Quase 72 mil homens devem ter câncer de próstata no Brasil em 2023

País é o quarto do mundo em número de casos da doença. Machismo prejudica diagnóstico: “Assumir-se doente seria como se assumir frágil”, diz urologista

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Após o Outubro Rosa chamar atenção para a importância da prevenção do câncer de mama, é a vez de o Novembro Azul despertar a atenção para a saúde masculina. Durante todo o mês, uma série de ações é realizada com o objetivo de conscientizar os homens sobre a necessidade da realização de exames de rotina e a adoção de hábitos saudáveis para a prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata. E pelo oitavo ano consecutivo o Portal ViDA & Ação traz o Especial Novembro Azul, em adesão à campanha.

Em todo o mundo são registrados mais de 1,4 milhão de novos casos anuais de câncer de próstata, de acordo com o levantamento Globocan, da Agência Internacional para Pesquisa do Câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS). A doença é responsável por 375 mil mortes anuais no mundo. O Brasil é o quarto país em número de casos de câncer de próstata, atrás apenas dos Estados Unidos, com 209 mil, seguido por China e Japão.

Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para o triênio 2023/2025 aponta que são previstos 215 mil novos casos, um total de 71.74 por ano de câncer de próstata, aumento de 8,5% em relação a estimativa anterior, que era de 65.840 casos. O tipo de câncer mais comum entre os homens teve aumento de mais de 16 mil novos casos quando comparado com o período de 2020 a 2022. A projeção fica atrás apenas do câncer de pele não melanoma.

O câncer de próstata é predominante em todas as regiões do país. No recorte por região, a prevalência do câncer de próstata apresenta o seguinte cenário: região Sul (57,23/ 100 mil); Sudeste (77,89/100mil); Norte (28,40/100 mil); Nordeste (73,28/100 mil); Centro-Oeste (61,60/100 mil). Importante destacar que nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o câncer de próstata é o mais prevalente, considerando os 21 tipos de câncer que fazem parte das novas estimativas do Inca.

Seguindo a tendência nacional, as estatísticas locais também apresentam números. De acordo com o Inca, a estimativa é que 6.510 homens devem ter câncer de próstata na Bahia em 2023. Destes, 1.200 apenas em Salvador.

Importância do diagnóstico precoce

As informações atualizadas do Inca reforçam ainda mais a urgência da conscientização do público masculino sobre os fatores de risco que podem ser evitados e a consulta anual ao urologista para o exame clínico e de PSA, essenciais para o diagnóstico precoce, que aumenta a chance de cura.

É preciso esclarecer os homens sobre a importância de adotar hábitos saudáveis, como, prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, com pouca ou nenhuma ingestão de gorduras, e evitar o fumo, que diminuem o risco de desenvolver a doença,.

Além de manter hábitos de vida saudáveis, é muito importante combate a consulta anual ao urologista, atitude essencial para diagnosticar um eventual câncer ainda em fase inicial quando as chances de cura são maiores.

“Para o diagnóstico de câncer de próstata são importantes o exame de sangue que avalia a proteína produzida pelo tecido prostático (PSA) e o exame de toque retal, que propicia descobrir a doença em fase mais inicial”, explica Luana Gomes, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e uro-oncologista do Instituto Goiano de Oncologia e Hematologia.

A confirmação diagnóstica se dá por biópsia. A recomendação da SBCO para rastreamento de câncer de próstata é que os homens a partir de 50 anos procurem um profissional especializado, para avaliação individualizada. Homens negros ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar com essa consulta médica aos 45 anos.

Assumir-se doente seria como se assumir frágil, diz urologista

O urologista Jailton Campos, destaca que apesar de todo o esforço de campanhas e do estímulo para que homens procurem o médico e adotem medidas preventivas, ainda existe o tabu da população masculina.

“Muitos homens consideram o fato de ir ao médico preventivamente como algo dispensável ou adiável. É uma negligência em relação à própria saúde e deve-se muitas vezes, à compreensão distorcida de certos aspectos sobre saúde e doença – a primeira relacionada à virilidade e a outra, à fragilidade. Assim, assumir-se doente seria como se assumir frágil”, declara Campos.

O câncer de próstata é o segundo com maior incidência no Brasil. O homem não tem muito o hábito de realizar os seus exames de check up com frequência. Então, o Novembro Azul também tem esse cunho de levar a prevenção para eles, que costumam não ter o olhar voltado para saúde da mesma maneira que as mulheres.

Anualmente, ao longo do mês, as ações orientam a população sobre a necessidade de homens acima de 45 anos deixarem o preconceito de lado e fazerem os exames de toque retal e dosagem de PSA no sangue. O controle ainda é a ferramenta mais eficiente no combate ao câncer de próstata.

“À esposa, filhos, familiares e amigos cabe sinalizar a importância da conscientização que tanto homens quanto mulheres devem ter sobre a eficiência da prevenção, bem como estimular a reformulação do conceito de ‘masculinidade’ para que os homens possam refletir e aceitar com mais naturalidade suas fragilidades físicas e emocionais”, acrescenta o urologista.

Doença silenciosa no início

câncer de próstata tem evolução silenciosa e não costuma apresentar sintomas ou, quando apresenta, pode ser confundido com crescimento benigno da próstata, pois é uma doença que tem sintomas semelhantes. Portanto, vale ficar atento e procurar um médico para avaliação, caso tenha alguns dos sintomas a seguir com persistência superior a duas semanas:

  • Dor ou ardência ao urinar
  • Dificuldade para urinar ou para conter a urina
  • Fluxo de urina fraco ou interrompido
  • Necessidade frequente ou urgente de urinar
  • Dificuldade de esvaziar completamente a bexiga
  • Sangue na urina ou no sêmen
  • Dor contínua na região lombar, pelve, quadris ou coxas
  • Dificuldade em ter ereção

Fatores de risco

Segundo o médico, A idade é um fator de risco importante para o câncer de próstata, uma vez que tanto a incidência como a mortalidade podem aumentar significativamente após os 50 anos. Outros fatores de risco incluem, além de idade avançada, histórico familiar, fatores hormonais e ambientais, hábitos alimentares, sedentarismo e excesso de peso.

Os fatores que podem aumentar o risco de câncer de próstata incluem:

Envelhecimento – O risco de câncer de próstata aumenta com a idade. É mais comum depois dos 50 anos.

Raça – Por razões ainda não determinadas, os negros têm um risco maior de câncer de próstata do que as pessoas de outras raças. Nos negros, o câncer de próstata também tem maior probabilidade de ser agressivo ou avançado.

Histórico familiar – Se um parente de sangue, como pai, irmão ou filho, tiver sido diagnosticado com câncer de próstata, o risco pode aumentar. Além disso, se houver histórico familiar de genes que aumentam o risco de câncer de mama (BRCA1 ou BRCA2) ou um histórico familiar muito forte de câncer de mama, o risco de câncer de próstata pode ser maior.

Obesidade – Pessoas obesas podem ter um risco maior de câncer de próstata em comparação com pessoas consideradas com peso saudável, embora os estudos tenham tido resultados mistos. Em pessoas obesas, o câncer tem maior probabilidade de ser mais agressivo e de retornar após o tratamento inicial.

  • Diagnóstico precoce

    Quanto mais cedo for detectada a doença, maiores as chances de cura, já que alguns tumores podem crescer de forma silenciosa, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte.

  • “Dificuldade de urinar, frequência urinária alterada ou diminuição do jato da urina podem ser sintomas do tumor, mas o mais comum é que a doença não apresente sinal algum”, alerta o urologista Jailton Campos.

EXAMES PARA DIAGNÓSTICO DE CÂNCER DE PRÓSTATA

EXAME DE PSA – Trata-se de um exame de sangue que mede o nível de PSA (antígeno prostático específico). O risco de ter câncer de próstata aumenta à medida que o nível de PSA aumenta. No entanto, não existe um ponto de corte definido para afirmar com certeza se um homem tem (ou não) a doença. Em geral, quando o valor de PSA é igual ou superior a 3 ng/ml, são pedidos exames complementares, mas esse critério pode variar de acordo com o profissional e a avaliação clínica do paciente.

Exame de toque retal – Este exame é importante para determinar qualquer inchaço ou áreas endurecidas na próstata, que possam eventualmente ser um câncer. Como o tumor geralmente começa na parte posterior da glândula, às vezes, pode ser sentido durante o toque retal. Apesar do preconceito e repulsa ao exame pelos homens, ele não é doloroso e dura apenas alguns segundos. Ele pode sugerir a possibilidade de câncer em homens com níveis normais de PSA. Por essa razão, precisa ser incluído no rastreamento do câncer de próstata.

Outros exames – Se o resultado inicial do PSA for anormal, é comum fazer outros tipos de exame para que o médico tenha mais precisão no diagnóstico de um possível câncer de próstata. Alguns dos testes que podem ser realizados incluem: exame de toque retal, se ainda não foi realizado; um ou mais dos tipos de PSA, como o índice de saúde prostática (PHI), 4Kscore ou PSA livre e/ou exame de imagem da próstata, como a ressonância magnética ou o ultrassom transretal.

Como é o tratamento?

A fase do tumor e as características do paciente determinam as formas de tratamento que podem ser definidas pelo médico. Nos estágios iniciais da doença (tumores localizados e localmente avançados), a prostatectomia radical – cirurgia para retirada da próstata – é o tratamento padrão e apresenta altos índices de cura.

No entanto, o tratamento do câncer de próstata varia de acordo com a localização e o estágio da doença. Portanto, nem sempre a cirurgia é necessária. Quando a doença é localizada — ou seja, só atingiu a próstata e não se espalhou para outros órgãos —, costuma-se fazer cirurgia e/ou radioterapia. Em alguns desses casos, pode ser proposta a observação vigilante no tumor (vigilância ativa).

Para doença localmente avançada, o indicado é combinar radioterapia ou cirurgia com tratamento hormonal. Já nos casos de metástase (quando o tumor se espalha para outras partes do corpo), o tratamento mais indicado é a terapia hormonal.

“Como a escolha do tratamento mais adequado deve ser individualizada, de acordo com a avaliação médica, o cirurgião oncológico é um dos profissionais habilitados para o planejamento terapêutico e cirúrgico do câncer de próstata”, explica o cirurgião oncológico Héber Salvador, presidente da SBCO e titular do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo. Juntamente à sua equipe multidisciplinar, este especialista poderá definir qual a melhor, mais segura e eficaz conduta para cada paciente.

  • Prevenção

    Conforme o Inca, já está comprovado que uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, e com menos gordura, principalmente as de origem animal, ajuda a diminuir o risco de câncer, como também de outras doenças crônicas não-transmissíveis.

    Nesse sentido, outros hábitos saudáveis também são recomendados, como fazer, no mínimo, 30 minutos diários de atividade física de três a cinco vezes por semana, manter o peso adequado à altura, diminuir o consumo de álcool e não fumar.

Novembro Azul

No ano de 2003, surgiu um movimento na Austrália, chamado de Movember (união das palavras Moustache – bigode e November – novembro). Durante o mês, os homens deixavam o bigode crescer com o objetivo de chamar a atenção para sua saúde. Isso incluía fazer um alerta público sobre o câncer de próstata. O movimento ganhou o mundo e, em 2011, influenciou na criação do “Novembro Azul”, pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, que visa promover ações para elucidar dúvidas sobre a doença.

Com Assessorias

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