O BBB funciona como espelho do que acontece fora das câmeras: mulheres que sofrem assédio muitas vezes precisam administrar o trauma enquanto o entorno relativiza o ocorrido e desloca a empatia para quem causou a violência“, diz a especialista, que é head de Saúde Mental da Starbem e CEO da Apice Atenção Psicológica.
Todos vocês podem ter certeza que, se o Pedro não tivesse desistido, ele teria sido retirado do programa. Atitudes assim são inaceitáveis, não apenas no BBB, mas em qualquer lugar”, disse.
O impacto emocional do assédio sexual na saúde mental da mulher
Na entrevista ao Vida e Ação, a psicóloga Ticiana Paiva (foto) avalia o impacto emocional imediato e de longo prazo do assédio sexual na saúde mental da mulher e por que situações de violência como essa frequentemente geram culpa, silêncio e retraimento na vítima.
A especialista também destaca o que mulheres podem fazer para se proteger emocionalmente após viver uma situação de assédio e como ambientes coletivos (como BBB ou empresas) lidam mal com esses episódios.
Confira!
Qual é o impacto emocional do assédio na saúde mental da mulher?
O impacto emocional do assédio costuma ser intenso desde o primeiro momento. No curto prazo, é comum que a mulher experimente choque, confusão, medo e uma sensação de paralisia, como se o corpo “travasse” diante da violação de limites. Muitas vezes há dificuldade de reagir ou de nomear o que aconteceu, justamente porque o sistema emocional entra em estado de alerta.
A longo prazo, quando o episódio não é devidamente reconhecido e acolhido, podem surgir sintomas de ansiedade, insegurança em ambientes coletivos, alterações na autoestima e perda da sensação de segurança corporal. Em alguns casos, especialmente quando há exposição pública ou minimização do ocorrido, esse sofrimento pode se organizar como trauma psicológico, com impactos duradouros na saúde mental.
Por que situações de assédio costumam gerar culpa e silêncio na vítima?
Situações de assédio frequentemente produzem culpa, silêncio e retraimento porque ativam respostas automáticas do sistema nervoso diante de uma crise emocional. Quando a mulher se percebe em uma situação de ameaça ou violação de limites, o organismo tende a acionar mecanismos de sobrevivência.
Em contextos nos quais reagir ou se afastar, noutras palavras luta ou fuga) não é possível agir (seja por assimetria de poder, surpresa, exposição pública ou medo de consequências) pode ocorrer uma resposta de “desligamento”, também conhecida como congelamento ou dissociação.
Nesse estado, a pessoa pode ficar em silêncio, ter dificuldade de reagir, de falar ou até de compreender plenamente o que está acontecendo naquele momento. Paralelamente, fatores culturais reforçam esse processo, levando a mulher a duvidar da própria percepção e a assumir, de forma equivocada, a responsabilidade pelo ocorrido. O retraimento, portanto, não é passividade nem consentimento, mas uma resposta neuroemocional de autoproteção diante de uma situação percebida como ameaçadora.
Como a romantização do agressor pode reforçar a revitimização?
Quando o agressor é romantizado ou infantilizado, o foco se desloca da violência sofrida para a suposta fragilidade ou arrependimento de quem a cometeu. Isso relativiza a gravidade do ato e coloca a vítima em uma posição injusta, como se ela precisasse compreender, aliviar ou até proteger quem a feriu.
Esse movimento social reforça a revitimização porque invalida a experiência da mulher, gera confusão emocional e dificulta a elaboração do trauma. Ao invés de reconhecimento e reparação, ela recebe silenciamento e pressão para minimizar sua própria dor.
Como explicar o silêncio da vítima ao ser questionada publicamente pelo apresentador?
O silêncio da vítima em uma situação pública não deve ser interpretado como omissão ou concordância. Em contextos de exposição extrema, como o Big Brother Brasil, falar pode ser emocionalmente mais ameaçador do que calar. Esse silêncio pode indicar choque, medo, tentativa de autoproteção ou impossibilidade momentânea de elaborar o ocorrido diante de câmeras, julgamento coletivo e assimetria de poder, especialmente quando a pergunta vem de uma figura de autoridade como o apresentador.
O que mulheres podem fazer para se proteger emocionalmente após vivenciar um assédio?
Após uma situação de assédio, é fundamental que a mulher busque espaços seguros de escuta e validação, onde sua experiência não seja questionada ou relativizada. Nomear o que aconteceu como violência ajuda a organizar emocionalmente o vivido e a reduzir a culpa. Sempre que possível, o apoio psicológico especializado é um recurso importante para elaborar o impacto e reconstruir a sensação de segurança.
Em ambientes coletivos ou corporativos ou de exposição pública, como é o caso do BBB, registrar o ocorrido, buscar canais institucionais confiáveis e não enfrentar a situação sozinha são formas de proteção emocional e prática. O cuidado precisa estar centrado na vítima, e não na manutenção do silêncio ou da imagem de terceiros.
Quais orientações podem ajudar a enfrentar situações semelhantes no dia a dia corporativo ou pessoal?
No cotidiano, é importante confiar nos sinais de desconforto do próprio corpo, pois eles costumam indicar quando um limite foi ultrapassado. Registrar situações de assédio, buscar apoio em redes de confiança e utilizar canais formais de denúncia são estratégias que reduzem o isolamento da vítima.
No ambiente corporativo, empresas precisam ir além do discurso e investir em políticas claras, canais seguros e uma cultura que não minimize comportamentos abusivos. Coletivamente, romper o silêncio e apoiar quem sofreu a violência é uma das formas mais eficazes de enfrentar o problema.
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Faz dias que eu queria me segurar para não querer os outros, cobiçar os outros. Com as meninas e com a Jordana principalmente, porque ela é muito parecida com a minha esposa. E hoje eu cobicei ela, desejei ela. Achei que ela tinha dado moral e sido recíproco”, disse.
Em conversa com a produção do programa, exibida ainda na edição de domingo, Pedro afirmou ter interpretado de forma equivocada a situação. Segundo ele, entendeu erroneamente um convite feito por Jornada para acompanhá-la até a despensa como uma abertura para uma aproximação afetiva.
“Falei para a gente ir procurar um baby liss e quando chegou na despensa tentei beijar ela. Eu achei que tinha sido recíproco, mas depois vi que era coisa da minha cabeça. Entendi errado, não era isso que ela queria”, disse o participante, ao relatar o episódio à produção.
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Durante as apurações, também veio à tona um Boletim de Ocorrência anterior (de maio de 2025), no qual Pedro é acusado de ameaçar um segurança em um centro comercial no Paraná. A TV Globo rescindiu o contrato com o participante, tratando-o como expulso internamente, o que implica na perda de cachês e prêmios acumulados.





