Lipedema não é ‘doença da moda’: entenda a síndrome da gordura dolorosa

Ao contrário da modelo que morreu durante lipoaspiração no joelho, influencer de 26 anos procura método alternativo para fugir da cirurgia

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A morte da modelo, empresária e influenciadora Luana Andrade, de 29 anos, após passar por uma lipoaspiração no abdômen e no joelho, levantou novo debate em torno do lipedema. Para rebater críticas à vítima por vaidade em excesso, familiares e amigas da assistente de palco do programa Domingo Legal, do SBT, afirmaram nas redes sociais e na imprensa que ela sofria de lipedema há alguns anos, com acúmulo de gordura na região dos joelhos.
 Com o corpo bem diferente de Luana, a influencer brasileira Victoria Matos, de 26 anos, também enfrenta uma batalha diária com o lipedema, mas optou por um tratamento não invasivo, para fugir dos riscos da lipoaspiração.
O fato é que nunca se falou tanto sobre o lipedema. A doença, caracterizada pelo acúmulo de tecido gorduroso com aumento desproporcional no tamanho dos membros, tem ganhado destaque na imprensa e na internet, com diversas celebridades compartilhando seus diagnósticos do problema, incluindo a ex-paquita Tatiana Maranhão e a influenciadora Camila Loures. A estimativa é que a doença atinja 10% da população feminina.
Mas a condição parece ter surgido da noite para o dia: a discussão sobre o assunto até pouco tempo era praticamente nula. Então, o que fez com que o lipedema virasse a “doença da moda”? Para especialistas, o problema apenas passou a receber o merecido reconhecimento, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido na conscientização sobre a condição.
Afinal, pela falta de informação, é comum que pacientes não procurem auxílio médico por acreditarem que se trata de obesidade ou celulite. E muitos profissionais ainda têm dificuldade no diagnóstico e tratamento. Como ocorre em outras doenças, o diagnóstico incorreto favorece evolução do lipedema e agravamento do quadro, além de causar grande frustação nas pacientes, com impacto importante na qualidade de vida.
“Na verdade, o lipedema sempre foi um problema. Ele não está ‘na moda’, apenas está ganhando o devido reconhecimento. Mas não víamos o assunto ser muito discutido por uma série de motivos. Por exemplo, apesar de ter sido descrito há mais de 80 anos, foi só no ano passado, em 2022, que o lipedema foi padronizado como doença, passando a fazer parte da Classificação Internacional de Doenças (CID)”, explica a cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.
“Isso se traduziu em uma literatura científica muito escassa sobre o lipedema, com poucos médicos possuindo conhecimento sobre a doença. Além disso, pouco se sabia sobre um tratamento específico e realmente eficaz”, comenta.

Lipedema afeta autoestima do paciente

Carolina Mardegan, médica especialista em cirurgia vascular e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), diz que o lipedema, também conhecido por “síndrome da gordura dolorosa”, o lipedema atinge mais de 10% das mulheres e tem como principais características o acúmulo de gordura nos braços, coxas e pernas. Também é comum surgir equimose (roxinhos) nas áreas afetadas, sensibilidade e dor ao toque, sensação de peso e cansaço nas pernas, fadiga e pode até comprometer a mobilidade.

Segundo ela, trata-se de uma doença inflamatória que advém de causas ainda desconhecidas pela medicina, mas que é possível observar alterações hormonais, metabólicas e inflamatórias, além do componente genético, nos pacientes com o diagnóstico. Além de agravar a saúde física, o lipedema prejudica completamente a saúde mental e autoestima do paciente. Por isso, é fundamental promover a conscientização em torno da condição e todo seu espectro.  

“O lipedema não tem cura, mas que é possível tratar e ter qualidade de vida. É uma doença, frequentemente, confundida com obesidade, que pode ocorrer simultaneamente, e até agravar o quadro, porém nem sempre estão associadas”, explica o cirurgião plástico Fernando Amato.

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Parece excesso de peso, mas não é: entenda as diferenças

“Se você nota suas pernas mais grossas, seus glúteos e tornozelos maiores, como se estivessem inchados, e acredita que isso é fruto de um possível exagero na alimentação, quem sabe até um sinal de obesidade… Calma lá! Pode ser que você tenha lipedema”. O alerta é da médica endocrinologista e metabologista Thais Mussi.

Ela explica que o lipedema é uma doença progressiva, que gera um grande acúmulo de gordura nos membros inferiores, como pernas, glúteos, joelhos e coxas. Além do acúmulo de gordura, pessoas que convivem com o lipedema costumam perceber inchaço, assim como dor quando toca os locais afetados e, também, ao caminhar.

A doença é muito comum em mulheres e nenhum especialista ainda descobriu o motivo por detrás desse quadro. “O que se sabe é que o surgimento do lipedema pode ter relação com alterações genéticas, metabólicas, hormonais e inflamatórias”, esclarece Dra. Thais.

Por muito tempo confundido com a celulite,  o lipedema é caracterizado pelo acúmulo desproporcional de gordura nas pernas e braços que atinge quase exclusivamente mulheres. A confusão é frequente, especialmente no Brasil, onde é estimado que provavelmente cerca de 5 milhões de mulheres têm a doença, mas nem desconfiam disso.

A verdade é que a dor e a aparência ‘obesa’ são partes centrais dessa condição. As pessoas confundem os dois porque quem tem lipedema, geralmente, tem celulite também. A dor constante vem da inflamação da gordura, que é a principal característica do lipedema. O lipedema dói, a celulite costuma não doer.

Os diferentes graus do lipedema

Como é comum que as pessoas confundam o lipedema com obesidade, acaba sendo normal que várias tentativas de emagrecimento sejam feitas, o que frustra, já que isso não funciona. Não é tratando a doença como obesidade que a pessoa se verá livre do lipedema.

“O primeiro passo é ter em mente que existem graus da doença e é fundamental para o tratamento entender em qual a paciente está”, adverte a médica.

  • Primeiro grau – a pele continua com um aspecto normal, mas é percebido inchaço durante as atividades do dia a dia, com uma melhora assim que a pessoa descansa.
  • Segundo grau – a superfície da pele é irregular e é possível perceber com facilidade o surgimento de sulcos, como a celulite, por exemplo.
  • Terceiro grau – a pele ganha um aspecto áspero e endurecido e se percebem deformidades, o que é resultado de um acúmulo grande de gordura.
  • Quarto e último grau – além do acúmulo de gordura, há um grande acúmulo de líquidos nos locais, causando lipolinfedema.

“Eu tenho lipedema… Como é o tratamento? Existe uma cura?”

Estas são perguntas frequentes no consultório da Dra. Thaís. “Podemos dizer que os estudos sobre o lipedema ainda são recentes, então, não temos uma cura. Claro, existe tratamento, como, por exemplo, a cirurgia para lipedema. Neste procedimento é feita a retirada do excesso de gordura através da aspiração, o procedimento é realizado por cirurgião plástico ou vascular. Após o procedimento é preciso que o paciente seja monitorado”, explica.

Ou seja, após uma cirurgia, ainda será preciso prestar atenção na alimentação, tentando identificar os alimentos que são inflamatórios para o corpo e que podem ser gatilhos para a doença. E não somente se atentar à questão alimentar, mas verificar o uso de anticoncepcional e avaliar o perfil hormonal, já que muitas apresentam diabetes, SOP e doenças autoimune, como tireoidite de hashimoto.

“É o que eu sempre falo, e acredito que vale destaque aqui: não adianta tratar o lipedema, se o paciente não contar com uma avaliação hormonal adequada, se não for sanada uma possível inflamação crônica e se não controlar diabetes ou qualquer outra doença”, exemplifica a médica.

Isso significa que é preciso um preparo investigativo para que seja iniciado o tratamento do lipedema e que se avalie individualmente cada paciente. Alguns procedimentos podem melhorar os sintomas. A médica explica que por se tratar de uma doença inflamatória, as vezes o que inflama uma pessoa não inflama a outra.

“O bom senso é evitar carne vermelha, lactose, açúcar refinado, farinha branca, álcool, glúten e alimentos ultraprocessados. O que melhora são alimentos o mais natural possível, como exemplo, adotar como estilo de vida a dieta plant based, e o uso de temperos anti-inflamatórios como açafrão da terra, que é um ótimo aliado”, finaliza a especialista.

Além disso, exercícios de baixo impacto, de preferência na água, melhora muito a condição. A drenagem linfática, escovação a seco, meias compressivas e plataforma vibratória podem ser excelentes aliados! ‘Importante lembrar que cada caso é um caso, e nada substitui o acompanhamento médico”, alerta a médica.

10% das mulheres sofrem com lipedema

Então, o que mudou? Além de ter sido padronizado como doença, o que contribui para que mais médicos tomassem conhecimento sobre o lipedema e mais pesquisas sobre o tema fossem desenvolvidas, o tratamento da condição também evoluiu muito e, hoje, existem abordagens eficazes.

“Apesar de ser uma doença crônica, isto é, sem cura, o lipedema pode ser controlado quando devidamente abordado. E hoje temos uma linha de tratamento eficaz nesse sentido que envolve uma equipe multidisciplinar composta por cirurgião vascular, nutricionista, fisioterapeuta e, eventualmente, ortopedista e cirurgião plástico”, diz a Dra. Aline Lamaita.

“É muito importante destacar que o tratamento do lipedema não se restringe a cirurgia com lipoaspiração para retirada da gordura. Esse é apenas um dos pilares no controle da doença, que é realmente essencial em alguns estágios, melhorando muito a qualidade de vida da paciente. Mas o tratamento clínico precisa ser feito antes e depois, em todos os casos, com medicamentos e uso de meias de compressão. Além disso, mudanças no estilo de vida também são indispensáveis para modulação do estado inflamatório, com adoção de uma alimentação anti-inflamatória e prática regular de atividade física.”

Mas a Dra Aline ressalta que, apesar do reconhecimento sobre o lipedema ter aumentado, inclusive com junho sendo nomeado o Mês de Conscientização do Lipedema, ainda há um longo caminho a ser percorrido. E os estragos feitos pelos anos de negligência persistem.

“Pela falta de informação, a paciente com lipedema, frequentemente, passa a vida como uma ‘falsa magra’, isto é, magra da cintura para cima, mas com pernas grossas. Muitas vezes, acredita que esse é o padrão de corpo familiar, já que o lipedema realmente pode afetar várias mulheres da família, então não pensa que pode ser um problema”, ressalta.

A crença de que se trata de um quadro de celulite, obesidade ou então retenção de líquido é outro motivo que leva pacientes a demorarem para buscar auxílio médico. E, mesmo quando procuram um médico, não é incomum que se deparem com um diagnóstico incorreto, pois muitos profissionais ainda não consideram a doença como uma possibilidade, afirmando que se trata de obesidade, sobrepeso ou ainda linfedema.

“Hoje já existem algumas diretrizes que ajudam os médicos no diagnóstico, mas, por ser uma doença de tratamento multidisciplinar, é necessário que o médico se dedique a estudar o problema e entenda as várias áreas de conhecimento necessárias para direcionar as pacientes de maneira adequada”, diz a especialista.

Segundo ela, diagnóstico incorreto atrasa o tratamento, consequentemente agravando o quadro, o que pode levar a dificuldades de locomoção, linfedema, disfunções circulatórias, como insuficiência venosa, e até problemas ortopédicos nos joelhos, seja pela sobrecarga ou alteração da própria articulação.

“Além disso, um diagnóstico inadequado pode causar muita frustração à paciente, visto que, além de ser crônico, o lipedema tem como característica o acúmulo de uma gordura doente que, geralmente, não responda às mudanças de hábitos, como dietas e práticas de atividade física, comumente adotadas em casos de obesidade”, alerta a cirurgiã vascular.

Por isso, a Dra. Aline Lamaita reforça a importância da conscientização da população sobre os sintomas do lipedema e encoraja que as pacientes não tenham receio e busquem uma segunda opinião médica caso suspeitem do problema. Segundo ela, o autodiagnóstico é bastante comum em casos de lipedema.

“As pacientes rapidamente se reconhecem ao tomar ciência dos sintomas da doença, que incluem aumento simétrico do tamanho dos membros, principalmente das pernas e quadris, apesar de também afetar os braços em um menor número de casos; dificuldade de perder peso, principalmente na parte inferior do corpo; sensação dolorosa ao toque; aumento da frequência de hematomas espontâneos; e maior tendência ao acúmulo de líquido”, afirma a médica.

Técnica de bioestimulação ajuda a vencer o problema

Além do tratamento específico do lipedema, uma das soluções para enfrentar o problema é o GoldIncision, que combina técnicas de bioestimulação e descolamento, proporcionando resultados satisfatórios sem a necessidade de cirurgia para eliminar as celulites.

A influencer brasileira Victoria Matos ,de 26 anos, conta que realizou o método GoldIncision que aliviou sua dor na perna. “Não tenho as mesmas inseguranças de antes”, comentou ela.

O método promete ajudar a “descolar” a celulite e redistribuir a gordura, aliviando a pressão que ela faz nos vasos sanguíneos. Desta forma, o sangue corre mais fácil já que os vasos não estão mais comprimidos. Ao cortar a fibrose, a pressão que a gordura exerce sobre os vasos sanguíneos é aliviada, melhorando a circulação e ajudando no tratamento do lipedema.

O método não se limita apenas à estética da celulite, ele é uma abordagem completa que visa solucionar todos os aspectos desse problema. “Quando alguém busca o tratamento e os especialistas identificam o lipedema, eles não hesitam em tratar essa condição paralelamente. A ideia é cuidar da paciente de forma holística, abordando a raiz do problema”, diz a marca.

Com Assessorias

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