A saída do ator Henri Castelli, de 47 anos, do Big Brother Brasil 26 após sofreu uma convulsão durante uma prova de resistência não é um caso isolado na história dos realities de confinamento no Brasil. Ao longo dos últimos anos, participantes de diferentes programas precisaram deixar o jogo após apresentarem quadros médicos considerados graves.

Em maio de 2024, a apresentadora Ana Paula Oliveira deixou um reality show após sofrer um princípio de infarto durante o confinamento. Agora, ao comentar o caso de Castelli, ela estabelece um paralelo entre as duas experiências e fala sobre os impactos físicos e emocionais da pressão do jogo.

O episódio com Henri Castelli no BBB26 trouxe à tona uma discussão que vai além do reality show. A dinâmica — marcada por horas de esforço físico contínuo, privação de sono, limitação de água e pressão psicológica intensa — reúne fatores conhecidos por especialistas como gatilhos de colapsos neurológicos agudos.

Ao falar sobre a saída de Henri Castelli do BBB 26, Ana Paula afirma que passou a enxergar o confinamento de realities de outra forma. Para ela, a pressão constante do jogo pode funcionar como um gatilho para problemas de saúde que muitas vezes não aparecem nos exames realizados antes da entrada no programa.

Você entra achando que está 100%, faz bateria de exames, acredita que está tudo sob controle. Lá dentro, com o estresse, a falta de descanso e a pressão emocional, o corpo reage”, afirmou.

Apresentadora que deixou reality por problemas de saúde associa saída de Henri Castelli à pressão do confinamento

“Assim como o Henri, eu precisei sair por saúde e sigo monitorando meu corpo até hoje por causa da pressão do jogo”, diz Ana Paula Oliveira

A apresentadora explica que o confinamento acaba revelando limites físicos e emocionais que a pessoa desconhecia. “É ali que você descobre coisas sobre a sua saúde que não tinha como prever”, disse. Na época em que precisou deixar o programa, Ana Paula contou que começou a se sentir mal ainda durante o confinamento e que o quadro se agravou rapidamente.

Segundo a apresentadora, ela sentiu dores intensas no peito, falta de ar e chegou a desmaiar, o que levou a produção a acionar atendimento médico. A partir daquele momento, a decisão de sair deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade. “Eu achei que estava infartando. Quando acordei, os médicos foram muito claros: continuar ali poderia custar a minha vida”, relatou.

Segundo ela, a experiência deixou marcas que se estendem para além do período do jogo. Ana Paula contou ainda que, desde o episódio, segue monitorando a própria saúde de forma contínua. “Assim como o Henri, eu precisei sair por saúde e sigo em acompanhamento até hoje por causa da pressão do jogo. Foi um alerta que não acabou quando o programa terminou”, afirmou.

Atualmente, Ana Paula Oliveira apresenta o programa Beleza Extrema, exibido pela Band Triângulo. Ao refletir sobre a experiência sob a ótica da saúde, ela diz que o confinamento mudou a forma como enxerga o próprio corpo e seus limites. “Hoje eu entendo que não existe exposição ou desempenho que justifique ignorar os sinais do corpo”, concluiu.

Convulsão no BBB 26 expõe riscos neurológicos

O cérebro sob privação: quando a autorregulação falha

A combinação de fatores pode levar o cérebro ao colapso mesmo em pessoas saudáveis. Embora situações como essa sejam frequentemente tratadas como “casos isolados”, médicos e especialistas alertam que o corpo humano tem limites fisiológicos claros — e que ignorá-los pode ter consequências graves.

Segundo o neurocirurgião Ricardo Graciano, o cérebro depende de equilíbrio para manter sua estabilidade elétrica.

O sono é fundamental para organizar a atividade neuronal. Quando há privação prolongada, os mecanismos de inibição do cérebro ficam prejudicados, favorecendo descargas elétricas desorganizadas”, explica. “Se esse cenário é associado à desidratação e ao estresse físico intenso, o risco de crises neurológicas aumenta significativamente.”

O Dr. Graciano destaca que crises convulsivas nem sempre estão ligadas a doenças neurológicas pré-existentes. “Em situações extremas, mesmo pessoas sem histórico podem apresentar convulsões. É uma resposta aguda do cérebro a uma sobrecarga que ultrapassou sua capacidade de adaptação.”

Antes da convulsão, o organismo costuma emitir sinais claros: confusão mental, dificuldade de raciocínio, tontura, visão turva, lapsos de memória e sensação de desorientação. “O problema é que, em ambientes competitivos, esses alertas costumam ser ignorados”, afirma.

Desidratação e déficit de nutrientes: um risco silencioso

A farmacêutica Fabíola Faleiros, da La Pharma e da Unna Pharma, chama atenção para fatores metabólicos muitas vezes negligenciados.

“O cérebro é altamente dependente de água, eletrólitos e micronutrientes. A desidratação altera o equilíbrio de sódio, potássio e magnésio, essenciais para a condução dos impulsos nervosos”, explica. “Além disso, deficiências de vitaminas do complexo B, ferro e magnésio comprometem o metabolismo cerebral e a função neuromuscular.”

Segundo Fabíola, em situações de esforço prolongado e alta demanda emocional, o consumo desses nutrientes aumenta. “Sem reposição adequada, o organismo entra em falha. Não é apenas exaustão: é um desequilíbrio fisiológico real.”

Estresse extremo: quando o corpo interrompe à força

O mentor de líderes Flávio Lettieri, autor do livro Ansiedade, traz uma perspectiva que une experiência pessoal e atuação profissional. Após vivenciar um colapso de ansiedade, Flávio passou a estudar profundamente os impactos do estresse crônico em ambientes de alta performance.

“O estresse prolongado mantém o organismo em estado de alerta constante. Cortisol e adrenalina elevados desorganizam o sono, alteram a percepção corporal e reduzem a capacidade do cérebro de reconhecer sinais de perigo”, afirma. “A pessoa continua funcionando até o momento em que o corpo simplesmente interrompe o processo.”

Para ele, o caso expõe uma lógica cultural mais ampla. “Vivemos uma normalização da exaustão. Resistir vira mérito, adoecer vira fraqueza — até que o corpo cobra a conta.”

A mente também adoece o corpo

A psicóloga Laura Zambotto reforça que colapsos físicos muitas vezes têm raízes emocionais profundas.

“O sofrimento psíquico nem sempre aparece primeiro como ansiedade consciente. Muitas vezes, ele se manifesta no corpo, uma vez que os conflitos e questões pessoais foram somatizados e resultaram nos sintomas”, explica. “Quando não há pausas, descanso e espaço de elaboração emocional, o organismo entra em modo de sobrevivência . A crise física passa a ser um pedido de socorro.”

Segundo Laura, ambientes de confinamento, competição intensa e exposição pública ampliam o risco de desorganização emocional e física. “Sem autorregulação e com a somatização dos sintomas emocionais, o corpo perde a capacidade de sustentar o esforço e resulta no colapso físico.”

Com Assessorias

 

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