Transtorno bipolar: por que o diagnóstico é tão difícil?

Psicóloga explica que transtorno bipolar não tem cura, mas pode ser controlado com tratamento adequado. Entenda os diferentes tipos da doença

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay
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transtorno bipolar pode se manifestar em qualquer idade e o diagnóstico é capaz de ser desafiador, pois, muitas vezes, é confundido com outras doenças. Há pessoas que apresentam sintomas como ansiedade, distúrbios de atenção e comportamentais, como déficit de atenção e hiperatividade, e até mesmo mudanças constantes de humor, mas não desenvolvem bipolaridade.

“O diagnóstico é complexo e por isso é importante as pessoas terem mais informação e buscarem ajuda especializada de profissionais de saúde, como médicos e psicólogos. Essa procura é muito baixa e, devido a isso, muitas pessoas e suas famílias sofrem tanto com a condição. A manifestação de um episódio é particular”, explica Camila Ribeiro, psicóloga da rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. Ela afirma ainda que casos de crises agudas também podem demandar internação.

No dia do aniversário do pintor holandês Vincent Van Gogh, 30 de março, diagnosticado postumamente, como provável portador do transtorno, celebra-se o Dia Mundial do Transtorno Bipolar. A data tem o objetivo de levar informação à população, eliminar o estigma social e sensibilizar para a doença, estimulando a prevenção, diagnóstico e tratamento adequado.

O que é o Transtorno Bipolar?

É uma doença mental crônica que se caracteriza pela alternância entre episódios de euforia e depressão, variações intensas de humor. A causa exata da doença é desconhecida, mas vários fatores têm sido identificados, sendo a genética um dos mais importantes. Para prevenir crises, é importante manter hábitos saudáveis que proporcionem satisfação, como praticar yoga, esporte, e atividades como jardinagem ou marcenaria. O tratamento do transtorno bipolar envolve o uso de medicamentos e terapia.

Sintomas

Os sintomas do transtorno bipolar incluem períodos de intensidade não usuais, mudanças nos padrões de sono e níveis de atividade e comportamentos incomuns. Durante os episódios de mania, a pessoa pode apresentar estado de euforia exuberante, valorização da autoestima e autoconfiança, pouca necessidade de sono, agitação psicomotora e descontrole ao coordenar. Em episódios de depressão, a pessoa pode apresentar tristeza sem motivo aparente, perda de interesse em prazeres, memória fraca, perda de energia e pensamentos suicidas.

Diagnóstico

O histórico do indivíduo é decisivo para o diagnóstico conclusivo, já que alterações de humor anteriores, episódios atuais ou passados de depressão, histórico familiar de perturbação do humor ou suicídio. Exame de sangue pode ser requisitado para verificar se outra condição é a causa dos sintomas.

Uma avaliação psicológica cuidadosa também é realizada para identificar a severidade dos episódios, tempo de duração e frequência. É importante notar que o transtorno bipolar pode aparecer em crianças e é geralmente diagnosticado no fim da adolescência ou início da vida adulta.

Tipos

De acordo com o DSM.IV (manual diagnóstico e estatístico da Associação Psiquiátrica Americana) e o CID-10 (documento de Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde da OMS), o transtorno bipolar pode ser classificado da seguinte forma:

Transtorno bipolar: Tipo I

O indivíduo apresenta períodos de mania, que duram, pelo menos, sete dias, acompanhado de sintomas depressivos, que se estendem por duas semanas ou mais. Tanto na mania quanto na depressão, os sintomas são intensos e provocam grandes mudanças comportamentais e de conduta, podendo interferir em diversas áreas da vida.

Transtorno bipolar: Tipo II

Há alternância entre os episódios de depressão e de hipomania.

Transtorno ciclotímico

É o quadro mais leve do transtorno bipolar, marcado por oscilações crônicas do humor, que podem ocorrer até no mesmo dia. O paciente alterna sintomas de hipomania e de depressão leve o que, muitas vezes, pode ser interpretado como o próprio temperamento do indivíduo.

Transtorno bipolar não especificado

Pode surgir como consequência de outras doenças ou induzido pelo uso de substâncias.

Tratamento

O transtorno bipolar não tem cura, mas pode ser controlado com o tratamento adequado que inclui o uso de medicamentos, psicoterapia – principalmente a Terapia Cognitiva-Comportamental (TCC) – e mudanças no estilo de vida, tais como o fim do consumo de substâncias psicoativas, como cafeína, anfetaminas, álcool e drogas ilícitas.

Adquirir novos hábitos também colaboram com o controle do quadro, como manter uma rotina de alimentação saudável e de sono regulado; praticar atividades físicas que podem ser leves, como caminhadas e natação, e qualquer atividade que contribua para a diminuição dos níveis de estresse.

Com o tratamento adequado e individualizado, o transtorno bipolar reduz a incapacitação e a possibilidade de morte dos pacientes. É importante destacar que buscar orientação médica diante de qualquer sintoma é a maneira mais correta para diagnosticar corretamente a doença, assim como realizar os tratamentos adequados, resultando na melhora da qualidade de vida ao paciente e familiares.

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