Entre os assuntos mais falados da última semana está a ‘adultização’, termo que deu título ao vídeo do Youtube no qual o influenciador Felca denuncia casos de oportunismo das redes sociais que levam à exposição e ao abuso em perfis infantis. A postagem feita por ele teve mais de 44 milhões de visualizações e chamou a atenção para a necessidade de regramento e fiscalização das tecnologias que fragilizam o acesso às crianças na Internet.
Mas esse alerta já vem sendo feito por vários psicólogos e psicanalistas há tempos. Como é o caso da educadora e psicanalista Carolina Delboni, autora de As dores da adolescência – Como entender, acolher e cuidar (Summus Editorial). Ela se especializou na clínica dedicada à adolescência como forma de preparar melhor as novas gerações impactadas pelas tecnologias e que precisam de atenção redobrada dos pais e de todos que se responsabilizam pela criação de crianças. Sobre a situação denunciada pelo youtuber ela afirma:
A gente vive num mundo onde a vida online e offline são uma só. Quando falamos de mundo presencial e mundo virtual estamos falando de um único lugar: o mundo real. Isso significa que toda e qualquer ação, fala, comportamento e imagem que é divulgado/ compartilhado nas plataformas de redes sociais têm um impacto gigantesco na vida de qualquer pessoa. E quando a gente está falando de crianças e adolescentes, isso ganha outra dimensão. É mais complexo que isso, mas mostrar/ expor o filho nas redes é muitas vezes mostrar o seu sucesso como pai ou mãe. Isso gera aceitação.”
A denúncia por regramento e fiscalização das redes sociais
Carolina Delboni observa “um nível de exposição fora de qualquer limite”. Segundo ela, as crianças nascem e têm álbum de fotografia publicado na internet. Adultos fazem vídeos ridicularizando crianças e adolescentes achando que é piada, que é engraçado e comemoram quando a coisa viraliza. E a gente viu onde esses vídeos podem chegar com a denúncia do Felca.
Para a especialista, a exposição de crianças na internet – muitas vezes estimulada pelos próprios pais, que vêm nisso a possibilidade de auferir lucros com a monetização – acaba por alimentar redes de pedofilia. Para além da urgência da obrigatoriedade da educação digital dentro das escolas, precisamos de políticas públicas de conscientização de melhor uso das redes sociais e, claramente, da regulamentação das redes.
No mundo, presencial, na vida, ninguém nem nenhum serviço ou negócio atua de maneira livre, sem regras, normas ou debaixo de leis. São elas que garantem a nós a liberdade segura de estar no mundo. Qual a dificuldade de estender isso ao mundo virtual se estamos falando de um mundo real? A regulamentação das plataformas é urgente.”
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Entre a “adultização precoce” e a solidão dos adolescentes
Nas discussões em torno da denúncia de Felca, o livro “Adolescência: um desafio possível”, traz uma reflexão urgente e humana
Vivemos um momento em que os adolescentes parecem incentivados a crescer antes da hora. Uma recente denúncia sobre a “adultização precoce”, que é a exposição infantil a responsabilidades típicas de adultos, reacende o debate sobre o que falha no equilíbrio entre infância e maturidade e os efeitos psicológicos dessa tendência.
Nessa esteira surge “Adolescência: um desafio possível”, obra do psicólogo e escritor argentino Alejandro Schujman, que chega ao Brasil em 15 de setembro. A obra é o primeiro título do selo Catarsis da Catapulta Editores. A pré-venda está disponível nas livrarias e e-commerce
A proposta do livro dialoga com a série “Adolescência” (sucesso no streaming), a partir da ideia de que o que mudou não foi a adolescência, mas a forma como os adultos a percebem. Alejandro Schujman alerta sobre os perigos da negligência emocional.
Estamos deixando os adolescentes sozinhos. A nova tragédia coletiva da nossa era é a solidão das crianças e a perda do bom senso dos pais.” Essa solidão, ele afirma, abre caminho para lacunas entre gerações que só se estreitam com diálogo, empatia e limites claros.
O autor ressalta, ainda, a urgência de um basta. “Todas essas barreiras só nos levaram a normalizar uma série de absurdos nas últimas décadas, que só pioram ano após ano. Já chega.” O livro oferece ferramentas práticas para pais e educadores: impor limites com empatia, educar sem medo, melhorar a comunicação com adolescentes e fortalecer redes familiares colaborativas. É um convite para olhar a adolescência com profundidade e generosidade, propondo que o que parece um desafio é, na verdade, uma oportunidade.
‘As dores da adolescência – Como entender, acolher e cuidar’
Se a saúde mental anda muito fragilizada para todos, o que não dizer de quem vive a adolescência? Livro aborda esses e outros temas em uma linguagem acessível para todos os que lidam com os jovens
Um adolescente que vive triste está dando sinais de alerta. Mas o que está por trás desse comportamento? Dificuldades em lidar com conflitos, depressão, a necessidade de pertencer a um grupo ou até mesmo uma busca por atenção? Dedicada a orientar aos pais sobre como proceder da melhor maneira para preservar a saúde mental das crianças e jovens, Carolina Delboni aborda estes e outros aspectos que tentam tornar a educação de filhos um desafio menos complicado no livro
Com uma abordagem sensível e informativa, o livro As dores da adolescência – Como entender, acolher e cuidar (Summus Editorial), que convida pais, educadores e profissionais a refletirem sobre os desafios enfrentados pelos jovens e a importância de valorizar suas vozes e sentimentos. destaca que as respostas nem sempre surgem no tempo ou da forma desejada, mas que é essencial buscar compreender e acolher o adolescente.
Carolina Delboni reforça a necessidade de escuta ativa e empatia, além de orientar quando e como procurar ajuda especializada. A mensagem central é clara: escute, acolha e, se necessário, busque apoio para ajudar o jovem a superar suas dificuldades.
‘Nunca foi tão sofrido ser adolescente’
Na compreensão da autora, nunca foi tão sofrido ser adolescente. Além dos desafios comuns a essa fase — os hormônios, o luto pela infância, a necessidade de se diferenciar dos pais e de pertencer a um grupo —, a tecnologia e as redes sociais impõem cada vez mais desafios a essa faixa etária. Essas constatações surgiram de suas atividades profissionais e de vivências, num mergulho nos dilemas que eles enfrentam.
Diante disso, o livro é um guia indispensável para quem deseja entender melhor os sentimentos e comportamentos dos adolescentes, oferecendo insights valiosos e práticos para fortalecer vínculos e promover o bem-estar emocional. Uma leitura necessária para pais, educadores, profissionais de saúde que lidam com esse público e também a rede de apoio envolvida na preservação da saúde mental das novas gerações.
A obra fala sobre temas como bullying, autoestima, assédio sexual nas redes, solidão, suicídio, autolesões, excesso de competitividade e sofrimento existencial. Temas doloridos, mas que merecem ser abordados por todos aqueles que se preocupam com a saúde mental de filhos, alunos e pacientes. As temáticas estão divididas em cinco partes:
- I – A saúde mental dos adolescentes
- II – As relações entre pais e filhos e a saúde dos adolescentes
- III – A escola e a saúde mental dos adolescentes
- IV – O perigo das telas e das redes sociais
- V – Solidão, comportamentos destrutivos e autoestima na adolescência
Sobre os autores
‘Adolescência, um desafio possível’
Alejandro Schujman (foto acima) é psicólogo, escritor e pai em processo contínuo de aprendizado. Autor de ensaios e colunas no jornal argentino Clarín, dedica-se ao estudo dos conflitos contemporâneos na infância e adolescência, com foco na construção de vínculos emocionais saudáveis entre gerações.
Graduado com mérito pela Universidade de Buenos Aires (UBA), lidera uma equipe de trabalho chamada Rede Assistencial PSI, que atua nos âmbitos assistencial e comunitário. Seu trabalho concentra-se principalmente em palestras, cursos, oficinas e peças teatrais na Argentina e em outros países de língua espanhola. É autor de vários livros, entre eles: “Generación Ni Ni, Es no porque yo lo digo”, “Herramientas para padres”, “No huyo, solo vuelo: El arte de soltar a los hijos” e “Gretta y el arte de complicarse la vida”.
‘As dores da adolescência’
Pedagoga e educadora, formada em Psicanálise com especialização em adolescência pelo Instituto Sedes Sapientiae, Carolina Delboni (foto acima) é pós graduada em Educação pelo Instituto Vera Cruz. Pesquisa o comportamento adolescente e atua na interface do tema com instituições educacionais e, recentemente, incluiu a especialização em Transtornos Psicoemocionais na Infância e Adolescência, pela Escola do Hospital Albert Einstein.
Autora de Desafios da adolescência na contemporaneidade — Uma conversa com pais e educadores (Summus, 2023) e do infantojuvenil Eudice (Biruta, 2024), teve como primeira formação o jornalismo, em que atuou por mais de 15 anos, e escreve artigos sobre educação e adolescência. É mãe do Pedro, do Lucas e do Felipe.
Fichas técnicas:
Título: As dores da adolescência – Como entender, acolher e cuidar
Autora: Carolina Delboni
Editora: Summus Editorial
Páginas: 176 páginas – 14 x 21 cm
Onde comprar: (11) 3865-9890 e site da editora
Preço: R$ 72,60 (e-book R$ 43,60)
Título: Adolescência: Um Desafio Possível
Autor: Alejandro Schujman
Editora: Catapulta Editores / Selo Catarsis
Páginas: 148
Onde comprar: Livraria Leitura, Livraria Da Vila, Travessa, Livrarias Curitiba, WMF Martins Fontes, Livraria Santos, Vanguarda, Vitrola, A Página. E também nos principais portais de e-commerce.






