Morador da Zona Oeste do Rio de Janeiro, aos 40 anos e capoeirista desde os 17, Warlon da Silva Rosa exerce a profissão de professor de Capoeira desde 2004. Há algum tempo, atuando com turmas infantis, percebeu que, infelizmente, as crianças não estavam mais brincando como crianças. A proposta do Espaço Brincante, criado por ele, é trazer de volta universo lúdico para crianças nas comunidades, como a Cidade de Deus, conhecida como CDD.
“Uma situação que me trouxe inquietude e vontade de fazer algo que pudesse mudar essa história. Passei a pesquisar o universo de expressões culturais, unindo aos ensinamentos da capoeira e desenvolvi o Espaço Brincante”, explica o professor Brinquedo, como Warlon hoje é conhecido.
Aliar as brincadeiras infantis com a cultura popular. Ensinar por meio de instrumentos, arte, música e danças como a capoeira e o jongo, dança brasileira de origem africana que é praticada ao som de tambores. Fazer com que as crianças convivam umas com as outras e se apropriem do patrimônio lúdico e cultural brasileiro. Assim é o Espaço Brincante, uma ideia criada pelo Professor Brinquedo, já presente na Cidade de Deus e desenvolvida principalmente em organizações sociais.
“Conhecemos o professor Brinquedo numa apresentação na ONG. Nos apaixonamos pelo conceito e a forma como ele lida com as crianças. É muito importante que elas possam receber esse aprendizado, uma semente que brotamos e vai dar muitos frutos, conta André Melo, presidente da ONG Nóiz, presente na Cidade de Deus.
Capoeira desenvolve aspectos psicomotores
A Capoeira é uma luta de origem brasileira, que se desenvolveu ao longo da história agregando aspectos das culturas africanas, indígenas e europeias. Por décadas foi proibida e atrelada ao estereótipo negativo relacionado aos negros, aos indígenas e às culturas vindas desses povos. Hoje, a Capoeira é praticada em todos os continentes do mundo, e é a maior responsável por levar a língua portuguesa para outros países.
De acordo com o professor Brinquedo, a capoeira, na infância, trabalha com elementos das culturas afrobrasileira e indígena, desenvolve aspectos psicomotores, contribui para a construção identitária, além de auxiliar na desinibição, aumentar a flexibilidade e o condicionamento físico.
“Já o Espaço Brincante, vem para complementar e resgatar, através das brincadeiras e das diversas expressões da cultura popular, um espaço voltado para a educação patrimonial, contribuindo com inúmeros benefícios para a saúde e atuando como uma ferramenta pedagógica extremamente inclusiva”, finaliza o educador.
Como toda a atividade sem fins lucrativos, os projetos precisam de apoio, que podem chegar por meio de doações de materiais ou recursos. Segundo o professor, muitas crianças ainda não têm o uniforme para a prática da capoeira, algumas indumentárias utilizadas no espaço brincante e entre os instrumentos utilizados, ainda faltam os atabaques.
Jovens vizinhos da CDD se sensibilizam
“Depois de presenciar tamanha miséria, de tudo, de expectativa, de perspectivas, de carinho e pertencimento, eles entenderam que aquelas pessoas precisavam muito mais do que comida e outras doações. Precisavam de evolução, de amor e de capacitação”, conta a jornalista Juliana Moraes, que se encantou pelo projeto e resolveu aderir como voluntária.
Doações de alimentos para conter a fome na pandemia
“Daí arregaçamos as mangas e fomos distribuir cestas básicas, ações de sanitização e conscientização, incluindo distribuição de máscaras. Realizamos a comunicação dentro da comunidade com uma bicicleta, anuncio por megafone e distribuição de panfletos sobre a importância da higiene”, conta André.
Novos projetos criados após o isolamento
Caixotes do saber
Espaço Multiuso
Show de talentos
A Ong Nóiz promove no dia 23 de outubro, a partir das 9h, uma festa temática e inclusiva: Show de talentos, o palco é para todos. A proposta é fazer uma exposição de artes, com a presença dos mágicos sem fronteiras e animadores, onde cada espaço contará com uma criança para falar sobre as artes. A produtora cultural Priscila Fany, idealizadora do evento, explica que a ideia surgiu a partir da febre do Tiktok.
“Percebi que as crianças estão sedentas por dança, artes, apresentações, então usaremos tudo isso na festa. E já começamos a nos preparar desde já, pois a cada sábado as crianças tem trabalhado na ornamentação da festa, conhecendo artistas plásticos, criando releituras e esculpindo com argila”, explica.
Como ajudar