Suicídio se torna um desafio para a psiquiatria moderna

Psiquiatras analisam aumento crescente dos casos de suicídio no Brasil e no mundo e alertam para importância do diagnóstico precoce de transtornos mentais

Depressão, suicidio
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Os últimos dados compilados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) dão conta de 800 mil suicídios por ano, o que corresponde a 50% das mortes por causas externas ou a uma morte por suicídio a cada 40 segundos. No Brasil, a situação é igualmente alarmante.

As mortes por lesão autoprovocada entre 2011 e 2020 aumentaram 35% no país. Só em 2020, foram registrados 12.895 suicídios, segundo dados do DataSUS, plataforma do governo federal que concentra informações relativas à saúde no País. Entre os cinco estados com maiores casos nesse período estão São Paulo (1º), Minas Gerais (2º), Rio Grande do Sul (3º), Santa Catarina (4º) e Paraná (5º).

“O suicídio é, sem dúvida, um problema de saúde pública e um dos maiores desafios para a psiquiatria moderna. Atualmente, morre-se mais por suicídio do que por homicídio ou criminalidade. O Brasil não escapa dessa alarmante estatística: colecionamos 12 mil óbitos por suicídio todos os anos”, afirma o psiquiatra Estevão Scotti, vice-diretor clínico da Casa de Saúde Saint Roman, no Rio de Janeiro.

Campanha Setembro Amarelo

Para alertar sobre essa questão, 10 de setembro é considerado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Além disso, desde 2014 a Associação Brasileira de Psiquiatria, em parceria com o Conselho Federal de Medicina, organiza nacionalmente o Setembro Amarelo, com o objetivo de prevenir e reduzir os suicídios no Brasil.

Psiquiatra Michele Maciel fala sobre as causas de doenças mentais que podem levar ao suicídio (Foto: Divulgação)

A psiquiatra Michele Gomes Maciel, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, destaca a importância da campanha Setembro Amarelo, que ao longo dos anos a campanha tem surtido efeito.

“A informação é fundamental para diminuir o preconceito contra o tema suicídio, ainda tabu em nossa sociedade, trazer educação para a população sobre o tema e trazer mais pessoas para o tratamento. Quanto mais se falar sobre o assunto, menor o estigma. 90% dos casos de suicídio poderiam ser prevenidos com o tratamento correto”, afirma.

Segundo a psiquiatra, o Setembro Amarelo tem trazido debates importantes sobre o tema, além de campanhas realizadas pelo mundo para educar melhor a população sobre o tema.

“Como psiquiatra da infância e adolescência, observo na nova geração uma maior abertura em procurar o psiquiatra, com bem menos preconceito e estigma. Isto é fundamental para reduzir as taxas de transtornos mentais não tratados e dessa forma, prevenir que mais pessoas tirem a própria vida”, salienta.

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Transtornos mentais precisam ser tratados

Michele Gomes Maciel destaca as principais causas que levam as pessoas a tomar essa atitude drástica. “Na grande maioria dos casos há a presença de um transtorno mental, principalmente a depressão e o transtorno bipolar do humor em mais de 35% dos casos. Além deles, os problemas mais comuns são a dependência de substâncias, transtornos de personalidade e esquizofrenia”, detalha.

Para Estevão Scotti, a pergunta que se impõe é: seria possível prevenir o imprevisível? “A resposta é: Sim! É sabido que 90% a 98% daqueles que cometem suicídio sofrem de um transtorno mental, sobretudo os Transtornos de Humor como a Depressão Maior e o Transtorno Afetivo Bipolar, bem como os transtornos por uso de substâncias. Portanto, a melhor estratégia para prevenção do suicídio é a identificação precoce e tratamento adequado dos transtornos mentais”, ressalta.

Para ajudar aqueles que apresentam algum sinal de depressão ou desilusão com a vida, Michele Gomes Maciel diz que é essencial procurar ajuda profissional.

“Na suspeita de um quadro depressivo, o primeiro e principal passo é buscar rapidamente atendimento com um psiquiatra, profissional especializado no tratamento deste transtorno. Após avaliado pelo médico, este irá decidir pelo tratamento medicamentoso, caso necessário, e encaminhar para uma abordagem multidisciplinar, já que na maioria dos casos a psicoterapia associada ao tratamento médico é fundamental para a melhora do paciente”.

Com Assessorias

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