercados que esses itens são facilmente encontrados, às vezes, a procura por um simples leite vegetal torna o desejo de cozinhar, não tão satisfatório.

“Cozinhar em casa é um hábito comum do brasileiro, por isso a importância desses itens estarem cada vez mais acessíveis nas prateleiras. Isso irá contribuir com os que já são adeptos a esse estilo de vida, quanto aqueles que estão pensando em entrar nesse novo universo”, comenta Edmar.

Em lojas especializadas a procura fica mais fácil. A Bio Mundo, por exemplo, oferece mais de 3 mil produtos diet, light, integrais, veganos, funcionais, sem glúten, sem lactose, suplementos vitamínicos e esportivos, além de 300 itens a granel.

O destaque fica para os suplementos veganos (com cápsulas veganas), as proteínas à base de soja, ervilha e arroz, macarrão à base de grão de bico, e os granéis com todos os tipos de castanhas, amêndoas, farinhas, temperos e cereais. Com alimentos como aveia, quinoa, milho, amaranto, arroz, centeio e trigo, é possível substituir a carne de forma eficiente, pois são boas fontes de proteína e de vitaminas do complexo B, além de ferro e fibras.

Veganismo vai além de uma escolha alimentar

Apesar da alta, ainda existem dúvidas sobre o tema. Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), o veganismo é um movimento em que seus adeptos dispensam produtos derivados de animais. Essa nova forma de viver se conecta não só à alimentação, como também ao vestuário, ao mercado de beleza, dentre outras esferas de consumo. Mas o veganismo vai além de uma simples escolha alimentar.

“Trata-se de uma filosofia que engloba todos os aspectos da nossa vida, desde o que comemos ao que vestimos, aos cosméticos que usamos e muito mais”, diz Toledo. Ainda assim, a mudança de hábitos alimentares é uma das maneiras mais comuns e impactantes de se começar.

Na alimentação, o veganismo é diferente do vegetarianismo, uma escolha alimentar que exclui certos produtos de origem animal do cardápio e pode ser subdividida em diversos grupos. O Vegetarianismo estrito não utiliza nenhum produto de origem animal na sua alimentação. Já o Ovolactovegetarianismo utiliza ovos, leite e laticínios na sua alimentação; o Lactovegetarianismo utiliza leite e laticínios e o Ovovegetarianismo utiliza ovos.

Para dar o primeiro passo ou explorar as possibilidades de uma dieta compassiva, a organização disponibiliza em seu site um Guia de Leites Vegetais e o e-book 15 Receitas Veganas Inspiradas no Mar, que podem ser baixados gratuitamente.

Com Assessorias

 

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