A campanha Fevereiro Laranja mobiliza instituições de saúde em todo o país para conscientizar a sociedade sobre a leucemia, um tipo de câncer que afeta as células sanguíneas e a medula óssea e que segue entre os mais relevantes desafios da saúde pública brasileira.
A iniciativa reforça a importância do diagnóstico precoce, da atenção aos sinais de alerta e do aumento do número de doadores voluntários de medula óssea, fatores decisivos para ampliar as chances de cura e sobrevida dos pacientes.
A doação de medula óssea, crucial para pacientes que necessitam de transplantes para combater não só a leucemia, mas também linfomas e mielomas, além de diversas outras patologias, incluindo as não oncológicas. Dados do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea reforçam o impacto e a importância das campanhas educativas em saúde.
De acordo com o Redome, o número de novos doadores de medula óssea saltou de 119 mil em 2022 para 2060 em 2024. Segundo o Ministério da Saúde, houve um aumento de 8% nos transplantes de medula óssea realizados no último ano no país.
ParaJayr Schmidt Filho, Líder do Centro de Referência em Neoplasias Hematológicas do A.C.Camargo Cancer Center, essa crescente no número de coletas de medula feitas nos país se dá, claro, em função dos esforços em campanhas de conscientização, assim como pelo avanço no reconhecimento biológico de doenças graves do sangue, como a leucemia, por exemplo.
Na medida em que a entendemos melhor, sabemos quais caminhos sugerir em cada caso e quando o transplante de medula óssea pode ser a melhor chance de cura, assim agimos mais rápida e assertivamente”, explica o especialista.
Mas a compatibilidade entre doador e paciente é rara, o que torna cada novo cadastro fundamental, como afirma a hematologista Caroline C. Bernardi, do Centro de Oncologia do Paraná (COP). “Cada pessoa que se cadastra representa uma nova chance para quem está aguardando um transplante. O engajamento da sociedade é essencial para superar esse desafio”.
Avanço em terapias menos invasivas
Engajamento dos brasileiros na doação de medula óssea faz mais de 2 mil pacientes com câncer ganharem novas perspectivas de vida
A medula óssea saudável, que é responsável pela produção de células sanguíneas, pode ser a única chance de cura para muitos desses pacientes. Outros tipos de tratamento podem ser utilizados dependendo do tipo de leucemia, como quimioterapia, imunoterapia e terapias celulares. O objetivo principal é eliminar as células cancerígenas para que a medula óssea volte a produzir células saudáveis.
Os avanços da medicina têm proporcionado uma expressiva melhora na resposta aos diversos tratamentos disponíveis, resultando em maior taxa de cura e qualidade de vida para os pacientes”, finaliza a médica.
A boa notícia é que o transplante de medula óssea quando bem indicado, assim como terapias-alvo avançadas e terapias celulares, como o CAR-T, tem garantido excelentes resultados no processo de cura da doença.
No A.C.Camargo já fizemos mais de 1.700 transplantes de medula óssea, somos o centro oncológico que mais realizou procedimentos com o CAR-T no Brasil e alcançando taxas de sobrevida superiores a 89%”, conta o oncologista
A importância da doação de medula óssea
Casos de grande visibilidade também ajudam a ampliar o alcance da informação. A influenciadora Fabiana Justus, atualmente embaixadora da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), foi diagnosticada com leucemia mieloide aguda após apresentar sintomas como dor e febre.
Após tratamento intensivo e transplante de medula óssea, ela passou a usar sua visibilidade para conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e do acesso rápido ao tratamento especializado. Histórias como essa mostram como informação e agilidade no atendimento podem salvar vidas”, destaca a médica hematologista.
Dra. Caroline reforça que a leucemia não é uma doença única, mas um conjunto de diferentes subtipos, com comportamentos clínicos distintos. “Existem leucemias de evolução rápida e outras mais lentas, mas todas exigem atenção imediata aos primeiros sinais”, explica
Entre os sintomas que merecem investigação estão cansaço persistente, palidez, febre recorrente, infecções frequentes e hematomas sem causa aparente. O diagnóstico precoce é um dos principais aliados no enfrentamento da doença.
Exames simples, como o hemograma, podem levantar a suspeita inicial, que deve ser confirmada por avaliação especializada. O tratamento pode incluir quimioterapia e, em alguns casos, o transplante de medula óssea.
Quanto mais cedo a leucemia é identificada, maior a probabilidade de resposta favorável às terapias disponíveis. O tempo entre o surgimento dos sintomas e o diagnóstico pode ser determinante no desfecho clínico”, reforça a especialista.
Quem pode se cadastrar como doador de medula óssea no Redome
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Ter entre 18 e 35 anos
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Estar em bom estado geral de saúde
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Não ter doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue ou doenças hematológicas
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Realizar o cadastro em um hemocentro autorizado, com coleta de uma pequena amostra de sangue
Mais informações estão disponíveis no site: redome.inca.gov.br/




