Subiu para três o número de mortes por intoxicação com metanol confirmados no Brasil, todos em São Paulo. A Prefeitura de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, confirmou, na noite desta segunda-feira (6/10), a morte de Bruna Araújo de Souza, de 30 anos que estava internada após ter consumido vodca contaminada por metanol.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, Bruna morreu após a adoção de um protocolo de cuidados paliativos, em decisão tomada pela equipe médica em conjunto com a família. Em nota, a prefeitura manifestou solidariedade a amigos e familiares e diz que a paciente “recebeu a melhor assistência possível”. São Bernardo é a segunda cidade mais afetada pela intoxicação com metanol – a Vigilância Epidemiológica do município já recebeu 78 notificações de casos suspeitos.
O velório e o sepultamento de Bruna Araújo acontecem nesta terça-feira (7) a partir das duas da tarde no cemitério Memorial Jardim de Santo André. Em postagem nos Stories do Instagram, uma amiga lamentou a morte de Bruna. “Eu te amo, minha princesa. Nunca imaginei que o dia mais feliz pra você se tornaria o maior pesadelo pra mim.” Bruna deixa uma filha de 10 anos de idade.
A pasta já havia confirmado uma primeira morte causada pela contaminação por metanol no dia 15 de setembro, a do empresário Ricardo Lopes Mira. Ele apresentou sintomas no dia 9 do mesmo mês e foi atendido pela rede privada. Essas são as três únicas mortes confirmadas no Brasil até o momento.
SP concentra 83% dos casos notificados
Nesta segunda-feira, o Brasil registrou 17 casos confirmados de intoxicação por metanol após consumo de bebida alcoólica – 15 no estado de São Paulo e dois no Paraná. 
O boletim mais recente com atualização dos casos foi divulgado pela pasta na noite desta segunda-feira (6) pelo Ministério da Saúde. São Paulo concentra a maioria dos casos: 82,49% das notificações, com 15 casos confirmados e 164 em investigação. Além de São Paulo, o Paraná teve dois casos confirmados e quatro estão em investigação.
Há outras investigações em 12 estados: Acre (1), Ceará (3), Espírito Santo (1), Goiás (3), Minas Gerais (1), Mato Grosso do Sul (5), Paraíba (1), Pernambuco (10), Piauí (3), Rio de Janeiro (1), Rondônia (1) e Rio Grande do Sul (2).
Reforço a SP para testes que podem confirmar intoxicação
Segundo o balanço do Ministério da Saúde, São Paulo concentra quase 83% das ocorrências de suspeitas de intoxicação por metanol. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que contabilizou 164 casos em investigação, incluindo seis óbitos suspeitos. A notificação de uma morte normalmente ocorre primeiro à prefeitura e depois aos governos estadual e federal. O número de casos descartados de intoxicação por metanol aumentou para 47 nesta segunda.
Na sexta-feira (3/10), o governo de São Paulo anunciou a compra e distribuição de 2 mil novas ampolas de álcool etílico, usado no tratamento de pacientes com intoxicação por metanol. A aquisição foi realizada pela Secretaria de Estado e destinada aos centros de referência estaduais. Nesta segunda-feira, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha anunciou o apoio de laboratórios públicos para acelerar a análise dos casos suspeitos no estado de São Paulo.
Além de São Paulo e Paraná, outros 12 estados notificaram casos suspeitos: Acre, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rondônia e Rio Grande do Sul. Bahia, Distrito Federal e Mato Grosso descartaram os casos suspeitos.
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Médicos Sem Fronteiras estima 40 mil intoxicações por metanol desde 1998 no mundo
Segundo dados do Médicos Sem Fronteiras (MSF), estima-se que cerca de 40 mil pessoas em todo o mundo já tenham sido afetadas por intoxicação por metanol desde 1998, resultando em aproximadamente 14,4 mil mortes. A organização ressalta, porém, que esses números são apenas estimativas, baseadas em reportagens, publicações e comunicações pessoais — e, portanto, não podem ser considerados dados oficiais ou totalmente precisos.
De acordo com o MSF, milhares de pessoas sofrem intoxicação por metanol todos os anos. Quando o tratamento não é feito a tempo, as taxas de mortalidade variam de 20% a 40%, dependendo da concentração da substância e da quantidade ingerida. Ainda assim, a organização acredita que esses índices subestimam a gravidade real do problema já que muitos casos não são diagnosticados corretamente e vários surtos de intoxicação nunca chegam a ser identificados como envenenamento por metanol.
As estatísticas disponíveis indicam que a Ásia é a região com maior incidência de intoxicações, com surtos recorrentes em países como Indonésia, Índia, Camboja, Vietnã e Filipinas. O levantamento do Médicos Sem Fronteiras aponta que, nos últimos 6 anos, entre 2019 e 2025, Indonésia, Índia e Rússia lideram o numero de ocorrências.
E mais recentemente, em 2025, segundo os dados, a Turquia é o país mais afetado até o momento, com grandes surtos em Istambul (235 casos) e Ancara (94 casos). No ano anterior, 2024, a Índia lidera, com 227 ocorrências Tamil Nadu e cerca de 165 em Bihar.
Em 2024, a BBC News publicou reportagem sobre o caso de três amigas britânicas que faleceram após intoxicação por metanol em Laos, também na Ásia. Outro caso, no mesmo país, é o do britânico Calum Macdonald, que sobreviveu, mas perdeu a visão permanentemente por conta da substância.
Com informações da Agência Brasil, Metrópoles e BBC Brasil





