O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) intensificou a cobrança junto aos governos estadual e municipais para garantir a climatização e a segurança térmica nas unidades de ensino. A medida ocorre em meio a uma nova onda de calor extremo que atinge o estado neste início de 2026 e após um histórico preocupante: somente em 2025, foram registrados 52 episódios graves de desmaios de estudantes em salas de aula que chegaram a marcar 42°C.
A ofensiva do MPRJ soma-se a movimentos recentes da Defensoria Pública e do Ministério Público Federal (MPF), que já haviam notificado a prefeitura da capital e o Governo do Estado para a adoção de providências imediatas. Agora, uma decisão do Tribunal de Justiça, provocada pelo MPRJ, estabelece prazos rígidos: o Estado tem 90 dias para apresentar um diagnóstico de infraestrutura e 60 dias para um plano de ação emergencial com cronograma de gastos.
O desafio nas salas de aula
A ação civil pública movida pelo MPRJ destaca que o problema vai além da falta de ar-condicionado. O órgão aponta a existência de ambientes “insalubres” com fiação elétrica precária, que impede a instalação de novos equipamentos, além de falhas na manutenção predial.
Com a multa diária fixada em R$ 500 em caso de descumprimento dos prazos judiciais, o foco agora volta-se para a capacidade do Poder Público em executar reformas estruturais antes que o calendário escolar avance sob as condições extremas previstas para o restante do verão.
Recordes históricos e alerta vermelho
O cenário climático justifica a urgência das autoridades. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), 2026 já figura entre os anos mais quentes da história fluminense. Na última segunda-feira (12), o Rio atingiu a marca de 41,4°C em Santa Cruz, a maior do ano até agora.
O estado enfrenta um janeiro com temperaturas 0,5°C acima da média histórica. Cidades como Guapimirim chegaram a entrar em “Nível Vermelho — Extremo”, enquanto a capital e outros sete municípios permanecem em “Nível Laranja — Severo”. Embora uma frente fria traga leve declínio e chuvas isoladas a partir desta quarta-feira (14), a previsão é de que o calor intenso persista durante toda a semana, com máximas oscilando entre 35°C e 37°C.
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Saúde pública no RJ registra aumento nos atendimentos ligados ao calor

As altas temperaturas registradas no estado do Rio de Janeiro nas primeiras duas semanas de 2026 já levaram milhares de pessoas a buscar atendimento em unidades de saúde, segundo dados atualizados nesta quarta-feira (14) por órgãos de saúde do estado e do município do Rio. Os números superam os do ano passado tanto na rede estadual quanto na municipal.
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio (SES-RJ) informou que, de 1º a 13 de janeiro deste ano, foram atendidas 2.072 pessoas nas unidades de pronto atendimento (UPA) estaduais com sintomas relacionados ao calor. Em 2025, no mesmo período, foram atendidos no mesmo período 1.931 pacientes com essa sintomatologia, o que representa um aumento de 7,3% em 2026.
Segundo a SES-RJ, os pacientes apresentavam pelo menos três sintomas simultâneos entre os que são relacionados ao calor extremo:
- dor de cabeça,
- tontura,
- náuseas,
- pele quente e seca,
- pulso rápido,
- temperatura corporal elevada,
- distúrbios visuais,
- confusão mental,
- respiração rápida,
- taquicardia,
- desidratação,
- insolação
- e desequilíbrio hidroeletrolítico (água e sais minerais).
Na cidade do Rio de Janeiro, os dados chamam ainda mais atenção. Em apenas cinco dias, de 9 a 13 de janeiro, de acordo com o monitoramento do Centro de Inteligência Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde do Rio (SMS), a rede de urgência e emergência registrou 3.119 atendimentos possivelmente relacionados ao calor.
Esse número corresponde a um aumento de 26,84% em relação a mediana esperada relativa ao mesmo período de anos anteriores.
Medidas de mitigação e “Operação Verão”
Diante do risco à saúde pública, diversas frentes foram mobilizadas para tentar reduzir os impactos das altas temperaturas:
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Hidratação pública: A Cedae distribuiu cerca de 50 mil litros de água em pontos estratégicos, como orlas, estações de trem (Central do Brasil, Bangu, Madureira) e centros urbanos na Região Metropolitana.
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Saúde: A Secretaria de Saúde instalou pontos de hidratação externa em todas as 27 UPAs do estado e reforçou o atendimento do Samu com motolâncias para agilizar o socorro em casos de insolação.
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Protocolo de risco: As unidades de saúde adotaram protocolos específicos para grupos vulneráveis, oferecendo sais de hidratação para crianças e idosos.
Recomendações
A SES-RJ recomenda que a população evite a exposição ao sol e ao calor durante muito tempo e em horários de maior intensidade de calor (das 10h às 16h). Também é essencial manter a hidratação adequada, ingerindo muito líquido mesmo que não sinta sede. É indicada ainda uma alimentação leve, sem pratos pesados e gordurosos, dando preferência a alimentos com alto teor de água, como frutas e verduras.
Diante do calor, é recomendado ainda evitar o consumo elevado de cafeína e álcool, utilizar roupas leves e claras, e adotar o uso de bonés, chapéus, óculos e filtro solar.
É importante ter atenção aos grupos de maior risco e priorizar pessoas mais vulneráveis ao calor, que são idosos, crianças, gestantes, cardiopatas, diabéticos, pessoas em situação de rua, trabalhadores expostos ao sol”, diz a secretaria estadual.
Ainda conforme a SES, deve-se procurar atendimento imediato quando houver alteração do nível de consciência, convulsão, temperatura elevada, hipotensão persistente, sinais de desidratação grave, falta de ar, dor torácica e ausência ou produção extremamente baixa de urina.
Com informações do MPRJ, da SES-RJ e da Agência Brasil








