O Brasil enfrenta um crescimento expressivo no número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), conforme levantamento do Boletim Infogripe da Fiocruz, levando a um cenário de emergência em diversas regiões do país.

Hospitais públicos e unidades de pronto atendimento têm registrado uma alta demanda por leitos e atendimento especializado, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

O aumento coincide com a chegada de temperaturas mais baixas e a intensificação de infecções por vírus respiratórios como Influenza, Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e SARS-CoV-2. 

Diante do agravamento da situação, algumas capitais já ampliaram os horários de funcionamento das unidades de saúde e estão reativando planos de contingência para garantir o atendimento à população.

Estamos diante de um momento crítico, e a resposta rápida é fundamental. O acesso precoce ao atendimento médico pode fazer toda a diferença, especialmente em grupos de risco”, alerta o otorrinolaringologista Fernando Balsalobre, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL CCF).

Vacinação contra a gripe é ampliada em SP em meio à alta de casos

A recomendação é que todas as pessoas aptas se vacinem o quanto antes, especialmente os públicos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. A decisão ocorre em momento estratégico, com a chegada do outono e as recentes quedas bruscas de temperatura na capital, aumentam os casos de doenças respiratórias, impulsionados também pela baixa umidade do ar.

A vacinação é uma das principais formas de prevenção das complicações respiratórias comuns nesta época do ano. Segura e amplamente testada, a vacina contra a gripe é composta por vírus inativados, ou seja, não causa a doença, e tem como principal objetivo estimular o sistema imunológico a se proteger contra as cepas mais comuns do vírus influenza”, afirma a pneumologista Sandra Guimarães, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

A Prefeitura de São Paulo anunciou a ampliação da vacinação contra a gripe para toda a população acima de seis meses a partir desta segunda-feira (19). A vacina contra a gripe está disponível nas 479 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da cidade, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e aos sábados nas AMAs/UBSs Integradas.  A população pode localizar a unidade de saúde mais próxima para se vacinar ou receber atendimento por meio da plataforma Busca Saúde: Link.

Além da vacina, algumas medidas simples podem ajudar a reduzir os riscos de infecções: manter-se bem hidratado, evitar contato próximo com pessoas doentes, higienizar as mãos com frequência, manter os ambientes ventilados e, em casos específicos, utilizar máscaras e umidificadores de ar.

Por que as doenças respiratórias atacam mais nesta época do ano?

A pneumologista Sandra Guimarães explica que as infecções respiratórias, incluindo a gripe, tendem a se agravar no outono, quando o ar está mais seco e frio. “Isso favorece a proliferação de vírus e a permanência em locais fechados, aumentando o risco de contágio”, alerta.

Segundo a médica, o corpo responde ao ambiente mais hostil tentando proteger as vias aéreas com mecanismos de defesa, como aumento da produção de muco e liberação de células inflamatórias.

É por isso que sintomas como coriza, espirros e rinite são tão comuns em períodos mais frios, principalmente entre os pacientes com doenças preexistentes, como asma. Essas reações podem evoluir para quadros infecciosos mais graves, como pneumonias, especialmente em pessoas com a imunidade mais baixa.”

O otorrinolaringologista Fernando Balsalobre explica que a combinação entre o clima seco, mudanças bruscas de temperatura e maior permanência em ambientes fechados cria um ambiente propício para a propagação de doenças respiratórias.

As vias aéreas ficam mais vulneráveis nessa época do ano. O ar seco e frio compromete a barreira natural de defesa do nariz e da garganta, facilitando a entrada de vírus. Isso contribui para o aumento de infecções respiratórias, que podem evoluir para quadros graves se não forem tratadas a tempo”, afirma o médico.

Diferenças entre os sintomas da gripe, resfriado e pneumonia

De acordo com a pneumologista, os sintomas de gripe costumam ser mais intensos e duradouros do que os de resfriados comuns. Febre alta, tosse persistente e falta de ar são sinais de alerta e indicam a necessidade de avaliação médica.

O quadro gripal pode durar de cinco a sete dias e comprometer inclusive o parênquima pulmonar, exigindo tratamento mais rigoroso. Já infecções causadas por vírus como adenovírus ou rinovírus tendem a ser mais brandas e autolimitadas”, esclarece.

Ainda segundo a especialista, o bom senso e o cuidado com a saúde respiratória são essenciais para atravessar o outono e o inverno sem grandes problemas. “A vacinação preventiva, aliada a hábitos básicos de higiene e atenção aos sinais do corpo, pode fazer toda a diferença, especialmente para aqueles com maior suscetibilidade”, afirma a Dra Sandra.

7 orientações para prevenir e lidar com vírus respiratórios

O otorrinolaringologista Fernando Balsalobre lista algumas orientações que ajudam a prevenir e lidar com essas condições, dentre elas:

1.  Realize a higiene respiratória

Lavar as mãos frequentemente é uma das maneiras mais eficazes de prevenir a transmissão de vírus e bactérias responsáveis por infecções respiratórias. Além disso, é importante evitar tocar o rosto, especialmente os olhos, nariz e boca, para prevenir a entrada de microrganismos no organismo. Ao espirrar ou tossir, deve-se usar lenços descartáveis, descartando-os imediatamente após o uso. Caso não tenha um lenço disponível, é fundamental cobrir a boca e o nariz com o cotovelo para reduzir o risco de contaminação.

2. Cuide da imunidade

Mantenha uma alimentação equilibrada, rica em vitaminas e minerais, especialmente vitamina C e zinco. Além disso, tenha uma hidratação adequada, bebendo bastante água, e assim, ajudando a manter as mucosas hidratadas e a combater infecções. Para otimizar a imunidade, é importante também evitar o estresse, que pode enfraquecer o sistema imunológico, adotando atividades relaxantes, como meditação ou exercícios físicos.

3. Previna-se de infecções respiratórias

Mantenha as vacinas em dia, incluindo a vacina contra a gripe e, quando indicado, a vacina contra a COVID-19 e outras doenças respiratórias. Além disso, durante surtos de síndromes respiratórias, é importante evitar aglomerações e lugares fechados, onde a transmissão de vírus e bactérias é mais fácil. Quando necessário, o uso de máscara, especialmente em ambientes fechados e de grande circulação, pode ser uma medida eficaz para reduzir o risco de contágio.

4. Tenha cuidado com as vias respiratórias

Durante períodos de clima seco ou em ambientes com ar-condicionado, é importante utilizar um umidificador para evitar o ressecamento das vias respiratórias. Além disso, é essencial não fumar e evitar ambientes com fumaça, pois o tabagismo e a exposição à fumaça prejudicam a saúde das vias respiratórias e podem agravar infecções respiratórias. Outra prática benéfica é realizar gargarejos com água morna e sal, o que pode ajudar a aliviar dores de garganta e reduzir inflamações nas vias aéreas superiores.

5. Observe os sintomas

Fique atento aos sintomas e procure ajuda médica o quanto antes. Tosse persistente, secreção nasal intensa, dor de garganta, febre alta, chiado no peito ou dificuldade para respirar podem indicar infecções respiratórias ou complicações mais sérias que exigem avaliação e tratamento especializado. A procura precoce por atendimento pode prevenir agravamentos e reduzir a necessidade de internação.

6. Tenha cuidado com crianças e idosos

Tenha atenção especial para grupos vulneráveis: Crianças pequenas, idosos e pessoas com comorbidades devem ser monitoradas de perto, pois são mais suscetíveis a complicações respiratórias. Além disso, consulte sempre um médico sobre a necessidade de imunizações adicionais para esses grupos.

7. Siga as orientações médicas

Evite a automedicação e siga sempre a orientação de um profissional de saúde, pois o uso inadequado de medicamentos, especialmente antibióticos, pode agravar o quadro clínico e favorecer a resistência bacteriana. Em casos de doenças respiratórias recorrentes ou crônicas, como rinite, sinusite ou asma, é essencial manter o acompanhamento regular com um otorrinolaringologista para garantir um tratamento eficaz e prevenir complicações.

Com Assessorias

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