Obesidade é fator de risco para problemas renais

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Já é consenso que a obesidade se tornou uma epidemia global. Estimativas indicam que, no Brasil, aproximadamente 50% da população esteja acima do peso ou obesa. O número preocupa porque o excesso de gordura no corpo está relacionado a uma maior propensão a uma série de problemas, entre eles a Doença Renal Crônica (DRC).

“Como se trata de uma doença silenciosa é difícil estabelecer um protocolo de sintomas que identifiquem o início de uma doença renal. A prevenção nesse caso passa principalmente por evitar outras doenças que estão associadas como a hipertensão, o diabetes e a obesidade”, destaca a nefrologista Ana Beatriz Barra, gerente médica do grupo Fresenius.

Segundo explica Maria Alice Barcelos, nefrologista e coordenadora do Centro de Rim e Diabetes do Hospital 9 de Julho, ainda não está totalmente esclarecido o motivo que leva obesos a terem maior risco de DRC, mas, possivelmente, pela sobrecarga contínua de filtragem do órgão e por mecanismos que levam, por exemplo, a uma hipertensão de estruturas dentro do rim. “Em um obeso, o corpo trabalha sobrecarregado e com os rins não é diferente. Por isso, o acompanhamento renal nesta população é muito importante”, salienta.

Além de filtrar o sangue que, depois, é enviado para o coração, os rins secretam alguns hormônios, regulam a quantidade de líquido circulante no corpo e a pressão arterial. Quando o corpo está com excesso de gordura, todas estas funções desequilibram-se e podem levar à sobrecarga do órgão. “Como temos dois rins e o órgão trabalha com alguma eficiência mesmo quando já possui lesões irreversíveis, quem está no grupo de risco e não faz acompanhamento pode descobrir a DRC tardiamente”, alerta.

Combate à obesidade

A Síndrome Metabólica também pode estar por trás da sobrecarga renal. “O aumento de gordura pode causar resistência à insulina e hipertensão, pois o organismo se autorregula para se manter em atividade. O rim sofre as consequências, mas órgãos como o pâncreas e o coração também ficam sobrecarregados”, lembra a médica. Por isso, a conscientização sobre os riscos ligados à obesidade e às doenças renais é fundamental.

A campanha mundial de conscientização “Doença Renal e Obesidade. Estilo de vida saudável para rins saudáveis”, realizada por diversas entidades no Dia Mundial do Rim, em 9 de março.  Neste ano o foco é alertar a população com relação à obesidade, tema este muito preocupante pelo crescimento acelerado de crianças com sobrepeso e obesidade. “Diminuir o peso corporal é o primeiro passo para uma vida longe de complicações e de tratamentos longos e desgastantes como a hemodiálise. O quanto antes a pessoa começar a reverter o quadro, melhor”, finaliza.

Em pesquisa de 2016, a Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) divulgou que cerca de 1/3 das crianças brasileiras, de 5 a 9 anos de idade, está com excesso de peso. “Dados como estes endossam as atenções da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), em relação à promoção de campanhas educativas contra a obesidade desde a infância e que reflitam também na redução dos problemas renais, uma vez que eles afetam o desenvolvimento físico, intelectual, emocional e social, principalmente, das crianças, além de causar morbidade em quase todos os órgãos do corpo humano.”, relata a nefropediatra da Unifesp, Maria Cristina de Andrade, também membro da SBN e diretora da MBA Pediatria.

“Pessoas obesas têm uma hiperfiltração compensatória para equilibrar seu metabolismo, gerando sobrecarga nos rins, o que favorece o desenvolvimento da Doença Renal Crônica, definida pela presença de lesão e/ou pela perda da função renal”, esclarece a médica. Além disso, a obesidade pode levar ao surgimento de hipertensão arterial e diabetes tipo 2, que são as duas grandes causas de doença renal crônica em adultos.

A nefropediatra Maria Cristina de Andrade reforça a importância da redução do consumo de sal, de refrigerantes, dos fast-foods e de produtos industrializados em geral, que possuem grande concentração de sódio e estão cada vez mais disponíveis e com livre demanda não apenas para crianças e adolescentes, como também para bebês. “O foco principal da prevenção da doença renal crônica deve priorizar uma melhor qualidade de vida, com alimentação saudável e prática de atividades físicas, atitudes fundamentais que ajudam o bom funcionamento renal, desde a primeira infância até a fase adulta”, esclarece

Autora do livro “Nefrologia para Pediatras”, mestre e doutora em pediatria pela Unifesp/EPM, especialista em pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria e Diretora da MBA Pediatria e Nefrologia Pediátrica, ela acredita que a campanha pelo Dia Mundial do Rim em 2017 é importante para que pais, cuidadores, educadores e profissionais de saúde em geral possam se conscientizar sobre os efeitos da obesidade, muitas vezes decorrente da má alimentação e que pode contribuir para o aumento de casos de DRC, enfermidade que atinge 10% da população mundial.

Veja algumas dicas da especialista para quem quer ter uma vida mais saudável:

– Sal: evite usar aquele sachê de sal oferecido nos restaurantes. Normalmente, a refeição já está salgada na medida certa. Uma boa alternativa para as saladas é temperá-las com azeite e ervas.

– Hidratação: água é importante para que os rins operem mais equilibrado

– Colesterol: níveis normais de colesterol evitam problemas como hipertensão.

– Exercícios e alimentação saudável: esses dois pontos devem caminhar juntos para que obesos deixem o sedentarismo emagrecendo com saúde.

Fontes: SBN, Unifesp e Hospital 9 de Julho

 

 

 

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