Férias e natureza: cuidados redobrados contra o carrapato-estrela

Transmissor da febre maculosa está presente em áreas rurais. Alta de casos aumenta o alerta para famílias que pretendem viajar

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O período de férias escolares se aproxima e, com isso, muitas famílias planejam viajar para o interior, áreas de montanhas e cercadas por matas, onde geralmente vivem animais. Porém, com o surto recente de febre maculosa brasileira em algumas regiões, a preocupação tem que ser redobrada

Considerada uma zoonose, doença transmitida de animais para seres humanos, essa doença infecciosa, altamente letal, é causada por uma bactéria transmitida pelo carrapato da espécie amblyomma cajennense, conhecido popularmente como carrapato-estrela

A  transmissão se se dá por contato direto com animais infectados ou indireto, por vetores, no caso específico, o carrapato-estrela, que vive em áreas de muita natureza – locais muito procurado pelas famílias no período de férias escolares de julho..

Cuidados com animais de estimação

O carrapato-estrela prefere animais de grande porte, como cavalos e bois, e silvestres, como a capivara, não excluindo a possibilidade de encontrá-lo, também, em cães, aves domésticas e roedores. São espécies hematófagas, ou seja, se alimentam de sangue para sobreviver. E é neste momento que podem transmitir a bactéria Rickettsia rickettsii para o ser humano.

Qualquer animal infectado não pode transmitir diretamente a febre maculosa. Por isso, é importante estar atento aos animais de estimação em áreas rurais, já que eles podem se tornar um reservatório da bactéria causadora da condição se não tiver o cuidado de higiene correto durante uma viagem ou caso ele more em regiões de mata.

A fêmea do carrapato estrela – espécie responsável pela transmissão – pode gerar cerca de 16 mil filhotes e, se estiver infectada pela Rickettsia, transmite a bactéria para todos eles. Além disso, os cães, principalmente, não costumam apresentar sintomas da febre maculosa.

Risco maior após 4h com carrapatos no corpo

Para ser contaminado pela febre maculosa, conforme informações do Ministério da Saúde, é preciso que o carrapato-estrela esteja infectado pela bactéria e permaneça fixado ao corpo por um período de pelo menos quatro horas.

De acordo com o infectologista Luiz Alvez, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, é difícil estimar a probabilidade de ser infectado após a picada do carrapato, uma vez que o animal deve estar contaminado com a bactéria e ainda assim precisa de um parasitismo prolongado para que  consiga transmitir a bactéria para o corpo humano.

“O carrapato leva essa bactéria pela picada no ser humano, mas não é uma picada qualquer. É necessário parasitismo, ou seja, o carrapato precisa ficar se alimentando do sangue humano por pelo menos 4 horas para que possa transferir essa bactéria ao organismo humano”, comenta o infectologista.

O Ministério da Saúde também aponta que a doença pode ser mais comum entre os meses de junho e novembro por se tratar do período em que predominam as formas jovens do carrapato estrela, chamadas também de micuins.

Carrapato pode ser confundido com pinta na pele

De toda forma, com essa informação, já é possível se programar e, a cada duas horas, por exemplo, observar de forma detalhada todas as partes do corpo, principalmente dobras dos joelhos, braços, pescoço, barriga, virilha, axilas e costas. “O carrapato pode ser difícil de ser identificado, muitas vezes confundido com uma pinta na pele”, alerta a médica infectologista do Vera Cruz Hospital, Vera Rufeisen.

Além de uma boa inspeção visual de tempos em tempos, ela recomenda uso de roupas adequadas e caminhar por áreas pavimentadas e outros cuidados. Na mala, a orientação é simples. “A preferência deve ser por roupas em tons claros, que facilitam a visualização do carrapato, use botas de cano longo, coloque a barra da calça por dentro da meia e prefira blusas com mangas compridas, que protegem um pouco mais”, destaca.

Ao localizar um carrapato no corpo, a médica recomenda o uso de uma pinça para removê-lo. Realizando movimentos circulares suaves, ou o uso de bucha vegetal, caso seja de tamanho muito pequeno. “Desta forma evita-se o risco de o aparelho bucal do carrapato ficar na pele, com a bactéria da febre maculosa”, ressalta.

Evitar contato com carrapato até novembro

O infectologista Luiz Alvez aponta que não existe vacina contra a febre maculosa, mas existem formas comportamentais de prevenir a doença. A principal é evitar o contato com o carrapato-estrela, especialmente as formas mais jovens, que são predominantes entre os meses de junho e novembro, pelo fato de serem mais difíceis de percebê-los.

Para isso, é importante evitar locais de mata e com alta incidência de carrapatos e, quando isso ocorrer, roupas e calçados adequados são as formas de proteção. Se frequentar regiões de mata, use roupas longas (de preferência roupas claras) que auxilia na identificação da presença de carrapatos, e  repelentes.

Outra medida que pode evitar a proliferação do aracnídeo é cortar a grama rente ao solo no mínimo uma vez por ano durante a época em que chove mais. Dessa forma,  os ovos do carrapato ficam expostos ao sol e não vingam por conta dessa iluminação.

Fui contaminado pelo carrapato. E agora?

A condição tem alta probabilidade de ser fatal e sintomas como febre, dor de cabeça, dores musculares e possíveis erupções cutâneas no local da picada. Entre os principais sintomas estão febre, dor de cabeça, dores no corpo, náuseas e vômitos. Em situações mais graves aparecem sangramentos. Ela pode ser facilmente confundida com doenças de quadros hemorrágicos, como dengue e leptospirose.

O infectologista também ressalta que é essencial se atentar aos sintomas por serem parecidos com os de outras infecções e necessitarem de assistência médica imediata para curar a doença e evitar fatalidades. Quando tratada de imediato, pode ser curada.

“Como qualquer outra doença bacteriana, é tratada com antibiótico e suportes clínicos conforme quadro do paciente, que pode exigir hidratação e medicações para tratamento de sintomas”, explica Luiz Alves da Silva Neto, infectologista na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

febre maculosa tem cura desde que o tratamento antimicrobiano seja iniciado brevemente, assim que apresentar os primeiros sintomas. Quanto antes o início, menor o risco de uma evolução grave.

Por isso, ao passar por locais que possam ser foco do carrapato e identificar qualquer sintoma relacionado à doença, tais como febre alta, dor no corpo, dor de cabeça, inapetência ou desânimo, a médica recomenda a procura de um pronto-atendimento.

O diagnóstico tardio pode comprometer o sistema nervoso central, os pulmões, os rins e causar lesões vasculares, na maioria das vezes de forma irreversível.

“O tratamento adequado deve incluir a medicação por sete a dez 10 dias (três dias após término da febre). Lembrando que doença não é transmitida de uma pessoa para outra e a imunidade adquirida da doença é duradoura”, conclui a infectologista do Vera Cruz Hospital.

 

Doença pode ser confundida com a dengue

A doença infecciosa  e seus sintomas são semelhantes aos de outras infecções, como a dengue, o que pode dificultar o diagnóstico. Mesmo assim, atenção redobrada e alguns cuidados podem ajudar a prevenir a doença ou a identificá-la a tempo de iniciar o tratamento e evitar complicações

A transmissão da doença ocorre quando o carrapato-estrela infectado com a bactéria fica fixado na pele humana por, no mínimo, quatro horas.

Depois de infectada, a pessoa pode levar de dois a 15 dias para manifestar sintomas. Os quadros infecciosos podem se apresentar de forma leve, moderada ou grave.

Os sinais iniciais da doença são parecidos com a de outras infecções, causando febre alta, dores musculares, abdominais e de cabeça, falta de apetite, náuseas, vômitos e diarreia.

Em seguida, podem surgir  manchas avermelhadas pelo corpo do paciente, incluindo as palmas das mãos e a sola dos pés, que aumentam de tamanho e se tornam lesões salientes.

Percebido qualquer um desses sintomas, a recomendação é a busca por atendimento médico imediato, já que quadros graves são difíceis de serem revertidos, podendo levar à morte.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da febre maculosa é possível por meio de análises laboratoriais, realizadas após coleta de sangue, ou biópsias das lesões da pele.

O tratamento, por sua vez, é realizado por meio de antibióticos específicos e deve ser mantido até o terceiro dia de resolução da febre, orienta Clara Buscarini, médica chefe do Departamento de Infectologia da Prevent Senior.

“É importante mencionar que o tratamento deve ser iniciado quando há suspeita de febre maculosa, antes mesmo do resultado laboratorial. A precocidade do início de tratamento é determinante na diminuição do risco de evoluir a óbito”, complementa a especialista.

Ainda de acordo com Clara, há casos em que a internação do paciente também pode ser necessária no período de tratamento.

 

Você precisa saber!

Para retirar um carrapato do seu corpo, você nunca deve esmagá-lo ou forçá-lo a sair com agulha ou palito de fósforo quente, ações que são popularmente divulgadas como eficazes.

Essas atitudes aumentam as chances de transmissão da bactéria, que inclusive pode penetrar em pequenas lesões na pele. O correto é retirá-los com cuidado, por meio de uma leve torção ou com o uso de uma pinça, e depois lavar a área da mordida com álcool ou sabão e água.

Maioria dos casos na Região Sudeste

Transmissão da bactéria requer pelo menos 4 horas de contato do carrapato com o sangue humano e pode ser evitada com dicas para regiões de mata

Dados do Ministério da Saúde apontam que o país teve 2.157 casos confirmados ao longo de 10 anos. Nos últimos dias, o Estado de São Paulo apresentou casos e mortes confirmadas por febre maculosa, já classificada como um surto pelas autoridades sanitárias. Três pessoas, que estavam presentes em uma festa em Campinas, faleceram devido à febre maculosa, uma doença infecciosa causada por uma bactéria transmitida pela picada de um carrapato.

É uma doença rara em que 62% dos casos no Brasil estão localizados na região sudeste do país. Em 2022, foram notificados 190 casos pelo Ministério da Saúde no país, sendo 25% em São Paulo. De acordo com a Secretaria de Saúde de Campinas, seis óbitos já foram confirmados pela doença e o local do evento está fechado até que apresente um plano de contingência ambiental.

Com Assessorias

 

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