Pielonefrite: entenda a infecção urinária frequente de Xuxa

Apresentadora revela em documentário que passou a sofrer de pielonefrite após abusos sexuais. Rins também sofrem com infecção urinária

Xuxa, com a filha Sasha, revela detalhes dos abusos sexuais que sofreu na infância em Itaguaí (Fotos: Reprodução de internet)
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O recente documentário sobre a vida de Xuxa Meneghel traz fatos curiosos, como a intrigante relação tóxica da apresentadora com sua empresária Marlene Mattos e a decisão de uma produção independente que permitisse o nascimento de sua única filha, Sasha, tendo o belo modelo Luciano Szafir, na época, servido apenas como coadjuvante. “Ele sabe que foi usado”, disparou. Mas um dos detalhes revelados por Xuxa no filme também chama a atenção: ela diz sofrer de pielonefrite, doença que teria adquirido por sua mania frequente de higiene íntima, atribuída aos abusos sexuais que sofreu quando era criança, até os 13 anos.

“Eu tomo, sei lá, três banhos por dia. Às vezes mais, com bucha, me esfregando. E, sempre depois de uma relação, tenho que tomar um banho quente. São coisas que ficaram. São traumas, manias. São coisas que me fazem ver que não sou igual a algumas pessoas que não passaram por isso, mas também sou igual a muitas que passaram”, disse, ao contar as sequelas emocionais que sofreu durante a exibição do último capítulo da série ‘Xuxa, O Documentário‘, produzida pela Globoplay.

Curiosamente, em 2016, sua mãe, Alda Flores Meneghel, na época com 80 anos e há 12 com a Doença de Parkinson, chegou a ser diagnosticada no Hospital Copa D’Or, no Rio de Janeiro, com quadro de infecção aguda do trato urinário alto (pielonefrite), necessitando de tratamento com antibióticos intravenosos. Dona Alda, que tinha uma estrutura completa de home care na luxuosa e sustentável residência de Xuxa, na zona oeste do Rio de Janeiro, morreu em casa, em maio de 2018.

Protagonista de Mar do Sertão também teve pielonefrite

A jovem protagonista de Mar do Sertão, na TV Globo, Isadora Cruz, também foi diagnosticada recentemente com pielonefrite aguda, uma infecção nos rins. A atriz chegou a ser internada no dia 17 de julho, no Hospital São Luís, em São Paulo.

“Estava há alguns dias sentindo uma dor nas costas, que achava que era uma simples dor muscular. Tentei algumas terapias e a dor persistia, mas como estou em um ritmo intenso de trabalho, pensei que fosse uma tensão normal e fui seguindo minha vida achando que estava tudo bem”, contou ela no Instagram.

“Até que acordei domingo passado queimando de febre, com calafrios e a dor, que era antes só na lombar, se espalhou por todo abdômen até irradiar para as pernas ao ponto de não conseguir nem andar”, escreveu a atriz, que também protagonizará a nova novela original do Globoplay, Guerreiros do Sol.

Em seguida, Isadora contou detalhes do diagnóstico e fez um alerta aos seguidores sobre a importância de ficarmos atentos a dores no corpo, principalmente na região da lombar.

“Quando cheguei no hospital, fui internada imediatamente com pielonefrite aguda, que é uma infecção no rim. Senti a necessidade de fazer este post para alertar, principalmente às mulheres, que têm a anatomia favorável a essas infecções, pelo fato da uretra ser naturalmente mais curta. É uma doença que muitas vezes pode ser silenciosa e se não tratada adequadamente, pode desencadear insuficiência renal crônica ou em casos mais graves, a infecção pode se espalhar pelo corpo e causar falência múltipla dos órgãos“, explicou.

Dias após receber alta, ela teve que voltar ao hospital porque sofreu uma piora. “Tive uma recaída na sexta, voltei a sentir bastante dor. Agora estou a caminho do hospital para refazer os exames e investigar o que pode estar acontecendo”, disse a atriz no dia 24 de julho, à coluna Play, do jornal O Globo.

Mas o que é a pielonefrite? Médica esclarece

“Essa é uma doença inflamatória infecciosa, que, muitas vezes, é causada por bactérias que sobem da bexiga para os rins. Ela acomete o parênquima renal, onde se localizam as estruturas funcionais produtoras de urina, e a pelve renal, porção dilatada do rim. A bactéria penetra no organismo pela uretra, alcança a bexiga, sobe pelos ureteres e se instala em um ou nos dois rins, comprometendo seu funcionamento”, afirma Caroline Reigada, médica nefrologista, especialista em Medicina Interna pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e em Nefrologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

A pielonefrite pode ser aguda ou crônica e, nos dois casos, pode evoluir para uma lesão renal. A forma aguda surge de uma hora para outra, enquanto a crônica é relacionada a causas subjacentes como diabetes ou cálculos coraliformes. “Nesse caso, as infecções agudas repetidas ou mal curadas fazem os rins perderem sua capacidade de funcionamento aos poucos, levando à falência”, diz a médica nefrologista.

Entre os sintomas, estão a febre, os calafrios, a sudorese, as náuseas, os vômitos e o mal-estar. “Muitos pacientes também sentem dor lombar e pélvica, no abdômen e nas costas; eles sofrem com urgência e dor para urinar, sinal de pus e de sangue na urina, que pode ficar turva e, em alguns casos, com cheiro fétido”, diz a médica. A médica lembra que a infecção bacteriana crônica pode provocar lesões irreversíveis nos rins.

A doença afeta mais mulheres que homens por razões anatômicas. “O tamanho da uretra feminina (3 cm) é muito mais curto do que a masculina (mede por volta de 12 cm) e está localizada próxima ao ânus, posição que favorece a entrada de micróbios especialmente durante o ato sexual”, explica a médica.

Pacientes com pedra nos rins, gravidez, malformações anatômicas, uso prolongado de cateteres urinários também são mais predispostos a sofrer com pielonefrite. “Quem tem sistema imunológico debilitado, refluxo vesicuretral (retorno de pequenas quantidades de urina da bexiga urinária para os ureteres e para os rins) e diabetes, rins policísticos, cistites de repetição também são mais afetados”, diz a nefrologista.

A Dra. Caroline destaca que a pielonefrite tem cura, com tratamento com antibióticos que deve ser iniciado assim que a hipótese de infecção nos rins for levantada. “O objetivo é impedir que o agente infeccioso provoque lesões permanentes nesses órgãos ou que espalhe a infecção por todo o corpo, levando à falência de múltiplos órgãos. Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser indicados para alívio da dor”, destaca.

Para evitar a pielonefrite, a médica recomenda beber bastante água, urinar sempre que sentir vontade, higienizar sempre e corretamente a área íntima (de frente para trás) e urinar logo após a relação sexual, como forma de eliminar as bactérias que por acaso tenham penetrado pela uretra. “Não se automedique nem suspenda o uso da medicação sem antes ouvir o que seu médico tem a dizer”, finaliza.

Xuxa revista o passado e revela abusos sexuais

No documentário sobre sua vida, Xuxa relatou os abusos cometidos por um amigo de seu pai, que era militar, durante a infância vivida em Coroa Grande, no município de Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio. Ela disse que costuma se culpar, até hoje, “Cada vez que penso nesse assunto, me pergunto por que isso não aconteceu com minhas irmãs. Aí penso que deve ter acontecido porque eu me vestia de determinada maneira ou agia de alguma maneira, ou me sentava de alguma maneira”.

A revelação sobre os abusos ocorreram após o nascimento da filha, para o Fantástico, da TV Globo, em 2012. “Talvez tenha sido uma das coisas mais difíceis que fiz na minha vida. Não queria ter lembranças disso. Coloquei isso numa caixinha, tranquei e não sabia nem como abrir, como colocar isso para fora”, disse. O sofrimento foi ainda pior quando ela foi acusada de estar mentindo.

“Ouvi de várias pessoas que estava mentindo, que eu queria aparecer… Me senti mais uma vez violentada, brutalmente machucada […] eu ainda ouvi várias pessoas dizendo que eu estava mentindo, que eu estava querendo aparecer, questionando o porquê de eu só ter falado aquilo naquela hora”, lamentou.

Com Assessoria e agências

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