Esqueça as salas de espera brancas e o ambiente rígido dos postos de saúde. Para muitos jovens das periferias de Salvador e São Paulo, cruzar a porta de uma unidade básica de saúde é enfrentar uma barreira invisível de olhares e julgamentos. É justamente para furar essa bolha que a Fiocruz Bahia lança o projeto PrEP na Comunidade (COmPrEP), uma iniciativa que tira a prevenção do HIV dos consultórios e a leva para as ruas, festas e pontos de encontro da juventude

O foco é cirúrgico: adolescentes e jovens de 15 a 24 anos — especialmente homens gays, travestis e mulheres trans — que hoje formam o grupo com a maior taxa de novas infecções, mas que representam apenas uma fatia irrisória (0,2%) de quem realmente acessa a Profilaxia Pré-Exposição pelos canais tradicionais.

A grande aposta do estudo, coordenado pelos pesquisadores Laio Magno (Uneb/Fiocruz) e Inês Dourado (UFBA), em parceria com especialistas da USP, é o uso de educadores pares. Em vez de um médico de jaleco, quem apresenta a PrEP é alguém que fala a mesma língua e vive a mesma realidade do jovem.

Muitas vezes, o espaço do serviço de saúde não é receptivo para esses jovens, e menos ainda para populações da diversidade sexual e de gênero. Nossas pesquisas registram muito estigma”, afirma o pesquisador Laio Magno à Agência Brasil.

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Como vai funcionar o estudo

O recrutamento começa entre setembro e outubro de 2026, com um mapeamento prévio já realizado para identificar onde esses jovens se reúnem.  O projeto, que conta com apoio do Ministério da Saúde e financiamento internacional do National Institutes of Health (NIH) , vai dividir 1,4 mil participantes em dois grupos:

  • Cuidado Tradicional: Acesso à PrEP via unidades de saúde padrão.

  • Cuidado comunitário: Oferta mediada pelos educadores pares em locais de sociabilidade (ruas, festas e centros culturais).

O objetivo é avaliar se, ao oferecer o método preventivo em um ambiente acolhedor e sem julgamentos, as taxas de adesão e permanência no tratamento aumentam Os resultados finais, previstos para 2028, podem mudar definitivamente a forma como o Brasil faz saúde pública nas quebradas e periferias brasileiras.

A ideia é provar que, quando o cuidado é feito por quem entende a realidade da comunidade, a adesão ao tratamento deixa de ser um peso e vira parte da rotina de autocuidado.

Fonte: Agência Brasil

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