Escorpiões: ameaça silenciosa que aumenta com altas temperaturas

Aumento das temperaturas, causado por aquecimento global, favorece a reprodução de escorpiões. Saiba como se proteger e tratar em caso de picada

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Não é só dengue e outras arboviroses que estão ligadas às mudanças climáticas e ameaçam a saúde pública. Aquecimento global, desmatamento e urbanização descontrolada contribuem também para o aumento de casos de picadas de animais peçonhentos. Segundo o Ministério da Saúde, dias mais quentes e chuvosos criam ambientes mais propícios para a reprodução desses animais. A principal preocupação é o escorpião, já que metade das mortes por picadas venenosas vem dele.

Conhecidos dos brasileiros, esses artrópodes da classe dos aracnídeos – a mesma das aranhas – representam um problema de saúde cada vez mais grave no Brasil. Os últimos dados anuais atualizados do Ministério da Saúde, por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), correspondentes a 2021, apontam mais de 159 mil acidentes causados por escorpiões. Entre 2020 e 2022, as mortes por envenenamento no país aumentaram cerca de 76%.

Ativos durante todo o ano, embora com menor intensidade nas estações mais frias, os escorpiões não costumam atacar os humanos, pois não são agressivos naturalmente. No entanto, como mecanismos de defesa ao serem importunados, podem picar, além de utilizar por sobrevivência desse mesmo mecanismo para capturar suas presas. O escorpião-amarelo, por exemplo, é comum em períodos de chuva e perigoso principalmente a crianças e animais de estimação

Todos os escorpiões são venenosos, mas cada picada age de maneira diferente no corpo humano, de acordo com a quantidade injetada no momento da picada e com a espécie de escorpião. Por isso, caso tenha contato com o animal, procure um médico imediatamente para avaliar os riscos. O programa Fantástico, da TV Globo, do último domingo (25/2), trouxe exemplos de pessoas que sofreram com picadas desses animais em áreas urbanas, inclusive dentro de casa.

Sintomas da picada de escorpião

Os principais sintomas da picada de escorpião são dor intensa, sensação de ardência ou agulhadas e inflamação no local. Nos casos mais graves, pode acarretar aumento da frequência cardíaca, suores, enjoos, dificuldade para respirar, queda de pressão. O mais indicado é procurar atendimento médico e, se possível, levar o escorpião num recipiente bem fechado, para facilitar a identificação.

A Secretaria de Vigilância em Saúde ficou de desenvolver um aplicativo para avisar à população sobre os hospitais especializados em caso de picada de escorpiões, aranhas e outros, e facilitar o atendimento. A rapidez no atendimento é fundamental para evitar complicações da picada de um animal peçonhento. Em menos de uma hora e meia depois da picada, a pessoa precisa ser atendida.

Nesse tipo de atendimento, a orientação é não perder tempo. Na picada, só se deve usar água e sabão. Não é aconselhável fazer torniquete, porque não segura o veneno e pode aumentar o risco de necrose. A grande maioria dos casos o paciente não precisa receber o soro porque terá apenas sintomas leves e locais, incluindo dor.

Escorpiões adoram baratas

O crescimento dos grandes centros urbanos impacta diretamente no aparecimento de escorpiões. Além da presença de baratas, praga preferida dos artrópodes, o escorpião pode se esconder em lugares do cotidiano. O artrópode tem preferência por locais úmidos, de pouca luminosidade e com muitos insetos. Os aracnídeos podem ser encontrados abrigados sob pedras, tijolos, troncos ou rachaduras em pisos e paredes

Por possuir um tamanho pequeno para médio, o escorpião consegue com facilidade se alojar em entulhos e materiais de construção, em terrenos baldios ou construções. Vãos e frestas também são locais com chances de alocar escorpiões, assim como vasos, pedras, folhas e lixos. Esgotos, pela alta incidência de baratas, também são locais que podem acomodar o animal.

Para prevenir acidentes, alguns hábitos simples podem colaborar, como: evitar caminhar descalço, não colocar as mãos ou pés em buracos, sob pedras e troncos podres, checar calçados e roupas antes de vesti-los, não deixar roupas de cama ou lençóis pendurados ao nível do chão e sempre os sacudi-los antes de usar ou guardar, e manusear o lixo, lenha ou entulhos com cuidado, preferencialmente com luvas adequadas (luva de raspa).

5 dicas para manter a casa livre dos insetos

“Agosto e setembro são os meses de reprodução dos escorpiões, levando à proliferação dos animais, principalmente em regiões tropicais e subtropicais, e fazendo com que eles procurem mais as superfícies. É nesse período também que as fêmeas apresentam maior concentração de veneno. Por isso, vale a pena reforçar a proteção contra insetos rasteiros em casa durante essa época para evitar surpresas desagradáveis”, Elvis Barreto, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Reckitt Industrial, fabricante da marca SBP,

Evitar que esses aracnídeos se instalem e se desenvolvam não é uma tarefa simples. Para evitar acidentes,  traz cinco dicas que podem ajudar a manter a casa livre de insetos.

  1. Atenção redobrada à limpeza: ter cuidado com a higiene das áreas externas e internas fazem toda a diferença para se livrar de insetos, peçonhentos ou não. Caso tenha jardim ou quintal em casa, é importante manter a grama aparada, remover acúmulos de madeiras, pedras, entulhos e folhas secas, é uma forma de evitar locais de acomodação para o escorpião.
  2. Terrenos baldios: Evitar materiais de construção nas proximidades das casas também é importante. Além das medidas que devem ser tomadas dentro de casa, a vizinhança também pode colaborar monitorando terrenos baldios, que precisam ser limpos periodicamente.
  3. Restos de comida: Dentro de casa, é importante não acumular lixo ou comidas expostas, já que evita a presença de baratas, que servem de alimento para escorpiões.
  4. Tampar ralos e entradas: Manter os ralos de banheiro, áreas de serviço e pias de cozinha ou tanque fechados também pode impedir a entrada do bicho em casa. Tampar vãos das portas também é recomendado para mantê-lo longe da área interna. Usar telas em ralos, pias ou tanques. Vede frestas e fendas ou buracos ao longo das paredes e pisos e até mesmos as soleiras de portas e de janelas;
  5. Manutenção: Caso tenha acesso à caixa de esgoto e de gordura da sua casa, é importante criar o hábito de manutenção. A atenção regular impede que os escorpiões se escondam por lá durante o dia, já que costumam sair para caçar à noite.
  6. Cuidados com móveis e roupas: Os escorpiões podem utilizar tecidos para subir na cama ou no sofá. Afastar a cama da parede e ficar atento para que cobertas, lençóis e colchas não encostem no chão pode impedir surpresas à noite. Sempre verificar os sapatos antes de calça-los também é importante.
  7. Como fazer a desinsetização

  8. Aplicar inseticida regularmente ajuda no controle da população de escorpiões na área. Procure um inseticida próprio para pragas rasteiras – ou seja, baratas, aranhas, formigas doceiras e principalmente escorpiões – para poder eliminar rapidamente essas pragas. Lembrando que, para garantir a aplicação correta, é necessário checar as instruções de uso da embalagem.
  1. Para o combate adequado a esses aracnídeos pode ser necessário contratar uma empresa profissional de controle de pragas com experiência na área, pois a inspeção e o diagnóstico são cruciais antes de definir a estratégia a ser adotada. Dessa forma, os métodos implementados serão personalizados de acordo com a situação específica do local, por exemplo utilizando inseticidas profissionais, além de orientar com mais critério sobre as medidas de prevenção.

    “Os inseticidas são ferramentas fundamentais no manejo dos escorpiões, no entanto, devem ser utilizados com cautela, exclusivamente por profissionais ligados a instituições ou empresas especializadas. O uso amador dessa ferramenta pode, inclusive, agravar a situação e aumentar os riscos de acidentes. Sendo assim, a adoção do MIP (Manejo Integrado de Pragas) é de extrema importância para mitigar os problemas relacionados ao escorpionismo”, conclui Jeferson de Andrade, pesquisador da área de Desenvolvimento de Produto e Mercado da BASF.

Os tipos mais comuns de escorpião

As mais de 100 espécies de escorpiões encontradas no Brasil têm em média duas ninhadas por ano, mas só quatro tipos ameaçam: o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), o escorpião-marrom (Tityus bahiensis), o escorpião-amarelo-do-Nordeste (Tityus stigmurus) e escorpião-preto-da-Amazônia (Tityus obscurus)

A maior parte das ocorrências na América do Sul, principalmente no Brasil, é causada pelo escorpião do gênero Tityus, em sua maioria da espécie Tityus serrulatus, popularmente conhecido como escorpião-amarelo. A espécie chama atenção pelo potencial do envenenamento e pela expansão geográfica no país, favorecida por sua alta reprodução e fácil adaptação ao meio urbano.

O escorpião-amarelo é mais comum nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. Pode medir até 7cm e possui pernas e cauda com pigmentação amarela, enquanto o tronco é marrom escuro. Suas principais fontes de alimentação são baratas, aranhas, cupins e grilos. Sua picada é venenosa, com dor intensa, ardor e queimação.

A fêmea do escorpião-amarelo, a espécie mais perigosa, reproduz sozinha e chega a criar mais de 20 filhotes. O escorpião amarelo tem hábitos noturnos e só ataca quando se sente ameaçado.

O escorpião-marrom é um pouco menor em tamanho, com até 6cm e é mais comum na região leste e central do Brasil. Sua fonte de alimentação é a mesma do escorpião-amarelo, e sua picada também é venenosa e extremamente dolorida, apesar de sua toxina ser menos poderosa.

Quando adultos, podem medir entre 4 e 12 centímetros de comprimento. Durante o dia, escondem-se sob pedras, tijolos, troncos ou rachaduras em pisos e paredes. Com o ajuda de suas pinças (pedipalpos) e muitas vezes de seu veneno, predam e se alimentam de diversos insetos como baratas, além de outros invertebrados e até mesmo pequenos mamíferos.

“O escorpião é um animal muito perigoso. É necessário ter muito cuidado ao lidar com o invertebrado para não pôr em risco a saúde de ninguém”, explicou o biólogo e diretor técnico da Rentokil, Carlos Peçanha.

Animais venenosos se espalham em áreas urbanas

Evidências mostram que a cada ano aumenta o número de acidentes com animais venenosos, que se espalharam em áreas urbanas onde antes não eram vistos. Em áreas de mata, eles gostam de se esconder em buracos, pedras e troncos. Nas cidades, procuram locais parecidos e a recomendação é manter o mato baixo, limpar entulhos e tapar os ralos.

A prefeitura de São Paulo mantém um programa de monitoramento contra animais peçonhentos. Após a identificação, os animais são levados para o Instituto Butantan para a produção de soro. Há mais de 120 anos, o instituto pesquisa os peçonhentos. São cerca de 20 mil escorpiões enviados por municípios de todo o Brasil.

Além dos escorpiões, o foco da atenção está em dois tipos de aranha: a armadeira, mais comum de mata, e a loxosceles, mais comum nos lares brasileiros.

Escorpião escondido em pedra — Foto: Reprodução/TV Globo
Escorpião escondido em pedra (Foto: Reprodução/TV Globo)

Palavra de Especialista 

Aumento de temperatura favorece proliferação de escorpiões

André Maciel Pelanda e  Rodrigo Berté*

Determinadas condições climáticas, como o aumento da temperatura, podem favorecer a proliferação de escorpiões, fazendo com que o índice de acidentes com estes animais seja mais elevado.  Os escorpiões estão entre os animais mais antigos do planeta Terra e possuem um exoesqueleto, que é uma camada interna resistente e flexível, porém, se difere dos ossos dos vertebrados.

As características morfológicas dos escorpiões permitiram que pudessem colonizar uma grande variedade de ambientes terrestres, sendo que existem cerca de 2000 espécies espalhadas pelo planeta. A maior parte das espécies habitam regiões que apresentam um clima tropical ou subtropical, como grande parte das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil.

Eles se alimentam principalmente de pequenos insetos, como aranhas e baratas e podem predar até mesmo pequenos vertebrados, como rãs e roedores, e apresentam glândulas que produzem uma peçonha que é inoculada em suas vítimas através de ferrão conhecido como télson.

Em função de seus hábitos alimentares e dos riscos que representam, os acidentes com estes animais, os escorpiões podem causar problemas para a saúde das populações humanas que estão localizadas nas regiões que estes animais se distribuem, sendo animais sinantrópicos, ou seja, se adaptaram para viver na presença dos seres humanos.

As grandes cidades apresentam um excelente habitat para os escorpiões, já que fornecem abrigos através das redes de esgoto e quando o lixo não é recolhido ou destinado em um local adequado, pode atrair insetos e pequenos animais que fazem parte de seu leque alimentar.

No Brasil, se destacam o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) e o escorpião-marrom (Tityus bahiensis), as duas espécies apresentam uma peçonha neurotóxica que age sobre o sistema nervoso e pode gerar óbito por parada cardíaca ou edema pulmonar.

Pessoas idosas que apresentam problemas preexistentes, com diabetes e problemas cardíacos, podem apresentar uma maior sensibilidade ao veneno dos escorpiões, devendo fazer uma busca por ajuda médica imediata em casos de acidentes com estas espécies, pois o soro antiescorpiônico apresenta uma maior eficácia se for aplicado logo após a picada.

Alguns cuidados são extremamente necessários para manter os escorpiões afastados das residências, como o hábito de manter o quintal das casas limpos e sem a presença de entulho, o descarte de alimentos em locais inadequados deve ser evitado em função de que pode atrair insetos, e, consequentemente escorpiões.

Também, deve-se evitar deixar calçados próximos de móveis e tampar os ralos dos banheiros, já que os escorpiões podem adentrar a parte interna das residências através destas tubulações. As mudanças climáticas contribuem com o aparecimento da espécie inclusive na região sul do Brasil.

*André Maciel Pelanda é tutor central do curso de Gestão Ambiental do Centro Universitário Internacional Uninter; Rodrigo Berté é diretor da Escola Superior de Saúde, Biociência, Meio Ambiente e Humanidades do Centro Universitário Internacional Uninter.

Com Assessorias

 

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