‘Fui privilegiada por ter um diagnóstico precoce’, diz psicóloga

Psicóloga conta que se curou porque descobriu a doença em exames de rotina. Ginecologista alerta que autoexame não substitui mamografia

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Uma em cada oito mulheres no mundo terá câncer de mama. No Brasil, 73 mil terão diagnóstico da doença em 2023. Infelizmente, uma em cada quatro mulheres com câncer de mama no Brasil perde a vida na luta contra a doença – são 50 mortes por dia. A boa notícia, entretanto, é que se detectado e tratado precocemente, o câncer de mama tem 95% de chances de cura.

Foi o que salvou a vida da psicóloga clínica e especialista em terapia cognitiva comportamental Rose Teixeira, diagnosticada em 2018 em exames de rotina realizados durante a campanha Outubro Rosa daquele ano. Curada do câncer de mama, ela emocionou os presentes com seu relato pessoal durante a palestra com o tema “Câncer da Mama: O que você precisa saber!’, promovida nesta quarta-feira (18), na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

“Eu vivi, durante anos, uma rotina muito estressante como gerente de banco e ao fazer um exame de rotina descobri uma alteração, que me levou ao tratamento contra o câncer de mama. Eu me sinto uma pessoa privilegiada por ter um diagnóstico precoce e me cuidar. O autocuidado foi tudo para mim e hoje posso compartilhar minha experiência”, contou a psicóloga.

Desafios emocionais e psicológicos ao longo da jornada

Nesta quinta-feira (19), Dia Mundial de Conscientização sobre o Câncer de Mama, é o ponto alto do Outubro Rosa. A campanha tem papel essencial na conscientização sobre o tema, estimulando as pessoas a fazerem exames regulares, como a mamografia, para identificar qualquer anomalia em estágios iniciais, quando o tratamento é mais eficaz.

Mas, infelizmente, muitas mulheres enfrentam dificuldades no acesso a cuidados médicos adequados. A maioria delas vive em situação de vulnerabilidade social e dependem do sistema público de saúde – 75% da população brasileira não têm plano de saúde e dependem exclusivamente do SUS.

Elas também também muitos desafios emocionais e psicológicos ao longo da jornada de diagnóstico e tratamento, o que torna a doença ainda mais impactante para muitas delas, especialmente mulheres negras e pobres, além daquelas que não contam com uma rede de apoio. Por isso, o apoio emocional e psicológico às mulheres com câncer de mama é fundamental.

“As principais dificuldades enfrentadas pelas mulheres em relação ao câncer de mama incluem o diagnóstico tardio, falta de acesso a cuidados médicos adequados, desafios emocionais e psicológicos associados à doença, e questões relacionadas à qualidade de vida durante e após o tratamento”, explica a médica ginecologista Luana Ariadne Gomes, do Hospital Edmundo Vasconcelos.

Autoexame é útil, mas não substitui exame clínico e mamografia

Para a especialista, a conscientização contínua sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce deve ser promovida durante todo o ano, não apenas em outubro, para melhorar a saúde das mulheres e reduzir a incidência e mortalidade por câncer de mama. Segundo a ginecologista Luana Ariadne Gomes, o autoexame é uma ferramenta útil, mas não substitui exames clínicos e mamografias. 

“A realização de exames periódicos é essencial para a identificação precoce do câncer de mama. A frequência ideal depende da idade e do histórico de saúde, mas geralmente é recomendado um autoexame mensal a partir dos 20 anos e mamografias de rastreamento a partir dos 40 anos”, explica.

Ela também recomenda ficar atenta aos sinais e sintomas que podem indicar a existência do câncer de mama, entre elas a presença de um nódulo no seio, alterações na forma ou tamanho do seio, dor persistente, secreção mamilar anormal, pele avermelhada ou descamada na mama, e retração do mamilo. A médica detalha que existem vários tipos de câncer de mama, alguns com desenvolvimento rápido e outros com desenvolvimento mais lento.

Segundo Dra Luana, existem fatores de risco associados a esse tipo de câncer, como histórico familiar, predisposição genética como o histórico familiar de câncer de ovário e de mama, a idade avançada, exposição a hormônios, consumo de álcool e obesidade. O fator genético pode aumentar significativamente o risco, mas nem todas as mulheres com esses genes desenvolvem a doença.

“O autocuidado, a observação em relação ao seu corpo e o carinho com esse corpo é fundamental no diagnóstico das doenças. A maioria dos casos, quando tratados adequadamente e em tempo oportuno, apresentam bom prognóstico. Então é importante sempre estar em dia com os exames e, se necessário, procure um médico para tirar as dúvidas existentes”, ressalta a médica.

30% dos casos podem ser evitados com autocuidado e estilo de vida saudável

Durante o evento promovido pela Escola do Legislativo (Elerj), em parceria com o Departamento Médico da Alerj, foram divulgadas informações sobre a prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama, uma das doenças mais comuns entre mulheres, com uma projeção de 73.610 novos casos de câncer de mama para o triênio 2023-2025, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

No Brasil, excluídos os cânceres relacionados a tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o mais incidente em mulheres de todas as regiões, com taxas mais altas no Sul e no Sudeste. É a primeira causa de morte por câncer na população feminina em todo o país, exceto na Região Norte, onde o câncer de colo do útero ocupa esta posição.

No entanto, segundo dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), pelo menos 30% dos casos poderiam ser evitados com a adoção do autocuidado e através de um estilo de vida mais saudável.

“O câncer de mama é um tumor, resultado da multiplicação anormal e desordenada de células da mama, provocado por uma alteração genética, podendo ser herdada, que representa 10% dos casos, ou espontânea, durante a vida. Existem fatores de riscos modificáveis, que se relacionam diretamente com as chances de alguém desenvolver a doença”, explicou Nilson Baptista, médico obstetra na Alerj.

O risco do diagnóstico tardio e a importância do autocuidado

A enfermeira Patrícia Rangel, que atua na Estratégia Saúde da Família (ESF) e também faz parte do Departamento de Assistência Médica da Alerj, apresentou um panorama sobre a prevenção e autocuidado.

“O câncer de mama é o segundo tipo mais frequente da doença no mundo, por este motivo, adotar o autocuidado é muito importante. O maior problema é o grande número de diagnósticos tardios, quando a doença já se encontra em estado avançado. Por isso, é fundamental que tanto mulheres quanto homens adotem a prática do autocuidado após os 40 anos de idade. Devemos nos prevenir”, afirmou a enfermeira.

Representando o diretor do Departamento Médico da Alerj, Samy Chitaya, a coordenadora de Enfermagem, Fabiana Guimarães, pontuou que a prevenção é fundamental:

“Temos que pensar que não só o Outubro Rosa deve ser tratado como uma data importante, pois o câncer de mama é uma preocupação o ano inteiro e o mês de outubro é apenas uma simbologia. O trabalho do Departamento Médico da Casa é contínuo, realizando ações de suporte à saúde e bem-estar, de forma interdisciplinar”.

Iluminação especial e 100 exames em mamógrafo móvel

Além de iluminar o Palácio Tiradentes, sede histórica da Alerj, no último dia 6 a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, da Alerj, promoveu em parceria com a Defensoria Pública e as Secretarias Estaduais de Saúde e da Mulher, a realização de exames gratuitos de mamografia.

Através da iniciativa, cerca de 100 mulheres foram atendidas no mamógrafo móvel, instalado no Largo da Carioca, no Centro do Rio. Além disso, tendas de atendimento foram disponibilizadas para orientações jurídicas sobre violência de gênero.

Fonte: Alerj e Hospital Edmundo Vasconcelos

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