Rio só vacinou 18% das crianças de 10 e 11 anos contra a dengue

Município anuncia que fará busca ativa nas para imunizar crianças. Pais devem levar os filhos aos postos de saúde. DF também tem baixa procura

Vacinação contra a dengue no Rio começa por crianças de 10 anos no Super Centro Carioca de Vacinação em Botafogo (Foto: Divulgação SMS-Rio)
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A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro anunciou nesta sexta-feira (1/3) que fará uma busca ativa por crianças de 10 e 11 anos para a vacinação contra a dengue. A medida está sendo tomada porque, até o momento, somente 18% das crianças nesta faixa foram levadas por seus responsáveis às unidades de saúde para receber o imunizante.

Segundo balanço da SMS, na primeira semana de vacinação contra a doença, apenas 25.317 doses foram aplicadas, o que corresponde a menos de 20% das 140 mil recebidas em 22 de fevereiro. A Secretaria convoca os responsáveis a comparecerem com eles nos postos de saúde para protegê-los contra a doença.

Na cidade, a vacina está disponível gratuitamente em todas as 238 unidades de atenção primária, além do Super Centro Carioca de Vacinação de Botafogo, que funciona todos os dias, das 8h às 22h. Também foi criado o Super Centro Carioca de Vacinação no ParkShoppingCampoGrande, aberto diariamente, de acordo com o horário de funcionamento do centro comercial.

No Rio, a vacinação foi iniciada no último dia 23 de fevereiro, logo que as doses chegaram do Ministério da Saúde, e está ocorrendo por fases e vai atingir o público até 14 anos. Para o município do Rio, foram destinadas 141.710 doses, que estão disponíveis em todas as unidades básicas de saúde.

A cidade de Nilópolis, que recebeu 3.080 doses, também está realizando a vacinação. As demais cidades do estado contempladas nesta primeira fase pelo Ministério da Saúde, com os respectivos números de doses, são: Duque de Caxias, 21.113; Nova Iguaçu, 20.320; São João de Meriti, 10.806; Itaguaí, 3.365; Magé, 6.218; Belford Roxo, 12.709; Mesquita, 4.179; Seropédica, 2.159; Japeri, 2.517; e Queimados, 3.740.

Distrito Federal só vacinou 32% das crianças em 20 dias

No Distrito Federal, quase 20 dias após o início da vacinação contra a dengue no Distrito Federal, apenas 32% das crianças de 10 e 11 anos foram imunizadas. Dados do governo do GDF mostram que, entre os dias 9 e 27 de fevereiro, foram aplicadas 23.502 doses foram aplicadas. A própria pasta avalia que a procura pelo imunizante está abaixo do esperado.

Os números mostram que, das 71.708 doses recebidas do Ministério da Saúde, ainda há 48.206 doses disponíveis para aplicação em todos os 67 pontos de vacinação do Distrito Federal.

“Como todo imunobiológico, a vacina da dengue também tem prazo de validade. Os imunizantes estão válidos até o dia 30 de abril”, destacou o GDF em nota.

O comunicado ressalta que “tratativas estão sendo feitas para uma possível ampliação no público-alvo, a fim de garantir que todas as doses sejam efetivamente aplicadas na população”.

“Mesmo quem já está vacinado deve continuar com os cuidados preventivos para que o mosquito transmissor não se prolifere. É importante que a população faça a sua parte e observe ambientes dentro e fora de casa que possam servir de abrigo e reprodução do vetor da doença”, reforçou o GDF.

O Distrito Federal é uma das unidades federativas mais afetadas pela doença e está em situação de emergência em saúde pública em razão da explosão de casos de dengue. Dados da Secretaria de Saúde apontam que o DF já contabiliza 98.418 casos prováveis de dengue, além de 55 mortes pela doença. Há ainda 82 óbitos em investigação.

Pediatra reforça apelo aos pais para levarem os filhos

Há mais de 15 anos, a pediatra Natália Bastos atende desde pacientes recém-nascidos a adolescentes na capital federal. Em entrevista à Agência Brasil, ela fez um alerta pedindo aos pais que não levaram seus filhos que procurem a sala de vacina para receberam o imunizante. “Não sabemos se é por insegurança ou porque essas crianças já estão vacinadas pela rede privada e estão esperando a segunda dose”.

“Enquanto estava na sala da rede privada, era uma vacina que estava custando, em média, de R$ 400 a R$ 500. Hoje, a vacina está disponível na sala do centro de saúde gratuitamente. Então, convido todos os pais a procurarem a vacina com os filhos de 10 a 11 anos com urgência”, afirmou.

A pediatra também reforçou a eficácia do imunizante. “É uma vacina feita com o vírus atenuado, uma vacina muito segura. Está sendo desenvolvida pelo laboratório Takeda desde antes da covid-19, antes da pandemia. Então, não é uma vacina nova, não é uma vacina que foi desenvolvida às pressas. Já existem vários estudos e ela passou por todas as etapas.”.

Natália destacou que o esquema vacinal completo da Qdenga, com duas doses, garante cerca de 80% de eficácia. Ainda segundo a pediatra, os efeitos colaterais, inclusive em crianças, são pequenos – sobretudo quando comparados ao que uma infecção por dengue pode causar.

“Com uma dose, você tem, geralmente, efeitos colaterais imediatos muito leves e, com 10 dias, algumas manchas no corpo ou alguma dor no corpo. Mesmo assim, são poucos sintomas tendo em vista o que um quadro de dengue pode causar numa criança ou num adulto”, destaca.

Com Agência Brasil e SMS-Rio.

 

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