O mercado de suplementos naturais cresce em uma velocidade maior do que a capacidade de regulação em todo o mundo. Assim como ocorreu recentemente com a cúrcuma, a Anvisa e agências internacionais (como a FDA americana e a EFSA europeia) monitoram de perto outras substâncias que, apesar de “naturais”, possuem potencial tóxico se consumidas sem orientação.
A segurança de um suplemento começa na origem da matéria-prima. Produtos sem registro ou de procedência duvidosa muitas vezes utilizam plantas cultivadas em solos contaminados por agrotóxicos ou metais pesados, que potencializam os danos ao fígado e aos rins. Garantir que o produto seja legalizado é também uma forma de garantir que a cadeia produtiva respeitou normas ambientais e de segurança biológica.
Lembre-se: A ausência de registro em um produto que alega fins terapêuticos é um crime contra a saúde pública.
Plantas e compostos sob vigilância rigorosa
Aqui estão algumas das principais substâncias que têm gerado alertas recentes devido a riscos à saúde:
| Substância | Uso Comum | Principal Risco Identificado | Status de Vigilância |
| Kava-kava (Piper methysticum) | Ansiedade e insônia | Toxicidade hepática grave | Banida em diversos países; no Brasil, seu uso é restrito e monitorado. |
| Garcinia cambogia | Emagrecimento | Hepatotoxicidade e risco cardiovascular | Alvos frequentes de suspensão pela Anvisa por propaganda irregular e falta de segurança. |
| Efedra (Ma Huang) | Energia e emagrecimento | Infarto e AVC | Proibida em suplementos devido aos graves riscos ao coração e sistema nervoso. |
| Aloe vera (uso interno) | Digestão e “detox” | Risco de câncer e toxicidade | A Anvisa proíbe a comercialização de sucos ou alimentos com Aloe vera devido à falta de evidências de segurança para ingestão. |
O perigo da “mistura oculta” em suplementos irregulares
Um dos maiores focos de atuação da Anvisa nos últimos meses tem sido o combate aos suplementos adulterados. Muitos produtos vendidos como “100% naturais” para emagrecimento ou ganho de massa muscular escondem substâncias farmacêuticas não declaradas no rótulo, como:
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Sibutramina: Medicamento para obesidade que pode causar paradas cardíacas.
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Anabolizantes: Frequentemente encontrados em suplementos para “pré-treino” sem autorização.
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Diuréticos e laxantes: Adicionados para dar a falsa sensação de emagrecimento rápido, causando desidratação e falha renal.
Em contextos de crise sanitária e proliferação de suplementos globais, a segurança do que ingerimos não depende apenas da planta em si, mas de como o equilíbrio ambiental afeta a pureza das ervas (presença de metais pesados no solo) e de como o uso indiscriminado de substâncias “naturais” impacta a saúde humana e o ecossistema médico (interações medicamentosas).
Dica de Segurança: Antes de comprar qualquer suplemento, verifique se o fabricante está regularizado e se o produto possui número de registro ou notificação no painel de consulta da Anvisa.
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Aprenda a ler os sinais de alerta nos rótulos e a consultar a regularidade de produtos junto à Anvisa
Com o aumento das notificações de toxicidade hepática, como no caso recente da cúrcuma, e a proliferação de promessas milagrosas em redes sociais, saber distinguir um suplemento seguro de um produto clandestino é uma habilidade essencial de saúde pública. No Brasil, a Anvisa estabelece regras rígidas de rotulagem que servem como a primeira linha de defesa para o consumidor.
Abaixo, preparamos um roteiro para você não cair em armadilhas.
1. O que deve constar obrigatoriamente no rótulo
Todo suplemento alimentar regularizado no Brasil precisa exibir informações claras. Se faltar algum destes itens, desconfie imediatamente:
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Designação do produto: Deve conter a expressão “Suplemento Alimentar” logo acima do nome comercial.
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Lista de ingredientes: Em ordem decrescente de quantidade (o que tem mais vem primeiro).
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Tabela Nutricional: Com as quantidades de nutrientes e o percentual de Valores Diários (%VD).
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Identificação do Fabricante: Nome empresarial, endereço completo e CNPJ.
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Lote e Validade: Devem estar legíveis.
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Advertências Obrigatórias: Frases como “Este produto não é um medicamento” e “Mantenha fora do alcance de crianças”.
2. Sinais de alerta: as “promessas proibidas”
A legislação brasileira proíbe que suplementos alimentares aleguem cura ou prevenção de doenças. Se o rótulo ou a propaganda contiver os termos abaixo, o produto é irregular:
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Promessas de cura: “Cura diabetes”, “Combate o câncer”, “Elimina a gordura do fígado”.
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Ações terapêuticas: “Tratamento para ansiedade”, “Cura insônia”, “Anti-inflamatório natural” (como visto em alguns extratos de cúrcuma irregulares).
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Resultados irreais: “Perca 10kg em uma semana” ou “Ganho de massa muscular imediato”.
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Imagens apelativas: Fotos de “antes e depois” ou órgãos humanos sendo “limpos” pelo produto.
3. Como consultar a regularidade na Anvisa
Muitos suplementos alimentares são isentos de registro sanitário, mas todos devem ser notificados à vigilância sanitária local. Para ter certeza de que a empresa existe e o produto é permitido, siga estes passos:
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Acesse o Painel de Consultas da Anvisa.
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Busque pelo CNPJ da empresa ou pelo nome do produto.
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Verifique se a categoria do produto corresponde a “Suplementos Alimentares”.
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Consulte também a lista de Constituintes Autorizados para saber se aquela substância (ex: uma erva específica) pode realmente ser usada em suplementos.
Como agir ao encontrar suplementos ou medicamentos irregulares
Saiba como reportar produtos sem registro, propagandas enganosas e clínicas que comercializam substâncias proibidas à Anvisa
Denunciar a venda de produtos irregulares é um exercício de cidadania que protege não apenas a sua saúde, mas a de toda a comunidade. No contexto de Saúde Única (One Health), combater o mercado clandestino de substâncias químicas e suplementos adulterados é vital para evitar surtos de intoxicação hepática e renal que sobrecarregam o sistema público de saúde e geram resíduos químicos descontrolados no meio ambiente.
Abaixo, preparamos um roteiro e um modelo para você formalizar sua denúncia de forma eficaz.
1. Canais Oficiais de Denúncia
A Anvisa recebe denúncias exclusivamente pelos seus canais digitais e telefônicos:
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Fala.BR (Plataforma Integrada de Ouvidoria): É o principal canal. Acesse aqui.
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Telefone: 0800 642 9782 (Anvisa Atende).
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Vigilância Sanitária Local: Você também pode procurar o centro de vigilância do seu município ou estado.
2. O que você deve reunir antes de denunciar
Para que a fiscalização seja efetiva, a Anvisa precisa de dados concretos. Tente reunir:
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Nome do produto e do fabricante/importador.
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CNPJ da empresa (geralmente impresso no rótulo ou no rodapé do site).
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Link do site ou endereço da loja física onde o produto é vendido.
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Prints ou fotos do rótulo e da propaganda enganosa (promessas de cura, etc.).
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Número do lote e validade (se você tiver o produto em mãos).
3. Modelo de Texto para a Denúncia
Você pode copiar e adaptar o texto abaixo para enviar pelo portal Fala.BR:
Assunto: Denúncia de comercialização de suplemento/medicamento irregular.
Descrição: Venho relatar a venda do produto [Nome do Produto], fabricado pela empresa [Nome da Empresa/CNPJ]. O referido produto apresenta as seguintes irregularidades:
( ) Ausência de registro/notificação na Anvisa.
( ) Propaganda enganosa com promessa de cura para [Citar a doença, ex: Diabetes/Câncer].
( ) Rótulo sem informações obrigatórias (lote, validade ou fabricante).
( ) Suspeita de composição adulterada (efeitos colaterais graves após uso).
O produto está sendo comercializado no site [Link do Site] ou no endereço [Endereço Físico]. Seguem em anexo imagens que comprovam a publicidade irregular e a rotulagem em desacordo com a RDC 243/2018.
Solicito a averiguação e as medidas cabíveis para proteger a saúde pública.
Por que denunciar é importante?
Muitas vezes, um suplemento “natural” contaminado ou superconcentrado, como os recentes casos de cúrcuma sob investigação, só é retirado do mercado após denúncias de consumidores que sofreram efeitos adversos. Sua ação pode impedir que outras pessoas sofram danos irreversíveis ao fígado ou outros órgãos.
Importante: A denúncia pode ser anônima, mas ao se identificar (mesmo que seus dados sejam mantidos em sigilo), você recebe um protocolo para acompanhar o desfecho da investigação.



